É da Tiê essa música que eu adoro e tenho ouvido muito ultimamente.
Aliás, TUDO da Tiê eu tenho ouvido muito.
Eitcha cantorinha fantástica, viu?
Fui ao "Cedo e Sentado" dela no Studio SP, e ADOREI.
Já estava a maior "febre Tiê" lá onde eu trabalho... então sucumbi e fui e amei.
Carreguei a tiracolo a amiga que mora na Itália, que também amou.
E chegando lá encontrei mais alguns amigos ótimos, todo mundo curtindo o mesmo som quietinhos, sentadinhos, e hipnotizados pela voz e pelo violão e pelas letras. Leve essa cantora com nome de passarinho - leve e profunda ao mesmo tempo, porque as letras dela mexem para caramba, e falam muito do que é comum a muitos.
Para ouvir Tiê, esse é o lugar: http://www.myspace.com/tiemusica
E para saber dela, é aqui: http://sweetjardim.wordpress.com/letras/
Também é esse o lugar para descobrir a agenda dela de shows - eu recomendo fortissimamente.
Que ela volte logo para o Brasil, porque quero muito ver os próximos shows dela.
Minha trilha sonora de hoje, que eu não canso de ouvir, é:
Chá Verde
Eu, tentei evitar,
liguei a tv
e deitei no sofá.
Desde que haja tempo pra sonhar,
e assuntos pra desenvolver,
não é muito fácil desligar,
me dá pena do meu chinês.
Por ele eu passava o dia inteiro a meditar,
bebendo chá verde ele me diz:
fica feliz que vai funcionar.
Mas eu tô feliz, eu juro pelo meu irmão.
O saldo final de tudo foi mais positivo que mil divãs.
Por isso que não adianta querer julgar,
é cada um por sí,
na sua própria bolha de ar.
Mas o que eu penso mesmo,
é encontrar alguém,
que me dê carinho e beijos,
e me trate como um neném.
Me trate muito bem.
Ah,
eu só quero amor,
seja como for o amor,
seja bom,
seja bom,
seja bom,
seja amor.
Me faz mais feliz,
me dá asas pra fluir
e cantar o amor,
lalarálaiarará.
Lalarálaiarará.
Lalarálaiarará.
(ainda não sei muito sobre o amor,
só sei que às vezes é simplesmente uma delícia dar espaço pro acaso,
e ter uma certa mobilidade de agenda,
e um certo espaço para deixar as coisas acontecerem)
5.5.09
4.5.09
Maior delícia
Nunca terminei tão bem e feliz uma semana quanto terminei ontem o domingo assistindo Fantástico e comendo pizza.
Não, não é hábito da minha família assistir Fantástico - e pedir pizza também não muito.
Mas ontem tudo estava com o gosto doce dessa sensação de quentinho de toda essa fase de novidades boas.
E então,
nós quatro e a minha tia,
cada um desajeitado no tapete e no sofá,
comendo pizza do Camelo (calabreza com champigon era uma e portuguesa era outra) com Coca,
batendo papo gostoso,
tevê ligada no Fantástico (porque o Akatu está aparecendo lá semanalmente desde ontem e pelas próximas cinco semanas - para ver os programas, o Link é esse: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1107362-15605,00-FAMILIA+REDUZ+DESPERDICIO+PARA+ECONOMIZAR.html),
dando risada e falando besteira,
fazendo planos e mantendo o clima agridoce tragicômico que está conosco desde o dia 16 de março,
falando sobre a Virada Cultural,
sobre os 50 anos que são essa semana (!!!!),
sobre o tomara-que-caia azul turquesa e a renda de verde pistache,
e xingando os corintianos,
tivemos um desses domingos que são loucamente singelos e que simplesmente são os domingos que antecedem (mais uma) boa semana.
Aparentemente a maré está, sim, para peixe.
Não, não é hábito da minha família assistir Fantástico - e pedir pizza também não muito.
Mas ontem tudo estava com o gosto doce dessa sensação de quentinho de toda essa fase de novidades boas.
E então,
nós quatro e a minha tia,
cada um desajeitado no tapete e no sofá,
comendo pizza do Camelo (calabreza com champigon era uma e portuguesa era outra) com Coca,
batendo papo gostoso,
tevê ligada no Fantástico (porque o Akatu está aparecendo lá semanalmente desde ontem e pelas próximas cinco semanas - para ver os programas, o Link é esse: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1107362-15605,00-FAMILIA+REDUZ+DESPERDICIO+PARA+ECONOMIZAR.html),
dando risada e falando besteira,
fazendo planos e mantendo o clima agridoce tragicômico que está conosco desde o dia 16 de março,
falando sobre a Virada Cultural,
sobre os 50 anos que são essa semana (!!!!),
sobre o tomara-que-caia azul turquesa e a renda de verde pistache,
e xingando os corintianos,
tivemos um desses domingos que são loucamente singelos e que simplesmente são os domingos que antecedem (mais uma) boa semana.
Aparentemente a maré está, sim, para peixe.
27.4.09
O hamburger como exemplo de uma história com moral
Cheguei da baladinha agora, morta de fome.
Faminta mesmo.
Naquele esquema que as minhas paredes do estômago estão se auto-devorando.
- Tem comida? Comida não, sei lá, lanche?
- Ai, filha, acabamos de pedir New Dog... pena que você não chegou vinte minutos antes!
- Ahn...
- Liga lá e pede um lanche para você.
- Ai, será que peço um hamburgão?
- Liga, pede sim, não tem comida aqui e você está com fome...
Momento de reflexão interna: já comi hamburger ontem no pós balada, não precisaria comer hamburger hoje. E considerando que daqui há seis horas estarei na yoga, não será bom para a aula... E as calorias de comer dois hamburgers no mesmo final de semana. Fora o tempo de o delivery chegar, vai ser tarde para conseguir começar a segundona às seis e meia na yoga.
- New Dog, boa noite?
- Oi, eu queria fazer um pedido.
- Já encerramos os pedidos. Eles se encerram à meia noite.
- Ahn... ok, obrigada.
Moral da história: quando não é para ser, não é.
Faminta mesmo.
Naquele esquema que as minhas paredes do estômago estão se auto-devorando.
- Tem comida? Comida não, sei lá, lanche?
- Ai, filha, acabamos de pedir New Dog... pena que você não chegou vinte minutos antes!
- Ahn...
- Liga lá e pede um lanche para você.
- Ai, será que peço um hamburgão?
- Liga, pede sim, não tem comida aqui e você está com fome...
Momento de reflexão interna: já comi hamburger ontem no pós balada, não precisaria comer hamburger hoje. E considerando que daqui há seis horas estarei na yoga, não será bom para a aula... E as calorias de comer dois hamburgers no mesmo final de semana. Fora o tempo de o delivery chegar, vai ser tarde para conseguir começar a segundona às seis e meia na yoga.
- New Dog, boa noite?
- Oi, eu queria fazer um pedido.
- Já encerramos os pedidos. Eles se encerram à meia noite.
- Ahn... ok, obrigada.
Moral da história: quando não é para ser, não é.
24.4.09
De volta por dentro
Bom... e no meio do furacão e do turbilhão, resolvi PARAR no feriado de Tiradentes.
Parar e fugir.
Fugir pra tão longe que, dentro da ilha, era quase uma hora de viagem. A luz elétrica e o sinal de celular lá, não nos alcançavam. Em compensação, os borrachudos nos devoravam, e as estrelas brilhavam tão puro que uma lágrima pode ter escapado naquela poesia noturna.
Fugir para tão dentro, a ponto de fazer bem ao corpo, à alma, e ao coração.
Dessa vez eu estava como auxiliar, em um quase-trabalho no meio do paraíso.
Eu estava como amiga também, para estar por perto como há tempos não ficávamos.
Eu estava como eu, longe de tanta coisa, e tão mais perto de mim, em uma fase de vida turbilhão que deixa a gente viva mas muito exausta.
Parar a ponto de ficar tão perto do que é natural que dez da noite era tarde para ir dormir e sete da manhã era tarde para acordar.
Tão perto que eu amei o banho no banheiro de pedra no meio do mato com uma clarabóia que fazia do banho ao meio-dia o mais próximo do que é mágico na vida de alguém.
Tão perto que toda a minha vida metódica de querer todo controle sobre tudo foi deixada para trás. Cada uma das minhas coisas (necessaire, travesseiro, tênis, elástico de cabelo, máquina fotográfica, toalha de banho, entre outros) estava em um canto diferente e eu estava simplesmente ok com isso.
