31.3.08

Not an ordinary Monday

Hoje quando eu acordei algumas coisas estavam fora do lugar.

O céu estava mais azul.
O reflexo do sol, que vem do prédio da frente, estava mais forte.
O olho estava mais difícil de abrir.
O corpo estava mais difícil de mexer.
O sonho estava mais difícil de acabar.
O sorriso estava tão dado, tão fácil, tão bobo-alegre.
O óculos, por incrível que pareça, estava mais vermelho.
O jornal estava mais bacana.
A Umbanda estava mais velha, completando cem anos.
A mosca estava mais barulhenta.
A música estava mais dançante.
O despertador berrava muito mais alto.
Meu francês estava mais fluente.
Um grande amigo continuava na Austrália, mas a Austrália parecia muito mais longe do que já é.
As músicas tristes estavam quase intoleráveis.
Eu estava mais fotogênica.
Eu estava muito mais descabelada.
A torrada do café da manhã estava mais crocante.
E a papaya, por sua vez, mais docinha.
A Cidoca estava ainda mais simpática.
E minha mãe fumava menos logo cedo à mesa.
O vento estava mais fresquinho.
O outono parecia chegar de verdade.
A gente estava mais cheia do que sempre.
A amiga dos loucos scraps às segundas pela manhã estava mais louca do que nunca.
O sol do Nordeste parecia mais perto da minha realidade.
As Cataratas do Iguaçu, um pouco mais longe.
A água desceu mais refrescante.
E a semana resolveu que ela promete, em todos os aspectos da vida que uma pessoa possa ter.

26.3.08

Uma noite e duas músicas no dia seguinte

FLY ME TO THE MOON
Fly me to the moon
And let me play among the stars
Won't you let me see what spring Is like on Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, darling, kiss me
Fill my heart with song
And let me sing forevermore'
Cause you are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you
Oh
In other words, please be true
In other words, I love you

SINGING IN THE RAIN
I'm singing in the rain
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I have a smile on my face
I walk down the lane
With a happy refrain
Just Singin', singin' in the rain
Dancing in the rain
I'm happy again
I'm singin' and dancin' in the rain
I'm dancin' and singin' in the rain

O café se transformou em chopp e tive uma das noites mais legais ever da vida, do tipo de noite que eu não conhecia há muito tempo.
Hoje tô assim, toda babaca.
Tipinho irritante mesmo.

24.3.08

Chocolate, Floral, SMS

Do CHOCOLATE
Nem muito nem pouco. Na casa da madrinha, cobrindo o damasco azedinho. Aqui em casa, um ovo dos pais, pequeno e simbólico, é fato. Um ovo da madrinha, grande e inteirinho recheado de beijinho. Uma loucura. Um ovo da avó. Grandão. Um ovo do padrinho, dos preferidos. E Línguas de Gato do tio. Estoque suficiente pra suprir a carência emocional por meses, provavelmente. Para me ajudar quando não conseguir desanuviar sozinha. Para me ajudar quando a TPM for maior do que eu.

Do FLORAL
A acupunturista disse que seria bom.
Eu não sei se a terapeuta deixa.
A mãe achou estranho.
Eu me encantei com a possibilidade.
Mais uma coisinha para esse meu sincretismo mucho loco.

Do SMS
Antes de dormir, logo depois do MSN.
Intuito fofo de SMS. Eu tornei uma troca de mensagens nonsense.
"Nossos celulares não se entendem". "Não preciso manjar pois você me explica". "Bons sonhos". "Backlog de itens efetivos na agenda". "Café terça?". "Café terça".
Não necessariamente nessa ordem.
Encantamento é gostoso.
Começo é gostoso.

Tomara que role o café terça.

19.3.08

O outono chega

Tudo bem, tudo bem, eu sei que não temos mais estações definidas em São Paulo. Também sei que o inverno não será e já não é mais frio, e o outono não será e também já não é mais friozinho. Sei também que a primavera será uma mera continuação do calor invernal e infernal (inversão térmica, essa praga que nos assola a cada julho seco) e que o verão será a intensificação, embora chuvosa, do calor de todas as outras estações.

Mas a questão para mim vai além.
Eu simplesmente ADORO o inverno.

Moraria fácil em uma cidade de temperatura média anual não acima dos 15, e de preferência na maior parte bem abaixo disso. Não penso em morar no Nordeste porque morreria de infelicidade de abandonar meu guarda roupa de inverno em São Paulo, Nordeste só é bom para férias, quinze dias no máximo e olhe lá, não aguento todo aquele calor não. Eu passo o tempo todo entre março e setembro acompanhando de perto o noticiário metereológico (Josélia Peggiorin, da Climatempo, diretamente para a Rádio Eldorado FM), esperando que anunciem uma garoa, uma frente fria, uma noite com mínima de sete graus. A Lau disse que eu tenho um oratório de nuvenzinha, onde eu fico rezando e implorando que chegue logo a frente fria. Mesmo morando nos trópicos, meu guarda-roupa de inverno é mais vasto do que meu guarda-roupa de verão (e olha que meu aniversário é na primavera). Eu aprendi metereologia sozinha, quase como uma auto-didata, misturando conceitos de física, biologia, geografia, química, simplesmente pelo instinto de sobrevivência de querer entender quando a frente fria chega. Mesmo com um calor de 30 graus lá fora, me fecho no meu quarto, ligo o ventilador, e fico experimentando meus looks de inverno, como que querendo matar saudades das roupas (essa crise tem geralmente seu auge em janeiro).

Fico feliz quando o tempo permite e pede que eu durma de meia.

Pois bem. Tudo isso posto, já é possível imaginar minha vibração de felicidade quando o tempo fechou quinta da semana passada, né? O oratório de nuvenzinha estava quase com um brilho neon de tão feliz. Ele estava funcionando, finalmente...

Me empolguei. Peguei a calça jeans, a blusa de manga três quartos, a capa de chuva comprida, uma bota. Estava vestida de outono, pela primeira vez em 2008. E isso se repetiu algumas outras vezes entre sexta e segunda... me vestir de outono todos os dias, feliz, realizada, testando os visuais. Fazer maior visual outonal produzido simplesmente pelo prazer de me vestir de outono, mesmo que seja só para pegar pão na padoca.

Fazer o que? Eu sou assim... tinha que ter nascido em algum lugar frio...

Foi completamente uma over reaction outonal. Mas que eu adorei, adorei.

16.3.08

O tio da Little Miss Sunshine e o Sartre

OU: PONTUANDO COISAS QUE ME DÃO INSÔNIA EM PLENO SÁBADO

- mudança na prática do complexo e me acostumar com essa novidade.
- email discutindo o menino de oito anos que passou na faculdade, e uma resposta bizarra de uma linha.
- email discutindo coisas meio deprês e depois discutindo coisas meio felizes, mas tudo meio estranho e intalado.
- conversar com o ex fofo de uma grande amiga e ver como é triste certas coisas.
- chegar em casa e entrar no MSN, por estar com insônia.

E embora tudo esteja muito abstrato (é para estar mesmo), cheguei em casa e me olhei no espelho do elevador. O cabelo estava bom, a cara estava boa, a maquiagem estava boa, a roupa estava boa, e mais uma vez o fim da noite tinha um destino absolutamente solitário.

11.3.08

Retificação

Contra todas as previsões, chegou hoje minha Carteira do Cidadão. Peço desculpas à CEF se por um dia inteiro subestimei sua eficiência. Agora me surpreendi, e acho justo que me retrate nesse mesmo fórum onde uma vez a critiquei.
Sem mais.

10.3.08

Destino: Centro - Parte V, Final

OU: DO RETORNO PARA CASA

Feliz com os resultados obtidos durante o dia, seguro-desemprego encaminhado, Cartão-Cidadão protocolado, FGTS depositado, e almoço aproveitado, voltei para casa com aquela inspiração gostosa de quem se sente vitoriosa. Aquela coisa de ar que enche peito que estufa tórax que projeta externo para frente ombros para trás escápulas para baixo encaixa a púbis não força a lombar e anda bem. Nossa, e como anda bem! Firme, em frente, e com fé.

Passei de novo na frente do Centro Cultural Banco do Brasil, e lá estava um duo de violinistas muito bonito, tocando o Fantasma da Ópera que era de emocionar. Do meu lado, mais uns dois ou três gatos pingados. Um deles era uma mulher, segurando a bolsa debaixo do ombro, e que foi assaltada por dois menininhos frenéticos que eu tinha visto duas esquinas atrás cheirando cola. Não tinham mais de oito, dez anos, com certeza absoluta. Foi triste ver, mesmo.

Daí peguei a rua da Quitanda e fui... passei pela Patriarca e sua marquise branca e bizarra, absolutamente fora de qualquer contexto naquele centro bonito. Atravessei o Chá, Anhangabaú lindo lá embaixo, muitas lembranças e muitas saudades da Virada Cultural do ano passado, querendo que chegue logo a desse ano, experiência cultural que deu muito certo nessa SP cheia de uma população necessitada de viver bem e plenamente o espaço público e que raramente consegue.

Cheguei ao shopping Light, irresistível quiosque de sorvetes do Mc lá logo na entrada, um McFlurry por favor, e sentei na escadaria do Municipal, de onde contemplei. Contemplei o sorvete, o calor, o suor, o sol, o barulho, a sujeira, a pobreza, a beleza, a feiúra, e tudo o mais que se pode contemplar sentada na escadaria do Municipal. Contemplei inclusive o cheiro de xixi, que estava forte. McFlurry aroma urina.

Atravessei de novo o Chá, já de volta para casa. De lá pegaria a Libero de novo, e depois a rua do Ouvidor, a passarela, e chegaria no Terminal Bandeira. Escolhi conscientemente o caminho mais longo, apenas pelo prazer de acabar a caminhada.

Quando olhei, do Chá, para onde a 9 de Julho e a 23 começam, vi uma bandeira do Brasil enorme hasteada lá. Bem grande mesmo. Eu nunca tinha visto aquela bandeira. Bonita.

7.3.08

Destino: Centro - Parte IV

OU: DO ALMOÇO

Pois bem que naquela loucura daquele labirinto burocrático e sobe escada e desce escada e entra em fila e sai de fila ligou o telefone tocando e era ele com quem eu tinha combinado um almoço. Saio correndo da CEF, praticamente deixando o inferno terreno e tão quente para trás e indo almoçar com o amigo que hoje é uma das pessoas mais fortes e importantes na minha vida. Não fomos almoçar em um lugar com ar condicionado e fresquinho, mas simplesmente sua companhia me traz a brisa leve e gostosa que eu precisava sentir na vida naquele dia.

Antes disso, fui a pé até a SanFran, já que eu sabia que ele estaria lá por perto, e fiquei observando o movimento de advogados engravatados naquela região, tão louca essa força essa tradição e toda a história da mais antiga faculdade de direito de São Paulo. Não sei dizer bem o que é esse ímã, desde aquele agosto de 2000 quando fui apresentada à SanFran nunca entendi ao certo o que é isso que ela exerce sobre seus alunos. Grandes amigos, um primo, duas primas distantes, e toda uma constelação de conhecidos e queridos já estudaram na SanFran. Todos eles mantém até hoje essa ligação muito forte que não dá para entender. Já sei que a faculdade onde estudamos tem muita importância na nossa história de vida, eu mesma sou uma prova viva disso, mas a SanFran tem alguma coisa inexplicável e muito forte e muito louca.

Divagações à parte, fiquei lá esperando o amigo ligar e ele ligou e eu fui lá para a rua Riachuelo. Subi e conheci o escritório dos queridos do peito... tão bonitinho o escritório, tão ajeitadinho, com tanta carinha de coisa legal. Saí de lá extremamente bem impressionada. Eu acompanho as histórias do escritório de perto, todas todinhas, mas ver o que é o escritório de verdade, ver o amigo ser chefe de verdade, cumprimentar os porteiros, brincar com o ascensorista... e pronto, conheci de verdade o escritório. E bato palmas. E tiro o chapéu. E sei que, com aquelas pessoas lá, com aquela lousinha lá, vai longe...

Almoçamos em um restaurante que é o mais pé-limpo dentre os pés-sujos do centro. Parece que ele quis ir devagar, doses homeopáticas de centrisse aguda em mim, e a comidinha estava boa e para manter a tradição a conversa estava boa também. E de fato, o restaurante era limpinho. A comida, normal - nem boa nem ruim. Poderia ser pior... Daí fomos tomar cafézinho, e ele queria me mostrar que o centro também pode ser high-level. Ok, ok, tomemos cafezinho cheio de frescuras, menino, tomemos... e no papo do almoço e do cafézinho, histórias do centro, das bagunças, dos restaurantes chiques e caros, dos restaurantes muito sujos com garçons que ficam gritando um pro outro, e assim em diante.

