Vou contar para vocês a história do Blueberry, o carro mais fantástico, amigo e companheiro que poderia existir nesse mundo.
Blueberry, vindo ao mundo em março de 2002, caído nas minhas mãos de recém-motorista no mesmo março de 2002, batizado pela Lau poucos dias depois de ele estar em minhas mãos. Azul marinho ele é, redondinho, pequenino, e completo do jeito que eu gosto: direção hidráulica, rodas de liga-leve, ar-condicionado, travas elétricas, vidros da frente elétricos, quatro portas.
Não tem CD, porque eu gosto da idéia de deixá-lo na rua sem medo de que ele terá um vidro quebrado. Mas tem rádio, porque eu gosto de dirigir ouvindo música e cantando alucinadamente.
Tem alguns apetrechos e patuás. Tem um Ursinho Pooh que eu ganhei da Stephanie e gosto de deixar o Pooh lá porque assim eu sempre me lembro dela e de sua mãe, que me são tão queridas. Tem o Berry: um tigre daqueles de pelúcia pequeninos recheados de arroz, que fica pendurado no meu retrovisor e me acompanha com seu olhar. E tem o Blue, ursinho de pelúcia bem pequenino mesmo que tem aquelas coisas de plástico (cujo nome me esqueci) que grudam no vidro conforme a pressão que fazemos. Pendurados na parte de trás do retrovisor, os patuás: um olho grego de vidro bem bonito; um filtro dos sonhos, que está lá desde que eu ganhei o carro, porque eu queria porque queria um filtro de sonhos para proteger meu carro; e um terço, porque em todos os carros da família há um terço bento.
Blueberry já foi inúmeras vezes ao Morumbi ver o Tricolor jogar com um monte de gente dentro, e voltou ouvindo o Terceiro Tempo da Joven Pan. Blueberry já foi radical e já foi tranquilão, hora fechando e cruzando e fazendo todos os tipos de manobras absurdas, ora seguindo em frente serenamente sem medo de se entregar ao congestionamento paulistano. Blueberry, no começo de sua existência, morreu inúmeras vezes nas desafiadoras ladeiras de Perdizes.
É estranho e raro que eu seja passageira do Blueberry, e ninguém o dirige tão bem quanto eu.
Eu piso e ele responde, e então, com nosso ótimo trabalho em dupla, consigo fazer com que um carro um-ponto-zero pareça quase um um-ponto-oito. Temos uma interação sem precedentes na história dos automóveis e seus proprietários.
Blueberry já viu grupos de meninas atacadas antes da balada e depois da balada, já ouviu música alta com um bando de loucas cantando alucinadamente dentro dele, já viu o Edu parar na sarjeta, abrir a porta do carro, e passar muito mal mesmo logo ali no meio da rua. Blueberry é o carro oficial das voltinhas no quarteirão, de quando o trajeto entre a PUC e os Jardins não era o suficiente para todas as conversas que eu tinha com a Lau, e aí a gente começava a dar voltas no quarteirão sem destino nenhum, simplesmente para acabar o assunto.
Blueberry e eu adoramos pegar uma estrada, principalmente se ela estiver livre. Blueberry não tem medo de estrada de terra.
Blueberry já me viu brigar, rir, reconciliar, chorar, beijar, sofrer, falar no celular, fumar, cantar, conversar.
Blueberry testemunhou muitas coisas sozinho, mas a principal delas foi minha loucura de aniversário quando fiz 25 anos. Só eu e o Blueberry, às 4 da manhã, na 9 de Julho indo pro Cambridge. Só a gente sabia que naquele exato instante eu estava sozinha cometendo uma loucura e tanto.
Blueberry, tadinho, já se perdeu sozinho comigo na periferia de Embu, lugarzinho perigoso de verdade. E além das favelas do Embu, Blueberry já caiu comigo nas bocadas dos arredores da Estrada do M'Boi-Mirim, outro cantinho perigoso de São Paulo - mas nessa ocasião tinha mais gente no carro, muito embora todos tão embriagados quanto eu, após lendário churrasco do Strauss.
Logo no começo de sua existência, bati a roda numa guia quando fui desviar de um caminhão que me fechou, e o pneu fez PLUFT, um barulhão, e a próxima coisa que eu vi, um quarto do meu carro estava totalmente no chão, com o pneu estourado. Peguei o celular: "Paaaaaaaaaai, estourei meu pneu, vem me ajudar", aos prantos.
Blueberry pegou inúmeras vezes a Princess, para irmos para qualquer outro lugar, mas principalmente para irmos pro Image durante muitas sextas feiras seguidas em 2003 e 2004.
Só o Blueberry e a Princess, aliás, testemunharam um beijo bizarro e proibido e escondido e secreto de dezembro de 2007.
De manhã à caminho da IBM muitas vezes Blueberry brincava com seu amigo, Le Poison Blanche, que chegavam juntos ao trabalho - quero dizer à rua 7 do estacionamento da IBM, sob os cuidados atentos do Seu Antônio.
Blueberry já viu muitos amanheceres, muitos voltando da balada, e muitos quando eu ia correr no Ibirapuera bem cedinho e era tão cedinho que eu via o amanhecer do carro.
Blueberry já deu muita carona para muita gente, adoro isso de passar e pegar pessoas em um lugar e levá-las para outro lugar. É muito bom. É quase uma sensação de "pode deixar, eu consigo te tirar desse mundo" (mesmo que temporariamente).
Outro dia, no começo desse ano, Blueberry se encontrou com um caminhão de lixo e se estrupiou. Foi bem feio. Lá na delegacia, fazendo o B.O. que eu precisava fazer para acionar o seguro, o senhor PM me disse: "Dona Madame, a senhora está me contando que, ao sair da garagem da sua casa, bateu em um caminhão de lixo que estava passando no meio da rua e que a batida foi tão forte que o carro teve que ser guinchado até a oficina?" Rindo por dentro da situação patética e chorando por dentro da situação deprê, abaixei a cabeça e respondi: "Sim, senhor PM".
Blueberry é quem me entende em meu silêncio.
É meu cúmplice sem questionamentos.
Ontem eu deixei o Lindonildo na casa dele e foi passear de carro, curtir a noite paulistana e o barulhinho do motor do Blueberry, fumando um cigarrinho e pensando na vida. Eu estava muito feliz, e quis dividir com o Blueberry, quis que essa sensação de felicidade absoluta durasse mais um pouquinho, quis ouvir boa música dentro de um carro companheiro e acreditar que é verdade que eu sou feliz hoje, e que não adianta relutar contra isso. E que na verdade ficar pensando demais é uma forma de relutar, e que o que me basta hoje é sentir por todos os poros o frescor de coisas novas que 2008 traz para mim. Simplesmente sentir.
28.5.08
Destino: Tríplice Fronteira
- Puerto Iguazu parece uma cidade de faroeste com suas casinhas de madeira, suas ruas desertas, seu sol que racha. Faltou só a bola de poeira e feno rolando, que nem a gente vê nos desenhos animados.
- Essa coisa de Tríplice Fronteira é muito louca. De um lado do rio, um país; do outro lado, outro país; do outro lado, outro país. Praticamente na dimensão da terceira margem do rio que Guimarães Rosa tanto fez ficar famosa.
- Um Duty Free do tamanho de um shopping é algo deveras bizarro e muito, muito, muito louco. Assustador até. Templo do consumo elevado à décima quinta potência. Coisa estranha. Pessoas comprando frenéticamente, todas as variedades de tudo que se imagine: de relógios à vodkas, passando por perfumes e cashmeres. Impressiona e dá medo.
- O hotel era legal, mas não exatamente um master resort. Quase uma coisa tipo "décadence avec élegance". Deu para notar que na década de 60, 70, aquilo lá era um luxo sem precedentes. Hoje ficam os vestígios do passado, que não atualizam pro presente toda a imponência que existiu uma vez. De qualquer forma, a piscina do hotel era uma delícia; a varandinha do nosso quarto, com vista para a piscina, onde fumávamos e tínhamos papos cabeça, foi eleita por mim o melhor lugar do hotel; e as medialunas eram de um deleite sem precedentes. Me empanturrei.
- O céu noturno de Foz do Iguaçu não existe em nenhum outro lugar. Ainda mais quando estamos falando de noites de lua cheia.
- Ciudad del Este é o buraco do mundo. Lugar feio, fedido, barulhento, cheio de gente. Hordas de pessoas comprando sem limites com sacolas gigantescas, prontas para trazer muambas para o Brazil. Uma 25 de março muito, muito, muito, muito piorada. Policiais vagam com escopetas sem policiar nada, e sua não-ação faz com que aquilo lá se torne uma terra de ninguém onde tudo é permitido. Todos os tráficos de todas as coisas acontecem ao mesmo tempo agora. À luz do dia, a céu aberto. É impressionante. Nas calçadas, camelôs e suas tendinhas cobrem tudo e fazem sombra, formando corredores estreitos. Nas ruas, não há organização, não há paz, não há nada. Não há rua, na verdade. Nas portas das lojas, seguranças particulares ostentando escopetas ainda maiores do que as dos policiais. Em tudo quanto é canto, produtos de todos os tipos. Impressionante.
- Atravessei a Ponte da Amizade em um Mototáxi e me senti muito clandestina atravessando a fronteira de mototáxi. Maior legal. Experiência única.
- Itaipu é impressionante. As Cataratas são impressionantes. Região de megalomanias essa região da Tríplice Fronteira. Tudo é muito. As sensações são sempre extremamente acentuadas.
- A oportunidade de conhecer o diretor do Ibama para o Parque das Cataratas foi única. A casa do cara é animal, cravada em uma clareira na Mata Atlântica, cercada de mato, de animais, de rios. Uma delícia. Ele, a esposa, e a filha nos receberam como reis. O churrasco estava delicioso. As conversas, nem se fala. Tudo muito bom. Histórias de onças pintadas, jibóias e corais e cascavéis e quatis.
- Comer costela de chão, que eu nunca tinha comido, na sede da Associação dos Motoristas de Itaipu, que eu nem imaginava que existia, no aniversário de 50 anos do presidente da Associação, que eu não conhecia, foi demais.
- Conheci uma Foz que a maioria dos turistas não conhece, não fui ao Cassino na Argentina e não gastei milhares de dólares no Duty Free. Mas fiz a viagem que eu queria, do jeito que eu queria, conhecendo tudo e tendo experiência sempre muito agregadoras. É isso que faz dela uma ótima viagem: as experiências agregadoras.
- Comi muita carne e meu estômago se ressente até agora, três dias consecutivos de churrasco não é fácil para ninguém.
- Voltamos de ônibus argentino, leito, pagando quase a mesma coisa que pagamos pelo convencional brasileiro, com um conforto absurdamente maior.
- Amei.
- Essa coisa de Tríplice Fronteira é muito louca. De um lado do rio, um país; do outro lado, outro país; do outro lado, outro país. Praticamente na dimensão da terceira margem do rio que Guimarães Rosa tanto fez ficar famosa.
- Um Duty Free do tamanho de um shopping é algo deveras bizarro e muito, muito, muito louco. Assustador até. Templo do consumo elevado à décima quinta potência. Coisa estranha. Pessoas comprando frenéticamente, todas as variedades de tudo que se imagine: de relógios à vodkas, passando por perfumes e cashmeres. Impressiona e dá medo.
- O hotel era legal, mas não exatamente um master resort. Quase uma coisa tipo "décadence avec élegance". Deu para notar que na década de 60, 70, aquilo lá era um luxo sem precedentes. Hoje ficam os vestígios do passado, que não atualizam pro presente toda a imponência que existiu uma vez. De qualquer forma, a piscina do hotel era uma delícia; a varandinha do nosso quarto, com vista para a piscina, onde fumávamos e tínhamos papos cabeça, foi eleita por mim o melhor lugar do hotel; e as medialunas eram de um deleite sem precedentes. Me empanturrei.
- O céu noturno de Foz do Iguaçu não existe em nenhum outro lugar. Ainda mais quando estamos falando de noites de lua cheia.
- Ciudad del Este é o buraco do mundo. Lugar feio, fedido, barulhento, cheio de gente. Hordas de pessoas comprando sem limites com sacolas gigantescas, prontas para trazer muambas para o Brazil. Uma 25 de março muito, muito, muito, muito piorada. Policiais vagam com escopetas sem policiar nada, e sua não-ação faz com que aquilo lá se torne uma terra de ninguém onde tudo é permitido. Todos os tráficos de todas as coisas acontecem ao mesmo tempo agora. À luz do dia, a céu aberto. É impressionante. Nas calçadas, camelôs e suas tendinhas cobrem tudo e fazem sombra, formando corredores estreitos. Nas ruas, não há organização, não há paz, não há nada. Não há rua, na verdade. Nas portas das lojas, seguranças particulares ostentando escopetas ainda maiores do que as dos policiais. Em tudo quanto é canto, produtos de todos os tipos. Impressionante.