Tão perto que enfiei o pé na lama na volta, e voltei na estrada com pé molhado, meia molhada, tênis molhado.
O cabelo, então, nem se fala. De tão perto da natureza, a aparência dele ficou quase como o de uma boa selvagem.
As trocas, todas e tantas, as conversas, todas e tantas, o sol, tanto e tanto, aquele mar azulão, aquele mato verdão, o mergulho silencioso para dentro de meus pensamento e a preguiça de voltar a falar na volta.
No meio do caminho tinha uma Figueira, tão grande, tão linda, tão antiga, tão indescritível, que só de olhar aquela Figueira todos os meus problemas e pensamentos ficarem micros perto de tudo aquilo, aquela energia, aquelas raízes, aquela história. E ficar perto da Figueira, olhar ela, tocar ela, me fez um bem danado. Olhar ao alto e não enxergar fim para além das copas das outras árvores. Não tinha fim.
E então quando eu voltei, me sentia assim, vazia.
Vazia de tudo que é preocupação desnecessária, e cheia, muito cheia, desse lindo reencontro com-a-migo-mesma que é o que a gente às vezes esquece perdida na rotina.
Aliás, a volta foi estranha... chegar em São Paulo, simplesmente tão cheia e iluminada e barulhenta.
Para os meus dias, barulho era pássaro e vento na copa das árvores e onda batendo nas pedras. E luz era do sol, luz de vela, da fogueira, e das estrelas.
Fica no coração, na alma, e no corpo, lembranças maravilhosas e marcas inesquecíveis do que se passou lá naquele paraíso, e que se não se passará nunca mais.

Parar e fugir.
Fugir pra tão longe que, dentro da ilha, era quase uma hora de viagem. A luz elétrica e o sinal de celular lá, não nos alcançavam. Em compensação, os borrachudos nos devoravam, e as estrelas brilhavam tão puro que uma lágrima pode ter escapado naquela poesia noturna.
Fugir para tão dentro, a ponto de fazer bem ao corpo, à alma, e ao coração.
Dessa vez eu estava como auxiliar, em um quase-trabalho no meio do paraíso.
Eu estava como amiga também, para estar por perto como há tempos não ficávamos.
Eu estava como eu, longe de tanta coisa, e tão mais perto de mim, em uma fase de vida turbilhão que deixa a gente viva mas muito exausta.
Parar a ponto de ficar tão perto do que é natural que dez da noite era tarde para ir dormir e sete da manhã era tarde para acordar.
Tão perto que eu amei o banho no banheiro de pedra no meio do mato com uma clarabóia que fazia do banho ao meio-dia o mais próximo do que é mágico na vida de alguém.
Tão perto que toda a minha vida metódica de querer todo controle sobre tudo foi deixada para trás. Cada uma das minhas coisas (necessaire, travesseiro, tênis, elástico de cabelo, máquina fotográfica, toalha de banho, entre outros) estava em um canto diferente e eu estava simplesmente ok com isso.
Tão perto que enfiei o pé na lama na volta, e voltei na estrada com pé molhado, meia molhada, tênis molhado.
O cabelo, então, nem se fala. De tão perto da natureza, a aparência dele ficou quase como o de uma boa selvagem.
As trocas, todas e tantas, as conversas, todas e tantas, o sol, tanto e tanto, aquele mar azulão, aquele mato verdão, o mergulho silencioso para dentro de meus pensamento e a preguiça de voltar a falar na volta.
No meio do caminho tinha uma Figueira, tão grande, tão linda, tão antiga, tão indescritível, que só de olhar aquela Figueira todos os meus problemas e pensamentos ficarem micros perto de tudo aquilo, aquela energia, aquelas raízes, aquela história. E ficar perto da Figueira, olhar ela, tocar ela, me fez um bem danado. Olhar ao alto e não enxergar fim para além das copas das outras árvores. Não tinha fim.
E então quando eu voltei, me sentia assim, vazia.
Vazia de tudo que é preocupação desnecessária, e cheia, muito cheia, desse lindo reencontro com-a-migo-mesma que é o que a gente às vezes esquece perdida na rotina.
Aliás, a volta foi estranha... chegar em São Paulo, simplesmente tão cheia e iluminada e barulhenta.
Para os meus dias, barulho era pássaro e vento na copa das árvores e onda batendo nas pedras. E luz era do sol, luz de vela, da fogueira, e das estrelas.
Fica no coração, na alma, e no corpo, lembranças maravilhosas e marcas inesquecíveis do que se passou lá naquele paraíso, e que se não se passará nunca mais.
23.4.09
Tá chegando de novo
Chega logo,
logo chega,
frio na barriga generalizado,
debulhando a programação cá estou eu de novo,
preparando as pernas para rondar o centro noite adentro,
manifestações de rua,
shows,
museus,
cerveja,
insônia,
noite adentro,
segue sempre,
vai caminhante antes do dia nascer,
fica bêbada,
volta a ficar sóbria,
senta no chão,
faz xixi em lugares no mínimo duvidosos,
senta em alguma praça no meio do caminho,
curte,
curte muito,
observa tudo,
o olhar de fora,
participa de tudo,
o olhar de dentro,
se joga na vida,
tanta risada,
se joga na noite,
tanta conversa,
gasta a sola do tênis até o joelho doer,
perna dói,
pé dói,
passa frio,
passa calor,
tanto de tudo,
lugares livres,
empurrões em shows apertados,
tanta gente,
vai,
curte muito,
chega logo,
amigos a cada esquina,
todos os shows,
tanta cantoria,
tudo aquilo,
tudo isso,
tão intenso,
só 24hrs,
frenesi da grande cidade noite adentro,
frenesi do centro velho noite adentro,
noite adentro,
noite adentro,
noite adentro.
Chega logo,
logo chega.
Virada Cultural 2009 - de 02 a 03 de Maio.
logo chega,
frio na barriga generalizado,
debulhando a programação cá estou eu de novo,
preparando as pernas para rondar o centro noite adentro,
manifestações de rua,
shows,
museus,
cerveja,
insônia,
noite adentro,
segue sempre,
vai caminhante antes do dia nascer,
fica bêbada,
volta a ficar sóbria,
senta no chão,
faz xixi em lugares no mínimo duvidosos,
senta em alguma praça no meio do caminho,
curte,
curte muito,
observa tudo,
o olhar de fora,
participa de tudo,
o olhar de dentro,
se joga na vida,
tanta risada,
se joga na noite,
tanta conversa,
gasta a sola do tênis até o joelho doer,
perna dói,
pé dói,
passa frio,
passa calor,
tanto de tudo,
lugares livres,
empurrões em shows apertados,
tanta gente,
vai,
curte muito,
chega logo,
amigos a cada esquina,
todos os shows,
tanta cantoria,
tudo aquilo,
tudo isso,
tão intenso,
só 24hrs,
frenesi da grande cidade noite adentro,
frenesi do centro velho noite adentro,
noite adentro,
noite adentro,
noite adentro.
Chega logo,
logo chega.
Virada Cultural 2009 - de 02 a 03 de Maio.
21.4.09
Novidade na praça
Ainda não é hoje que vou contar do efeito que esse feriado teve na minha vida.
Mas preciso dizer que, mesmo sem um namorado novo, já tenho uma música linda para cantar para ele quando ele chegar.
Quando ele chegar, que ele seja muito bem vindo!
Mas preciso dizer que, mesmo sem um namorado novo, já tenho uma música linda para cantar para ele quando ele chegar.
Quando ele chegar, que ele seja muito bem vindo!
8.4.09
And have a good night
Faz quatro noites que eu passo ilesa ao meu sono.
Se isso se repetir hoje, amanhã eu juro que piro.
Boa noite então, que preciso dormir bem.
Se isso se repetir hoje, amanhã eu juro que piro.
Boa noite então, que preciso dormir bem.
Have a nice day
Ainda não chegou a frente fria que eu queria que chegasse, mas já está outoninho, sol mais fresquinho do que o sufocante sol de verão.
E aí eu subi uma quadra pra pegar a minha carona pós-almoço para subir.
E a tarde estava bonita e as pessoas do meio do caminho também pareciam bonitas. As árvores estão bonitas e, milagre, o trânsito estava relativamente tranquilo - a ponto de me dar vontade de andar no meio da rua.
Virei a esquina, andei na sombra das árvores, delícia, atravessei a rua, andei debaixo do sol, delícia.