Ele se sentia meu anfitrião, a pessoa responsável por me mostrar que o centro é legal, mesmo que eu já soubesse disso. Ele estava me mostrando o centro DELE, e era isso o mais relevante daquele almoço. Muito louco isso de eu aparecer lá no território dele, mas que é todos, só que é mais dele do que meu, e aí ele toma para si a responsabilidade de me mostrar o espaço. Meio pavão, macho orgulhoso, enche o papo e conta histórias com orgulho. Com a diferença que não estávamos falando de uma cerimônia do acasalamento, estávamos falando apenas de um almoço entre amigos (amigos que se vêm duas vezes por semana, normalmente).

O homem em geral tem uns mecanismos, para dizer o mínimo, curiosos...

Quase duas horas depois, eu tinha que voltar para a Caixa e ele tinha que voltar para o escritório. No café, ele queria me mostrar o caminho de como eu chegaria de novo na CEF, e qual não foi a surpresa dele quando ele descobriu que eu, a patricinha perdida no centro, sabia exatamente onde estávamos e sabia melhor ainda o caminho da volta.

Um forte abraço, e a certeza de que na próxima vez nosso almoço será no Flor da Sé - o pé-sujo dos pés-sujos da Praça da Sé.

3.3.08

Elvy x Aura: Na trincheira da fronteira do conflito iminente

As duas são bem formadas em boas universidades e trabalham em uma grande e boa empresa, onde eu costumava trabalhar até ano passado.

Elas eram nosso suporte para assuntos operacionais locais de cada um dos países, assuntos nos quais à distância não poderíamos tocar, mesmo sendo "Latin America Service Center" para esse tópico com o qual trabalhávamos. Por exemplo? Pagamentos nas folhas, remessa de montantes, pedidos de visto, essas coisas...

A Elvy, da Venezuela, a boa performance em pessoa. Uma graça de simpática, pela foto ela era até bonitinha, adorava falar com a gente no telefone.

A Aura, da Colômbia, personalidade polêmica (para dizer o mínimo). Fofinha à priori, mas quase não respondia emails, nem atendia telefonemas, e dava canos atrás de canos e fugia que era uma beleza. O curso de sabonete que ela tinha feito era bem sucedido.

Pois bem. Muitos transitavam entre Venezuela e Colômbia a trabalho e o caminho inverso tambem é verdadeiro. Ou seja, necessitávamos à exaustão que as duas trabalhassem bem juntas. Mas sempre, sempre, sempre que precisássemos de alguma coisa que as duas fizessem, só mesmo fazendo call com as duas ao mesmo tempo, e mesmo assim ninguém garantiria que o serviço sairia.

Aura não gostava de Elvy, Elvy não gostava de Aura, e era declarado. Mesmo assim, Elvy costumava dar um belo dum banho de superioridade porque ela faria as funções necessárias. A Aura não, tática de guerrilha, aprendizado com as FARCs, fugia fugia e não fazia o necessário.

Politicamente, Elvy era da elite venezuelana, do tipo que saiu às ruas quando Chávez perdeu o plebiscito do ano passado de reeleições eternas. Aura era contra Uribe, "el embajador de las voluntads de los EEUU que eran muy prejudiciales a mi patria linda".

Agora, o país de Aura invadiu ilegalmente as fronteiras com o Equador, matou pessoas dentro do Equador, e cometeu um ato de guerra. E o Chávez, ao qual a Elvy é contra, mandou suas tropas lá para o meio do mato, onde a Colômbia e a Venezuela se encontram, no meio da Amazônia. Todos entrincheirados na fronteira. Estudantes e ex-estudantes de RI todos com formigas na barriga, de pensar em Clausewitz em uma guerra oficial entre Estados, não só guerras civis, mas sim daquelas guerras que a gente só vê na Europa e aqui nessa latinidade bagunçada, só vimos no Paraguay e mesmo assim já faz tempo.

De qualquer forma, eu particularmente duvido que vire guerra. Acho que, para variar um pouco em se tratando de Chávez, são bravatas e ameaças em alto e bom tom. E só.

Do meu lado só fico triste porque aposto que se Aura e Elvy já não trabalhavam juntas antes... que dirá agora!

Destino: Centro - Parte III

OU: DA BUROCRACIA BURRA DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

De verdade que eu tinha saído feliz do Poupa Tempo e da rapidez com a qual fui atendida. Daí me perdi um pouco pelos meados das ruas pequeninas que cercam a Sé, quase foi atropelada por um motoqueiro louco, e achei o prédio central da Caixa após pedir ajuda prum guardinha antipático e péssimo da Guarda Civil Municipal.

Muito bonito o prédio da CEF lá na Sé. Histórico, abriga lá dentro um centro cultural. Escadarias antigas, janelas antigas, aquele mármore que não acaba mais... uma coisa linda de deixar qualquer mortal em busca do Bolsa Família abismado.

Pois bem. Mas eu estava em busca do meu FGTS. E como foi demorado consegui-lo... Primeiro me indicaram o andar errado, o primeiro andar. Segundo, cheguei no andar certo, o terceiro, e fiquei na fila porque na teoria dos carinhas da porta do andar eu precisaria necessariamente ter o protocolo do meu Cartão Cidadão para prosseguir com o saque. Fiquei na fila, pedi o tal do cartão, chega em 30 dias na sua casa, ok entrei no banco. Não tinha muita fila para os caixas, então logo fui atendida. A moça foi bem gentil e eficiente (uma rara Nilma na CEF), me garantiu de pés juntos que não, eu não preciso do protocolo do Cartão Cidadão para sacar meu FGTS.

MAS tinha um probleminha (porque óbvio que além de perder 40 mins na fila do desnecessário Cartão Cidadão, algo a mais também precisaria dar errado). O nome da minha mãe estava registrado no meu PIS com um "NA" a mais. Lá ela era Mariana Cristina, e não Maria Cristina. "Não posso pagar seu FGTS como essa informação errada". Coloco a máscara "loser do labirinto da burocracia" na cara e desço pro primeiro andar, no balcão de informações, onde poderei corrigir esse dado. Tive também que pedir o cancelamento do meu Cartão Cidadão, porque nele o nome da minha também estava errado, já que tinha tomado como base a informação do registro do PIS.

Desço bufando as escadarias, com um mau-humor que nem cabia dentro de mim de tão intenso. Me fez abrir um sorriso o telefonema do amigo querido vizinho e irmão de fé e sei lá mais o que falando que ele estava me esperando pro almoço.

1o andar, balcão de informações, burocracia pública daquela maior má vontade do mundo inteiro. Mais 27 minutos na fila, cronometrados e justinhos (só tinha duas pessoas na minha frente, essa informação é bastante relevante para enfatizar o pé no saco). Tiro o "NA" a mais do nome da minha mãe e saio em disparada pro almoço, porque já era tarde, eu estava faminta, e almoçar seria um belíssimo dum prêmio merecido àquela altura do campeonato.

Almoço e volto, ânimos refeitos, nome da mãe sem o "NA" a mais, e decisão de que seria sim uma boa refazer o Cartão do Cidadão porque com ele eu só precisaria ir a uma lotérica qualquer para sacar o Seguro-Desemprego.

O cara do Cartão-Cidadão riu da minha cara ao me ver entrar na fia de novo. Na minha frente na fila, uma senhora bem velhinha e com cara de mãe de família chora ao ver o cara rasgar o cartão do Bolsa Família dela. Aparentemente ela tinha demorado um tempão para conseguir um daquele, mas daí o endereço residencial dela mudou e ele achou justo que ela esperasse mais seis meses pelo cartão dela do Bolsa Família.

Pois bem, refiz o Cartão Cidadão, mesmo sabendo que esse protocolo era desnecessário para o saque do FGTS. Entro na fila do caixa, e lá se vão outros 53 minutos... (sim, porque afinal quem está lá naquela fila é porque não tem mais nada para fazer da vida a não ser tirar o dia para brincar de labirinto da burocracia da CEF). Saco o tal do FGTS, pago os 14 reais (assalto!) de doc pra minha conta, e saio de lá correndo.

Correndo, correndo, correndo, como o diabo foge da cruz, torcendo para nunca mais voltar - a não ser que tenha alguma exposição legal lá no Centro Cultural.

Dialética Kafkaniana

OU: DA BARATA DA VIZINHA

(para o leitor fiel: a série "Destino: Centro", voltará em breve, com três novos e inéditos e ainda inexistentes e totalmente emocionantes posts: "Da burocracia burra da Caixa Econômica Federal", "Do almoço" e "Do retorno para casa". Você não perde por esperar!)

E aí eu li Kafka no primeiro ano de PUC. Já tinha lido no 1o colegial, mas o Kafka basicão: "A Metamorfose". No primeiro ano de PUC, um Kafka mais crítico, mais denso, e mais desesperador: "O Castelo". Para aprender política, Rousseau e Hobbes na veia para assustar bichos de primeira viagem. Depois, só voltei a ler Kafka ano passado, "Carta ao Pai", que ficou tanto tempo intalado na minha cabeceira. E agora está intalado na cabeça. E na garganta, aquela intalação desesperadora de um berro anti-oposto-do-Édipo. Pretendo ler mais Kafkas, mas por enquanto, nessa vida kafkaniana, quero antes dar cabo desse berro anti-oposto-do-Édipo. Então deve demorar mais alguns anos de terapia, talvez, para que eu consiga ler outro Kafka.

Antônio, você está aí?
Antônio, você tem me visitado aqui?
Antônio, você me entende?

Mas voltemos. Domingão, aquela insônia básica pré-começo-de-semana, e eu aqui no MSN. Daí eu disse que eu estava elétrica, e ele perguntou se eu estava apaixonada (por quem eu estaria, meudeusdocéu? Por quem??) no que eu respondi que apaixonada, só por mim mesma. (Porque mulher inteligente é assim mesmo: orgulhosa) Daí ele me achou desanimada e eu disse: desânimo? Eu que o diga... e daí ele quis saber que que eu queria dizer com esse eu que o diga. E eu disse que eu só tinha dito eu que o diga porque antes de tudo ele tinha perguntado se eu estava com insônia por que estava apaixonada e eu disse que apaixonada só se for por mim mesma e ele citou desânimo e eu disse: eu que o diga.

E disse a ele que então tínhamos instaurado a dialética kafkaniana. Disse a ele sobre O Castelo, qual é a história do livro, e qual foi o contexto de vida no qual li esse livro. Contexto esse que vocês podem conferir acima. Expliquei a ele (nas entrelinhas, obviamente como toda mulher e ainda por cima boa escorpiana que sou que se preze) qual seria a relação do Kafka com aquela conversa. Ele lembrou do Kafka, da barata e, pelo msn, e assumindo que fazia piada barata (isso eu tiro o chapéu: esse cara tem um bom senso de humor) começou a cantar a música da barata. Daí eu arrematei, perguntando como fomos parar lá, na paixão, no desânimo, na barata, no Kafka, e no castelo. Nisso ele respondeu que era porque nossos pais tinham nos educado de boa forma e nos oferecido boa educação. Eu bati palmas clap clap clap, porque achei uma saída inteligente. Imediatamente foi escolhido outro assunto para abordarmos virtualmente.

De qualquer forma, conclusão nenhuma foi atingida, e ele permanece sem entender que que eu quero dizer por: eu que o diga. Resumindo a ópera e deixando as entrelinhas de lado, a verdade é que tudo que é devagar por excesso e por princípios pode ser potencialmente e deveras desanimador (fato acentuado pelo fato de eu ser escorpiana, absolutamente passional, verdadeiramente intensa). Eu que o diga, porque ele nunca dirá. Mas de qualquer forma jamais poderia estar apaixonada, a não ser que por mim mesma.

A boa notícia é que tive um diálogo deveras interessante e realmente intrigante nesse domingo à noite. O conhecimento dele por literatura não me decepcionou, muito menos o gosto (dele, meu) bastante atípico por piadas de gosto duvidoso.

Detalhe importante: o Antônio com quem eu dialogo nesse blog não é o mesmo ser humano com o qual eu dialogava no msn o diálogo doravante aqui retratado. (Apenas porque essa observação é bastante importante para o entendimento do post... e aliás, para bom entendedor meias palavras bastam, e o Antônio e o ser humano do diálogo teriam entendido)

Esse diálogo bastante interessante também me trouxe um bom tema para um bom post, então na verdade eu tenho mais é que agradecer pela companhia.