- Atravessei a Ponte da Amizade em um Mototáxi e me senti muito clandestina atravessando a fronteira de mototáxi. Maior legal. Experiência única.
- Itaipu é impressionante. As Cataratas são impressionantes. Região de megalomanias essa região da Tríplice Fronteira. Tudo é muito. As sensações são sempre extremamente acentuadas.
- A oportunidade de conhecer o diretor do Ibama para o Parque das Cataratas foi única. A casa do cara é animal, cravada em uma clareira na Mata Atlântica, cercada de mato, de animais, de rios. Uma delícia. Ele, a esposa, e a filha nos receberam como reis. O churrasco estava delicioso. As conversas, nem se fala. Tudo muito bom. Histórias de onças pintadas, jibóias e corais e cascavéis e quatis.
- Comer costela de chão, que eu nunca tinha comido, na sede da Associação dos Motoristas de Itaipu, que eu nem imaginava que existia, no aniversário de 50 anos do presidente da Associação, que eu não conhecia, foi demais.
- Conheci uma Foz que a maioria dos turistas não conhece, não fui ao Cassino na Argentina e não gastei milhares de dólares no Duty Free. Mas fiz a viagem que eu queria, do jeito que eu queria, conhecendo tudo e tendo experiência sempre muito agregadoras. É isso que faz dela uma ótima viagem: as experiências agregadoras.
- Comi muita carne e meu estômago se ressente até agora, três dias consecutivos de churrasco não é fácil para ninguém.
- Voltamos de ônibus argentino, leito, pagando quase a mesma coisa que pagamos pelo convencional brasileiro, com um conforto absurdamente maior.
- Amei.
14.5.08
Do Filme
- A atuação do Emile Hirsch está indescritivelmente fantástica e impecável.
- A trilha sonora está soberana.
- A fotografia é estupenda.
- A história é intensa em cada átomo de oxigênio, em cada gota d'água.
- As duas horas e vinte passam na sensação de 15 minutos.
- As reflexões são tantas que ainda não sei o que colocar aqui.
- Hoje na terapia falei desse filme, quase que tentando começar a digerir todas as idéias.
- Utopia é acreditar na existência de uma obstinação moderada?
- Já baixei a trilha sonora.
- Quero assistir de novo.
- A trilha sonora está soberana.
- A fotografia é estupenda.
- A história é intensa em cada átomo de oxigênio, em cada gota d'água.
- As duas horas e vinte passam na sensação de 15 minutos.
- As reflexões são tantas que ainda não sei o que colocar aqui.
- Hoje na terapia falei desse filme, quase que tentando começar a digerir todas as idéias.
- Utopia é acreditar na existência de uma obstinação moderada?
- Já baixei a trilha sonora.
- Quero assistir de novo.
13.5.08
Filme no Cinema
Hoje vou ao cinema, assistir Into the Wild que há muito eu venho postergando de assistir.
As reações de quem viu esse filme são as mais variadas.
Um amigo querido saiu do cinema em tamanho choque que ele mal conseguiu falar no telefone para marcar um café.
Uma amiga gostou tanto que foi duas vezes.
Outra amiga saiu do cinema em êxtase.
E um bom amigo que vi na festa de sábado disse que a moral desse filme é que não nos apaixonamos por uma pessoa, e sim por cada pequena coisa que nos cerca no dia a dia.
Direção de Sean Penn e música de Eddie Vedder e paisagens deslumbrantes o filme inteiro. Sim, deve ser dos mais intensos filmes. Porque a história do cara por si só já é forte a valer.
Amanhã eu conto.
As reações de quem viu esse filme são as mais variadas.
Um amigo querido saiu do cinema em tamanho choque que ele mal conseguiu falar no telefone para marcar um café.
Uma amiga gostou tanto que foi duas vezes.
Outra amiga saiu do cinema em êxtase.
E um bom amigo que vi na festa de sábado disse que a moral desse filme é que não nos apaixonamos por uma pessoa, e sim por cada pequena coisa que nos cerca no dia a dia.
Direção de Sean Penn e música de Eddie Vedder e paisagens deslumbrantes o filme inteiro. Sim, deve ser dos mais intensos filmes. Porque a história do cara por si só já é forte a valer.
Amanhã eu conto.
12.5.08
Pensamentos e Sentimentos: variados
- 3a no jantar a lula naquele spaghetti estava um absurdo de bom. Pena, muita pena, que não tomei caipirinha devido às minhas tonturas. Mas não há de ser nada: o restaurante estará sempre lá para quando as tonturas passarem.
. Deleite.
. Vontade.
-3a no Suplicy o Capuccino desceu queimando, doendo, engasgado. No good. Capuccinos não combinam com entrevistas desafiadoras. Perdi o deleite do Capuccino, mas espero de verdade não ter perdido o provável emprego. O diálogo foi bom, ágil, inteligente. Inteligível. Gente que faz, que fala, que me desafia. Aprender a humildade. Ver no outro uma provável não-humildade. Ver no outro uma bela máscara de entrevistador. A China e a Geopolítica, hoje e em 10 anos. Os celulares no Brasil. O Nobel do Yunus - da Paz. O Nobel do Al Gore - da Paz. O Nobel do IPCC - da Paz.
. Suor no rosto.
. Suor em tudo.
. Ondas de calor.
. Taquicardia.
. Angústia.
- 2a e a conversa com a acupunturista. Essa violência interna, louca para sair. Todo mundo ao meu redor sofrendo com isso. E eu, por dentro. Uma agulha aqui, outra ali. Conversa incômoda. Comprei cigarros para fumar na semana, quando tensa não abro mão da nicotina. Nossa, e a tontura desnorteante no final da tarde? Cai na lotérica. Não consegui girar a chave para entrar em casa. Atravessei a 9 de Julho de mãos dadas com uma estranha, de medo de cair. Reconheci meu medo. Fiquei frente a frente com ele. Apenas o primeiro de todos os medos a serem reconhecidos.
. Debate interno.
. Inquietude.
. Medo.
- 4a, dia dedicado ao meu Tricolor Paulista. Muita fila para comprar o ingresso. Muito trânsito para chegar no Morumbi. Ameaça de roubo do meu carro lá, na frente do Estádio. A cavalaria empacada na nossa frente na hora de entrar no Estádio. Tudo lotado na Independente. Um gol assim que entramos, já no final do 1o tempo, e a melhor companhia do mundo para um jogo no Morumbi. O jogo emocionava, as jogadas apertavam o coração, mas aquilo era um a zero e eles com dez, nós com onze. No segundo gol o Morumbi foi abaixo, os meninos caíram em cima de mim. A gente cantava insanamente, gritava, ria, e não se entendia mais. O Estádio era fumaça e muita gente, muito grito, muito barulho. Na saída, fui na frente, os meninos ficaram para trás. Saiu a Independente. Não tinha como eu fugir. Comecei a pular, fingi que estava em Salvador, me joguei no meio, resolvi curtir a bagunça ao invés de me preocupar com ela. Chegamos em casa sãos e salvos, felizes e vitoriosos.
. Apreensão.
. Glória.
- 5a e o show da surpresa, do presente de aniversário e de Dia das Mães. No palco, ninguém menos do que Johnny Rivers, o cara que faz minha mãe cantarolar pela casa. Nós quatro no segundo melhor lugar do show. Ela desacreditava na surpresa que tínhamos aprontado para ela, e nos olhos aquele brilho molhado de lágrimas se formando não deixava ela mentir: sim, conseguimos emocioná-la. Eu e o irmão éramos de uma faixa etária bem diferente do público do show em geral, mas sabíamos os Greatest Hits tanto quanto todos que estavam lá, devido ao CD de 20 Greatest Hits que temos. "Poor side of town" foi demais, "Take a good look at my face" também. Nós quatro com um lindo gosto melancólico daquele passado quando íamos sempre para Campos para nos curtir, e que Johnny Rivers costumava ser nossa trilha sonora preferida.
. Emoção de amor em família.
. Saudosismo.
- 6a e o dia tirado para descanso. Um pouco de raiva do mundo e das decisões precipitadas. Muitas saudades da yoga nossa de toda semana. Desmarca a noite, desmarca o almoço. Fica a manicure e a reunião com a sócia. Faz só o que você quer, respeita seus limites, os físicos e os psíquicos. Dorme cedo, menina. Dorme cedo, que sábado promete.
. Uma pitada de egoísmo saudável.
- Sábado de tudo ao mesmo tempo agora. Recital, almoço, café, festa. Recital que aquece o coração com aquela sensação de realização que todo mundo tem quando fecha um ciclo. Almoço de falas sussurradas faladas lentamente, mas sensação absolutamente ensurdecedora. Lá, no meio do restaurante, tirei minha armadura com vontade, expus meus sentimentos, expus meus medos, e pedi desculpas. Fiquei pelada e vulnerável, metaforicamente falando - claro. Compensou em excesso. Cafézinho de meninas de fofocas de lembranças de matar as saudades de sentir calorzinho no coração. Um abrigo, um refúgio, um cafuné, e estou nova. Pronta para ficar pelada de novo. E todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, então resolvi ir em uma festa para ser inesquecível. Inesquecível tudo, a vista do apê, as pessoas legais, a viagem solitária e gostosa só eu debaixo do céu, as músicas, as conversas, as sensações. Sabe a famosa chave de ouro? Pois bem, essa festa foi exatamente isso. Deixa, menina, larga lá atrás essa semana que acabou. Que ela não seja seu fantasma na próxima semana. Ela ficou bem lá, dentro do apê da Praça da República. A semana ficou sozinha naquela cobertura, ela debaixo do céu paulistano.
. Calorzinho no coração.
. Desafio.
. Abrigo.
. Chave de ouro.
- 5a eu aprendi que SMS definitivamente não serve para nada e que nada mais é do que uma enorme porcaria. Para mandar mensagens para confirmar coisas, para mandar mensagens fofinhas, para falar de saudades, para isso SMS pode até servir. Para ter uma DR, nunca. Para terminar um relacionamento, jamais. Para machucar alguém com um belo dum mal entendido, para isso sim, a SMS é a melhor arma. Também aprendi que afeto se demonstra, na lata. Eu, que sempre fui tão contida com medo de ficar over, descobri que ser contida pode machucar. Ué, mas não era para irmos devagar? Não era para não namorar? Pois é, sem medo de ficar over, saiba: afeto se demonstra.
. Libera esse afeto, sem medo de ser feliz.
- 4a de novo eu pude observar as conversas de fim de vida que minha avó tem com as primas dela nos chás da tarde mais deliciosos do mundo. Aprendi que mesmo aquelas velhinhas, que têm aparentemente tudo, têm na verdade uma melancolia impossível de ser descrita. Todas elas. Uma referência do que poderá vir a ser meu final de vida. A sensação reinante de bittersweet.
. Melancolia.
No sétimo dia Deus descansou.
Eu me cansei.
Festa em família aqui em casa das 13hrs às 22hrs, pelo Dia das Mães.
Os sentimentos estavam mais neutros, no entanto, já no presságio de uma melhor semana.
. Deleite.
. Vontade.
-3a no Suplicy o Capuccino desceu queimando, doendo, engasgado. No good. Capuccinos não combinam com entrevistas desafiadoras. Perdi o deleite do Capuccino, mas espero de verdade não ter perdido o provável emprego. O diálogo foi bom, ágil, inteligente. Inteligível. Gente que faz, que fala, que me desafia. Aprender a humildade. Ver no outro uma provável não-humildade. Ver no outro uma bela máscara de entrevistador. A China e a Geopolítica, hoje e em 10 anos. Os celulares no Brasil. O Nobel do Yunus - da Paz. O Nobel do Al Gore - da Paz. O Nobel do IPCC - da Paz.
. Suor no rosto.
. Suor em tudo.
. Ondas de calor.
. Taquicardia.
. Angústia.
- 2a e a conversa com a acupunturista. Essa violência interna, louca para sair. Todo mundo ao meu redor sofrendo com isso. E eu, por dentro. Uma agulha aqui, outra ali. Conversa incômoda. Comprei cigarros para fumar na semana, quando tensa não abro mão da nicotina. Nossa, e a tontura desnorteante no final da tarde? Cai na lotérica. Não consegui girar a chave para entrar em casa. Atravessei a 9 de Julho de mãos dadas com uma estranha, de medo de cair. Reconheci meu medo. Fiquei frente a frente com ele. Apenas o primeiro de todos os medos a serem reconhecidos.