No rosto, um meio-sorriso, desses que estão dentro da gente mas que a gente não sabe se quer ficar dividindo com todo mundo.
No passo, ponta do pé, uma quase dança.
Nada de pressa pra encontrar a carona - que aliás, eu podia avistar, já estava me esperando.
Nada de pressa pra voltar praquele ambiente que tem estado ultra frenético, embora mantenha-se delicioso.
Cheguei na carona e tirei o fone de ouvido com um pouco de dor no peito - a música era perfeita pro momento.
É a música de comemoração outonal, de sol forte mas nem tanto, de vontade de andar no meio da rua, de meio sorriso que quase sai e quase se mantém escondido.
Ao longo desse trajeto, no meu celular tocava Have a Nice Day - Stereophonics.
E aí eu subi uma quadra pra pegar a minha carona pós-almoço para subir.
E a tarde estava bonita e as pessoas do meio do caminho também pareciam bonitas. As árvores estão bonitas e, milagre, o trânsito estava relativamente tranquilo - a ponto de me dar vontade de andar no meio da rua.
Virei a esquina, andei na sombra das árvores, delícia, atravessei a rua, andei debaixo do sol, delícia.
No rosto, um meio-sorriso, desses que estão dentro da gente mas que a gente não sabe se quer ficar dividindo com todo mundo.
No passo, ponta do pé, uma quase dança.
Nada de pressa pra encontrar a carona - que aliás, eu podia avistar, já estava me esperando.
Nada de pressa pra voltar praquele ambiente que tem estado ultra frenético, embora mantenha-se delicioso.
Cheguei na carona e tirei o fone de ouvido com um pouco de dor no peito - a música era perfeita pro momento.
É a música de comemoração outonal, de sol forte mas nem tanto, de vontade de andar no meio da rua, de meio sorriso que quase sai e quase se mantém escondido.
Ao longo desse trajeto, no meu celular tocava Have a Nice Day - Stereophonics.
6.4.09
Círculo macio
Ainda bem que algumas pessoinhas, as mais especiais, as mais chaves estão sempre aqui logo ao lado para esses momentos.
Ainda bem que essas pessoinhas acreditam em mim e em tudo de bom que tem nesse mundo.
Ainda bem que elas me falam: COMEMORE! ao invés de ficar pensando what comes next.
Ainda bem que essa segunda feira assim, tão louca, tão frenética, tão enfática, teve o fim que teve o dia de hoje.
Ainda bem ainda bem ainda bem.
Quem está perto hoje esteve já desde alguns anos - esse é meu círculo macio.
Sem essas pessoas ao lado não seria assim, tão bom e tão macio e tão acolhedor - mas foi.
(o mais louco é que hoje é só segunda e que esse mês é só abril.)
Ainda bem que essas pessoinhas acreditam em mim e em tudo de bom que tem nesse mundo.
Ainda bem que elas me falam: COMEMORE! ao invés de ficar pensando what comes next.
Ainda bem que essa segunda feira assim, tão louca, tão frenética, tão enfática, teve o fim que teve o dia de hoje.
Ainda bem ainda bem ainda bem.
Quem está perto hoje esteve já desde alguns anos - esse é meu círculo macio.
Sem essas pessoas ao lado não seria assim, tão bom e tão macio e tão acolhedor - mas foi.
(o mais louco é que hoje é só segunda e que esse mês é só abril.)
5.4.09
Avenida Dropsie
OU: a vida na cidade grande
Sexta feira, 18.40.
Ainda estávamos no escritório, e não éramos um número pequeno.
A peça começaria às 20hrs, em uma distância de um confortável caminho a pé.
Antes disso, comeríamos uma coxa-creme na Livraria lá embaixo no térreo do nosso prédio que tem um café delicioso cheio de guloseimas que compensam.
Eu desci antes que ele, para passear na Livraria, porque ele ainda estava em reunião e atolado no relatório. Íamos nos encontrar na Livraria em pouco tempo, onde comeríamos a coxa-creme e seguiríamos a pé ao teatro (eu, mesmo mancando, queria andar).
Sexta feira, 19.30.
O teatro começaria em meia hora.
Eu já tinha entendido que não daria tempo de comermos a coxa-creme.
Subi de novo ao escritório. Muitas pessoas ainda estavam lá.
Ele, ainda em reunião, fazendo o relatório.
Nem cheguei perto, porque ele não demonstrou nenhum sinal de abertura para que eu interrompesse a reunião.
Sentei ao lado da amiga e ficamos batendo um papo.
O marido dela já ligava, para saber a que horas ela chegaria em casa - era sexta, afinal das contas!
Sexta feira, 19.45.
Decidi interromper a reunião: "só quero uma opinião real se vai rolar o teatro ou não. Começa em 15"
Ele disse que já estava indo, e dito e feito.
Não dava nem tempo da coxa-creme, e se decidissemos ir a pé perderíamos a peça.
Comemos um pacotinho de Club Social cada um, para andar apenas uma estação de metrô - da Consolação para o Trianon-Masp, onde descemos na frente da FIESP e entramos no teatro rápido.
Para nenhum dos dois deu tempo para o primeiro cigarro do dia.
Sexta feira, 20.00.
Avenida Dropsie.
Teatro Popular do Sesi.
Felipe Hirsch dirige e adapta o texto de Will Eisner com o cenário incrível da Daniela Thomas. É a reestréia da peça, que já tinha estado em cartaz em 2005, mas que agora volta para comemorar os 15 anos da Sutil Companhia de Teatro. Guilherme Weber, André Frateschi, e outros atuam magistralmente, enquanto Gianfrancesco Guarnieri empresta sua voz ao narrador.
Das quase duas horas de peça, chove por 15 minutos ininterruptamente.
O cenário que é o prédio que é a avenida que são as janelas e as escadas onde todos sobem e descem e falar e ficam mudos é algo impressionante. E a peça é muito mais sua trilha sonora e a expressão corporal dos atores do que diálogos e narrativas lineares. E impressiona muito. Todas as histórias picadas e juntas ao mesmo tempo. A trilha sonora jazzística impecável. Não sei onde ficava a Avenida Dropsie do Eisner, mas aqui ela se encaixava muito bem com São Paulo.
"Avenida Dropsie, porém, trata da solidão coletiva(...). Dropsie fala das pessoas das grandes cidades, que não olham nos olhos de ninguém quando andam na rua, que não são capazes de sentir nada quando passam por alguém rastejando no chão, que parecem cada uma viver um mundo totalmente particular, cuja redoma de vidro invisível o protege dos iguais. Também fala de seus sonhos, de sua poesia, das amizades. Humor e melancolia se alternam no espetáculo. É possível rir em um segundo, e chorar no seguinte. A Sutil, assim com Eisner, brinca com a emoção de seu público." (trecho retirado de http://www.screamyell.com.br/mais/dropsie.htm)
Todos muito humanos - a platéia, os atores, o autor. Enfim, a população de uma grande cidade que, mesmo que isolados em suas redomas, e segurando firmemente seus pertences junto ao corpo, e andando com pressa mesmo sem saber ao certo para onde está indo, é no final isso: humana, cheia de vida.
Saí da peça pensando nos que me criticam por ser tão loucamente paulistana, como se isso significasse um coração gelado e falta de algo humano em mim, como se ser paulistana fosse uma ofensa à espécie humana. Como se São Paulo e os paulistanos como um todo fossem, todos, uma ofensa e um obstáculo.
Ao mesmo tempo, descobri porque é que sou tão loucamente paulistana e porque não poderia deixar de ser: para além dessa selva de concreto que assusta a tantos, está a minha vida construída aqui. E gostar de São Paulo nesse caso não significa algo não-humano: muito pelo contrário, "humano, demasiado humano". Como se São Paulo e os paulistanos fossem, todos, essa bagunça humana intensa de vida.
"Só" isso.
É uma cidade que oferece uma rotina de adaptação feroz a tudo o que a cidade tem de hostil (não são poucas coisas) e de paixão absoluta a tudo o que a cidade tem de maravilhoso (não são poucas coisas).
Uma cidade sem meios-termos, e que não dá para ter preguiça de mergulhar nela, nem de resistir a ela. É isso. Aceite sem se incomodar, adapte-se para sobreviver, e seja muito bem-vindo.
Sexta feira, 22.00.
Acendemos, finalmente, nosso primeiro cigarro do dia. Atravessamos a Paulista para pegar um táxi do lado de lá. Eu, mancando, andando devagar, fiz com que párassemos na "ilha" no meio da avenida entre um farol e outro.