E no começo (da semana), (eu) era o pó. Boa noite de insônia de domingo a vocês!

1.3.08

Destino: Centro - Parte II

OU: DA BUROCRACIA INTELIGENTE DO POUPA-TEMPO

Mesmo caminho do dia anterior, com uma batida de perna um pouco maior, e logo cedo. (Por cedo, considere 10 e meia da manhã, que essa vida de horários flexíveis está me proporcionando algumas boas mamatas)

Minha grande sorte é que não estava muito quente nem muito abafado, e não fazia sol. Estava nublado, mas também não chovia. Simplesmente o tempo ideal para longas batidas de perna pelo centro.

Depois de passar pelo Páteo do Colégio, segui até a bagunça da Sé. Bagunça deliciosa e barulhenta, aquela coisa miscelânea absurdamente. Pastores engravatados pregando ao lado de mendigos bêbados e da Guarda Civil Metropolitana. Tudo isso em uma praça muito grande e muito bonita e verdadeiramente cheia de gente, embora muito suja e depredada também. Andei bastantão por lá, já que o Poupa Tempo está no final da praça.

Muita fila no Poupa-Tempo, mas os caras por lá são bons. Eles sabem fazer a coisa certa. Fui dar entrada no meu de seguro-desemprego. Primeiro uma fila pequena e rápida onde eles verificam se a documentação está ok e pronta. Daí ganhei uma senha e fiquei esperando que meu número apitasse vermelho no painel. Não esperei nem muito nem pouco, apenas o suficiente para ficar lá observando.

Mas no Poupa-Tempo ninguém puxou papo, então foi muito mais uma observação distanciada. Muita gente pedindo Seguro-Desemprego, mas mais gente ainda na fila para se cadastrar para os programas de emprego do governo do Estado. Não sei se esse programa funciona, mas tem muita gente que acredita nele. Eu torço para que dê certo para todo mundo. Aparentemente dá, porque embora tivesse muita gente se cadastrando pro Seguro-Desemprego, as taxas de emprego estão subindo, então acho que algum dia todo mundo que estava lá vai achar uma vaga para chamar de sua.

Depois do meu lado se sentou um mocinho com roupa de descolado. Realmente um outsider que nem eu, mas ele fazia questão de se mostrar outsider. Fiquei torcendo para que o celular dele tocasse e eu pudesse ter uma noção do background do marotinho. Qual não foi minha sorte quando o celular dele tocou... não só uma, como duas vezes! Na primeira vez era o pai ligando, e os dois discutiram pelo celular e em pleno Poupa-Tempo onde as pessoas vão pedir empregos que paguem 200, 600, talvez estourando mil reais, o que eles iam fazer com sete mil. Discutiram as possibilidades de comprar Vale, Petro, ou alguma menor que envolvesse mais riscos e mais ganhos. Queriam com esse dinheiro diversificar os investimentos deles na Bolsa. Sim, eles estavam discutindo sete mil reais para comprar ações. Sim, as pessoas ao nosso lado queriam um trabalho que pagasse 6oo no mês, pessoas bem similares à Dona Vânia ou ao Seu Pedro do dia anterior. Daí ele disse ao pai que depois do Poupa-Tempo teria que ir à FAAP se matricular na DP de História da Economia. Eu particularmente não sei o que eu odeio mais: se são os estereótipos, ou se são as confirmações dos estereótipos. Daí a avó ligou: pediu ao menino que fosse com o motorista dela retirar os vinhos que ela tinha encomendado para o jantar daquela noite. Aiai, e ele lá no Poupa-Tempo. Antes que você, ó caro leitor, me pergunte o que esse menino estava fazendo lá, eu te respondo: ele estava pedindo a Carteira de Trabalho dele, ia começar a trabalhar em uma corretora de ações e precisaria ser registrado.

Daí apitou vermelho meu número no painel. Mesa 21. Era a Nilma minha atendente, mulher bonita, com aquelas rugas que denotam uma bela história de lutas por trás do que eu não via. Não bati papo com ela, ela pedia a documentação e eu dava. Mas fui cordial com ela, e ela cordial, rápida, e eficiente comigo. Me tratou bem, me deu o protocolo carimbado, 30 dias e estará disponível. Disse um muito obrigado bastante sonoro e bem pronunciado, para não deixar dúvidas que eu realmente estava agradecendo a ela. Disse também um tenha um bom dia bastante sonoro e bem pronunciado, porque era realmente isso o que eu desejava a ela, ela que me tratou tão bem. Poxa, ela me respondeu com um sorriso (banguela, mas com batom vermelho). Mais do que meu Seguro-Desemprego em 30 dias, recebi um sorriso da Nilma. Não poderia sair de lá mais feliz do que isso, de um tanto que até fiquei emocionada.

Eu saio feliz todas as vezes que me dirijo ao Poupa-Tempo e que vejo como a burocracia pode ser bem gerenciada e funcionar belamente. É mais ou menos como telefone celular: a gente vivia bem sem ele, mas hoje não sabe mais o que é não ter celular. Poupa-Tempo é exatamente isso: não consigo imaginar o que é tirar uma 2a via do RG, renovar a Carta, ou dar entrada no Seguro-Desemprego em outros estados brasileiros. Mas uma certeza eu tenho: deve ser bem mais difícil, demorado, e sofrido.

De lá, saí com dois desejos secretos:
- que o menino da FAAP tivesse que tirar a CTPS dele no Acre, para suar na pele a burocracia que não funciona.
- que a Nilma realmente, verdadeiramente, tivesse um bom dia.

29.2.08

Destino: Centro - Parte I

OU: DA IDA AO SINDICATO

Chegou finalmente e já veio tarde depois de dois meses e mais de espera o dia da homologação no sindicato. Dia corrido esse na minha vida, curso de manhã, curso à noite, e à tarde... uma ida ao sindicato.

Não foi tanto o caminho nem o ato. Foram mais as pessoas. Aliás, como sempre na vida, né?

Uma chuva forte desesperadora depois do almoço... não estava com pique que meu caminho do Terminal Bandeira ao Sindicato fosse encharcado. Pois bem que a chuva parou, e eu aposto que foi a força do pensamento. O compromisso lá era às 15hs.

- Terminal Bandeira: meu caminho mais próximo pro centro, mais rápido e fácil e barato do que metrô e descer na Sé;
- Rua do Ouvidor: pai, obrigada por me mostrar que no Terminal você pode sair ou pelo Anhangabaú, ou pelo "lado leste", porque com essa dica eu andei bem menos do que seu eu fosse até a Xavier, atravessasse o viaduto, etc, etc, ...;
- Líbero Badaró;
- Praça do Patriarca, que ficou muito feia com aquela matriz estranha e abstrata e muito muito branca, como se fosse um elefante branco perto do Anhangabaú e da prefeitura;
- Rua da Quitanda: suspiros encantados quando ela cruza com a Alvares de Azevedo, que lá fica o CCBB bonito muito bonito;
- XV de Novembro;
- Praça Padre Manoel da Nóbrega: do outro lado da Boa Vista, o Páteo onde tudo começou. Desse lado de cá, o Sindicato.

Sindicato dos Terceirizados é bem complicado... dá de tudo, mas eu era minoria absoluta lá. Lá onde as pessoas não sabem nem que se pode usar óculos com armação vermelhinha. Lá, onde All Star é sim status. E olha que eu estava me esforçando para parecer uma igual, juro que eu estava.

Fila de espera... milhares da cadeiras, de pessoas, de rugas a mais nas caras tristes de muita gente, de sorrisos banguelas e desajeitados.

O Gil mesmo disse que foi choque de realidade. Foi sim, Gil, mas não, Gil, eu não sou patricinha dos Jardins como você adora falar. Eu sei que você fala de zueira. Foi só uma reforçada.

Não sei que que é... se é o fato de que estou sempre descabelada, ou se são os olhinhos pequeninos que tenho. Sei que as pessoas de repente julgam que eu posso ser simpática, e elas adoram puxar papo comigo. E daí eu sou simpática, puxo papo de volta, e aquela espera para fazer a homologação não foi só choque de realidade, foi noção de tristeza, foi lição de vida.

Dona Vânia, ex-auxiliar de limpeza, mora para lá da Estrada de Itapecirica, perto de um lago muito bonito. Foi demitida porque foi pega comendo restos de bolo de aniversário que alguém tinha deixado em alguma baia na noite anterior. Compareceu ao sindicato com os sete filhos, porque naquele dia eles não tinham com quem ficar. Todos em uma escadinha muito apertada, de 9 anos a 7 meses. O de 9 anos aparentemente já tinha entendido que por algum tempo ele seria o apoio dos pais e estava então incumbido de ser um pouco pai dos irmãos mais novos todos. Ele parecia impressionantemente responsável. O marido da Dona Vânia é faxineiro de um prédio na Vila Santa Catarina, que pelo menos é perto de casa (ele só tem que pegar um fretado, um ônibus e uma van, bem melhor do que ela que costumava pegar van, trem, metrô e ônibus). Eles estão preocupados porque ele ganha R$ 300,00 por mês, os R$ 200,00 que ela ganhava ajudavam muito no orçamento da casa, e agora eles querem saber como sustentarão a família antes de ela voltar a trabalhar.

Daí entrou a Dona Vânia para Homologar.

Nisso, o Seu Pedro, que estava prestando atenção na nossa conversa, me disse que eu sou muito simpática e que tenho boa conversa. Foi a saída que ele encontrou para puxar papo. Seu Pedro trabalhou lá no centro mesmo desde jovenzinho, sempre como zelador, cargo de confiança, sabe? Tive até que dar jeito de evitar visita surpresa da esposa porque sabia que o marido dela estava com a secretária no escritório fazendo essas coisas que a gente sabe... Já entreguei envelopes grandes com muito dinheiro e já me pagaram até almoço de restaurante desses que entrega no escritório mesmo, porque eu precisava ficar lá na portaria dando cobertura. Dando cobertura para quê, Seu Pedro? Ah, você sabe... essas coisas que cargo de confiança tem que fazer. Enfim, a história do Seu Pedro é legal até dois meses atrás. Na onda de terceirização que o Brasil passou com o Plano Real (não sei qual a relação direta entre uma coisa e outra, mas sei que essas duas coisas coexistem cronologicamente) o pessoal do prédio não quis demiti-lo (cargo de confiança, dona moça, sabe como é) e pediu que a empresa terceirizadora o contratasse. Assim foi feito. Até finalzinho do ano passado, quando a empresa se deu conta que daqui há pouquinho tempo Seu Pedro poderia se aposentar. Pois é. Ela não quis se responsabilizar pela aposentadoria do Seu Pedro, e no olho da rua ele está. Seu Pedro tem uma esposa cozinheira, casa de família rica, faz banquetes e festas e jantares; tem um filho taxista, Graças a Deus ele conseguiu pegar o ponto de Congonhas, ficou na fila por muito tempo mas conseguiu, e tem uma Zafira linda que você precisava ver dona moça; e tem uma filha professora, formada em universidade particular e que ele pagou ele mesmo pra filha, e que é o grande orgulho dele ter oferecido essa faculdade para a filha.

Daí eu entrei para homologar e logo em seguida voltei para casa. Seu Pedro não estava mais lá na sala de espera, e Dona Vãnia com suas sete crias já tinha ido embora. Voltei para casa, mas não era mais igual não, dona moça.

Diálogo de Irmãos

Cena: levando meu irmão de volta para a casa dele.
Quase uma da manhã de uma quinta pruma sexta.