. Debate interno.
. Inquietude.
. Medo.
- 4a, dia dedicado ao meu Tricolor Paulista. Muita fila para comprar o ingresso. Muito trânsito para chegar no Morumbi. Ameaça de roubo do meu carro lá, na frente do Estádio. A cavalaria empacada na nossa frente na hora de entrar no Estádio. Tudo lotado na Independente. Um gol assim que entramos, já no final do 1o tempo, e a melhor companhia do mundo para um jogo no Morumbi. O jogo emocionava, as jogadas apertavam o coração, mas aquilo era um a zero e eles com dez, nós com onze. No segundo gol o Morumbi foi abaixo, os meninos caíram em cima de mim. A gente cantava insanamente, gritava, ria, e não se entendia mais. O Estádio era fumaça e muita gente, muito grito, muito barulho. Na saída, fui na frente, os meninos ficaram para trás. Saiu a Independente. Não tinha como eu fugir. Comecei a pular, fingi que estava em Salvador, me joguei no meio, resolvi curtir a bagunça ao invés de me preocupar com ela. Chegamos em casa sãos e salvos, felizes e vitoriosos.
. Apreensão.
. Glória.
- 5a e o show da surpresa, do presente de aniversário e de Dia das Mães. No palco, ninguém menos do que Johnny Rivers, o cara que faz minha mãe cantarolar pela casa. Nós quatro no segundo melhor lugar do show. Ela desacreditava na surpresa que tínhamos aprontado para ela, e nos olhos aquele brilho molhado de lágrimas se formando não deixava ela mentir: sim, conseguimos emocioná-la. Eu e o irmão éramos de uma faixa etária bem diferente do público do show em geral, mas sabíamos os Greatest Hits tanto quanto todos que estavam lá, devido ao CD de 20 Greatest Hits que temos. "Poor side of town" foi demais, "Take a good look at my face" também. Nós quatro com um lindo gosto melancólico daquele passado quando íamos sempre para Campos para nos curtir, e que Johnny Rivers costumava ser nossa trilha sonora preferida.
. Emoção de amor em família.
. Saudosismo.
- 6a e o dia tirado para descanso. Um pouco de raiva do mundo e das decisões precipitadas. Muitas saudades da yoga nossa de toda semana. Desmarca a noite, desmarca o almoço. Fica a manicure e a reunião com a sócia. Faz só o que você quer, respeita seus limites, os físicos e os psíquicos. Dorme cedo, menina. Dorme cedo, que sábado promete.
. Uma pitada de egoísmo saudável.
- Sábado de tudo ao mesmo tempo agora. Recital, almoço, café, festa. Recital que aquece o coração com aquela sensação de realização que todo mundo tem quando fecha um ciclo. Almoço de falas sussurradas faladas lentamente, mas sensação absolutamente ensurdecedora. Lá, no meio do restaurante, tirei minha armadura com vontade, expus meus sentimentos, expus meus medos, e pedi desculpas. Fiquei pelada e vulnerável, metaforicamente falando - claro. Compensou em excesso. Cafézinho de meninas de fofocas de lembranças de matar as saudades de sentir calorzinho no coração. Um abrigo, um refúgio, um cafuné, e estou nova. Pronta para ficar pelada de novo. E todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, então resolvi ir em uma festa para ser inesquecível. Inesquecível tudo, a vista do apê, as pessoas legais, a viagem solitária e gostosa só eu debaixo do céu, as músicas, as conversas, as sensações. Sabe a famosa chave de ouro? Pois bem, essa festa foi exatamente isso. Deixa, menina, larga lá atrás essa semana que acabou. Que ela não seja seu fantasma na próxima semana. Ela ficou bem lá, dentro do apê da Praça da República. A semana ficou sozinha naquela cobertura, ela debaixo do céu paulistano.
. Calorzinho no coração.
. Desafio.
. Abrigo.
. Chave de ouro.
- 5a eu aprendi que SMS definitivamente não serve para nada e que nada mais é do que uma enorme porcaria. Para mandar mensagens para confirmar coisas, para mandar mensagens fofinhas, para falar de saudades, para isso SMS pode até servir. Para ter uma DR, nunca. Para terminar um relacionamento, jamais. Para machucar alguém com um belo dum mal entendido, para isso sim, a SMS é a melhor arma. Também aprendi que afeto se demonstra, na lata. Eu, que sempre fui tão contida com medo de ficar over, descobri que ser contida pode machucar. Ué, mas não era para irmos devagar? Não era para não namorar? Pois é, sem medo de ficar over, saiba: afeto se demonstra.
. Libera esse afeto, sem medo de ser feliz.
- 4a de novo eu pude observar as conversas de fim de vida que minha avó tem com as primas dela nos chás da tarde mais deliciosos do mundo. Aprendi que mesmo aquelas velhinhas, que têm aparentemente tudo, têm na verdade uma melancolia impossível de ser descrita. Todas elas. Uma referência do que poderá vir a ser meu final de vida. A sensação reinante de bittersweet.
. Melancolia.
No sétimo dia Deus descansou.
Eu me cansei.
Festa em família aqui em casa das 13hrs às 22hrs, pelo Dia das Mães.
Os sentimentos estavam mais neutros, no entanto, já no presságio de uma melhor semana.
5.5.08
All at Sea, Jamie Cullum
I'm all at sea
Where no-one can bother me
Forgot my roots
If only for a day
Just me and my thoughts sailing far away
Like a warm drink it seeps into my soul
Please just leave me right here on my own
Later on you could spend some time with me
If you want to
All at sea
I'm all at sea
Where no-one can bother me
I sleep by myself
I drink on my own
Don't speak to nobody
I gave away my phone
Like a warm drink it seeps into my soul
Please just leave me right here on my own
Later on you could spend some time with me
If you want to
All at sea
Now I need you more than ever, I need you more than ever, now
You don't need it every day
But sometimes don't you just crave
To disappear within your mind
You never know what you might find
So come and spend some time with me
We will spend it all at sea
Like a warm drink it seeps into my soul
Please just leave me right here on my own
Later on you could spend some time with me
If you want to
All at sea
Estou hoje o dia inteiro ouvindo essa música.
Minha sessão de acupuntura foi demolidora e edificadora ao mesmo tempo.
Preciso ficar um pouco quieta ao invés de sair por aí travando batalhas com pessoas que me querem bem.
Azedume e eu não se dão bem.
Agressividade e eu nunca tiveram nada a ver.
Aqui, no meu cantinho, e em silêncio. All at sea.
Where no-one can bother me
Forgot my roots
If only for a day
Just me and my thoughts sailing far away
Like a warm drink it seeps into my soul
Please just leave me right here on my own
Later on you could spend some time with me
If you want to
All at sea
I'm all at sea
Where no-one can bother me
I sleep by myself
I drink on my own
Don't speak to nobody
I gave away my phone
Like a warm drink it seeps into my soul
Please just leave me right here on my own
Later on you could spend some time with me
If you want to
All at sea
Now I need you more than ever, I need you more than ever, now
You don't need it every day
But sometimes don't you just crave
To disappear within your mind
You never know what you might find
So come and spend some time with me
We will spend it all at sea
Like a warm drink it seeps into my soul
Please just leave me right here on my own
Later on you could spend some time with me
If you want to
All at sea
Estou hoje o dia inteiro ouvindo essa música.
Minha sessão de acupuntura foi demolidora e edificadora ao mesmo tempo.
Preciso ficar um pouco quieta ao invés de sair por aí travando batalhas com pessoas que me querem bem.
Azedume e eu não se dão bem.
Agressividade e eu nunca tiveram nada a ver.
Aqui, no meu cantinho, e em silêncio. All at sea.
2.5.08
Que chuuuuuva!
Desobedeci.
Mesmo.
Com vontade.
Desobedeci minha acupunturista, que diz que friagem é o pior crime que um ser humano pode fazer com ele mesmo.
Desobedeci minha avó, que diz que umidade para a mulher naqueles dias é absolutamente proibitiva.
Desobedeci meus pais, que me deram dinheiro para ir de táxi na ida e na volta, para evitar a chuva.
Desencanei do frio que está lá fora, frio úmido e doído apertado.
Eram oito quadras a pé, da entrevista para a minha casa. Estava com uma capa de chuva francesa (u-lá-lá) azul-quase-cinza, lindona. Liguei a música no celular e coloquei os fones de ouvido. Capuz, uma respirada seca no coberto para pegar o fôlego, e vai.
As calçadas paulistanas são péssimas. Isso é senso comum. O que não se sabe ao certo é o perigo que elas representam em dias de chuva. Contabilizei sete quase-tombos. E seriam daqueles bonitos, dignos de uma videocassetada das mais engraçadas. Tem um tipo de pedrinha que é inimiga especial dos pedestres em dias de chuva. E a calçada com texturas, nesse esqueminha modernoso que alguns prédios de escritório têm aderido ultimamente, também é bem complicadinha. Então desci em um ritmo entre a caminhada e o samba, com muita dança, para não cair.
Passando por mim, uma mulher, louca, sem guarda-chuva, que dizia: "que chuuuuuva!", e eu imaginei de verdade a angústia dela, por ela estar descoberta.
Eu não. Ah! Eu tinha a minha capa de chuva... mas, sabe, ela ia até metade da cocha. Depois de umas quadras de caminhada, percebi que meu jeans na altura da cocha onde a capa acabava começou a grudar na perna. Percebi também que a sola de couro da minha bota foi deixando minha meia bastante úmida e fria. E por último percebi que o capuz cobre bem a cabeça, é fato, porque ele é farto. Mas ele é ligado à capa por botões, e o espaço entre o capuz e a capa, onde não tinha botões, foi aos poucos encharcando minha nuca. Também notei que eu deveria ter prendido meu cabelo em um coque, porque do jeito que ele estava solto, as pontas estavam ficando molhadas.
Mas mesmo assim, mesmo me molhando aos poucos e consideravelmente; mesmo passando frio; mesmo quase caindo; mesmo assim eu estava lá, desobedecendo com gosto e tomando chuva. E estava fazendo a coisa certa. Eu queria viver a rua paulistana em uma emenda de feriado chuvosa. Aquela coisa meio híbrida entre o dia útil e o dia de folga, entre a cidade vazia e a cidade cheia, aquela coisa meio híbrida que é a água que desce forte do lado da sarjeta, que não é asfalto e não é calçada, não é rio e nem enchurrada, mas molha de verdade.
Quando eu cheguei em casa, olhei no espelho do elevador aquela cena patética da calça ensopada, da capa que se mostrou boa só para dias de garoa, da bolsa pingando, das pontas do cabelo bem molhadas. Eu olhei e ri, ri bastante, ri deliciosamente, como criança que faz traquinagem. Eu estava molhada e com frio, mas estava absolutamente realizada.
Para não parecer uma pessoa totalmente insana, vale constar: assim que cheguei em casa tomei um bom banho quente.
Ainda no contexto do cachecol florido, o que eu tinha lá no fone de ouvido do celular ainda era a trilha sonora da Amèlie.
Mesmo.
Com vontade.
Desobedeci minha acupunturista, que diz que friagem é o pior crime que um ser humano pode fazer com ele mesmo.
Desobedeci minha avó, que diz que umidade para a mulher naqueles dias é absolutamente proibitiva.
Desobedeci meus pais, que me deram dinheiro para ir de táxi na ida e na volta, para evitar a chuva.
Desencanei do frio que está lá fora, frio úmido e doído apertado.
Eram oito quadras a pé, da entrevista para a minha casa. Estava com uma capa de chuva francesa (u-lá-lá) azul-quase-cinza, lindona. Liguei a música no celular e coloquei os fones de ouvido. Capuz, uma respirada seca no coberto para pegar o fôlego, e vai.
As calçadas paulistanas são péssimas. Isso é senso comum. O que não se sabe ao certo é o perigo que elas representam em dias de chuva. Contabilizei sete quase-tombos. E seriam daqueles bonitos, dignos de uma videocassetada das mais engraçadas. Tem um tipo de pedrinha que é inimiga especial dos pedestres em dias de chuva. E a calçada com texturas, nesse esqueminha modernoso que alguns prédios de escritório têm aderido ultimamente, também é bem complicadinha. Então desci em um ritmo entre a caminhada e o samba, com muita dança, para não cair.
Passando por mim, uma mulher, louca, sem guarda-chuva, que dizia: "que chuuuuuva!", e eu imaginei de verdade a angústia dela, por ela estar descoberta.