Uma ilha deserta, só com nós dois lá.
De um lado e de outro, carros, tantos, rápidos, barulhentos, buzinam, correm, música alta, vento em uma direção, vento em outra.
Entramos no táxi: "Melo Alves com Tietê, por favor". Perto da Consolação, na Paulista, trânsito. É uma cidade com claros sinais de esgotamento: trânsito sem nenhum motivo aparente às 22hrs de uma sexta é quase insuportável.
Sexta feira, 22.20.
Chegamos e sentamos.
Primeira coisa, ação de urgência, pedimos um chopp.
Segunda coisa, acendemos outro cigarro.
Terceira coisa, pedimos o cardápio.
Quarta coisa, pedimos as fritas.
Quinta coisa, pedimos o sanduba.
Pronto. A festa estava armada.
Papo vai, papo vem, papo bom, o trabalho (comum),
(mais um chopp) a vida, os amigos, as conspirações,
(mais um chopp) a peça, São Paulo, os planos pro final de semana,
(mais um chopp) os planos pra Páscoa, os planos pra Tiradentes,
(mais um chopp) os planos pra vida (a saideira e a conta).
Sexta feira, 23.50.
"Corre lá que o metrô ainda está aberto!"
Ele saiu correndo do táxi, eu segui até em casa.
Capotei pesado, depois de uma semana ultra intensa.
A vida na cidade grande.
Sexta feira, 18.40.
Ainda estávamos no escritório, e não éramos um número pequeno.
A peça começaria às 20hrs, em uma distância de um confortável caminho a pé.
Antes disso, comeríamos uma coxa-creme na Livraria lá embaixo no térreo do nosso prédio que tem um café delicioso cheio de guloseimas que compensam.
Eu desci antes que ele, para passear na Livraria, porque ele ainda estava em reunião e atolado no relatório. Íamos nos encontrar na Livraria em pouco tempo, onde comeríamos a coxa-creme e seguiríamos a pé ao teatro (eu, mesmo mancando, queria andar).
Sexta feira, 19.30.
O teatro começaria em meia hora.
Eu já tinha entendido que não daria tempo de comermos a coxa-creme.
Subi de novo ao escritório. Muitas pessoas ainda estavam lá.
Ele, ainda em reunião, fazendo o relatório.
Nem cheguei perto, porque ele não demonstrou nenhum sinal de abertura para que eu interrompesse a reunião.
Sentei ao lado da amiga e ficamos batendo um papo.
O marido dela já ligava, para saber a que horas ela chegaria em casa - era sexta, afinal das contas!
Sexta feira, 19.45.
Decidi interromper a reunião: "só quero uma opinião real se vai rolar o teatro ou não. Começa em 15"
Ele disse que já estava indo, e dito e feito.
Não dava nem tempo da coxa-creme, e se decidissemos ir a pé perderíamos a peça.
Comemos um pacotinho de Club Social cada um, para andar apenas uma estação de metrô - da Consolação para o Trianon-Masp, onde descemos na frente da FIESP e entramos no teatro rápido.
Para nenhum dos dois deu tempo para o primeiro cigarro do dia.
Sexta feira, 20.00.
Avenida Dropsie.
Teatro Popular do Sesi.
Felipe Hirsch dirige e adapta o texto de Will Eisner com o cenário incrível da Daniela Thomas. É a reestréia da peça, que já tinha estado em cartaz em 2005, mas que agora volta para comemorar os 15 anos da Sutil Companhia de Teatro. Guilherme Weber, André Frateschi, e outros atuam magistralmente, enquanto Gianfrancesco Guarnieri empresta sua voz ao narrador.
Das quase duas horas de peça, chove por 15 minutos ininterruptamente.
O cenário que é o prédio que é a avenida que são as janelas e as escadas onde todos sobem e descem e falar e ficam mudos é algo impressionante. E a peça é muito mais sua trilha sonora e a expressão corporal dos atores do que diálogos e narrativas lineares. E impressiona muito. Todas as histórias picadas e juntas ao mesmo tempo. A trilha sonora jazzística impecável. Não sei onde ficava a Avenida Dropsie do Eisner, mas aqui ela se encaixava muito bem com São Paulo.
"Avenida Dropsie, porém, trata da solidão coletiva(...). Dropsie fala das pessoas das grandes cidades, que não olham nos olhos de ninguém quando andam na rua, que não são capazes de sentir nada quando passam por alguém rastejando no chão, que parecem cada uma viver um mundo totalmente particular, cuja redoma de vidro invisível o protege dos iguais. Também fala de seus sonhos, de sua poesia, das amizades. Humor e melancolia se alternam no espetáculo. É possível rir em um segundo, e chorar no seguinte. A Sutil, assim com Eisner, brinca com a emoção de seu público." (trecho retirado de http://www.screamyell.com.br/mais/dropsie.htm)
Todos muito humanos - a platéia, os atores, o autor. Enfim, a população de uma grande cidade que, mesmo que isolados em suas redomas, e segurando firmemente seus pertences junto ao corpo, e andando com pressa mesmo sem saber ao certo para onde está indo, é no final isso: humana, cheia de vida.
Saí da peça pensando nos que me criticam por ser tão loucamente paulistana, como se isso significasse um coração gelado e falta de algo humano em mim, como se ser paulistana fosse uma ofensa à espécie humana. Como se São Paulo e os paulistanos como um todo fossem, todos, uma ofensa e um obstáculo.
Ao mesmo tempo, descobri porque é que sou tão loucamente paulistana e porque não poderia deixar de ser: para além dessa selva de concreto que assusta a tantos, está a minha vida construída aqui. E gostar de São Paulo nesse caso não significa algo não-humano: muito pelo contrário, "humano, demasiado humano". Como se São Paulo e os paulistanos fossem, todos, essa bagunça humana intensa de vida.
"Só" isso.
É uma cidade que oferece uma rotina de adaptação feroz a tudo o que a cidade tem de hostil (não são poucas coisas) e de paixão absoluta a tudo o que a cidade tem de maravilhoso (não são poucas coisas).
Uma cidade sem meios-termos, e que não dá para ter preguiça de mergulhar nela, nem de resistir a ela. É isso. Aceite sem se incomodar, adapte-se para sobreviver, e seja muito bem-vindo.
Sexta feira, 22.00.
Acendemos, finalmente, nosso primeiro cigarro do dia. Atravessamos a Paulista para pegar um táxi do lado de lá. Eu, mancando, andando devagar, fiz com que párassemos na "ilha" no meio da avenida entre um farol e outro.
Uma ilha deserta, só com nós dois lá.
De um lado e de outro, carros, tantos, rápidos, barulhentos, buzinam, correm, música alta, vento em uma direção, vento em outra.
Entramos no táxi: "Melo Alves com Tietê, por favor". Perto da Consolação, na Paulista, trânsito. É uma cidade com claros sinais de esgotamento: trânsito sem nenhum motivo aparente às 22hrs de uma sexta é quase insuportável.
Sexta feira, 22.20.
Chegamos e sentamos.
Primeira coisa, ação de urgência, pedimos um chopp.
Segunda coisa, acendemos outro cigarro.
Terceira coisa, pedimos o cardápio.
Quarta coisa, pedimos as fritas.
Quinta coisa, pedimos o sanduba.
Pronto. A festa estava armada.
Papo vai, papo vem, papo bom, o trabalho (comum),
(mais um chopp) a vida, os amigos, as conspirações,
(mais um chopp) a peça, São Paulo, os planos pro final de semana,
(mais um chopp) os planos pra Páscoa, os planos pra Tiradentes,
(mais um chopp) os planos pra vida (a saideira e a conta).
Sexta feira, 23.50.
"Corre lá que o metrô ainda está aberto!"
Ele saiu correndo do táxi, eu segui até em casa.
Capotei pesado, depois de uma semana ultra intensa.
A vida na cidade grande.
2.4.09
I love this man!
Lá, naquela louca farra esbórnia político-econômica que está sendo a cúpula-em-crise do G20 em Londres, Obama fez festa para o Lula.
"This is the man! I Love this man!", ele disse, sorridente e brincalhão.
E não pára por aí: "He is the most popular politician on earth!", e ainda continua "It's because he's good looking."
Pois é, I love this man.
***
Ainda diretamente do Excel Center, nosso I-love-this-man-presidente fez o que ele sabe fazer muito bem: frases boas e emblemáticas que nós, brasileiros, adoramos ouvir.