Eu: Fulano (nome do ex-namorado) me ligou na 3a.
Rádio: Amo tua voz e tua cor
Ele: Ah, é? Como foi?
Rádio: E teu jeito de fazer amor
Eu: Foi ótimo. Eu estava morrendo de saudades. Fazia tempo que a gente não se falava.
Rádio: Revirando os olhos e o tapete
Ele: Ah, é?
Rádio: Suspirando em falsete
Eu: É... talvez nem tanto, vai. 15 dias, desde o aniversário dele.
Rádio: Coisas que eu nem sei contar...
Ele: ...
Rádio: Ser feliz é tudo que se quer
Eu: Foi gostoso, os dois estavam com saudades, ficamos batendo papo, colocando as notícias em dia. Foi leve, sabe? Amigos...
Rádio: Ah! Esse maldito fecheclair
Ele: ...
Rádio: De repente a gente rasga a roupa
Eu: Estou preocupada com ele. Ele tem dormido no máximo 3 horas por noite. Acho que isso pode atrapalhar ele na prova.
Rádio: E uma febre muito louca faz o corpo arrepiar...
Ele: É verdade, também acho... Aliás, quando é a prova?
Rádio: Depois do terceiro ou quarto copo
Eu: Domingo, dia 09. Está aí.
Rádio: Tudo que vier eu topo
Ele: É...
Rádio: Tudo que vier, vem bem
Eu: Estou pensando em ir visitá-lo em Brasília assim que sair meu primeiro projeto. Estou com muitas saudades.
Rádio: Quando bebo perco o juízo
Ele: Nana, tem certeza de que você quer fazer isso?
Rádio: Não me responsabilizo
Eu: ...
Rádio: Nem por mim nem por ninguém...
Ele: Você não precisa se machucar de novo...
Rádio: Não quero ficar na tua vida
Eu: ...
Rádio: Como uma paixão mal resolvida
Ele: Até acho que pode voltar a acontecer alguma coisa entre vocês, e se dessa vez te fizer bem, sou totalmente a favor.
Rádio: Dessas que a gente tem ciúme e se encharca de perfume
Eu: ...
Rádio: Faz que tenta se matar...
Ele: Mas ainda acho que você não assimilou exatamente tudo que aconteceu entre vocês e o que te levou a terminar esse namoro.
Rádio: Vou ficar até o fim do dia decorando tua geografia
Eu: ...
Rádio: E essa aventura em carne e osso
Ele: Você precisa se descobrir, Nana.
Rádio: Deixa marcas no pescoço, faz a gente levitar...
Eu: ...
Rádio: Tens um não sei que de paraíso
Ele: Boa noite, obrigada pela carona.
Rádio: E o corpo mais preciso que o mais lindo dos mortais
Eu: Agora a gente só se vê domingo, né?
Rádio: Tens uma beleza infinita e a boca mais bonita que a minha já tocou...
Ele: Não sei... a gente se fala até lá.

Ter irmão mais novo, mais lúcido, e muito amigo, resulta em um diálogo assim com uma certa frequência.
Por isso que eu amo meu irmão, embora às vezes odeie as perguntas que depois das nossas conversas ficam martelando na minha cabeça. A vida seria mais fácil sem essas perguntas, se bem que não sei se necessariamente seria melhor.

Faltam quantos minutos mesmo pra sessão de terapia de 4a que vem?

Música incidental, tocando na Nova Brasil FM 89,7: Paixão, Kleiton e Kledir.

25.2.08

A Seta e o Alvo

E por falar em mosca (post abaixo), resolvi ouvir Moska - o cantor. Uma de suas músicas mais lindas, A Seta e o Alvo.
Ah, que foi trilha da deliciosa esparrela master de 2005, fruto de todas as ilusões que eu poderia ter construído no mundo.
Eu ando em um labirinto, e você em uma estrada em linha reta.
Sua meta é a seta no alvo, mas o alvo na certa não te espera.
À época, parecia que era ele cantando para mim.
Eu, a pessoa sem graça. Ele, a pessoa complexa.
Hoje parece que a seta mudou, ninguém mais sabe de fim da estrada, eu não procuro mais o fim da estrada, eu não acredito mais em estabilidade. Não sei se tenho alvo ou se sou uma seta à procura de um alvo.
No meio de toda essa metamorfose, a deliciosa esparrela se converteu... aconteceu tudo junto.
A esparrela se convertendo e eu me mudando.
E ela se converteu para uma amizade, das mais lindas, das mais intensas, das mais verdadeiras.
Não vou mais me alongar. É só isso.

22.2.08

A Mosca e a Mariposa

Entrou a mosca.
Bem-vinda, ilustre visitante!
Não sou daquelas que faz xilique porque entrou um objeto alado não muito bem identificado, e começa a gritar e fugir e fazer pequenos escandalosinhos.
Mas essa mosca era grande, peluda, muito preta, e deveras barulhenta.
Tenho um quê meio bióloga. Gosto de ficar vendo a mosca baster no vidro e fazer aquele "barulho crocante" de quem não entende o vidro e quer passar pro outro lado. E dá-lhe "barulho crocante".
E eu aqui trabalhando, e a mosca no vidro, zuuuuuuuummmmmmmmmmm, créc, créc, zuuummmmmmmm, créc, créc, créc, zuummmmmmmmmmm zuuummmmmmmmmmm, créc.
O que eu fiz?
Abri a janela, para a mosca ter mais espaço de encontrar a liberdade. Mas aconteceu um imprevisto, e o que era para ajudar a mosca, só atrapalhou. As duas "folhas de janela" se sobrepuseram uma à outra quando eu abri totalmente a janela. E a mosca ficou encalacrada entre um vidro e outro, fazendo um micro-créc de um lado, micro-créc de outro, micro-créc de um lado, micro-créc de outro.
Nisso, afastei a cortina e qual não foi minha surpresa: uma mariposa habitava meu quarto, atrás da cortina! Não faço a mínima idéia de há quanto tempo a mariposa existia por esses cantos.
Mas lá estavam, a mosca e a mariposa, encalacradas entre as duas "folhas de janela".
A mosca, inquieta e barulhenta, se debatendo entre os vidros. A mariposa, passiva e pacífica, contemplando o mundo.
Foi bonito de ver. Mesmo. Quase um laboratório no meu próprio quarto. Só faltou o bico de bunsen.
Daí fechei a janela, para que as "folhas de janela" permitissem que a mosca e a mariposa ficassem livres, e elas voaram para fora, bonitas.

Eclipse

Cientificamente, um eclipse lunar acontece quando a Terra fica em uma linha reta entre o Sol e a Lua. Ou seja, é formada uma sombra sobre a Lua.
Quarta feira teve eclipse lunar.
Na 3a, o amigo disse que uma pena que amanhã a noite estará nublada e não veremos o eclipse. Ué, mas como você sabe que a noite estará nublada. Ah, Mari, a gente mora em São Paulo...
Na 4a, me deixei levar pelo fato de morar em São Paulo, onde ultimamente as noites têm sido nubladas. Cheguei até a me esquecer do eclipse! Pois bem, trabalhando daqui e minha mãe vendo o Jornal da Globo de lá, ela gritou preu ir ver o eclipse da lua pela TV.
Pensei que era muto injusto ver só pela TV... que se a repórter estava aqui em SP, então eu também conseguiria ver a mesma lua que ela - nada de noite nublada!
Desci, desesperada, consciente de que moro em um bairro selva de concreto acentuada dentro de uma enorme selva de concreto. Fui até a esquina. Achei a lua e fiquei lá, olhando, como estava bonito o eclipse na lua cheia! Como era poético ver a rua molhada, poucos carros passando, muito silêncio, uma lua em eclipse, algumas estrelas no céu, dentre tantos prédios.
Fiquei lá, hipnotizada. Encantada. Inebriada. Paralisada.
Resolvi voltar para o apê. Contei a todos, empolgada, sobre a beleza do eclipse da noite de hoje.
Daí a mãe disse: mas se você viu da esquina, será que não dá para ver da janela do seu quarto?
Corri aqui de volta. Dito e feito!! Um quarto com uma vista privilegiada para o eclipse. O único cômodo da casa com essa vista.
Coloquei "La Edad del Cielo" (Jorge Drexler) para tocar, arrastei o puff até debaixo da janela, fiz um malabarismo estranho com as pernas para caber todo mundo lá (eu, os meus olhos com vista pro eclipse, as pernas em algum lugar, e o puff debaixo da janela) e fiquei admirando.
Tudo escuro aqui dentro, vizinhos todos com luzes apagadas, só eu em uma posição esdrúxula, e a lua em seu eclipse.
Nossa, que lindo que foi!
Que especial que foi essa quarta à noite...

18.2.08

Carla Bruni, agora primeira-dama

Pois é, quem diria...

Ela era a cantorinha francesa que todo mundo na Argentina conhecia e que ninguém no Brasil conhecia.
(julho/2006)
Daí ela virou a cantora da musica preferida de blog alheio, música essa que tinha o nome do ex namorado.
(junho/2007)
De repente ela virou a cantora daquele cd roubado da coleção de cds do ex namorado.
(junho/2007)
CD esse que nunca foi devolvido.
(setembro, outubro, novembro, dezembro/2007)
De repente ela estava namorando o bonitão do presidente francês.
(dezembro/2007)
E posou nua na revista espanhola.
(dezembro/2007)
E fez escândalos com o anel da ex esposa de seu atual namorado (noivo? marido?).
(janeiro/2008)
O mundo inteiro soube então que ela é italiana, modelo, e com um belo currículo de homens deixado para trás...
Em prol do bonitão do presidente francês.
(janeiro/2008)
E eles se casaram agora.
(fevereiro/2008)

Não sei tem felizes para sempre. Não no caso deles, ao menos.

E, quanto à Caras... sim, eu leio, uma vezes por semana todas as semanas, cada vez que eu vou na manicure. Porque afinal, unhas vermelhas demandam assim como cantora francesa.

Voltando...

Pois é.
Dois meses e 16 dias. Aproximadamente...
Ou, exatamente um mês e meio.

Tanta coisa que dá até preguiça de falar.
Tanta coisa que bate esclerose multipla temporária.

Não venho aqui há tanto tempo porque todo o resto estava demandante em excesso. Agora as coisas começaram a dar certo de novo. Eba, eba!

Pontos altos do período de ausência:
- bati meu carro em um caminhão de lixo.
- aprendi a baixar música.
- conheci o paraíso de nome Japaratinga.
- vi "É culpa do Fidel" e vi "Juno", por enquanto os melhores da temporada de verão.

Fertilidades, fertilidades...

2.12.07

Sim, sim, sim!

Sim à vida, ao final de semana, à Darjeeling e ao delicioso jantar em companhia perfeita.
Sim à conhecer de madrugada o apê novo do queridão do peito.
Sim ao sábado cansativérrimo, à reunião na Gotas, à firma de Oxalá, ao cochilo na vovó.
Sim à beleza da noite de sábado, à lua linda que estava no céu, ao show absolutamente inesquecível, ao trânsito da Augusta e à balada na Vila.
Sim ao domingo de sol e de sono, de suco e de casa da vó.
Um sim gigantesco a essa coisa linda que é viver intensamente os finais de semana!

28.11.07

É sábado!!

Bom Senso - Tim Maia

Já virei calçada maltratada
E na virada quase nada
Me restou a curtição
Já rodei o mundo quase mudo
No entanto num segundo
Este livro veio à mão
Já senti saudade
Já fiz muita coisa errada
Já pedi ajuda
Já dormi na rua
Mas lendo atingi o bom senso
A imunização racional

De novo lá no espaço bom demais de estar - Auditório Ibirapuera.

27.11.07

Meu melhor leitor

Meu melhor leitor é meu melhor amigo.

Ele não sabe o que é fechar relacionamentos e vive seguindo mesmo assim - ah, sim, eu queria ter umas aulas com ele.

Está la na Austrália, há todos os oceanos e alguns mil kilômetros de distância, liga me dá susto me realiza e me deixa feliz pelo resto do dia.

Disse que entra no computador, abre o hotmail, o yahoo, o orkut, o facebook, e em seguida o Très Fantastique. Sim, ele me lê todos os dias.

Saudades dele... imensas e intensas. Não é justo não ter nem seu colo nem seus puxões de orelha nem nossos entardeceres bêbados no boteco da esquina (ok, essa última parte foi ficção, porque estou ficando forte só agora).

Digo sinceramente que te amo profundamente.

Vida Ordinária

Desce a rua Augusta, vai sentido centro, shorts curtos e olhos borrados de tanta maquiagem. Uma long neck na mão - com vodka. Pura.

Vai, cambaleante. Vai, caminhante.

Não para de descer a Augusta. Agora, faz parte da fauna como membro integrante e assumido. Se sente assim, junto de todo mundo, uma igual a eles.

Fuma cigarro atrás do outro, gosta do ardor da nicotina quando encontra o pulmão já tão cheio dela.

As buzinas são chatas, mas é o som da rua que chega em seus ouvidos.

Os caras são chatos, mas afinal, quem não gosta de ser chamada de GOSTOSA com a boca cheia? Ninguém está à altura dela - e ela sabe bem disso.

Vai, vulgar, devassa, só segue sem olhar para trás.