Eu não. Ah! Eu tinha a minha capa de chuva... mas, sabe, ela ia até metade da cocha. Depois de umas quadras de caminhada, percebi que meu jeans na altura da cocha onde a capa acabava começou a grudar na perna. Percebi também que a sola de couro da minha bota foi deixando minha meia bastante úmida e fria. E por último percebi que o capuz cobre bem a cabeça, é fato, porque ele é farto. Mas ele é ligado à capa por botões, e o espaço entre o capuz e a capa, onde não tinha botões, foi aos poucos encharcando minha nuca. Também notei que eu deveria ter prendido meu cabelo em um coque, porque do jeito que ele estava solto, as pontas estavam ficando molhadas.
Mas mesmo assim, mesmo me molhando aos poucos e consideravelmente; mesmo passando frio; mesmo quase caindo; mesmo assim eu estava lá, desobedecendo com gosto e tomando chuva. E estava fazendo a coisa certa. Eu queria viver a rua paulistana em uma emenda de feriado chuvosa. Aquela coisa meio híbrida entre o dia útil e o dia de folga, entre a cidade vazia e a cidade cheia, aquela coisa meio híbrida que é a água que desce forte do lado da sarjeta, que não é asfalto e não é calçada, não é rio e nem enchurrada, mas molha de verdade.
Quando eu cheguei em casa, olhei no espelho do elevador aquela cena patética da calça ensopada, da capa que se mostrou boa só para dias de garoa, da bolsa pingando, das pontas do cabelo bem molhadas. Eu olhei e ri, ri bastante, ri deliciosamente, como criança que faz traquinagem. Eu estava molhada e com frio, mas estava absolutamente realizada.
Para não parecer uma pessoa totalmente insana, vale constar: assim que cheguei em casa tomei um bom banho quente.
Ainda no contexto do cachecol florido, o que eu tinha lá no fone de ouvido do celular ainda era a trilha sonora da Amèlie.
O Cachecol Florido
OU: Celebrando um dia chuvoso de outono frio
Ele sempre fica lá no meu armário e é o mais difícil de guardar ajeitadinho, porque ele tem umas flores de tricot que ficam penduradas e atrapalham tudo... ao mesmo tempo que eu tenho que ter todo o cuidado do mundo para as flores não fugirem e caírem, descosturadas por algum movimento brusco.
Verde, entre o bandeira e o militar, borda de tricot inteira em verde entre o abacate e o limão, galhinhos na mesma cor da borda, e flores penduradinhas nos galhinhos. Flores, de todas as cores: miolo amarelo e contorno vermelho, miolo roxo e contorno azul, são muitas as flores que ficam penduradas. E aí elas balançam com o cachecol, conforme eu ando. Praticamente um jardim ambulante. Bonito. Doce. Colorido. Verde.
É a graciosidades em um dia de outono. Ao sair para o café, e eu queria isso, queria leveza, queria cor, queria graciosidade, coloquei o cachecol. As flores balançavam. Parece que dá para sorrir mais fácil. Parece que o óculos vermelho fica mais legal. O frio fica mais quentinho. Cores em um feriado de uma São Paulo acinzentada.
Cheguei em casa e vi a Amèlie. Não porque eu estava triste ou sonolenta, mas porque eu queria ter em casa uma continuação dessa celebração ao outono. Agora, escrevo esse post ao som de sua deliciosa, por que não suculenta?, por que não graciosa?, trilha sonora.
Depois saí de novo. Uma simples ida à padoca, ver o jogo do Santos. O cachecol me acompanhava de novo. Bons papos, aquela coisa discutindo relacionamentos de homens e mulheres e suas complicações, e éramos quatro na mesa, dois homens e duas mulheres, e todo mundo com um vasto conhecimento em histórias bizarras, tristes, felizes, bem-sucedidas, mal-sucedidas, de relacionamentos.
Cheguei feliz de volta em casa. Já não chovia mais. O frio estava apertando os ossos. O cachecol estava no pescoço. As flores ainda balançavam. Me descobri feliz, simplesmente pelas pessoas especiais que me cercam. Me descobri complexa, como todo mundo no mundo, um mundo sem pretos e brancos, e sim cinzas e, principalmente, coloridos.
Ao dormir eu sorria. Quando acordei, fiquei com vontade de usar o cachecol hoje de novo.
Ele sempre fica lá no meu armário e é o mais difícil de guardar ajeitadinho, porque ele tem umas flores de tricot que ficam penduradas e atrapalham tudo... ao mesmo tempo que eu tenho que ter todo o cuidado do mundo para as flores não fugirem e caírem, descosturadas por algum movimento brusco.
Verde, entre o bandeira e o militar, borda de tricot inteira em verde entre o abacate e o limão, galhinhos na mesma cor da borda, e flores penduradinhas nos galhinhos. Flores, de todas as cores: miolo amarelo e contorno vermelho, miolo roxo e contorno azul, são muitas as flores que ficam penduradas. E aí elas balançam com o cachecol, conforme eu ando. Praticamente um jardim ambulante. Bonito. Doce. Colorido. Verde.
É a graciosidades em um dia de outono. Ao sair para o café, e eu queria isso, queria leveza, queria cor, queria graciosidade, coloquei o cachecol. As flores balançavam. Parece que dá para sorrir mais fácil. Parece que o óculos vermelho fica mais legal. O frio fica mais quentinho. Cores em um feriado de uma São Paulo acinzentada.
Cheguei em casa e vi a Amèlie. Não porque eu estava triste ou sonolenta, mas porque eu queria ter em casa uma continuação dessa celebração ao outono. Agora, escrevo esse post ao som de sua deliciosa, por que não suculenta?, por que não graciosa?, trilha sonora.
Depois saí de novo. Uma simples ida à padoca, ver o jogo do Santos. O cachecol me acompanhava de novo. Bons papos, aquela coisa discutindo relacionamentos de homens e mulheres e suas complicações, e éramos quatro na mesa, dois homens e duas mulheres, e todo mundo com um vasto conhecimento em histórias bizarras, tristes, felizes, bem-sucedidas, mal-sucedidas, de relacionamentos.
Cheguei feliz de volta em casa. Já não chovia mais. O frio estava apertando os ossos. O cachecol estava no pescoço. As flores ainda balançavam. Me descobri feliz, simplesmente pelas pessoas especiais que me cercam. Me descobri complexa, como todo mundo no mundo, um mundo sem pretos e brancos, e sim cinzas e, principalmente, coloridos.
Ao dormir eu sorria. Quando acordei, fiquei com vontade de usar o cachecol hoje de novo.
28.4.08
Essa coisa querida que me acomete uma vez por ano
Bom, me acomete uma vez por ano, mas esse ano foi só minha segunda Virada Cultural. E esse ano me acometeu assim, fortemente... tanto que hoje estou só o pó, ainda com dores remanescentes.
Em itens e de forma bem rápida, alguns motivos porque a Virada Cultural desse ano foi demais:
- pulei de galho em galho. Em nenhum instante fiquei com as mesmas companhias por muito tempo. Isso é muito bom, me é muito natural. Juntei amigos também, em junções improváveis, muitos deles. Outra coisa que me é muito natural: juntar pessoas que sejam improváveis de se encontrarem. Ou que seja muito provável mas que nunca tenha acontecido.
- Cheguei lá sozinha. Andei um bom tempo sozinha. Parecia que no final eu precisava daquilo, para enteder que estava de novo na Virada, e que estava sozinha na Virada. Não deu medo. Deu mergulho. Imersão. Sim, eu era de novo parte dessa coisa bonita.
- Encontrei amigona e suas amigas, mas ficamos juntas por pouco tempo. O Samba da Santa Ifigênia e sua pegação eram, a meu ver, menos atraentes que o show da Gal.
- Curti a Gal com o meu irmão, lindo. Momento emoção 1: no meio da muvucona, cantar com todo mundo com as mãos pro alto: "é preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte". E depois, em momento tranquilo: "while my eyes go looking for flying saucers in the sky". Momento emoção 2: no bis, Trem das onze e Sampa. Primeiras lagriminhas da Virada. De emocionar.
- Momento grande coincidência da noite: a minha amiga-e-sócia lá na minha frente, do nada, com o namorado querido. Pulei em cima dela e abração. Curtimos juntas a Gal.
- Nesse show da Gal, mil encontros não marcados, com pessoas queridas que já marcaram época. Um ode especial ao menino da corneta, que apareceu, que foi super carinhoso, que me deu um abração, e que está bem perdido nesse mundo. Um quê de carinho de irmã postiça mais velha, um quê de admiração de amiga, um quê de preocupação. É bem isso.
- Fomos, os quatro, até o Palco das Meninas. Marina de la Riva é linda, é simpática, canta bem, mas não sei se empolgou não. Mas eu curti. Curti mais do que o show dela, reencontrar dois amigos que não via há tempos. Curti mais do que isso a coincidência que uma amigona estava por lá também, e daí ela se juntou à trupe.
- Pausa para xixi e comidinha. Mas é a Virada... as pessoas diferentes estão por todos os lados. As pessoas conhecidas também. O centro fica lindo, vivo, cheio. Todos os estímulos ao mesmo tempo agora. Todas as artes por todos os lados. Barulhos, rostos, vozes, músicas, teatro, palhaços, gays e velhinhos, punks e famílias. Todos lá ocupando, democraticamente, com muito respeito e muito felizes, o espaço público. É muito lindo.
- Enfrentamos a multidão, achamos (a R$ 6,00!!!) uma latinha de Smirnoff Ice (ótimo para quem quer administrar o xixi), entramos na bagunça para ver o Zé. Mas era fé e só. Fé de que ele estava lá em cima e que aquilo não era um disco. Porque na verdade não dava para ver... Era fé e festa... dança empolgante com "Frevo mulher", mãos aos céus com "Vida de Gado", e novas lagriminhas.
- Dois abandonaram o barco. Ficamos em três, eu, meu amigo e vizinho querido do peito, e a amiga querida que a gente demora pra se encontrar. Fomos pro palco do Arouche, velhinhos fofos dançando sambinhas, sentei porque as pernas doíam muito. Na mais linda prova de democracia, os velhinhos dançando se misturavam com os gays que estavam em todo lugar nesse palco.
- Tudo muito paulistano. Aliás, nesse hora começamos a exaltar São Paulo. Parece que a Virada Cultural nada mais é do que isso: um ode muito lindo à essa cidade maravilhosa onde vivemos. É a população às ruas, para usufruir delas, usufruir da cidade, conviver de verdade em clima de festa e de felicidade pacífica com a diversidade. "Eu verdadeiramente gosto de morar aqui" e "Essa realmente é a cidade que eu escolhi para mim" foram as frases pronunciadas à exaustão por um trio de uma bêbada, uma cansada, e um recém-chegado à festa. E esse trio se deu muito bem, de verdade, por mais improvável que seja essa afirmação seja.
- No palco da Canja Rock Blues, pegamos o final da palhinha do Kid Vinil. Minhas pernas já doíam tanto que até anestesiadas elas estavam. Mas aquela boa música foi fundamental para eu ver que ainda tinha pique para os Mutantes. Nisso, a amiga que estava alegrinha seguiu rumo pra pista de eletrônica. Eu e o meu vizinho fomos pros Mutantes.
- De novo, era fé. Fé que tinha um Mutantezinho sequer lá em cima. Ficamos brincando do "80% menos": se eu tivesse um desejo pro gênio da lâmpada agora, desejaria que aqui tivesse 80% menos pessoas do que tem e que a gente estivesse sentado em poltronas bem confortáveis. Mas cantar Panis et Circensis com ele foi uma experiência única e memorável. E saber que essa foi a 1a das músicas que mudou a vida dele. De novo, lagriminhas.
- "Zero dois, pede para sair!". Eu pedi para sair às 5 da manhã, e estava no centro desde oito da noite. Tudo doía e os sintomas físicos se confundiam de forma absurda: dor na perna, dor nos braços, fome, sono, rouquidão, sensação de sujeira. Desisti do Cachorro Grande ao meio dia de domingo. Precisava dormir um pouquinho mais.
- Estava de volta às 14hrs, pra ver o mestre Arnaldo Antunes. Ainda com as dores remanescentes da noite anterior. Com pique total, no entanto. Domingo lindo de sol, tinha que ser curtido na Virada mesmo. A companhia, de um só e não de uma trupe mutante, não poderia ser melhor, no entanto. Anyways o showzinho não foi muito bom. Foi bem desanimador. Mas, de novo, encontrei gentes queridas: meu ex co worker de quem morro de saudades, minha prima-amiga-irmã, e o namorado querido da amiga-sócia.
- Zanzamos juntos com outro recém casal. Delícia. Dia lindo. Virada linda. Centro lindo. Todos lindos. E felizes. E de óculos escuros.