E aí ele soltou, "Você não acha muito chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?".
Sim, presidente, nós achamos. Muito chique.
"This is the man! I Love this man!", ele disse, sorridente e brincalhão.
E não pára por aí: "He is the most popular politician on earth!", e ainda continua "It's because he's good looking."
Pois é, I love this man.
***
Ainda diretamente do Excel Center, nosso I-love-this-man-presidente fez o que ele sabe fazer muito bem: frases boas e emblemáticas que nós, brasileiros, adoramos ouvir.
E aí ele soltou, "Você não acha muito chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?".
Sim, presidente, nós achamos. Muito chique.
Façanha de uma bêbada de nada
Hoje escrevi na nossa lousa comunitária daqui um poema para o dia de amanhã.
Na lousa está escrito assim:
"Poema de 6a:
O sapo não lava o pé.
Não lava porque não quer.
Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer.
Mas que chulé!"
Daí rolou toda uma comoção e todo mundo ficou dando risada e risada e risada. Todos, um pouco bêbados e lesados depois desse dia loucamente tenso que foi o dia de hoje. Quando eu voltei para me sentar aqui na minha mesa, trombei com o extintor que fica em pé no chão, no meio do caminho. Ele caiu e fez o maior barulhão.
Os veteranos de casa me disseram que não foi a primeira vez que alguém tromba com esse extintor. Mas foi a primeira vez, na história dessa instituição, que alguém o derruba.
ps.: são dez para as sete e tem tanta gente aqui fazendo tanta reunião e tanto barulho que parece que o relógio diz duas da tarde. Hoje vamos longe.
Na lousa está escrito assim:
"Poema de 6a:
O sapo não lava o pé.
Não lava porque não quer.
Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer.
Mas que chulé!"
Daí rolou toda uma comoção e todo mundo ficou dando risada e risada e risada. Todos, um pouco bêbados e lesados depois desse dia loucamente tenso que foi o dia de hoje. Quando eu voltei para me sentar aqui na minha mesa, trombei com o extintor que fica em pé no chão, no meio do caminho. Ele caiu e fez o maior barulhão.
Os veteranos de casa me disseram que não foi a primeira vez que alguém tromba com esse extintor. Mas foi a primeira vez, na história dessa instituição, que alguém o derruba.
ps.: são dez para as sete e tem tanta gente aqui fazendo tanta reunião e tanto barulho que parece que o relógio diz duas da tarde. Hoje vamos longe.
Infinito x Imensurável
Contexto:
terminando uma conversa no msn.
Tínhamos marcado de nos ver amanhã.
Amigo diz:
vamos conversar bastante sim, saudades de ti
Eu diz:
saudades tbm
Amigo diz:
um beijo imensurável
Eu diz:
um beijo infinito
Eu diz:
(precisaremos de um juri que decida o que é maior, o imensuravel ou o infinito?)*
Amigo diz:
gostei da história
Eu diz:
que história?
Amigo diz:
do infinito x imensurável
Eu diz:
é, eu também. fiquei pensando nisso agora.
*é hábito fazermos competiçõezinhas desse tipo, a última disputa tinha sido trilhares de beijos x todos os beijos do mundo. A sensação que fica é que agora chegamos a um impasse definitivo.
terminando uma conversa no msn.
Tínhamos marcado de nos ver amanhã.
Amigo diz:
vamos conversar bastante sim, saudades de ti
Eu diz:
saudades tbm
Amigo diz:
um beijo imensurável
Eu diz:
um beijo infinito
Eu diz:
(precisaremos de um juri que decida o que é maior, o imensuravel ou o infinito?)*
Amigo diz:
gostei da história
Eu diz:
que história?
Amigo diz:
do infinito x imensurável
Eu diz:
é, eu também. fiquei pensando nisso agora.
*é hábito fazermos competiçõezinhas desse tipo, a última disputa tinha sido trilhares de beijos x todos os beijos do mundo. A sensação que fica é que agora chegamos a um impasse definitivo.
12.3.09
Anotações
Frase da semana:
"Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são"
Frase roubada de ontem - eu voltava para casa e, ao meu lado, vinha um cara falando ao celular com alguém que parecia um amigo:
"Hoje eu aviso ela que estou saindo de lá. Não tenho mais condições"
"(...)"
"Meu, não tenho mais condições psicológicas de aguentar essa mulher"
Unanimidade:
todo mundo que me viu até agora simplesmente AMOU meu cabelo novo.
Injustiçada:
a véinha está fraquinha ou ela é forte como um touro?
(saldo de uma semana: 3 cardio-reversões e um cateterismo)
Demanda:
estou interessada em música francesa contemporânea. Quem souber o que me indicar que extrapole o CD novo da Carla Bruni, por favor avise.
Filme:
Se reencontraram por acaso, em um bar. Conversaram formalmente. Depois de um tempo, ele se aproximou dela e começou a falar. Ele implorava para ela, para voltar. Ela dizia que não, porque não é mulher de malandro, não se contenta com migalhas em um relacionamento. Ele se declarava: "como você jamais houve outra pessoa, não consigo te esquecer, penso em você a todo instante". Ela dizia: "e como eu sei que será diferente?" Ele: "tentando, e acreditando que podemos ser felizes juntos. E já sei que só poderei ser feliz com você". Se ajoelhou, aos prantos, pegou a mão dela e disse: "Volte para mim, por favor. Seja a mulher da minha vida, a mãe dos meus filhos, minha melhor amiga e companheira, a esposa que eu escolhi". Ela se emocionou. Se preocupou com os joelhos dele - ele tanto reclamava de dor. Acariciou as mãos dele, os olhos dela se iluminaram com o brilho molhado das lágrimas prestes a cair. Ele se levantou. Os dois se beijaram loucamente e depois, foram felizes para sempre.
Sensação:
ter medo é humano. Deixar de fazer alguma coisa porque tem medo é covardia.
Tenho uma certa repugnância por pessoas covardes, mesmo que covardes dentro de suas próprias humanidades.
Macunaíma:
"Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são"
"Ai, que preguiça"
Desempenho:
Hoje, 50 mins trotando na pista de cooper do parque Ibirapuera. Na maior empolgação.
Frutose:
Suco de Framboesa do Suplicy Café.
Geléia de amora silvestre orgânica na geladeira lá de casa.
No-show:
Tiê cantando no Cedo e Sentado no Studio SP.
Quem foi, AMOU.
Acho que apareço lá semana que vem.
Conclusão:
não está disponível para as pessoas com um parafuso a mais, com um parafuso a menos, com um parafuso torto, com um parafuso no lugar errado.
Fim:
Eita, mundão véio sem porteira!
"Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são"
Frase roubada de ontem - eu voltava para casa e, ao meu lado, vinha um cara falando ao celular com alguém que parecia um amigo:
"Hoje eu aviso ela que estou saindo de lá. Não tenho mais condições"
"(...)"
"Meu, não tenho mais condições psicológicas de aguentar essa mulher"
Unanimidade:
todo mundo que me viu até agora simplesmente AMOU meu cabelo novo.
Injustiçada:
a véinha está fraquinha ou ela é forte como um touro?
(saldo de uma semana: 3 cardio-reversões e um cateterismo)
Demanda:
estou interessada em música francesa contemporânea. Quem souber o que me indicar que extrapole o CD novo da Carla Bruni, por favor avise.
Filme:
Se reencontraram por acaso, em um bar. Conversaram formalmente. Depois de um tempo, ele se aproximou dela e começou a falar. Ele implorava para ela, para voltar. Ela dizia que não, porque não é mulher de malandro, não se contenta com migalhas em um relacionamento. Ele se declarava: "como você jamais houve outra pessoa, não consigo te esquecer, penso em você a todo instante". Ela dizia: "e como eu sei que será diferente?" Ele: "tentando, e acreditando que podemos ser felizes juntos. E já sei que só poderei ser feliz com você". Se ajoelhou, aos prantos, pegou a mão dela e disse: "Volte para mim, por favor. Seja a mulher da minha vida, a mãe dos meus filhos, minha melhor amiga e companheira, a esposa que eu escolhi". Ela se emocionou. Se preocupou com os joelhos dele - ele tanto reclamava de dor. Acariciou as mãos dele, os olhos dela se iluminaram com o brilho molhado das lágrimas prestes a cair. Ele se levantou. Os dois se beijaram loucamente e depois, foram felizes para sempre.