Pára na Roosevelt. Conversa com gente igual ela.

Segue, cada vez mais, pro centro. República, mendigos e putas. Lixo no meio da rua. Poesia concreta paulistana. Deselegância discreta, mas não tem mais menina.

Loucas noites têm reinado, com cada vez melhores companhias.

Descabela, só porque acha que é legal.

Agora é cachaça que ela quer.

Borra mais um pouco os olhos. De cambaleante, cai e rala a perna, levanta e continua a andar.

Bem que essa poderia ser eu daqui há alguns anos. De vida ordinária cheia de Locas Noches, logo logo chego à vida bandida que atualmente tanto almejo.

Enquanto isso, meu deleite é a vida bandida e deliciosamente romântica do Xico Sá. É frase dele: "Só a lascívia embeleza uma fêmea". Cá estarei eu, prova viva disso, quando realmente tiver minha vida bandida, quando eu conseguir ser deliciosamente romântica sem que isso signifique o fundo do poço.

Por enquanto, errada estou e errada fico. Me estrago mais um pouco a cada final de semana. Nunca pensei que viver assim fosse tão delicioso.

Errada estou e errada fico. Fim feliz é isso.

Sugestão: http://carapuceiro.zip.net/

ps.: vem do horizonte uma nuvem cinza que cresce e se aproxima. Mais um final de semana que será FORTE. Isso porque por enquanto hoje só é terça.

Aiai, vida ordinária.

26.11.07

Do the right thing

No meu mais novo foco "carreira", olha só o artigo publicado pelo Valor hoje e que se encaixou bastante para mim:

http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/eueinvestimento/167/Mudar+de+emprego+da+o+maior+trabalho+prepare-se,072611,,167,4652731.html

Recomendo para todos os que quiserem programar uma guinada na carreira, mesmo que isso não envolva mudançan na área de atuação, e sim simplesmente mudança de empresa.

"Muitas vezes tirar o fio da tomada por algum tempo pode ajudar. Desligar-se temporariamente para reorganizar a vida em geral, inclusive a carreira, é uma excelente ferramenta de apoio para tomada de decisão. Pode começar pequeno, com um dia de folga, depois com uma emenda de feriado, mais tarde com férias merecidas esticadas e por que não, um período sabático mais longo."

É bom começar a 2a feira assim.

25.11.07

Coisa de aspira e coisa divertida

É coisa de aspira:

- comer pouco antes da balada e ter a ilusão de que vai aguentar beber muito
- ir de salto alto se esbaldar e achar que vai dançar muito
- fazer a prospecção pré-balada errada e achar que vai conseguir o que quer
- beber um pint de Erdinger na pré-balada e parar de beber logo em seguida
- ir toda chicosa para festa de amigos desencanados

É coisa divertida:

- anos 80 na balada
- festa feliz com amigos felizes
- kit sobrevivência de balada com Engov
- ficar descalça e fazer cerimônia dos lavapés ao chegar em casa
- baladar usando shorts
- ver todo mundo bêbado dando risada da vida
- suar até molhar a blusa - e perceber que está todo mundo assim

Sim, sábado à noite foi muito bom.

22.11.07

Done

Noites de insônia. Dúvidas. Barulhos. Lágrimas. Brigas.

Calmante... e dorme.

No fundo, lá, no canto, depois do medo, da angústia, e da insegurança, está a certeza. A certeza de que o caminho rumo ao desconhecido é o melhor a fazer.

A certeza de que navegarei sem bússola, e me guiando pelas estrelas, e que elas vão me dizer onde está meu norte. A certeza de que as estrelas só aparecem à noite, e é à noite que sonhamos, então em última instância ao abrir mão da segurança da bússola estou, na verdade, optando por buscar um sonho. E não é para soar piegas, não. É para soar pé no chão. É para soar racional e consciente e consistente. E sim, o navio vai pegar turbulências, tempestades, tsunamis. Mas à noite as estrelas sempre estarão por lá.

Hoje acordei com aquela sensação gostosa de quentinho no peito. Falei com um especial, falei com outro especial, falei com uma especial também, e falei com o chefe. Depois falei para todos, que receberam a notícia como grande surpresa. E com grande sorriso. Palavras de apoio e abraços gostosos foram o que mais recebi hoje. Todo mundo com a mesma certeza: de que eu tomei a decisão certa. Os que ficam me falaram "corajosa" como uma bela admiração. Todos sabem que busco agora o caminho que é meu.

Vou inventar meu futuro e já volto. Vou ser feliz e já volto.

Não acho, definitivamente, que será fácil. Mas... a man's gotta do what a man's gotta do.

Pode ser que tenham lágrimas no último dia... afinal, quase três anos lá todos os dias.

Mas ainda falta um mês de aviso prévio para isso.

21.11.07

Ode à São Paulo

Só São Paulo mesmo para permitir que certas coisas aconteçam...

- só em São Paulo tenho livrarias como a Cultura do Conjunto Nacional, onde posso mergulhar em livros e me afogar no Visa Electron sem medo de ser feliz.

- só em São Paulo posso descer a Padre João Manuel em um 15/nov que mais parecia inverno, com frio e garoa fininha, em um final de tarde deveras melancólico, ouvindo jazz, e me sentindo em Londres. Ou em qualquer outro lugar que parecia não ser o Brasil. Desci eu e o capuz e a sacola com cinco livros, flanando, tomando cuidado para não escorregar na calçada, passando pelos cafés cheios e ouvindo o ruído de muitas vozes lá dentro, no quentinho. E eu lá fora, no frio. Senti a solidão e a melancolia na prática e na pele. E nunca foi tão bom ser uma paulistana solitária, no meio de tanta gente.

- só em São Paulo saio caminhando pela rua depois da IBM, chego ao Paraíso, encontro a Princess, vou a um cinema preferido (Reserva Cultural), vejo um filme dos bons (El Pasado), saio de lá aliviada ao perceber que eu não sou tão louca quanto a protagonista do filme, e que meu fim de relacionamento tem sido mais saudável e menos melodramático do que o fim de relacionamento visto no filme, volto para casa tendo ótimas conversas com ela que é minha irmãzinha, descubro que abriu um Starbucks lá, logo entre a Campinas e a Santos, e depois vamos jantar no japonês, comendo em excesso. Fora o mico de parar mal o carro em uma vaga na frente do restaurante, logo onde tinha mil mocinhos interessantes que poderiam virar nossos paqueras e no entanto viraram nosso deboche (a manobrista era eu).

- só em São Paulo saio de cidade nublada, em duas horas estou com os pés na areia e debaixo do sol, e em mais duas horas estou na cidade nublada de novo.

- só em São Paulo como hamburguer dos mais deliciosos no St Louis, sigo para a Roosevelt onde encontro boa amiga com uma boa cerveja, e encontro gente de todo o tipo, nerds, cools, cults, putas, artistas, escritores, gente do teatro, gente da rua, gente da vida. E daí ficamos lá dando boas risadas, até que resolvamos ir dar boas risadas em outro canto. E por um caminho mágico pela madrugada do centro de São Paulo chegamos ao Teatro Mars rapidinho. O carioca chega depois com mais tantas outras meninas, leves como fadas, sorridentes como crianças, e simpáticas como se fossem minhas velhas amigas. Daí a luz acaba e o baterista continua sozinho, porque mesmo sem luz a festa não pode acabar. Até que nós cansamos e resolvemos voltar e dormir... e qual não é a Lei de Murphy que, assim que pedimos os carros pro manobrista, eis que a luz volta. Ah, esse Teatro Mars, baladinha legal, músicos dos bons, buraco preto com cara de festa, andares e andares de andaime, cara de cidade decadente, e lá dentro pessoas tão jovens e animadas enxem a casa de luz.

- Simbora para a energia frenética do Mercadão. Domingo, duas da tarde, solão lá fora, multidão lá dentro. Multidão de tudo, de comidas, de pessoas, de barulhos, de coisas legais para bater fotos... multidão de vida. Só em São Paulo paguei de turista fashion e fui feliz.

- Outro feriado... dessa vez, só em São Paulo vi o museu que eu não conhecia. Fui no parque que eu só tinha ido no show dos Mutantes, e me diverti pacas andando pelos jardins, tirando fotos lindas, aproveitando bem aquela luz amarela, azul e verde do dia ensolarado, do céu, do prédio do museu, do jardim.

- Depois, só em São Paulo de novo, almocei com amiga do coração e amigos do coração que são quase meus amigos, e experimentei rabada, algo de novo nesse estômago.

Sim, tive papos cabeça, tive pensamentos perdidos, tive muitas insônia, tive brigas comigo mesma e com o mundo esses dias. Mas sim também, foi maravilhoso passar o feriado em São Paulo.

E afinal das contas, será que a gente seria feliz se viver fosse fácil?

Será que eu ficaria tão feliz no Parque da Independência se na noite anterior eu não tivesse passado mal de insônia e tomado calmente para poder dormir? Será que eu teria aproveitando tanto meu pé na areia sábado se na sexta eu tivesse assistido um filme que não trabalhasse com a dicotomia angustia/alivio de fim de relacionamento?

Obrigada, São Paulo, por me abrigar e por ser a minha cidade.
Só aqui para ter um feriado desses...

16.11.07

Suedehead - Morrissey

De sábado para domingo, 27/10 para 28/10/2007, na fila para sair da balada que figura entre as maiores aventuras da minha aventura, Morrissey canta Suedehead. Nós cantamos juntos, dançando na fila, entre os amigos dele. Sem olhar um na cara do outro.

De sábado para domingo, 10/11 para 11/11, na rua do centrão de SP, entre bêbados, mendigos, putas e lixos, estamos a caminho do carro. Ele começa a cantar Suedehead. Eu me empolgo e canto muito alto. Ele fala: "E não é que ela é uma Morrissey mesmo?" Nos abraçamos e ficamos cantando, no meio da rua. Um abraço forte que eu não sentia há tanto e tanto e tanto tempo... A sensação que eu tive é que durou uma eternidade. Só lá, o abraço, a saudade, a falta, a ausência, e sem beijo na boca, por respeito e consideração.
Eu choro, mas acho que a bebedeira dele não permitiu que ele percebesse meu choro. Ainda bem.
Momento lindo, bem com cara de final de balada, final de noite, final de relacionamento, final de filme.

Lagriminhas.

A letra? Para quem quiser...

Suedehead - Morrissey
Why do you come here?
And why do you hang around?
I'm so sorry I'm so sorry
Why do you come here
When you know it makes things hard for me?
When you know, oh
Why do you come?
Why do you telephone?
And why send me silly notes?
I'm so sorry I'm so sorry
Why do you come here
When you know it makes things hard for me?
When you know, oh
Why do you come?
You had to sneak into my room'just' to read my diary
It was just to see, just to see
All the things you knew I'd written about you
And so many illustrations
I'm so very sickened
Oh, I am so sickened now
It was a good lay, good lay
It was a good lay, good lay...

5.11.07

Grey Day

Acho que é porque:

- dias muito coloridos assustam a rotina, fazem com que ela fique assustadoramente cinza;
- poucas horas de sono me matam, e ontem de novo vivi o caos aéreo na pele;
- domingo no Rio e 2a em SP é um choque cultural deverash injuishto;
- hoje está chovendo e está frio;
- não aguento mais essa rotininha;
- a mediocridade me causa calafrios, e conviver com ela diariamente me é uma tortura do pior tipo...

... que resolvi me camuflar de algo que combine com asfalto, com chuva fininha e com um "não me encontrem" gritado bem alto.

Resultado?

Jeans, blusinha azul clarinho indo pro cinza, e blusa de capuz cinza claro. Sem criatividade, sem cor, sem eu, sem nada. Só assim.

Cenas do próximo capítulo:
- divagações sobre o caos aéreo
- minh'alma canta, vejo o Rio de Janeiro...

31.10.07

Essa vida surreal que me acomete

Bom, há uma semana eu escrevi diretamente da véspera do meu aniversário. Dessa vez, vou falar do jeito surreal que começou meu 25o ano de vida.

Sem falar especificamente do aniversário, mas falando ao mesmo tempo...