- Show do Lobão. Inesquecível. Muito bom mesmo. Cantamos juntos "Noite e Dia": "Você está me convidando, menina quer brincar de amar". Final de tarde, céu azul, centro cheio. Fecho de ouro para a Virada Cultural. Voltamos para casa, porque o corpo pedia arrego e não dava mais.
- Logo depois de sair da República, meu botão on/off foi para o off radicalmente e nada mais eu aguentava. Parecia que não era mais eu, que era um corpo sem dono, sem obedecer mais nada. Dormi, profundo, das 21.30 de ontem às 08.30 de hoje. Mas a satisfação era inenarrável. O gosto doce de poder falar com água na boca: "sim, eu curti tudo que eu pude dessa Virada Cultural".
- Disseram a Gal e depois os Mutantes, em Baby, quando todo mundo engrossou o coro de um jeito bem bonito: vivemos na melhor cidade da América do Sul. Não me resta mais nem uma dúvida sequer de que isso é verdade.
Em itens e de forma bem rápida, alguns motivos porque a Virada Cultural desse ano foi demais:
- pulei de galho em galho. Em nenhum instante fiquei com as mesmas companhias por muito tempo. Isso é muito bom, me é muito natural. Juntei amigos também, em junções improváveis, muitos deles. Outra coisa que me é muito natural: juntar pessoas que sejam improváveis de se encontrarem. Ou que seja muito provável mas que nunca tenha acontecido.
- Cheguei lá sozinha. Andei um bom tempo sozinha. Parecia que no final eu precisava daquilo, para enteder que estava de novo na Virada, e que estava sozinha na Virada. Não deu medo. Deu mergulho. Imersão. Sim, eu era de novo parte dessa coisa bonita.
- Encontrei amigona e suas amigas, mas ficamos juntas por pouco tempo. O Samba da Santa Ifigênia e sua pegação eram, a meu ver, menos atraentes que o show da Gal.
- Curti a Gal com o meu irmão, lindo. Momento emoção 1: no meio da muvucona, cantar com todo mundo com as mãos pro alto: "é preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte". E depois, em momento tranquilo: "while my eyes go looking for flying saucers in the sky". Momento emoção 2: no bis, Trem das onze e Sampa. Primeiras lagriminhas da Virada. De emocionar.
- Momento grande coincidência da noite: a minha amiga-e-sócia lá na minha frente, do nada, com o namorado querido. Pulei em cima dela e abração. Curtimos juntas a Gal.
- Nesse show da Gal, mil encontros não marcados, com pessoas queridas que já marcaram época. Um ode especial ao menino da corneta, que apareceu, que foi super carinhoso, que me deu um abração, e que está bem perdido nesse mundo. Um quê de carinho de irmã postiça mais velha, um quê de admiração de amiga, um quê de preocupação. É bem isso.
- Fomos, os quatro, até o Palco das Meninas. Marina de la Riva é linda, é simpática, canta bem, mas não sei se empolgou não. Mas eu curti. Curti mais do que o show dela, reencontrar dois amigos que não via há tempos. Curti mais do que isso a coincidência que uma amigona estava por lá também, e daí ela se juntou à trupe.
- Pausa para xixi e comidinha. Mas é a Virada... as pessoas diferentes estão por todos os lados. As pessoas conhecidas também. O centro fica lindo, vivo, cheio. Todos os estímulos ao mesmo tempo agora. Todas as artes por todos os lados. Barulhos, rostos, vozes, músicas, teatro, palhaços, gays e velhinhos, punks e famílias. Todos lá ocupando, democraticamente, com muito respeito e muito felizes, o espaço público. É muito lindo.
- Enfrentamos a multidão, achamos (a R$ 6,00!!!) uma latinha de Smirnoff Ice (ótimo para quem quer administrar o xixi), entramos na bagunça para ver o Zé. Mas era fé e só. Fé de que ele estava lá em cima e que aquilo não era um disco. Porque na verdade não dava para ver... Era fé e festa... dança empolgante com "Frevo mulher", mãos aos céus com "Vida de Gado", e novas lagriminhas.
- Dois abandonaram o barco. Ficamos em três, eu, meu amigo e vizinho querido do peito, e a amiga querida que a gente demora pra se encontrar. Fomos pro palco do Arouche, velhinhos fofos dançando sambinhas, sentei porque as pernas doíam muito. Na mais linda prova de democracia, os velhinhos dançando se misturavam com os gays que estavam em todo lugar nesse palco.
- Tudo muito paulistano. Aliás, nesse hora começamos a exaltar São Paulo. Parece que a Virada Cultural nada mais é do que isso: um ode muito lindo à essa cidade maravilhosa onde vivemos. É a população às ruas, para usufruir delas, usufruir da cidade, conviver de verdade em clima de festa e de felicidade pacífica com a diversidade. "Eu verdadeiramente gosto de morar aqui" e "Essa realmente é a cidade que eu escolhi para mim" foram as frases pronunciadas à exaustão por um trio de uma bêbada, uma cansada, e um recém-chegado à festa. E esse trio se deu muito bem, de verdade, por mais improvável que seja essa afirmação seja.
- No palco da Canja Rock Blues, pegamos o final da palhinha do Kid Vinil. Minhas pernas já doíam tanto que até anestesiadas elas estavam. Mas aquela boa música foi fundamental para eu ver que ainda tinha pique para os Mutantes. Nisso, a amiga que estava alegrinha seguiu rumo pra pista de eletrônica. Eu e o meu vizinho fomos pros Mutantes.
- De novo, era fé. Fé que tinha um Mutantezinho sequer lá em cima. Ficamos brincando do "80% menos": se eu tivesse um desejo pro gênio da lâmpada agora, desejaria que aqui tivesse 80% menos pessoas do que tem e que a gente estivesse sentado em poltronas bem confortáveis. Mas cantar Panis et Circensis com ele foi uma experiência única e memorável. E saber que essa foi a 1a das músicas que mudou a vida dele. De novo, lagriminhas.
- "Zero dois, pede para sair!". Eu pedi para sair às 5 da manhã, e estava no centro desde oito da noite. Tudo doía e os sintomas físicos se confundiam de forma absurda: dor na perna, dor nos braços, fome, sono, rouquidão, sensação de sujeira. Desisti do Cachorro Grande ao meio dia de domingo. Precisava dormir um pouquinho mais.
- Estava de volta às 14hrs, pra ver o mestre Arnaldo Antunes. Ainda com as dores remanescentes da noite anterior. Com pique total, no entanto. Domingo lindo de sol, tinha que ser curtido na Virada mesmo. A companhia, de um só e não de uma trupe mutante, não poderia ser melhor, no entanto. Anyways o showzinho não foi muito bom. Foi bem desanimador. Mas, de novo, encontrei gentes queridas: meu ex co worker de quem morro de saudades, minha prima-amiga-irmã, e o namorado querido da amiga-sócia.
- Zanzamos juntos com outro recém casal. Delícia. Dia lindo. Virada linda. Centro lindo. Todos lindos. E felizes. E de óculos escuros.
- Show do Lobão. Inesquecível. Muito bom mesmo. Cantamos juntos "Noite e Dia": "Você está me convidando, menina quer brincar de amar". Final de tarde, céu azul, centro cheio. Fecho de ouro para a Virada Cultural. Voltamos para casa, porque o corpo pedia arrego e não dava mais.
- Logo depois de sair da República, meu botão on/off foi para o off radicalmente e nada mais eu aguentava. Parecia que não era mais eu, que era um corpo sem dono, sem obedecer mais nada. Dormi, profundo, das 21.30 de ontem às 08.30 de hoje. Mas a satisfação era inenarrável. O gosto doce de poder falar com água na boca: "sim, eu curti tudo que eu pude dessa Virada Cultural".
- Disseram a Gal e depois os Mutantes, em Baby, quando todo mundo engrossou o coro de um jeito bem bonito: vivemos na melhor cidade da América do Sul. Não me resta mais nem uma dúvida sequer de que isso é verdade.
25.4.08
Minhas últimas sextas feiras
Minhas três últimas sextas feiras (contando com hoje) começaram exatamente desse jeito.
Sabe criança pequena que acorda no dia do aniversário, ou no dia de Natal, e daí tá na cama e de repente abre o olho rápido e toma um susto?
- Nossa, hoje é meu aniversário!
- Nossa, hoje é Natal!
A criança senta na cama rápido, fica com os olhos meio esbugalhados, querendo acordar e acreditar que é verdade, que a data chegou mesmo.
De verdade! Chegou o dia!
A criança pula da cama, sai correndo do quarto, "Bom dia, dia!", ela grita, "Bom dia, dia!" pela casa, que bom que chegou o grande dia!
Ah, a criança está muito feliz!
Agora, fica com tremeliques esperando chegar a hora. Tremeliques contando os segundos para a festa de aniversário, contando os segundos pelo presente do Papai Noel. Tremeliques, a criança não pára, anda de um lado pro outro, corre, faz muita coisa, o corpo não pára, a cabeça não pára.
Fiquei assim para receber minhas amigas cariocas (penultima sexta).
Fiquei assim para tomar uma breja bacana (ultima sexta).
Estou assim hoje porque chegou a Virada Cultural.
E pensar que fiquei um ano esperando por isso... e aí... chegou...
Sabe criança pequena que acorda no dia do aniversário, ou no dia de Natal, e daí tá na cama e de repente abre o olho rápido e toma um susto?
- Nossa, hoje é meu aniversário!
- Nossa, hoje é Natal!
A criança senta na cama rápido, fica com os olhos meio esbugalhados, querendo acordar e acreditar que é verdade, que a data chegou mesmo.
De verdade! Chegou o dia!
A criança pula da cama, sai correndo do quarto, "Bom dia, dia!", ela grita, "Bom dia, dia!" pela casa, que bom que chegou o grande dia!
Ah, a criança está muito feliz!
Agora, fica com tremeliques esperando chegar a hora. Tremeliques contando os segundos para a festa de aniversário, contando os segundos pelo presente do Papai Noel. Tremeliques, a criança não pára, anda de um lado pro outro, corre, faz muita coisa, o corpo não pára, a cabeça não pára.
Fiquei assim para receber minhas amigas cariocas (penultima sexta).
Fiquei assim para tomar uma breja bacana (ultima sexta).
Estou assim hoje porque chegou a Virada Cultural.
E pensar que fiquei um ano esperando por isso... e aí... chegou...
24.4.08
A over reaction do desespero das pequenas coisas
- Não, eu não pago R$ 10,00 na primeira hora de um estacionamento no Itaim pro almoço. Por princípios. Estraguei uma surpresa que seria bacana porque bati o pé. Almoçamos no Kinoplex ao invés de um restaurante legal "de vanguarda" que ele tinha escolhido. Só porque eu bati o pé. Resultado? No Kinoplex o estacionamento foi R$ 9,00 por duas horas de estacionamento. E ele não estacionava o carro em shopping por princípios também. Merda.
- Não tem jeito. Por mais que eu tente não fumar durante a semana, os cigarrinhos pré e pós terapia são sagrados. Assim como todos os outros no Morumbi, em jogo tenso. Resultado? Um maço, entre o final da tarde e uma da manhã. (ps.: sim, terça feira eu fiquei o dia inteirinho sem fumar, e nem falta eu senti)
- Defina "boa companhia". Defina "relações escapistas". Defina "se proteger". Depois vem me contar.
- Laços de sangue a gente não escolhe, né?
- Alguns laços de sangue a gente escolhe, sim.
- Meu time está jogando um futebol de merreca. Ontem o jogo, mesmo no Estádio, deu sono. Dizem que vai se recuperar, já que agora pode ficar um tempo só focado na Libertadores. Estou bem cética. Sempre acompanhei Libertadores bem de perto e nesse ano, nem a torcida tá empolgando.
- Adoro abastecer meu carro e, com o frentista, abrir o capô. Ver óleo, ver a água, calibrar o pneu.
- Acho que vou pegar mais responsabilidades do meu carro para mim, já que gosto disso e quero aprender mais sobre isso.
- Mas por enquanto ainda serei feliz que meu pai declare meu IR nos próximos anos. Essa responsabilidade, ainda deixo com ele.
- Ontem foi Dia de São Jorge. No Parque São Jorge, os Corinthianos quebraram a estátua do Santo. Será que eles nunca ouviram: "cuidado com o andor que o santo é de barro"?? Aqui em casa somos todos devotos do Santo Guerreiro. Fiz minhas boas mentalizações antes de dormir. Ogum.
- Será que o padre estava mesmo planejando suicídio?
- AAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaa que tem muita coisa nessa Virada Cultural!! Muita muita muita coisa... que saco ter que ficar escolhendo assim, tanto... Nessas horas me descubro uma pessoa que não sabe bem priorizar...