Sensação:
ter medo é humano. Deixar de fazer alguma coisa porque tem medo é covardia.
Tenho uma certa repugnância por pessoas covardes, mesmo que covardes dentro de suas próprias humanidades.
Macunaíma:
"Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são"
"Ai, que preguiça"
Desempenho:
Hoje, 50 mins trotando na pista de cooper do parque Ibirapuera. Na maior empolgação.
Frutose:
Suco de Framboesa do Suplicy Café.
Geléia de amora silvestre orgânica na geladeira lá de casa.
No-show:
Tiê cantando no Cedo e Sentado no Studio SP.
Quem foi, AMOU.
Acho que apareço lá semana que vem.
Conclusão:
não está disponível para as pessoas com um parafuso a mais, com um parafuso a menos, com um parafuso torto, com um parafuso no lugar errado.
Fim:
Eita, mundão véio sem porteira!
8.3.09
Noite de domingo
Fica a esperança de uma semana melhor pela frente e só.
Hoje:
Dia da Mulher,
aniversário de oitenta anos da Hebe,
indicação do paredão no Big Brother,
dia que o gol do Ronaldo salvou o Corinthians e exaltou a torcida,
dia que veio o choro postergado todo esse tempo,
dia que li os três capítulos sobre o governo Nixon no Diplomacy após assistir Frost/Nixon,
dia que eu fiquei com vontade de ser piloto de avião depois de ver Vitus,
dia que eu tirei Budapeste da estante para reler antes de assistir ao filme,
dia que a minha mãe me viu,
que meu pai pediu tabule no almoço,
que meu irmão deu aquele abraço de irmão,
que a minha prima-irmã contou causos do universo-paralelo-barquinho,
que o sol reapareceu ardido e que eu fiquei rabugenta com isso,
que eu tomei aquele banho comprido e curtido que eu não tomava desde comecei a trabalhar com sustentabilidade (não, eu não tenho um pingo de culpa sequer),
dia que a Augusta e o Unibanco estavam lotados como sempre mas com uma cor especial,
que um carro buzinou para mim,
que eu quase trombei com uma ambulância porque não vi que ela estava vindo,
dia que a aula de yoga de amanhã foi cancelada,
que comi pizza no café da manhã tardio,
que eu li calmamente a Veja e todos os seus absurdos sobre o Protógenes,
que eu ri sozinha procurando a garrafinha d'água que deixei cair durante o filme,
que mandei uma mensagem de texto carinho para uma amiga cuja ausência ontem foi triste,
que eu fechei todos os detalhes com a minha "roomate" provisória dessa semana,
que eu não dei um telefonema porque estava birrenta mesmo e assumo,
que eu não fui ao hospital porque precisava descansar e hoje era o sétimo dia.
É.
A esperança de uma semana melhor não é infundada.
Hoje:
Dia da Mulher,
aniversário de oitenta anos da Hebe,
indicação do paredão no Big Brother,
dia que o gol do Ronaldo salvou o Corinthians e exaltou a torcida,
dia que veio o choro postergado todo esse tempo,
dia que li os três capítulos sobre o governo Nixon no Diplomacy após assistir Frost/Nixon,
dia que eu fiquei com vontade de ser piloto de avião depois de ver Vitus,
dia que eu tirei Budapeste da estante para reler antes de assistir ao filme,
dia que a minha mãe me viu,
que meu pai pediu tabule no almoço,
que meu irmão deu aquele abraço de irmão,
que a minha prima-irmã contou causos do universo-paralelo-barquinho,
que o sol reapareceu ardido e que eu fiquei rabugenta com isso,
que eu tomei aquele banho comprido e curtido que eu não tomava desde comecei a trabalhar com sustentabilidade (não, eu não tenho um pingo de culpa sequer),
dia que a Augusta e o Unibanco estavam lotados como sempre mas com uma cor especial,
que um carro buzinou para mim,
que eu quase trombei com uma ambulância porque não vi que ela estava vindo,
dia que a aula de yoga de amanhã foi cancelada,
que comi pizza no café da manhã tardio,
que eu li calmamente a Veja e todos os seus absurdos sobre o Protógenes,
que eu ri sozinha procurando a garrafinha d'água que deixei cair durante o filme,
que mandei uma mensagem de texto carinho para uma amiga cuja ausência ontem foi triste,
que eu fechei todos os detalhes com a minha "roomate" provisória dessa semana,
que eu não dei um telefonema porque estava birrenta mesmo e assumo,
que eu não fui ao hospital porque precisava descansar e hoje era o sétimo dia.
É.
A esperança de uma semana melhor não é infundada.
6.3.09
Mau Humor do Caramba
Os fatores são:
- esse calor louco e insuportável e incessante que nos assola e que não me deixa dormir. Aliás, que não me deixa ser feliz. 35 graus em São Paulo e trabalhando, sem poder ir para a praia e nem para a piscina, não pode deixar ninguém feliz.
- uma quantidade desumana de coisas no trabalho.
- e um clima meio estranho no trabalho também, desde segunda feira.
- uma avó no hospital que me deixa com uma preocupação que não pára nunca. E a avó, ao invés de melhorar, piora.
- a TPM louca em cada célula dessa corpinho.
E aí essa semana se fecha assim, terrivelmente, em um mau humor insano e beirando o insuportável. Estou um perigo para a humanidade, e acho que permanecerei em casa afogada no sofá com o ventilador na minha cara e assistindo algum filme com muitas mortes e muito sangue - tipo O Poderoso Chefão 1, 2 e 3. Quem sabe segunda feira eu acordo melhor.
Nesse meio tempo foi batido o martelo e confirmado o meu sonho que se realiza. Mesmo assim, nem isso foi capaz de me animar. Acho que já estou na fase da banalização dos sonhos realizados.
Update - 14.30
Na hora do almoço, a caminho do hospital, o sol batia tão forte que fazia a minha saia branca e rendada reluzir. Isso me fez lembrar que quem estão de tão mau humor assim não vem tão caprichada trabalhar.
Resolvi me dar duas horas de almoço e comer o que eu queria comer. Entrei na Livraria, comprei saladinha, sanduíche de salmão defumado, um bom café expresso. Gastei uma bica - mas estava feliz, me dando esse almoço de presente. Peguei guias de viagem e fiquei me deliciando: trem, avião, um ou outro moço interessante e gatinho que aparecia, um chefe que pagou torta e café para todo mundo.
Acho que vai tudo melhorar - mas não me peça para transcender muito que hoje não é dia disso.
- esse calor louco e insuportável e incessante que nos assola e que não me deixa dormir. Aliás, que não me deixa ser feliz. 35 graus em São Paulo e trabalhando, sem poder ir para a praia e nem para a piscina, não pode deixar ninguém feliz.
- uma quantidade desumana de coisas no trabalho.
- e um clima meio estranho no trabalho também, desde segunda feira.
- uma avó no hospital que me deixa com uma preocupação que não pára nunca. E a avó, ao invés de melhorar, piora.
- a TPM louca em cada célula dessa corpinho.
E aí essa semana se fecha assim, terrivelmente, em um mau humor insano e beirando o insuportável. Estou um perigo para a humanidade, e acho que permanecerei em casa afogada no sofá com o ventilador na minha cara e assistindo algum filme com muitas mortes e muito sangue - tipo O Poderoso Chefão 1, 2 e 3. Quem sabe segunda feira eu acordo melhor.
Nesse meio tempo foi batido o martelo e confirmado o meu sonho que se realiza. Mesmo assim, nem isso foi capaz de me animar. Acho que já estou na fase da banalização dos sonhos realizados.
Update - 14.30
Na hora do almoço, a caminho do hospital, o sol batia tão forte que fazia a minha saia branca e rendada reluzir. Isso me fez lembrar que quem estão de tão mau humor assim não vem tão caprichada trabalhar.
Resolvi me dar duas horas de almoço e comer o que eu queria comer. Entrei na Livraria, comprei saladinha, sanduíche de salmão defumado, um bom café expresso. Gastei uma bica - mas estava feliz, me dando esse almoço de presente. Peguei guias de viagem e fiquei me deliciando: trem, avião, um ou outro moço interessante e gatinho que aparecia, um chefe que pagou torta e café para todo mundo.
Acho que vai tudo melhorar - mas não me peça para transcender muito que hoje não é dia disso.
2.3.09
Vovózinha
Domingo à noite
Em um canto da cidade, naquela quente noite de domingo, Cida vê sua filha, grávida de 42 semanas, começar a ter contrações.