- fiquei de ponta cabeça na aula de yoga e dessa vez foi muito bom
- dei meu cabelo para a cabeleleira e disse: faça o que você quiser
- Londres veio em minha direção, com frio e chuva
- inventei que semana que vem começaremos desde já as happy hours de Natal. A idéia foi aceita unanimemente.
- tive um dia e tanto de metamorfose
- a metamorfose resultou em inúmeras capas da Vogue
- recebi um telefonema bêbado às 04 da manhã
- saí de casa às 04 e meia da manhã pra ir pra balada
- dancei e dancei e dancei e foi demais de bom e me diverti em excesso com quem eu sinto muitas saudades
- todos estavam fantasiados de Haloween e eu ficava vagando entre aquelas pessoas estranhas fantasiadas...
- o álcool tem sido um companheiro muito presente em tudo ultimamente
- inovei e usei frente unica - ainda por cima, dourada
- fiz discurso publico e improvisado em dia de ressaca
- achei passagem aérea pro Rio a R$ 100,00 e dái comprei
- tô me achando a "sensação" nova capa da Vogue - os cariocas que se cuidem!
- ao mesmo tempo, não queria por nada estar solteira, aiai...
- amanhã, venho trabalhar de mala e cuia e tenho happy hour diretamente no BG

Tá bom ou quer mais?

24.10.07

Cronologia e Véspera

Sempre gostei de fazer aniversário, historicamente, na minha vida.
De criança, passava o ano esperando chegar o dia do aniversário.
Ficava o ano inteiro combinando com a minha mãe qual seria a decoração da mesa do bolo - mesa que ela mesma decorava e montava e era linda e perfeita. Teve alguns aniversários no clube, com direito a monitores e crianças correndo muito por todos os cantos. Outros aniversários foram comemorados na escola. Sempre sempre sempre teve bolinho para a família, todos os anos, sem exceção.

Teve o de 12 anos, meu primeiro bailinho, no salão de festas do meu prédio, com sanduíches de metro e um DJ com todo o aparato de DJs, que era tão na moda naquela época dar festa com DJ.

Depois teve o de 13 anos, que fomos pro boliche e depois comer no Fridays, eu, a Ana Banana, a Dani e a Carol.

O de 14 anos foi um jantar lá em casa, só de meninas - e éramos umas 20 - comendo strogonoff em um sábado que eu saí desesperada para comprar um vestido novo para usar no meu jantar. Aquele vestido, laranja, de crepe, só foi usado uma vez na vida. Hoje em dia quando eu olho, eu penso: como eu pude usar isso??

Quando fiz 15 anos, foi uma crise só. Eu estava no auge da minha aborrecência, quando eu usava - para desespero da minha mãe e da minha avó - calça big e coturno. Não quis festa de debutante comment il fault, mais uma decepção para a minha mãe, e acabei fazendo mais um bailinho no salão de festas do meu prédio. Quase tive meu primeiro beijo na boca nessa festa, com um amigo do meu primo que era lindo maravilhoso e tinha os olhos verdes. Mas não foi dessa vez que meu primo, o ciumento, baixou a guarda... A questão da bebida alcoólica era um tabu - pode, não pode, o que pode, quanto pode, e me lembro que meus pais ficaram deveras tensos com isso. No final da festa, lá pelas 4 da manhã, ficamos subindo e descendo de elevador e causando, e tudo aquilo pareceu muito divertido àquela época. No domingo, pais corajosos e fortes, fizemos a reunião da família. Tudo um dia seguido do outro. Loucura.

Nos meus 16 anos nem salão de festas quis, e chamei todo mundo lá pro apê mesmo. E foram MUITAS pessoas, aquela coisa de primeiro colegial, todo mundo é amigo de todo mundo... A bizarrice mor desse aniversário foi que o pessoal do Gracinha tinha combinado entre si, sem me avisar, de que seria festa do pijama... e foi a coisa mais divertida do mundo!! Meus amigos que não eram do Gracinha pegaram pijamas emprestados lá em casa, e foi demais.

Os 17 anos foram um almoço em um belo domingo ensolarado, lá no apê, e para mim naquele aniversário as estrelas principais eram os amigos da Inglaterra, que vieram em peso - o que fez com que eu mal desse atenção pros amigos do Gracinha, pros primos, e etc. Mas foi delicioso do mesmo jeito.

Meus 18 anos, em anozinho traumático, foram demais. Estava saindo do Gracinha, tinha largado o cursinho, minha mãe estava com câncer, fazendo mil cirurgias e mil tratamentos... daí eu ia na pré-estréia de um filme com o Alec Baldwin com a Laís, só que a gente tinha que se arrumar na casa dela antes, e depois passar na minha casa para a minha mãe aprovar o look. Quando entramos na minha casa, qual não foi minha gigantesca surpresa: todo mundo estava lá!!! E eram tantos os amigos... eram muitos e muitos e muitos!!! Minha mãe, sabendo que eu estava tristoinha naquele ano, arranjou forças sei lá de onde, para organizar uma festona surpresa pra mim. Foi demais. Minha única festa surpresa até agora, mas demais meeeeesmo!!

Os 19 anos foram uma loucura. Primeiro ano de PUC, vivi na pele bem aquele amadorismo de bichete. Passei nos intervalos distribuindo papeizinhos com os dizeres: "Festa da Mari Chammas, dia tal, hora tal, endereço de casa, bebida de graça". Era de uma quarta pra uma quinta. Minha casa encheu de gente de um tanto que tinha fila pro banheiro, fila pro elevador... isso tudo e meu pai tentando dormir pra ir trabalhar no dia seguinte, meu irmão tendo que ir pra escola no dia seguinte, e minha mãe notívaga master acordadona conversando com todo mundo. Daí teve gente que se trancou no meu quarto e meu pai foi bater na porta... e quando acabava a bebida eu acordava meu pai pra ele ir comprar mais se não as pessoas iam embora... e miiiiiiiiiiiiiiiiil pessoas que eu nunca vi na vida... e todo mundo falando, bebendo, sentado no chão, arrastando os móveis... Lá pelas 5 da matina, quando meu pai se negou a ir comprar mais 4 caixas de cerveja e duas garrafas de vodka, a festa começou a minguar... No mesmo ano ainda celebrei na 5a, com um bolinho para a família, na 6a fui jantar com amigos do colegial, e no sábado fui na baladinha com os sobreviventes da maratona de aniversários.

Os 20 anos foram no 2o ano de PUC. Um ano difícil, eu estava com uma mega depressão. Teve churrasco do Pedrinho no dia do meu aniversário, o que foi bem gostoso, e saindo de lá passei em casa prum banho e barzinho - foi no Dalí. Dancei "Dancing Queen" com a Lu, paguei mico pra todos os meus amigos e pro bar inteiro, passei a noite inteira delirando que alguma hora por alguma coincidência celestial o Bruno Claudio aparecia por lá. Não apareceu, e eu voltei triste tristonha para casa.

Os 21, jantar árabe no salão de festas, bexigas e amigos e foi muito bom mesmo!!

22 anos e último ano de PUC... comemorei em um domingo após um final de semana muito pauleira: aniver do Rodri na 6a, Camaleão Fest no Estância no sábado, e meu aniversário no domingo. Estava só o pó no meu aniversário, em um barzinho, com a presença de mil queridos do coração. Mas estava tanto o pó, que na 2a indo trabalhar bati meu carro de um jeito muito muito muito feio. Enfim, cousas da vida...

23 anos e primeiro ano sem PUC: jantar árabe no salão de festas de novo, e a vida estava mudando tanto e de um jeito tão rápido... minha amiga das mais lindas do mundo me ligou diretamente de Kathmandu, Nepal. O mocinho que eu estava a fim na época apareceu - com outra mocinha!! Todo mundo com flores por todos os lados - as meninas, com flores no cabelo. Os meninos, com flores na lapela. E vejo flores em você!! A festa foi uma delícia... mesmo com a micro esparrelinha. O dia do aniversário em si foi demais de legal, todo mundo me ligou, e eu - que tinha tido um inferno astral dos piores - me surpreendi com a delícia que é fazer aniversário!

24 anos em um dos melhores anos da minha vida. Não tive inferno astral porque resolvi riscar esse conceito do meu calendário. Meu "Mr. Big" à época me ligou da Argentina para fazer meu aniversário feliz bem no fim da noite, quando eu não achava mais que ele ia me ligar. Teve baladinha da Pucci, festa da IBM, e foi ridiculamente divertido. E teve aniversário do LG no dia seguinte - e eu, só no pique de continuar a celebrar. Na sexta, meu aniversário no Geni - e meudeusdocéu, como eu fiquei bebinha nesse aniversário! Sábado e feijuca na minha avó - emendando ressaca com caipirinha. À noite, ainda levemente alcoolizada, fui descontrolar nas compras e movimentar a economia. E no dia seguinte, ufatch, aniversário com a família e bolinho e dia de segundo turno de eleições e mil discussões políticas acaloradíssimas.

Esse ano só tem como o meu aniversário ser bom. Não existe outra possibilidade. Mas isso depois eu conto. Só sei que esse friozinho na barriga em véspera de aniversário é realmente muito gostoso!!

23.10.07

Ele é perfeito

- Brasileiro
- 27 anos
- Solteiro
- Bem sucedido
- Mora em NYC a trabalho
- Trabalha em um grande banco
- No duplex em Tribecca, na sala, uma TV de plasma de 72 polegadas
- Bom partido
- Fofo
- Engraçado
- Bebe (do verbo beber)
- É romântico

A partir da lista de características acima, me disseram que ele é perfeito.
Bem, eu não chego a conclusão nenhuma com essas características. Ele pode mesmo ser perfeito, assim como pode ser mais um dos tantos merdas que vagam pelo mundo.

Resumo: precisa ser algo medíocre uma pessoa que chega à conclusão de que um cara é perfeito com base na lista acima de "qualidades".

Desafio: defina "perfeição".

Crise existencial: alguém de fato busca a perfeição e o cara perfeito? Alguém em sã consciência tem a "perfeição" como objetivo final de uma vida feliz?

Música: we're never gonna survive unless we get a little crazy.

Ou: o oposto da perfeição conforme retratada acima.

Amarga, eu? Hoje, talvez.

18.10.07

I look at all the lonely people

Where do they all come from? Where do they all belong?

E você? De onde você vem, para onde você vai, a o que você pertence?

Eleanor Rigby é a rainha das músicas de solidão. Minha ídola, teve seu recolhimento cantado pelos Beatles e isso deve ser motivo de orgulho.

Ela pega o arroz da porta de igrejas após um casamento... ela vive em um sonho.

Quantos de nós não temos um pouco de Eleanor Rigby dentro e no fundo?

Eu sei se onde vim, sei onde estou, não sei para onde vou, e não sei se pertenço a algum lugar. Sei que não pertenço a ninguém que não seja eu mesma.

E sei que aqui dentro do casulinho está gostoso e quentinho, embora às vezes ele fique escuro, umido e frio.

Quero meu próprio colo. Quero mexer minhas mãos na dança de ventre e admirar cada movimento leve, bonito, delicado. Quero comer o chocolate crocante de coração que ganhei da amiga do peito. Quero descobrir que tenho 53 pares de sapato.

Quero ter um ataque de riso bêbado caída nos paralelepípedos irregulares de Paraty.

16.10.07

Alopatia

Sintoma: febre alta e dor nas costas.
Medicamentos: Novalgina e Dorflex.

Sintoma: dor no estômago resultante da Novalgina e do Dorflex; excesso de sonolência.
Medicamentos: algum remédio para melhorar dor de estômago e algum remédio à base de cafeína para dar uma acordada básica.

Sintoma: o remédio para dor de estômago fez com que a unha do dedo do pé caísse, e o remédio de cafeína causou insônia por três dias e três noites seguidas.
Medicamentos: remédio à base de cálcio, para segurar a unha do dedo do pé; maracujina para passar a insônia.

Sintoma: o remédio à base de cálcio para evitar que a unha do dedo do pé caísse causou avermelhamento e irritação em todas as juntas; a maracujina causou princípio de depressão.
Medicamentos: remédio à base de mercúrio e petróleo, que amorteceu as juntas avermelhadas; Prozac.

Sintoma: queda de cabelo causada pelo forte amortecimento das juntas; aceleração mental causada pelo Prozac.
Medicamento: peruca e prótese cerebral.

Exageros à parte, a moral da história é: uma vez que você entra no mundo high on drugs da alopatia, dele você nunca mais sai.
Cada medicamento sempre terá efeitos colaterais e para esses efeitos colaterais sempre haverá medicamentos que os curem mas que causem outros efeitos colaterais e assim por diante... até que o paciente enloqueça.

Estou à beira da loucura.