- Não tem jeito. Por mais que eu tente não fumar durante a semana, os cigarrinhos pré e pós terapia são sagrados. Assim como todos os outros no Morumbi, em jogo tenso. Resultado? Um maço, entre o final da tarde e uma da manhã. (ps.: sim, terça feira eu fiquei o dia inteirinho sem fumar, e nem falta eu senti)
- Defina "boa companhia". Defina "relações escapistas". Defina "se proteger". Depois vem me contar.
- Laços de sangue a gente não escolhe, né?
- Alguns laços de sangue a gente escolhe, sim.
- Meu time está jogando um futebol de merreca. Ontem o jogo, mesmo no Estádio, deu sono. Dizem que vai se recuperar, já que agora pode ficar um tempo só focado na Libertadores. Estou bem cética. Sempre acompanhei Libertadores bem de perto e nesse ano, nem a torcida tá empolgando.
- Adoro abastecer meu carro e, com o frentista, abrir o capô. Ver óleo, ver a água, calibrar o pneu.
- Acho que vou pegar mais responsabilidades do meu carro para mim, já que gosto disso e quero aprender mais sobre isso.
- Mas por enquanto ainda serei feliz que meu pai declare meu IR nos próximos anos. Essa responsabilidade, ainda deixo com ele.
- Ontem foi Dia de São Jorge. No Parque São Jorge, os Corinthianos quebraram a estátua do Santo. Será que eles nunca ouviram: "cuidado com o andor que o santo é de barro"?? Aqui em casa somos todos devotos do Santo Guerreiro. Fiz minhas boas mentalizações antes de dormir. Ogum.
- Será que o padre estava mesmo planejando suicídio?
- AAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaa que tem muita coisa nessa Virada Cultural!! Muita muita muita coisa... que saco ter que ficar escolhendo assim, tanto... Nessas horas me descubro uma pessoa que não sabe bem priorizar...
22.4.08
Da Fé no Amor, do Medo do Amor
Alguns diálogos esse feriado, todas as matutações do mundo sobre o tema, óbvio que nenhuma conclusão.
No bar.
Da amiga namoradeira para a amiga que sempre ficou solteira. Só que agora a amiga namoradeira não namora há muito tempo, e a amiga solteirona está (quase) no seu segundo namoro.
"Outro dia fiz uma relação que eu nunca tinha feito. Percebi que desde que meus pais se divorciaram, eu nunca mais consegui namorar. Acho que deixei de acreditar no amor, quando nosso exemplo de amor mais próximo se esfarela".
No cinema.
Sobre a torta de BlueBerry que sempre sobrava intacta ao final do dia.
"Nunca comeram a torta de BlueBerry. Mas eu continuarei fazendo ela todos os dias, todas as vezes, porque algum dia sempre chegará alguém que vai querer comê-la. Alguém que vai de verdade escolhê-la."
E no fim desse mesmo filme, a voz em off falava:
"Porque às vezes tudo o que a gente tem que fazer é atravessar a rua sem olhar para trás".
No quarto.
Na música do Wilco, que tem cara de música de final de filme melancólico e escuro.
"True love will find you in the end
You gonna find out just who's your friend
Don't be sad, I know you will
But don't give up until
True love will find you in the end
This is a promise with a catch
Only if you're looking can it find you
True love it's searching too
How can it recognize you
Unless you step out into the light, the light
Don't be sad, I know you will
But don't give up until
True love will find you in the end"
Engraçado esse único sentimento e tantas reações diferentes e opostas embutidas nele. Engraçado principalmente porque, quando paro, racionalizo, penso nas minhas próprias reações, eu teria mais medo do que fé. E eu não acharia que compensa. Mesmo.
No bar.
Da amiga namoradeira para a amiga que sempre ficou solteira. Só que agora a amiga namoradeira não namora há muito tempo, e a amiga solteirona está (quase) no seu segundo namoro.
"Outro dia fiz uma relação que eu nunca tinha feito. Percebi que desde que meus pais se divorciaram, eu nunca mais consegui namorar. Acho que deixei de acreditar no amor, quando nosso exemplo de amor mais próximo se esfarela".
No cinema.
Sobre a torta de BlueBerry que sempre sobrava intacta ao final do dia.
"Nunca comeram a torta de BlueBerry. Mas eu continuarei fazendo ela todos os dias, todas as vezes, porque algum dia sempre chegará alguém que vai querer comê-la. Alguém que vai de verdade escolhê-la."
E no fim desse mesmo filme, a voz em off falava:
"Porque às vezes tudo o que a gente tem que fazer é atravessar a rua sem olhar para trás".
No quarto.
Na música do Wilco, que tem cara de música de final de filme melancólico e escuro.
"True love will find you in the end
You gonna find out just who's your friend
Don't be sad, I know you will
But don't give up until
True love will find you in the end
This is a promise with a catch
Only if you're looking can it find you
True love it's searching too
How can it recognize you
Unless you step out into the light, the light
Don't be sad, I know you will
But don't give up until
True love will find you in the end"
Engraçado esse único sentimento e tantas reações diferentes e opostas embutidas nele. Engraçado principalmente porque, quando paro, racionalizo, penso nas minhas próprias reações, eu teria mais medo do que fé. E eu não acharia que compensa. Mesmo.
Na Estrada
Não viajei no feriado, só passei o domingo fora de São Paulo. E é engraçado isso, foi só um dia, mas parece que foi todo o descanso que eu precisava e merecia... Pegar a estrada faz toda a diferença na minha vida. É uma das coisas que eu mais gosto...
Gosto disso, de estar no carro, da sensação de estar indo para algum lugar, de mudar de paisagem, de ver a estrada compriiiida na nossa frente. Gosto do vento, do cheiro de mato. Gosto do céu azul, e de ver o céu lá longe, ver que em algum lugar está chovendo. Gosto de placas com nomes de cidades estranhos, e gosto de placas com kilometragens: 32 km para Santo Antônio do Pinhal. Tenho uma paixão especial pela Serra da Mantiqueira e pela vista que se tem do Vale do Paraíba para a Serra e vice-versa. Até hoje me lembro daquele julho de 95 quando subíamos para passar uma semana com a Carol K. no nosso carro e eu perguntei pra ela: "não está nítido?", e ela não sabia o que era nítido e ficou rindo do meu vocabulário, tão rebuscado para uma pessoa de 12 anos.
Adorei quando ficamos 2 dias na ida e 2 dias na volta só na estrada, para passar o carnaval em Itacaré. Não fico cansada na estrada, adoro, ouvir música, filosofias de asfalto, moda de viola, cochilos gostosos. Foi na volta da Bahia que soltei uma das minhas maiores pérolas: "acho que já fui uma vaca", quando fiquei feliz de sentir o cheiro de capim já na região de Governador Valadares.
Pegar uma boa estrada é a melhor coisa para desanuviar das idéias.
Chega logo, Corpus Christi, que eu quero ir para Foz!
Gosto disso, de estar no carro, da sensação de estar indo para algum lugar, de mudar de paisagem, de ver a estrada compriiiida na nossa frente. Gosto do vento, do cheiro de mato. Gosto do céu azul, e de ver o céu lá longe, ver que em algum lugar está chovendo. Gosto de placas com nomes de cidades estranhos, e gosto de placas com kilometragens: 32 km para Santo Antônio do Pinhal. Tenho uma paixão especial pela Serra da Mantiqueira e pela vista que se tem do Vale do Paraíba para a Serra e vice-versa. Até hoje me lembro daquele julho de 95 quando subíamos para passar uma semana com a Carol K. no nosso carro e eu perguntei pra ela: "não está nítido?", e ela não sabia o que era nítido e ficou rindo do meu vocabulário, tão rebuscado para uma pessoa de 12 anos.
Adorei quando ficamos 2 dias na ida e 2 dias na volta só na estrada, para passar o carnaval em Itacaré. Não fico cansada na estrada, adoro, ouvir música, filosofias de asfalto, moda de viola, cochilos gostosos. Foi na volta da Bahia que soltei uma das minhas maiores pérolas: "acho que já fui uma vaca", quando fiquei feliz de sentir o cheiro de capim já na região de Governador Valadares.
Pegar uma boa estrada é a melhor coisa para desanuviar das idéias.
Chega logo, Corpus Christi, que eu quero ir para Foz!
17.4.08
Reflexões na ponta da cabeça
Hoje eu fiquei de ponta cabeça na aula de yoga. Quando a gente fica de ponta cabeça, já me falaram isso lá na yoga milhares de vezes, a realidade é vista de outro jeito. Literalmente, de ponta cabeça.
A gente tem que fazer mais força para respirar e para impedir que o sangue vá tão rápido assim para a cabeça. Tem que manter tudo funcionante, mesmo que de outra perspectiva. E na yoga a respiração é a forma de corpo se ligar com a mente, então respiração com esforço de ponta cabeça, é na verdade tudo de ponta cabeça.
E é engraçado, que às vezes mesmo quando eu estou de pé e está todo mundo ao meu redor de pé também, eu sinto que estou de ponta cabeça.
Isso significa que quando eu estou de ponta cabeça e todo mundo continua de pé, então eu estou de ponta cabeça ao quadrado?
Ou será que é quando estou de ponta cabeça e os outros estão de pé que eu estou tão de pé quanto eles, na mesma perspectiva?
Fiquei pensando muito nisso... daria para passar uma noite inteira de buteco discutindo qual perspectiva que eu tenho que é igual a daqueles todos outros.
Outra coisa que pensei: hoje, depois do almoço, com o cafézinho, acendi meu "cigarrinho na janela" sagrado. Mas foi assim que parei de fumar a primeira vez e devo parar de fumar a segunda vez: se a respiração é nossa forma de conectar corpo e mente, não faz o menor sentido entupir esse canal de nicotina. Ou seja, yoga e cigarro não convivem. Por que eu insisto nisso há seis meses, mesmo fumando pouco e mesmo parando de fumar por um bom tempo?
E última coisa que pensei hoje quando fiquei de ponta cabeça na yoga: cada vez mais essa posição tem se tornado mais confortável e menos angustiante para mim. É absolutamente relaxante. Será que ponta cabeça é minha posição natural e só aos 25 anos eu descubro isso? Vou precisar fortalecer muito abdomen e costas para poder viver minha vida de ponta cabeça, isso me preocupa.
E frase final da fábula da yoga hoje:
somos marcianos em uma terra de medíocres.
A gente tem que fazer mais força para respirar e para impedir que o sangue vá tão rápido assim para a cabeça. Tem que manter tudo funcionante, mesmo que de outra perspectiva. E na yoga a respiração é a forma de corpo se ligar com a mente, então respiração com esforço de ponta cabeça, é na verdade tudo de ponta cabeça.
E é engraçado, que às vezes mesmo quando eu estou de pé e está todo mundo ao meu redor de pé também, eu sinto que estou de ponta cabeça.
Isso significa que quando eu estou de ponta cabeça e todo mundo continua de pé, então eu estou de ponta cabeça ao quadrado?
Ou será que é quando estou de ponta cabeça e os outros estão de pé que eu estou tão de pé quanto eles, na mesma perspectiva?
Fiquei pensando muito nisso... daria para passar uma noite inteira de buteco discutindo qual perspectiva que eu tenho que é igual a daqueles todos outros.
Outra coisa que pensei: hoje, depois do almoço, com o cafézinho, acendi meu "cigarrinho na janela" sagrado. Mas foi assim que parei de fumar a primeira vez e devo parar de fumar a segunda vez: se a respiração é nossa forma de conectar corpo e mente, não faz o menor sentido entupir esse canal de nicotina. Ou seja, yoga e cigarro não convivem. Por que eu insisto nisso há seis meses, mesmo fumando pouco e mesmo parando de fumar por um bom tempo?
E última coisa que pensei hoje quando fiquei de ponta cabeça na yoga: cada vez mais essa posição tem se tornado mais confortável e menos angustiante para mim. É absolutamente relaxante. Será que ponta cabeça é minha posição natural e só aos 25 anos eu descubro isso? Vou precisar fortalecer muito abdomen e costas para poder viver minha vida de ponta cabeça, isso me preocupa.
E frase final da fábula da yoga hoje:
somos marcianos em uma terra de medíocres.