--
Na mesma noite de domingo, mas em outro canto da cidade, Mariana está no tradicional domingo em família na casa da avó e vê sua avó Ângela começar a se sentir indisposta.
Madrugada
Cida leva, de lotação, sua filha à maternidade. As contrações estão cada vez mais fortes.
--
Ângela passa uma péssima noite, com vômitos e diarréia.
Segunda cedo
A filha da Cida entra em trabalho de parto e é levada até a sala cirúrgica da maternidade pública de Barueri. Cida já se dirige (de lotação, ônibus, trem, ônibus, metrô) ao seu primeiro dia de trabalho naquela ONG no Conjunto Nacional.
--
Mariana, por sua vez, já está no ambiente de trabalho, mas faz sua aula de yoga. E Ângela, ao acordar de sua noite de sono, desmaia andando até o banheiro e é acudida por sua enfermeira/acompanhante, que chama a ambulância. Em 10 mins a ambulância chega e a leva para o hospital.
Hora do almoço
Cida dá pulos de alegria. Cauê nasceu, 55cm, 3,5kgs, um meninão saudável. Chora na copa ao receber o telefonema. É no mesmo instante em que Mariana entrou para pegar um copo d'água. Ela está nervosa: ficou sabendo que sua avó foi internada.
Tarde
Cida está eufórica. Não vê a hora de ir embora. Quer conhecer seu neto.
--
Mariana está nervosa. Não vê a hora de ir embora. Quer visitar a sua avó.
As duas passam a tarde assim, cada uma a seu modo.
Cida na copa*.
--
Mariana frenética, entre emails, telefonemas e reuniões.
Noite
Cida sai, sorrindo. Vai embora às 17hrs porque até a maternidade o caminho é longo e ela tem que chegar lá antes das 21hrs.
--
Mariana fica, apreensiva. Tem coisa a fazer até 19hrs. E quando ela sair, vai a pé até o hospital, onde ela chegará em menos de 15mins.
No meu segundo post do mês da Mulher, uma homenagem a essa relação linda que é a ligação entre a avó e seus netos. No caso em comum, o Cauê e a Mariana são os primeiros para cada uma das avós.
*Solange, a ex-copeira, não pôde voltar. Está com problemas graves na coluna e deve ficar longe do batente por três meses. Veio a Cida, que ganhou o Cauê na vida dela. Mas ainda não sei se ela será a brilhante fornecedora de pérolas como era a Solange.
Em um canto da cidade, naquela quente noite de domingo, Cida vê sua filha, grávida de 42 semanas, começar a ter contrações.
--
Na mesma noite de domingo, mas em outro canto da cidade, Mariana está no tradicional domingo em família na casa da avó e vê sua avó Ângela começar a se sentir indisposta.
Madrugada
Cida leva, de lotação, sua filha à maternidade. As contrações estão cada vez mais fortes.
--
Ângela passa uma péssima noite, com vômitos e diarréia.
Segunda cedo
A filha da Cida entra em trabalho de parto e é levada até a sala cirúrgica da maternidade pública de Barueri. Cida já se dirige (de lotação, ônibus, trem, ônibus, metrô) ao seu primeiro dia de trabalho naquela ONG no Conjunto Nacional.
--
Mariana, por sua vez, já está no ambiente de trabalho, mas faz sua aula de yoga. E Ângela, ao acordar de sua noite de sono, desmaia andando até o banheiro e é acudida por sua enfermeira/acompanhante, que chama a ambulância. Em 10 mins a ambulância chega e a leva para o hospital.
Hora do almoço
Cida dá pulos de alegria. Cauê nasceu, 55cm, 3,5kgs, um meninão saudável. Chora na copa ao receber o telefonema. É no mesmo instante em que Mariana entrou para pegar um copo d'água. Ela está nervosa: ficou sabendo que sua avó foi internada.
Tarde
Cida está eufórica. Não vê a hora de ir embora. Quer conhecer seu neto.
--
Mariana está nervosa. Não vê a hora de ir embora. Quer visitar a sua avó.
As duas passam a tarde assim, cada uma a seu modo.
Cida na copa*.
--
Mariana frenética, entre emails, telefonemas e reuniões.
Noite
Cida sai, sorrindo. Vai embora às 17hrs porque até a maternidade o caminho é longo e ela tem que chegar lá antes das 21hrs.
--
Mariana fica, apreensiva. Tem coisa a fazer até 19hrs. E quando ela sair, vai a pé até o hospital, onde ela chegará em menos de 15mins.
***
No meu segundo post do mês da Mulher, uma homenagem a essa relação linda que é a ligação entre a avó e seus netos. No caso em comum, o Cauê e a Mariana são os primeiros para cada uma das avós.
*Solange, a ex-copeira, não pôde voltar. Está com problemas graves na coluna e deve ficar longe do batente por três meses. Veio a Cida, que ganhou o Cauê na vida dela. Mas ainda não sei se ela será a brilhante fornecedora de pérolas como era a Solange.
1.3.09
Aposta
MEADOS DE ABRIL DE 2006
Outono, noite fresquinha, vida corrida. Eles estavam sentados no buteco vizinho do teatro pequeno, onde eles assistiriam a uma peça no porão. Conversavam bastante, faz tanto tempo que não dá para lembrar do que eles conversavam. Provavelmente falavam de música, e muito mais provavelmente ainda, do Belle & Sebastian.
Foi feita uma aposta.
Ela tinha que gravar para ele o CD do show do B&S que eles estiveram juntos, em outubro de 2001, no Free Jazz. (Ela ganhou o CD do Lucio Ribeiro quando ele fazia promoções na coluna dele da Folha Online.)
Ele tinha que gravar para ela o CD que o B&S faz covers de músicas pops famosas.
Quem entregasse o CD primeiro ganharia do outro um misto quente.
ÚLTIMA NOITE DE FEVEREIRO DE 2009
Verão, noite absurdamente quente. Eles estão no sofá da casa dele. Cozinharam para dez amigos naquela noite. São duas e meia da manhã e estão cansados da noite, batendo papo com um último amigo que ainda fica lá. Ele também, jogadão no sofá.
Ele, sem anunciar nada, grava um CD. Coloca dentro da bolsa dela - e ela vê.
Ela se levanta para ir embora, ele levanta para abraçá-la.
"Você está me devendo um misto quente. E essa aposta demorou tanto tempo para sair que eu quero o melhor misto quente de São Paulo."
Ele está certo: ela está, de fato, devendo um misto quente para ele.
Outono, noite fresquinha, vida corrida. Eles estavam sentados no buteco vizinho do teatro pequeno, onde eles assistiriam a uma peça no porão. Conversavam bastante, faz tanto tempo que não dá para lembrar do que eles conversavam. Provavelmente falavam de música, e muito mais provavelmente ainda, do Belle & Sebastian.
Foi feita uma aposta.
Ela tinha que gravar para ele o CD do show do B&S que eles estiveram juntos, em outubro de 2001, no Free Jazz. (Ela ganhou o CD do Lucio Ribeiro quando ele fazia promoções na coluna dele da Folha Online.)
Ele tinha que gravar para ela o CD que o B&S faz covers de músicas pops famosas.
Quem entregasse o CD primeiro ganharia do outro um misto quente.
ÚLTIMA NOITE DE FEVEREIRO DE 2009
Verão, noite absurdamente quente. Eles estão no sofá da casa dele. Cozinharam para dez amigos naquela noite. São duas e meia da manhã e estão cansados da noite, batendo papo com um último amigo que ainda fica lá. Ele também, jogadão no sofá.
Ele, sem anunciar nada, grava um CD. Coloca dentro da bolsa dela - e ela vê.
Ela se levanta para ir embora, ele levanta para abraçá-la.
"Você está me devendo um misto quente. E essa aposta demorou tanto tempo para sair que eu quero o melhor misto quente de São Paulo."
Ele está certo: ela está, de fato, devendo um misto quente para ele.
25.2.09
A volta dos que não foram
Então tá.
Eu não ia, e tinha decidido isso, e sabia desde sempre que cada escolha tem sua consequência. E colocando em perspectiva assim, ficar o Carnaval em São Paulo simplesmente me parecia "A" coisa a ser feita.
Não era para doer nem para ser sofrido. E de fato não foi. Ou talvez tenha sido até aquela sexta lá pelas 19hrs, quando eu sabia que se eu quisesse, ainda daria tempo de mudar os rumos do feriado e pegar uma estrada. Até aquela sexta lá pelas 19hrs, eu ficava entoando o mantra "sim o carnaval em São Paulo é bom, ele é bom, eu vou gostar, eu vou me divertir... Sim o carnaval em São Paulo é bom, ele é bom, eu vou gostar, eu vou me divertir..."