Mais sobre o me(sm/d)o

Nada. Só que ele tá aí rondando.
Sei lá eu medo de quê.
Medo desse mau humor que me acomete quando estou doentinha.
Medo dessa carência e desse vazio e dessa tristezinha latente que ronda por aí.
Medo dessa falta, mesmo que temporária, de colo de mãe.

Me empresta sua mãe?

Precisa ser quietinha e me entender e me deixar chorar em silêncio e não ficar mais desesperada do que eu já fico quando as coisas ameaçam ser meio cambaleantes... Também precisa, como seu cafuné, me convencer mesmo que sem argumentos que as coisas vão dar certo. Precisa me reconhecer de longe mesmo que de olhos fechados e precisa reconhecer minha voz mesmo que com fones de ouvido e música alta. Precisa saber, de acordo com o movimento das minhas pestanas, o que eu quero.

Precisa ser minha mãe...

15.10.07

Ainda sobre Pepeu Gomes

Virou nossa música do feriado.

Para quem conhece a música, é muito fácil ficar com ela na cabeça. E como ela ainda estava na cabeça no feriado, lá em Paraty toda parada silenciosa vinha a música incidental na cabeça de alguém e começávamos: ser um homem feminino não exclui o meu lado masculino... se Deus é menina e menino, sou masculino e feminino!

Muito engraçado.

Daí hoje quem estava nos EUA voltou dos EUA e ele sim, aqui no time, conhecia essa música, e daí eu fui um pouco menos zuada por quem trabalha comigo. Ah, e essa música devidamente entrou como música incidental na cabeça dele... e vai fazer quase uma semana que ela não sai da minha cabeça!!

Tô procurando outra música incidental.
Sugestões são aceitas.

A formiga, a cigarra, o vinho, a chuva, a mochila, os deuses, a farra, o céu, a guitarra e o medo

"Você não vai voltar pra essa vida maluca das pessoas do mundo, das formigas tentando se esconder da chuva.
Moça, eu sei que não é legal ficar sozinha quando o velho medo vem e essa noite (...) é tão fria. Me passe a garrafa de vinho?
Sim, eu posso ver, os tempos têm sido maus com você.
Mas os deuses, eles sabem que valeu a pena segurar essa barra.
Moça, o céu é seu amigo enquanto durar essa farra... e você depois é mesmo o tipo de cigarra que canta na chuva.
Dance, mochileira, que eu toco a guitarra."

Almir Sater, Mochileira.

E definitivamente não é legal ficar sozinha recebendo a visita do velho medo em uma noite fria...

11.10.07

Hoje eu volto pra lá

Hoje eu volto para lá, para aquela cidade que me traz todas as lembranças mais maravilhosas, para aquele cantinho do mundo onde conheci o Michael Stype em um momento mágico e engraçado, para aquele gostinho bom de saudades de quando eu viajava com os meus pais passar férias maravilhosas...

Saudosismo, definitivamente. E dessa vez será totalmente diferente de todas as outras... mas fica aquela doce melancolia, o gostinho bom de um passado feliz - que na verdade é minha base do presente e do futuro.

10.10.07

Quando Bethânia e Tim conversaram comigo

Batata.
Sempre acontece comigo, a toda hora.
É só estar com algum tema na cabeça, insistente, martelando, presente, que o rádio me manda ondas. Ele SEMPRE manda essas ondas... é impressionante.

Outro dia de manhã foi "Meu Guri", a "música do primeiro beijo", e o cara do carro do lado perguntando onde fica a Diogo de Faria. Urgh.
Essas coisas são bacanas e bonitas, mas podem me deixar bastante irritada também. Afinal, ora bolas, é a questão que está naturalmente presente e daí ainda mais presente pelas tais ondas do rádio...

Ontem antes de dormir, no meio do meu ritualzinho gostoso, foi Bethânia e Tim me falando coisas que mexem.

Insônia, né? Não, muito pior: sonhos, a noite inteira.

Bethânia, enquanto eu fazia massagens nos pés:
A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não
Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
E não esquecer, ninguém é o centro do universo
Que assim é maior o prazer
(Brincar de Viver)

E daí vem aquela memória viva... na mesma semana em algum lugar no remoto passado de março de 2007 ouvimos a música duas vezes, cantamos a música duas vezes, e ele ainda virou e falou: "acho que é um sinal para sorrirmos juntos cada vez que o mundo diz não". Memória afetiva é uma merda. A gente se lembra de cada coisa que sabe-se lá de onde vem... só sei que ela está lá, bombando a todos os instantes.

Respira fundo, supera a Bethânia. Vem a notícia de que amanhã o dia será ensolarado em São Paulo, e eu torcendo para que seja um dia lindo e quente mesmo, porque estava a fim de usar saia e queria dia gostoso, com cara de dia de usar saia. Mais algum comercialzinho besta do show da Marisa Monte no Via Funchal nos dias 20, 21 e 22 de outubro, e aí volta a programação musical.

Tim Maia, enquanto eu fazia os alongamentos nas costas para deitar bem:
(...)
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...
Você marcou na minha vida
(...)
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...
E eu!
Gostava tanto de você
Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...
(Gostava tanto de você)

Bom, tudo bem, essa é uma música padrão de dores de amor globalmente a todos os que conhecem essa letra e a todos os que conhecem uma bela duma dor de amor. Mesmo assim, sem ter nada específico, nada de memória afetiva, fica martelando na cabeça os sonhos do passado, a vontade de mudar (fugir) de cidade (São Paulo) para acabar com as memórias em cada esquina, e o medo do futuro e da solidão.

Vamos lá Tim e Bethânia, sejam mais bonzinhos comigo da próxima vez, e me ajudem a ter um sono bom... Tô bem cansada dessas pauladas na cara.

9.10.07

Dancing with myself

Sou tão ruim nessa coisa de Facebbok ainda que ao invés de chamar o Antonio para dançar, dancei comigo mesma - não só por uma, mas por DUAS vezes! E o Antonio ficou lá, sozinho e sem dança! Sou toda errada mesmo...

and I'm danding with myself, dancing with myself, dancing with myself...

Nunca confie em alguém que canta Pepeu Gomes

Essa minha incursão ao mundo da mitologia grega vista sob uma ótica junguiana para entender melhor o masculino e o feminino e como tudo isso se dá na construção do caráter de uma pessoa e em consequência como essa pessoa se relaciona na vida e contrói seus laços e suas relações não tem me feito muito bem.

A "música incidental" que está hoje o dia inteiro na minha cabeça é:

Ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino...
Olhei tudo que aprendi
E um belo dia eu vi...
Que ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino...
E vem de lá!
O meu sentimento de ser
E vem de lá!
O meu sentimento de ser
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer...

(Pepeu Gomes - Masculino e Feminino)

Não tô passando bem das idéias, não.

Fiquei cantando essa música aqui nesse ambiente de trabalho e me perguntaram: "Mari, cadê aquela Mari mais normalzinha que algum dia a gente conheceu?"

É, casulinho... você me entende?

Hermanos: colonizados e colonizadores

Quando estivemos em Buenos Aires no fim do ano passado, meu pai tinha odiado os argentinos. Bem aquela coisa brazuca que fala portuñol e fica irritado com os garçons porteños (que podem ser deveras mal humorados de vez em quando) ou com os taxistas porteños (que podem ser deveras golpistas de vez em quando).

Pois bem. Agora eles estão na Espanha.

No telefonema: "Nina, estive repensando meus conceitos." "Ah é, pai? Quais?" "Depois de vir à Espanha, percebi que os argentinos são uns amores".

Ri sozinha.

8.10.07

Ah, como eu gosto...

- do kibe da minha avó que não comia há tanto tempo.
- do meu irmão tão presente e tão ausente e tão, tão, tão, tão irmão.
- de sentir que estou parando de fumar.
- de entender melhor que não tem como fugirmos das mudanças: elas simplesmente estão lá a cada dia, tão fácil quanto o fato de nunca haver um dia igual ao outro.
- de mergulhar nessa coisa estranha que eu não sei dizer o que é e nem para onde vai. Só sei que essa coisa estranha anda.
- de telefonemas inesperados nas horas erradas.
- da casa vazia e silenciosa.
- de saber que essa semana tem feriado e que estou me dirigindo ao paraíso (ou como a Lu define: nossas micro férias no paraíso!). O caixa-dois para a escuna já era, mas nada que mais um pouco no cheque especial não sustente.
- de gostar da yoga cada vez mais a cada dia que passa.
- de criar rituaizinhos gostosos pré hora do sono.
- de dirigir na estrada.
- da companhia das pessoas que me fazem bem.
- de ir vivendo e tentar sair dessa capengação toda aos poucos, mesmo com as bipolaridades e a montanha russa na última velocidade.

Ixi, como eu não gosto:
desse apertinho que persiste, dorzinha aguda que pisa barulhenta, do vazio no peito, das saudades insanamente intensas que só pioram a cada dia.

O final de semana em tópicos

DIVERSÃO
6a
Happy hour inacreditável e cantante, caminhada com irmãzinha colocando assuntos em dia e quebrando paradigmas de medo, chegar em casa e provar roupas novas e ficar feliz de fazer um "what to wear" caseiro. Ir dormir três da matina acabada de cansaço, com aquela sensação de missão cumprida.

MEDO
Sábado
Me perder em ruelinhas de favelas no subúrbio do Embu. Ficar dando voltas, passar sempre pelos mesmos lugares, andar em um labirinto sem fim, não conseguir achar a saída. Muita angústia.

FORÇA
Sábado
Conversar com a vó. Ver incorporação de Oxum. Nem sei mais o que dizer disso... muito forte.

CALORZINHO NO CORAÇÃO
Sábado
Jogar dominó e levar elas para um café na Cristallo da pracinha. Com tão pouco, conseguir fazer a felicidade de quem se ama. Isso é gratificante ao extremo.

DERROTA
Sábado
Ser mulher na balada. Ficar no canto, sentada, simplesmente not belonging àquela selva de desesperados. As amigas se mataram de dançar. Eu preferi o cigarro e o João caminhante, me intoxicar disso. As mulheres, como é triste e feio ver essa derrota. Todas desesperadas. Umas mais vulgares do que as outras, todas fáceis, disputando, aquele excesso de hormônios no ambiente... Praticamente leoas no cio na savana africana, disputando a escolha do leão, esperando o acasalamento. Presa fácil, mulherada. Sair dessa vida ninguém quer, né? Muita dó de vocês... preferi a companhia do João caminhante. Mas nunca tive tamanha sensação de derrota de ser mulher como tive sábado. Triste.

TUDO DE BOM
Domingo
Ensolarado, dia de se sentir bem em roupinhas veranis e sandalinhas rasteiras, colocar óculos escuros, e sair a pé pelo Itaim para almoço com amigos.

TENSÃO
Domingo
Tropa de Elite é FODA. Vá em um dia BOM para conseguir sair do cinema mais ou menos... mas o filme é esquema filmaço... Wagner Moura rules.

SOLIDARIEDADE
Domingo
Meu tricolor é muito bom de entender as reais necessidades dos corintianos e perceber que 3 pontos a menos não são relevantes no caminho do campeonato, já que estava a 1327 pontos a frente do Cruzeiro.

FELIZ-SAUDADE
Domingo
A amiga do peito voltou de viagem e ligou e está tãããããooooo bem que deu até pra chegar pelo telefone. Vontade de abraçar forte!

OH YEAH!
Domingo
Para me afogar ainda mais no pó, aula de salsa no Bourbon. Divertidíssimo... saia rodada pra lá e pra cá. Tropeça e... cai! Dá risada do mico próprio, sozinha, sentada no meio da pista de dança.

SONO
Segunda
Ixi. Tem mesmo que existir hoje? Tô à fim de voltar não...

23.9.07

Eu tive um sonho ruim...

...e acordei chorando.

Será que você ainda pensa em mim?

E aí está, domingo, lá fora ensolarado, aqui dentro, nublado de lágrimas.

E fim.

Festa com muita bebida e muita gente.

Os dois, estranhos no ninho, mas ele mais do que ela - as amigas DELA estavam organizando a festa.

Só tinham se falado na entrada, mas o clima estava tenso, e onde ela estava ele não estava. E vice-versa.

Ao longo da semana, parecia que as negociações para retomar o contato estavam sendo bem-sucedidas.

Música alta.

Ele pede dois cigarros. Ela pergunta para quem é o segundo cigarro, já imaginando que era para a menina que estava dando em cima dele. Ele fala que é para a menina do Sul, muito gente fina por sinal.