16.4.08
Muito bom estar lá
Engraçado isso, porque eu não convivo muito com ela, mas se me perguntarem eu obviamente a incluiria no meu grupo de amigos Top Top Queridos e Especiais e Estrelares. E aí ela entregou o mestrado dela dia desses, e ontem defendeu. Eu não pude ir na defesa, mas pude ir ao jantar. É engraçado isso, eu já tinha falado com uma amiga minha, a melhor forma de se conhecer pessoas novas é ir para um lugar onde a gente só conhece UMA pessoa. No caso, eu conhecia só a recém mestre. Mas até que me dei bem, consegui superar a timidez e conversar bem com as pessoas. O grande lance é que a conversa lá era "um nível acima". Gente muito boa, muito gente fina, risadas inteligentes e olhares mais ainda, conversas bacanas, poesia, sexo, Febem e adolescentes criminosos e tudo o mais. Deu preu me sentir à vontade com eles em meia hora de convivência. E aí é muito aquela coisa da boa energia circulando também, não basta só a conversa ser boa, tem que rolar boa troca de energias. E ontem lá isso tinha de sobra. Privilegiada minha amiga Mestre, que além de Mestre, linda e inteligente, é também cercada de pessoas tão especiais. E além de privilegiada e de mestre, ela é um dos "parabéns" mais enfáticos e verdadeiros que eu já pude dar para alguém. Oh yeah, baby, paguei um pau.
Quando as estrelas começarem a cair, it makes me kinda nervous to say so
Estava ouvindo Angra dos Reis, da Legião, ôpa coisa linda de se ouvir. Lembrar de quando eu tinha quinze anos e era legal, nas viagens da escola, sentar em uma rodinha de violão e ficar cantando a noite inteira debaixo de um céu estrelado.
Mas prestei atenção nisso daqui:
Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo em chamas!
Deixa prá lá...
Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr'onde é que a gente vai fugir?
(Angra dos Reis, Legião Urbana)
Pode até ser auto-sabotagem, mas está tudo tão legal até agora que eu fico me perguntando se fosse o fim chegando cedo, se as estrelas começarem a cair... Para onde é que eu vou fugir?
Dez anos depois, a música das rodinhas de violão, aquela euforia adolescente, bochechas rosadas depois de um dia inteiro estudando o mangue debaixo de sol, tudo isso muda para uma melancolia adulta. Uma melancolia que tem medo de acreditar simplesmente que as coisas estão dando certo. Uma melancolia de entrega ressabiada. Medo de não ter amanhã o que eu tive ontem.
E o engraçado de tudo isso é que em primeiro lugar eu não tenho motivo nenhum por enquanto de acreditar que o que eu tive ontem eu não terei amanhã. E em segundo lugar que historicamente a vida vem me provando que as coisas, mesmo que aos trancos e barrancos, se apresentam em uma curva ascendente e não descendente. Ou seja, que mesmo que se amanhã eu não tiver o que eu tive ontem, pode ser que o que eu tenha amanhã seja ainda melhor.
Basta acreditar nisso para assumir aquele sentimento que eu tô fazendo questão de manter escondidinho, longe dos meus holofotes, longe dos holofotes dos outros, longe de assumir qualquer coisa.
E aí, para assumir, melhor coisa é a música do Beck. Grande Beck, letras inteligentes e dançantes, aquela coisa encantadora do perdedor e do cara que está descobrindo suas "Sexxlaws".
What if it's wrong
To pray in vain?
(...)
I think i'm in love
But it makes me kinda nervous to say so
I think i'm in love
But it makes me kinda nervous to say so
Really think I better get a hold of myself
(Think I'm in Love, Beck)
Mas prestei atenção nisso daqui:
Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo em chamas!
Deixa prá lá...
Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr'onde é que a gente vai fugir?
(Angra dos Reis, Legião Urbana)
Pode até ser auto-sabotagem, mas está tudo tão legal até agora que eu fico me perguntando se fosse o fim chegando cedo, se as estrelas começarem a cair... Para onde é que eu vou fugir?
Dez anos depois, a música das rodinhas de violão, aquela euforia adolescente, bochechas rosadas depois de um dia inteiro estudando o mangue debaixo de sol, tudo isso muda para uma melancolia adulta. Uma melancolia que tem medo de acreditar simplesmente que as coisas estão dando certo. Uma melancolia de entrega ressabiada. Medo de não ter amanhã o que eu tive ontem.
E o engraçado de tudo isso é que em primeiro lugar eu não tenho motivo nenhum por enquanto de acreditar que o que eu tive ontem eu não terei amanhã. E em segundo lugar que historicamente a vida vem me provando que as coisas, mesmo que aos trancos e barrancos, se apresentam em uma curva ascendente e não descendente. Ou seja, que mesmo que se amanhã eu não tiver o que eu tive ontem, pode ser que o que eu tenha amanhã seja ainda melhor.
Basta acreditar nisso para assumir aquele sentimento que eu tô fazendo questão de manter escondidinho, longe dos meus holofotes, longe dos holofotes dos outros, longe de assumir qualquer coisa.
E aí, para assumir, melhor coisa é a música do Beck. Grande Beck, letras inteligentes e dançantes, aquela coisa encantadora do perdedor e do cara que está descobrindo suas "Sexxlaws".
What if it's wrong
To pray in vain?
(...)
I think i'm in love
But it makes me kinda nervous to say so
I think i'm in love
But it makes me kinda nervous to say so
Really think I better get a hold of myself
(Think I'm in Love, Beck)
14.4.08
Eu tive um sonho, vou te contar
Essa noite sonhei que ele me pedia em namoro cantando "Minha Namorada", do Vinícius, e depois me dava 12 dúzias de rosas vermelhas cultivadas nos morros no norte da Albânia por freiras virgens.
Daí eu acordei assustada.
Lá fora, milhares de trovões e raios, parecia que tinha raio aqui dentro do meu quarto.
Aqui dentro, uma barata debaixo da minha cama, já que não tínhamos conseguido matar ela ontem.
No peito, aquela coisa misturada cheia de coisas.
No feriado eu não quero ficar aqui de novo, não.
Daí eu acordei assustada.
Lá fora, milhares de trovões e raios, parecia que tinha raio aqui dentro do meu quarto.
Aqui dentro, uma barata debaixo da minha cama, já que não tínhamos conseguido matar ela ontem.
No peito, aquela coisa misturada cheia de coisas.
No feriado eu não quero ficar aqui de novo, não.
6.4.08
Por que não um bom final de semana?
Começou com aquela sexta quando meus hormônios eram maiores do que eu, e o DVD com chocolate entre meninas virou uma noite divertidíssima no Santo Grão Café. Decidi que sábado seria um bom dia. E foi. Dormi muito, o suficiente para acordar bem humorada e com os hormônios diminuídos. Li o jornal tranquilamente no café da manhã, tomei um banho comprido, lavei o cabelo com calma e fiquei cheirosa. Recebi um telefonema bacana, continuei me arrumando, arrumando tudo, o quarto, a casa, a vida, o cabelo, a lente de contato. Arrumando até o abraço com a mãe. Daí ele chegou e a gente foi até lá onde se arruma a vida espiritual. E que conversa gostosa, de novo, só para variar um pouco! Quero sempre. Voltamos para São Paulo após uma ótima tarde. Escolhi o lugar errado pro almoço, e ficamos passando frio no Pé no Parque. A companhia, no entanto, compensou todo o frio do mundo. No carro voltando, uma conversa que indica que eu posso ter estragado alguma coisa simplesmente por medo. Enfim, nem tudo está perdido e eu ainda me redimirei. Cheguei em casa e tivemos alguns contratempos entre a garagem, o elevador, o carro dele e a minha casa. Aqui, um papo agradável com bons amigos dos meus pais, e meu irmão estava visitando também. Ótimo. Um cochilo gostoso depois, com a casa vazia, e a saída de visual caprichado para lugar legal com gente que eu gosto muito e com papo bacana. Dois casais e eu, ouvindo jazz. Um Bloody Mary, dois Bloody Mary, três Bloody Mary. Três Bohemias depois também. Um ataque de cinco minutos e a volta para casa, ainda bebinha. Dormi cedo, lá pelas 3, e acordei tarde, depois da uma. Belo dia de preguicite aguda esse domingo, e não coloquei a cara para fora de casa. Almoço em família, passa a folha de uva por favor, futebol de domingão decidindo as semifinais do Paulista, São Paulo ganha bonito e Corinthians perde de virada, e então Elizabethtown. A frase final do filme? "Those who risk, win". Preciso falar com ele urgente de novo, arriscar um pouquinho, e ver se dá para ganhar. Pôxa, Elizabethtown é um filme muito bom. Eu já tinha assistido, e sempre gostarei de assisti-lo. Agora, preguiça de novo, minha mãe está assistindo a reprise de Lost no AXN e eu acabei de decidir que vou comprar pão francês na padoca porque, com a linguiça que temos aqui, posso comer Choripán.
Por que não um bom final de semana?
Por que não um bom final de semana?
4.4.08
Noite de Menininhas
Hoje:
- meus hormônios estão maior do que eu;
- mesmo o que deu certo, deu errado;
- o friozinho contribui pra essa sensação;
- a carência também;
- alguma saudade também;
- saí da mesa do jantar muito mais cedo do que o normal, e voltei pro meu quarto pra dormir;
- esperando meu amigo ligar e ele não ligou;
- e fiquei assim, debaixo das cobertas, meio dormindo, meio acordada;
- ouvindo Ryan Adams, seu violãozinho e sua gaita como deliciosas companhias pra uma noite meio deprêzinha.
Daí a Princess ligou e me acordou. Vamos fazer alguma coisa, dizia ela, e meu sono era maior do que eu pra responder. Depois de 10 minutos, liguei pra ela de novo. Ela deu risada da minha rapidez e eu dei também, provavelmente essa sendo a primeira risada realmente gostosa do dia.
Perguntei:
Princess, quer ver comédia romântica e comer chocolate?
Você vai aguentar eu, meu bode e meus hormônios?
Vamos brincar de ser felizes e de acreditar que vai dar tudo certo?
Ela disse que sim para todas essas perguntas.
Perguntei se ela queria que eu levasse ovo de Páscoa, ou se ela tinha lá. Ela disse que ela tem lá, e que assim é melhor porque pelo menos os ovos dela vão embora mais rápido.
Ok, eu disse, em meia hora aí.
E concluí, mais feliz do que ir na casa dela ver DVD feliz e comer chocolate, é saber que do lado de lá do bairro tem alguém que gosta de mim mesmo quando eu estou mal humorada e que vai me dar colo e me fazer rir, tudo ao mesmo tempo agora.
Ai, como eu amo essa minha irmãzinha.
- meus hormônios estão maior do que eu;
- mesmo o que deu certo, deu errado;
- o friozinho contribui pra essa sensação;
- a carência também;
- alguma saudade também;
- saí da mesa do jantar muito mais cedo do que o normal, e voltei pro meu quarto pra dormir;
- esperando meu amigo ligar e ele não ligou;
- e fiquei assim, debaixo das cobertas, meio dormindo, meio acordada;
- ouvindo Ryan Adams, seu violãozinho e sua gaita como deliciosas companhias pra uma noite meio deprêzinha.
Daí a Princess ligou e me acordou. Vamos fazer alguma coisa, dizia ela, e meu sono era maior do que eu pra responder. Depois de 10 minutos, liguei pra ela de novo. Ela deu risada da minha rapidez e eu dei também, provavelmente essa sendo a primeira risada realmente gostosa do dia.
Perguntei:
Princess, quer ver comédia romântica e comer chocolate?
Você vai aguentar eu, meu bode e meus hormônios?
Vamos brincar de ser felizes e de acreditar que vai dar tudo certo?
Ela disse que sim para todas essas perguntas.
Perguntei se ela queria que eu levasse ovo de Páscoa, ou se ela tinha lá. Ela disse que ela tem lá, e que assim é melhor porque pelo menos os ovos dela vão embora mais rápido.
Ok, eu disse, em meia hora aí.
E concluí, mais feliz do que ir na casa dela ver DVD feliz e comer chocolate, é saber que do lado de lá do bairro tem alguém que gosta de mim mesmo quando eu estou mal humorada e que vai me dar colo e me fazer rir, tudo ao mesmo tempo agora.
Ai, como eu amo essa minha irmãzinha.
3.4.08
Contagem Regressiva
Já estão divulgando a Virada Cultural desse ano.
Promete, parece.
Gente boa toda junta, concentrada em 24 horas de muita coisa entre sábado e domingo, 26 e 27 de abril.
Ano passado foi minha primeira Virada Cultural. Noite histórica. Tudo que poderia ter acontecido, aconteceu. Novela mexicana mesmo. Muitas boas músicas e muitas boas apresentações, andarilhos em grupo gigantesco pelo centro de São Paulo, brigas, intrigas, porres e choros, beijos estranhos, beijos na boca, muita risada, muita zueira, xixi em banheiros químicos, e muitas boas fotos. Noite completa. Entre tudo e todos, a cerveja. E de vontade superior, a certeza de diversão. E de força gravitacional, a ressaca - forte, física, moral - do dia seguinte.