Mas aí, a sábia frase popular já disse "pau que nasce torto nunca se endireita", e eu que achava que teria um carnaval carnavalesco em São Paulo, fui parar em uma casa de rock obscura na Barra Funda na sexta à noite - SEXTA DE CARNAVAL. No meio do caminho nos perdemos, e lógico que alguma alusão ao carnaval tinha que ter: lá na Casa Verde, cruzamos com um grupo de pedestres seguindo para o sambódromo, com suas gigantescas alegorias carnavalescas. A essa hora já não era mais dolorido ficar aqui no carnaval.
Sábado, ainda com sono porque a minha noite não-carnavalesca tinha ido até cinco e meia, acordei cedo porque queria tomar sol e tinha decidido que assim o faria. Foi o único dia mais carnavalesco: o dia na piscina, regado a caipirinhas. A noite, no bloco na Vila Madalena. E no bloco tudo parecia estar no lugar certo de carnaval: chuva, suor e cerveja, do jeito que o Caetano já cantou. Marchinhas e pessoas conhecidas, meu ex-professor de biologia tocando cuíca ("pau que nasce torto nunca se endireita", e é estranho o japinha mais cínico que eu já conheci se jogar como um bom brasileiro ao som da cuíca). Eu usava meu "óculos de carnaval", e ele fazia tanto sucesso quanto tinha feito ano passado no Rio.
Domingo mudei o lado da fita. Deixei chegar o cansaço acumulado. Liguei o meu "modo hibernar" ("pau que nasce torto nunca se endireita", e tudo que eu nunca liguei em outros carnavais da minha vida foi o meu "modo hibernar". Esse ano aconteceu). Cheguei a um meio termo entre o hibernar e a cinefilia. Quando eu não estava dormindo, eu estava ou lendo o jornal e acompanhando o noticiário sobre o Carnaval (principalmente o de fofocas políticas, tipo o Lula que ficou grudadinho no Paes e no Cabral e a Dilma que foi pro Recife), ou comendo fora em algum bom restaurante (convidada pelos meus pais), ou assistindo a um filme (cinema ou DVD).
E assim se seguiu: domingo, segunda, terça, até quarta... Algumas exceções surgiram: um churrasco debaixo da chuva em Alphaville na 3a; um dia híbrido na quarta, sem trabalho, mas com cara de dia útil, só que com um cineminha às 14hrs.
A rotininha estava boa.
Não fiz meus treinos de corrida e meu personal não vai gostar nada dessa notícia. O sono durava 12 ou 13 horas por noite, assim, direto e reto. Os sonhos eram absolutamente carnavalescos e reais: eu fui para Salvador com as minhas primas, fui para o Recife com alguns amigos, e fui pro Rio com outros. Tudo isso, no meu mais íntimos universo onírico. Mas a vida real não estava nada mal e não deixou a desejar.
Então tá.
Sobrevivi (muito bem, obrigada) ao Carnaval em São Paulo.
Carnavalei só um dia, e entendo isso tranquilamente dentro do contexto das escolhas que são feitas vida afora, algumas coisas priorizadas ou deixadas para trás em prol das outras.
Dormi (muito bem), comi (muito bem), assisti a filmes (muito bons).
Às vezes eu acho que eu não preciso de mais do que isso.
À Carnavália, só ano que vem.
Hoje, à Quaresma.
(Quarenta dias de reclusão dos prazeres carnais, reflexão e redenção, até que Jesus renasça.)
OU
Hoje, à Quaresmeira.
(Árvore por demais hermosa, de flores em tons de rosa, que cresce em abundância na Mata Atlântica, mas principalmente na Serra da Mantiqueira.)
Entre a Quaresma e a Quaresmeira, cada um faz sua opção.
Eu fiz a minha.
Eu não ia, e tinha decidido isso, e sabia desde sempre que cada escolha tem sua consequência. E colocando em perspectiva assim, ficar o Carnaval em São Paulo simplesmente me parecia "A" coisa a ser feita.
Não era para doer nem para ser sofrido. E de fato não foi. Ou talvez tenha sido até aquela sexta lá pelas 19hrs, quando eu sabia que se eu quisesse, ainda daria tempo de mudar os rumos do feriado e pegar uma estrada. Até aquela sexta lá pelas 19hrs, eu ficava entoando o mantra "sim o carnaval em São Paulo é bom, ele é bom, eu vou gostar, eu vou me divertir... Sim o carnaval em São Paulo é bom, ele é bom, eu vou gostar, eu vou me divertir..."
Mas aí, a sábia frase popular já disse "pau que nasce torto nunca se endireita", e eu que achava que teria um carnaval carnavalesco em São Paulo, fui parar em uma casa de rock obscura na Barra Funda na sexta à noite - SEXTA DE CARNAVAL. No meio do caminho nos perdemos, e lógico que alguma alusão ao carnaval tinha que ter: lá na Casa Verde, cruzamos com um grupo de pedestres seguindo para o sambódromo, com suas gigantescas alegorias carnavalescas. A essa hora já não era mais dolorido ficar aqui no carnaval.
Sábado, ainda com sono porque a minha noite não-carnavalesca tinha ido até cinco e meia, acordei cedo porque queria tomar sol e tinha decidido que assim o faria. Foi o único dia mais carnavalesco: o dia na piscina, regado a caipirinhas. A noite, no bloco na Vila Madalena. E no bloco tudo parecia estar no lugar certo de carnaval: chuva, suor e cerveja, do jeito que o Caetano já cantou. Marchinhas e pessoas conhecidas, meu ex-professor de biologia tocando cuíca ("pau que nasce torto nunca se endireita", e é estranho o japinha mais cínico que eu já conheci se jogar como um bom brasileiro ao som da cuíca). Eu usava meu "óculos de carnaval", e ele fazia tanto sucesso quanto tinha feito ano passado no Rio.
Domingo mudei o lado da fita. Deixei chegar o cansaço acumulado. Liguei o meu "modo hibernar" ("pau que nasce torto nunca se endireita", e tudo que eu nunca liguei em outros carnavais da minha vida foi o meu "modo hibernar". Esse ano aconteceu). Cheguei a um meio termo entre o hibernar e a cinefilia. Quando eu não estava dormindo, eu estava ou lendo o jornal e acompanhando o noticiário sobre o Carnaval (principalmente o de fofocas políticas, tipo o Lula que ficou grudadinho no Paes e no Cabral e a Dilma que foi pro Recife), ou comendo fora em algum bom restaurante (convidada pelos meus pais), ou assistindo a um filme (cinema ou DVD).
E assim se seguiu: domingo, segunda, terça, até quarta... Algumas exceções surgiram: um churrasco debaixo da chuva em Alphaville na 3a; um dia híbrido na quarta, sem trabalho, mas com cara de dia útil, só que com um cineminha às 14hrs.
A rotininha estava boa.
Não fiz meus treinos de corrida e meu personal não vai gostar nada dessa notícia. O sono durava 12 ou 13 horas por noite, assim, direto e reto. Os sonhos eram absolutamente carnavalescos e reais: eu fui para Salvador com as minhas primas, fui para o Recife com alguns amigos, e fui pro Rio com outros. Tudo isso, no meu mais íntimos universo onírico. Mas a vida real não estava nada mal e não deixou a desejar.
Então tá.
Sobrevivi (muito bem, obrigada) ao Carnaval em São Paulo.
Carnavalei só um dia, e entendo isso tranquilamente dentro do contexto das escolhas que são feitas vida afora, algumas coisas priorizadas ou deixadas para trás em prol das outras.
Dormi (muito bem), comi (muito bem), assisti a filmes (muito bons).
Às vezes eu acho que eu não preciso de mais do que isso.
À Carnavália, só ano que vem.
Hoje, à Quaresma.
(Quarenta dias de reclusão dos prazeres carnais, reflexão e redenção, até que Jesus renasça.)
OU
Hoje, à Quaresmeira.
(Árvore por demais hermosa, de flores em tons de rosa, que cresce em abundância na Mata Atlântica, mas principalmente na Serra da Mantiqueira.)
Entre a Quaresma e a Quaresmeira, cada um faz sua opção.
Eu fiz a minha.
Assinar:
Postagens (Atom)