Sem razão nenhuma de ser, ela solta: "estou absolutamente entregue aos prazeres carnais esses dias". Ele fica abismado, não entende. Ela tem que explicar: "só como, bebo e fumo ultimamente". Ele pergunta: "por que você está me falando isso?? Foi VOCÊ quem terminou o namoro!"

E aí começa a discussão, sem pé nem cabeça, que dá voltas, que só revive o passado, que não pensa em soluções pro futuro, que tem mágoas para demonstrar o amor. Ela é chamada de idiotinha, estupidinha por ele. Ele é violento como forma de expressar a falta que ela faz. Ela só quer demonstrar o amor como forma de expressar a falta que ele faz. Os dois conversam o tempo todo agarrados um ao outro, em uma íntima proximidade, demonstrando a mais profunda saudade, com medo que isso resulte no beijo na boca que não se conhece há tanto tempo.

Os dois sozinhos estão, cada um a seu modo, derrotados. E ao mesmo tempo, tentando levantar.

A conversa não acaba, mas ela se cansa, vira as costas, vai embora - cambaleante. Tanto álcool que ela mal conseguia ficar de pé.

No dia seguinte, ressaca física e emocional se misturam e se alimentam em uma fossa braba. Se ela achava que conhecia o fundo do poço, agora tem certeza que o poço pode ser sempre mais fundo.

Quem disse que final feliz existe?

E fim.

21.9.07

Three wise men

Gotta ask yourself the question: where are you now?
Look who's alone now, it's no me, it's no me...

Bom, ok. Essa música tem estado bastante na minha cabeça ultimamente... and I wonder why!!

Gosto bastante daquela guitarrinha introdutória... e aquela coisa de melancolia feliz. Enfim, muito bom.

20.9.07

Declaração de amor

Esse post tem quatro títulos possíveis. O que está acima e:
2 - Tratado sobre a dúvida
3- Ai que saudades
4- Quando dormir vira uma atividade pertubadora


I can't live with or without you.
Essa frase nunca fez tanto sentido na minha vida... não saber viver com ou sem uma pessoa.

Os olhos mentem dia e noite a dor da gente.
Porque a dor hoje é intensa, assim como era há uma semana, ou há quinze dias, ou mesmo há um mês, quando ainda estávamos juntos.

O fim é belo e incerto - depende de como você vê.
Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você.
E se o fim é incerto, o amor pode ser belo. E pensar nele a toda hora do meu dia, em todos os momentos, os minutos, em todas as ações, em cada respiração, pensar nele sempre sempre sempre, e sentir a ausência mais presente do mundo, isso é dolorido.

Eu nunca achei que eu pudesse realmente me apaixonar por uma pessoa a ponto de achar que os momentos ao lado dela seriam mágicos. A ponto de chorar ao lembrar dos ataques de riso que tínhamos juntos, ou dos micos que pagamos, ou das aventuras, ou até mesmo das brigas, dos diálogos bonitinhos, da química, dos telefonemas antes de ir dormir... muita gente fala que namoro de sete meses é um namoro curto. Para mim, sete meses foram o suficiente para eu perceber quanto o amo. AINDA o amo.

Mas fica ruim quando amar alguém significa uma angustia sem fim, significa o desenvolvimento de mil instrumentos de defesa, significa não poder mergulhar no relacionamento porque isso seria sinônimo de sofrer.

Meu amigo racional me disse: o namoro é uma matemática. O quanto cada um investe no relacionamento deve ser sempre diretamente proporcional à expectativa do outro. O mesmo amigo, ironia do destino ou não, disse que odiava Brasilia até se mudar para lá, quando ele passou a amar a cidade.

Ontem ouvi no rádio a música que eu queria que ele ouvisse: Tão Bem, do Lulu Santos.
E ela me faz tão bem, ela me faz tão bem... que eu também quero fazer isso por ela.

É isso aí. Enquanto isso, estou triste. Queria que ele me conquistasse, queria que ele mostrasse que ele também quer que nós fiquemos juntos, e que ele vai se esforçar para que nós fiquemos juntos. Queria tentar de novo, de outra forma, em um relacionamento de duas pessoas felizes - e não de uma pessoa feliz e outra triste. Queria tentar de novo, em um relacionamento em que os dois vão jardinar juntos.

Talvez tudo isso seja pedir muito para ele, já que são tantas as coisas que acontecem na vida dele agora, que ele não dá conta de tudo. Isso eu entendo. Mas eu também entendo que então... então cairemos no bom e velho clichê da "pessoa certa na hora errada". Porque afinal, um relacionamento não sobrevive só de amor.

Aí a gente cai, vai pro fundo do poço, descobre que o poço sempre pode ser mais fundo, descobre que as lágrimas nunca secam, e descobre que não se pode controlar os sonhos - e aí dormir vira uma atividade um tanto quanto perturbadora.

Mas tudo segue. E o que eu mais ouço ultimamente é: só o tempo mesmo...

Ok. Mais um post diarinho para esse blog, que não nasceu para ser diarinho.

12.8.07

Yamandú Costa e Dominguinhos, Auditório Ibirapuera, 11/08/2007




Um brinde à vida.

Um brinde à música de boa qualidade, ao Rio Grande do Sul que nos deu Yamandú e ao Pernambuco que nos deu Dominguinhos.

Um brinde à cultura brasileira, à sonoridade do violão lindo e detalhadamente dedilhado junto com o arcodeon intensamente venerado.

Um brinde ao chapéu do Dominguinhos e às alpargatas do Yamandu. O chapéu e as alpargatas se mexem no ritmo na música, como se balançassem também.

Um brinde à brincadeira de Yamandu e à ingenuidade de Dominguinhos. Os dois, tão simpáticos.

Um brinde ao Auditório Ibirapuera, que eu ainda não conhecia. Tão lindo e imponente e moderno e vermelho com branco, palco grande, platéia grande, público simpático, tão Niemeyer.

Um brinde à garoa fria, à pizza, ao chorinho com pinga no bar depois, e ao café da manhã que há tempos eu não tomava. Sim, um brinde à vida noturna que se tem em São Paulo, e só aqui. Um brinde especial a essa vida noturna que não se resume à balada do modo mais tradicional que se pensa, com porres e filas e muita grana. Um brinde à vida noturna com lirismo, poesia, boas conversas, leveza, música gostosa, dança gostosa, na qual ficamos algo ébrios.

Para terminar, um brinde aos meus companheiros nessa noite de sábado que se fez tão feliz.


10.8.07

Don't let me down, everybody hurts

Ontem eu fiz algo que eu nunca quis fazer na vida, e que sempre fiz tudo para evitar. E quando eu digo tudo, eu digo tudo mesmo: empurrar montanha, assosprar o vento pro outro lado, limpar nuvem do céu.

Eu decepcionei uma amiga, uma amigona minha.

Ela já disse para a terapeuta dela que em mim ela confia, que ela pode ter todas as expectativas por mim porque sabe que eu estarei sempre lá, que se ela grita eu apareço, se ela liga eu chego. Que por mim ela bota a mão no fogo.

A recíproca é verdadeira, e ela tem dado muito mais do que recebido nesses ultimos tempos difíceis. Daí chegou a hora de ela receber e eu dar, chegou essa hora ontem por orkut e por combinação por telefone, meio na urgência dessas coisas que não têm nunca hora para chegar.

Tinha um café marcado no Havanna com um amigo que está na Holanda, nessa temporada de rever os amigos gringos todos que estão em SP por algum tempo. Por motivos alheios à minha vontade e muito intimamente ligados ao quase regime de quase escravidão no qual me insiro atrasei pro café. E aí, por motivos alheios ao meu controle e muito intimamente ligados àquela bela e mágica química de conversa atrasei para encontrá-la. Mas liguei avisando que iria me atrasar.

E liguei na hora que fiquei livre, uma hora depois do previsto.
Liguei na hora que fiquei livre.
Liguei na hora.
Liguei. Liguei. Liguei. Liguei.
E simplesmente... nada!
Ontem à noitinha, depois ontem à noitão, depois minha insônia de consciência pesada, e hoje assim que acordei... e nada!

Recebi um email com sinal de vida - pelo menos que ela não sumiu de vez eu sei. Mas ainda não sei quando irei encontrá-la. E me sinto a pior pessoa do mundo... a pior pessoa do mundo... o verme mais repugnante, o estrume mais fedido, por saber que tem alguém aí querendo meu colo e que eu não dei esse colo.

E agora? Minhas mais sinceras, profundas e tristes desculpas.
Ainda com todo o amor que eu possa ter por essa coisa linda que é minha amizade mais incondicional do mundo.

6.8.07

E a alma se enche de alegria...

Sexta feira, festa bacana com pessoas bacanas. Acontecimentos surreais e muita bagunça.

Sábado, dia gostoso de colocar a parte estética em dia. Almoço gostoso com os pais. Casamento lindo e bacana - um emocionante ode ao amor, ao amor deles, ao nosso amor. O prosecco, as comidas afrodisíacas e a vida ébria de sempre.

Domingo, dia de mil coisas e ressaca. Jogo de futebol, frio, café com os amigos, muitas risadas, papos cabeça, papos bons, papos gostosos, e depois lanche com o abraço mais gordo e quente.

Hoje segunda normal mas reencontro com amigo do peito mais do que especial.

Eu não preciso mais do que isso para ser feliz, né?

3.8.07

Mochileira

Estou com uma vontade louca de ser mochileira de novo.

Queria me debruçar sobre um Atlas, traçar um roteiro, comprar a passagem, e ficar muito tempo imaginando tudo como seria.

Depois eu correria atrás de algumas burocracias, faria a mala com as coisas básicas que se pode levar em uma mochila, calça jeans e tênis confortável, ficaria cinco dias com o coração na boca esperando o embarque chegar.

Quando eu embarcasse, eu teria praticamente um ataque de taquicardia. O desconhecido, as expectativas, eu e a mochila - companheira. Daí eu caminharia cidades inteiras por muito tempo, tentando ao máximo entender como é viver lá. Eu conheceria pessoas bacanas em albergues, conheceria pessoas bacanas nas esquinas, na mesa ao lado nos restaurantes, na fila da chapelaria do museu, no banco do ônibus ou na faixa de pedestre. Eu teria a sensação de ter o mundo inteiro à frente, pronto para fazer parte do meu futuro. Eu teria a certeza de que a realidade é muito melhor do que toda a imaginação dos tempos anteriores à viagem.

Daí eu voltaria.
Um pouco de mim no mundo, muito do mundo novo em mim.
Eu voltaria, já pensando em qual será a próxima viagem de mochila.
Eu voltaria pronta para deixar um post como esse no meu blog.

Eu voltaria e me fantasiaria de mochileira na festa à fantasia do pessoal do trabalho, em um ataque crítico de nostalgia.

De Almir Sater, em "Mochileira":
Mas os Deuses eles sabem
Que valeu a pena segurar essa barra
Moça o céu é seu amigo
Enquando durar essa farra
E depois você é mesmo
Do tipo de cigarra
Que canta na chuva
Dance mochileira que eu toco a guitarra.

2.8.07

Guitar Man

Versão sugerida para ouvir: Cake.
Link:
http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?ref=Musica&busca=guitar+man&param1=homebusca&q=guitar+man&check=musica

Who draws the crowd and plays so loud, Baby it's the guitar man.
Who's gonna steal the show, you know
Baby it's the guitar man,
He can make you laugh, he can make you cry
He will bring you down, then he'll get you high
Somethin' keeps him goin', miles and miles away
To find another place to play.
Night after night who treats you right,
Baby it's the guitar man
Who's on the radio, you go listen
To the guitar man
Then he comes to town, and you see his face,
And you think you might like to take his place
Somethin' keeps him driftin' miles and miles away
Searchin' for the songs to play.
Then you listen to the music and you like to sing along,
You want to get the meaning out of each and ev'ry song
Then you find yourself a message and some words to call your own
And take them home.
He can make you love, he can get you high
He will bring you down, then he'll make you cry
Somethin' keeps him movin', but no one seems to know
What it is that makes him go.
Then the lights begin to flicker and the sound is getting dim
The voice begins to falter and the crowds are getting thin
But he never seems to notice he's just got to find
Another place to play,
(Anyway got to play, anyway Got to play.)
(Neither way got to play, neither way got to play)

Guitarra arranhada para dias de indiferenças, defesas, proteções, criadas e muito bem afiadas. Eu sigo, inabalável.
Em frente. Passo forte.
Queria estar em um Lamburghini '62, route 66, com um óculos Ray Ban e cabelos ao vento. Só.
E aí, manter: inabalável.