Enquanto isso, não muito longe de mim e de toda a novela mexicana (embora mexicana, foi pacífica), meu irmão fugia de balas de borracha e do gás lacrimogênio na Praça da Sé. Não, a violência na Sé não foi maior do que todo o resto da Virada, que aconteceu cheia de méritos. Mas nunca é bom esquecer esse fato, essa violência gratuita, tudo aquilo de confusão no meio da multidão.
Esse ano quero repetir a dose. Não vejo a hora de ter tudo de novo. Serão diferentes as pessoas, mas será tão forte quanto a diversão. Talvez a ressaca de domingo esse ano tenha que ser um pouco menor, porque domingo quero estar lá na Virada também.
A Prefeitura está caprichando no evento. Gente muito fera estará lá, muito concentrada também. Fica todo mundo que nem barata tonta naquele centro deliciosamente cheio na madrugada. Não sabe onde ir, porque são todas as boas opções ao mesmo tempo e agora, sempre, a todo minuto. As pernas cansam de zanzar tanto. A cabeça cansa de tanto estímulo por todos os lados.
Mas é coisa bonita de ver, o centro lotado, seguro, bonito, e as pessoas felizes. De casais de velhinhos a famílias com crianças, a turmas de jovens. E em todos os grupos, gente de tudo quanto é canto. Do centro, da periferia, dos bairros nobres, dos bairros pobres. Punks e descolados, GLS e a turma do Hip Hop. Todo mundo lá, andarilho do mesmo jeito, na mesma noite, no centro.
Não vejo a hora de chegar a Virada Cultural esse ano. Faço contagem regressiva desde o ano passado. É festa bonita de se ver, a Paulicéia ainda mais desvairada. Música que São Paulo merece, dança que São Paulo quer, semana difícil e um final de semana histórico que compensa tudo. Ô coisa linda de acontecer... coisa linda linda linda.
Apenas como não poderia deixar de ser, uma crítica política. Esse ano o Kassab simplesmente dobrou o investimento na Virada, com relação ao ano passado. Óbvio que esse aumento no investimento tem relação direta com o ano de eleição. Isso é coisa feia de ver. Coisa muito feia. Outra crítica política: os caras excluíram os Racionais para esse ano. Fico me perguntando se é medo que se repita o mesmo absurdo do ano passado, quando a PM pulou em cima da galera com tudo.
De qualquer forma, é isso aí.
26 e 27 de abril, aquela coisa histórica e gostosa: Virada Cultural.
Tô na contagem regressiva.
Não vejo a hora.
Promete, parece.
Gente boa toda junta, concentrada em 24 horas de muita coisa entre sábado e domingo, 26 e 27 de abril.
Ano passado foi minha primeira Virada Cultural. Noite histórica. Tudo que poderia ter acontecido, aconteceu. Novela mexicana mesmo. Muitas boas músicas e muitas boas apresentações, andarilhos em grupo gigantesco pelo centro de São Paulo, brigas, intrigas, porres e choros, beijos estranhos, beijos na boca, muita risada, muita zueira, xixi em banheiros químicos, e muitas boas fotos. Noite completa. Entre tudo e todos, a cerveja. E de vontade superior, a certeza de diversão. E de força gravitacional, a ressaca - forte, física, moral - do dia seguinte.
Enquanto isso, não muito longe de mim e de toda a novela mexicana (embora mexicana, foi pacífica), meu irmão fugia de balas de borracha e do gás lacrimogênio na Praça da Sé. Não, a violência na Sé não foi maior do que todo o resto da Virada, que aconteceu cheia de méritos. Mas nunca é bom esquecer esse fato, essa violência gratuita, tudo aquilo de confusão no meio da multidão.
Esse ano quero repetir a dose. Não vejo a hora de ter tudo de novo. Serão diferentes as pessoas, mas será tão forte quanto a diversão. Talvez a ressaca de domingo esse ano tenha que ser um pouco menor, porque domingo quero estar lá na Virada também.
A Prefeitura está caprichando no evento. Gente muito fera estará lá, muito concentrada também. Fica todo mundo que nem barata tonta naquele centro deliciosamente cheio na madrugada. Não sabe onde ir, porque são todas as boas opções ao mesmo tempo e agora, sempre, a todo minuto. As pernas cansam de zanzar tanto. A cabeça cansa de tanto estímulo por todos os lados.
Mas é coisa bonita de ver, o centro lotado, seguro, bonito, e as pessoas felizes. De casais de velhinhos a famílias com crianças, a turmas de jovens. E em todos os grupos, gente de tudo quanto é canto. Do centro, da periferia, dos bairros nobres, dos bairros pobres. Punks e descolados, GLS e a turma do Hip Hop. Todo mundo lá, andarilho do mesmo jeito, na mesma noite, no centro.
Não vejo a hora de chegar a Virada Cultural esse ano. Faço contagem regressiva desde o ano passado. É festa bonita de se ver, a Paulicéia ainda mais desvairada. Música que São Paulo merece, dança que São Paulo quer, semana difícil e um final de semana histórico que compensa tudo. Ô coisa linda de acontecer... coisa linda linda linda.
Apenas como não poderia deixar de ser, uma crítica política. Esse ano o Kassab simplesmente dobrou o investimento na Virada, com relação ao ano passado. Óbvio que esse aumento no investimento tem relação direta com o ano de eleição. Isso é coisa feia de ver. Coisa muito feia. Outra crítica política: os caras excluíram os Racionais para esse ano. Fico me perguntando se é medo que se repita o mesmo absurdo do ano passado, quando a PM pulou em cima da galera com tudo.
De qualquer forma, é isso aí.
26 e 27 de abril, aquela coisa histórica e gostosa: Virada Cultural.
Tô na contagem regressiva.
Não vejo a hora.
2.4.08
Um dueto entre um homem e uma mulher
No dueto que eu ouço normalmente, Nina Simone e Ray Charles dando um show de interpretação na letra de Frank Loesser.
Lindo, lindo.
Baby, it's cold outside
I really can't stay
- Baby it's cold outside
I've got to go away
- Baby it's cold outside
This evening has been
- Been hoping that you'd drop in
So very nice
- I'll hold your hands, they're cold as ice
My mother will start to worry
- Beautiful, what's your hurry
My father will be pacing the floor
- Listen to the fireplace roar
So really I'd better scurry
- Beautiful, please don't hurry well
Maybe just one drink more
- Put some music on while I pour
The neighbors might think
- Baby, it's bad out there
Say, what's in this drink
- No cabs to be had out there
I wish I knew how
- Your eyes are like starlight now
To break this spell
- I'll take your hat, your hair looks swell
I ought to say no, no, no, sir
- Mind if I move a little closer
At least I'm gonna say that I tried
- What's the sense in hurting my pride
I really can't stay
- Baby don't hold out, Baby it's cold outside
I simply must go
- Baby, it's cold outside
The answer is no
- Ooh baby, it's cold outside
This welcome has been
- I'm lucky that you dropped in
So nice and warm
- Look out the window at that storm
My sister will be suspicious
- Man, your lips look so delicious
My brother will be there at the door
- Waves upon a tropical shore
My maiden aunt's mind is vicious
- Gosh your lips look delicious
Well maybe just a half a drink more
- Never such a blizzard before
I've got to go home
- Oh, baby, you'll freeze out there
Say, lend me your coat
- It's up to your knees out there
You've really been grand
- I thrill when you touch my hand
But don't you see
- How can you do this thing to me
There's bound to be talk tomorrow
- Making my life long sorrow
At least there will be plenty implied
- If you caught pneumonia and died
I really can't stay
- Get over that old out
Baby it's cold outside
ps.: quizz master óbvio, mas quem adivinhar quem é o homem e quem é a mulher nessa música ganha um prêmio.
Enquanto vocês não adivinham, eu danço dois pra lá, dois pra cá (sozinha).
Lindo, lindo.
Baby, it's cold outside
I really can't stay
- Baby it's cold outside
I've got to go away
- Baby it's cold outside
This evening has been
- Been hoping that you'd drop in
So very nice
- I'll hold your hands, they're cold as ice
My mother will start to worry
- Beautiful, what's your hurry
My father will be pacing the floor
- Listen to the fireplace roar
So really I'd better scurry
- Beautiful, please don't hurry well
Maybe just one drink more
- Put some music on while I pour
The neighbors might think
- Baby, it's bad out there
Say, what's in this drink
- No cabs to be had out there
I wish I knew how
- Your eyes are like starlight now
To break this spell
- I'll take your hat, your hair looks swell
I ought to say no, no, no, sir
- Mind if I move a little closer
At least I'm gonna say that I tried
- What's the sense in hurting my pride
I really can't stay
- Baby don't hold out, Baby it's cold outside
I simply must go
- Baby, it's cold outside
The answer is no
- Ooh baby, it's cold outside
This welcome has been
- I'm lucky that you dropped in
So nice and warm
- Look out the window at that storm
My sister will be suspicious
- Man, your lips look so delicious
My brother will be there at the door
- Waves upon a tropical shore
My maiden aunt's mind is vicious
- Gosh your lips look delicious
Well maybe just a half a drink more
- Never such a blizzard before
I've got to go home
- Oh, baby, you'll freeze out there
Say, lend me your coat
- It's up to your knees out there
You've really been grand
- I thrill when you touch my hand
But don't you see
- How can you do this thing to me
There's bound to be talk tomorrow
- Making my life long sorrow
At least there will be plenty implied
- If you caught pneumonia and died
I really can't stay
- Get over that old out
Baby it's cold outside
ps.: quizz master óbvio, mas quem adivinhar quem é o homem e quem é a mulher nessa música ganha um prêmio.
Enquanto vocês não adivinham, eu danço dois pra lá, dois pra cá (sozinha).
31.3.08
Not an ordinary Monday
Hoje quando eu acordei algumas coisas estavam fora do lugar.
O céu estava mais azul.
O reflexo do sol, que vem do prédio da frente, estava mais forte.
O olho estava mais difícil de abrir.
O corpo estava mais difícil de mexer.
O sonho estava mais difícil de acabar.
O sorriso estava tão dado, tão fácil, tão bobo-alegre.
O óculos, por incrível que pareça, estava mais vermelho.
O jornal estava mais bacana.
A Umbanda estava mais velha, completando cem anos.
A mosca estava mais barulhenta.
A música estava mais dançante.
O despertador berrava muito mais alto.
Meu francês estava mais fluente.
Um grande amigo continuava na Austrália, mas a Austrália parecia muito mais longe do que já é.
As músicas tristes estavam quase intoleráveis.
Eu estava mais fotogênica.
Eu estava muito mais descabelada.
A torrada do café da manhã estava mais crocante.
E a papaya, por sua vez, mais docinha.
A Cidoca estava ainda mais simpática.
E minha mãe fumava menos logo cedo à mesa.
O vento estava mais fresquinho.
O outono parecia chegar de verdade.
A gente estava mais cheia do que sempre.
A amiga dos loucos scraps às segundas pela manhã estava mais louca do que nunca.
O sol do Nordeste parecia mais perto da minha realidade.
As Cataratas do Iguaçu, um pouco mais longe.
A água desceu mais refrescante.
E a semana resolveu que ela promete, em todos os aspectos da vida que uma pessoa possa ter.
O céu estava mais azul.
O reflexo do sol, que vem do prédio da frente, estava mais forte.
O olho estava mais difícil de abrir.
O corpo estava mais difícil de mexer.
O sonho estava mais difícil de acabar.
O sorriso estava tão dado, tão fácil, tão bobo-alegre.
O óculos, por incrível que pareça, estava mais vermelho.
O jornal estava mais bacana.
A Umbanda estava mais velha, completando cem anos.
A mosca estava mais barulhenta.
A música estava mais dançante.
O despertador berrava muito mais alto.
Meu francês estava mais fluente.
Um grande amigo continuava na Austrália, mas a Austrália parecia muito mais longe do que já é.
As músicas tristes estavam quase intoleráveis.
Eu estava mais fotogênica.
Eu estava muito mais descabelada.
A torrada do café da manhã estava mais crocante.
E a papaya, por sua vez, mais docinha.
A Cidoca estava ainda mais simpática.
E minha mãe fumava menos logo cedo à mesa.
O vento estava mais fresquinho.
O outono parecia chegar de verdade.
A gente estava mais cheia do que sempre.
A amiga dos loucos scraps às segundas pela manhã estava mais louca do que nunca.
O sol do Nordeste parecia mais perto da minha realidade.
As Cataratas do Iguaçu, um pouco mais longe.
A água desceu mais refrescante.
E a semana resolveu que ela promete, em todos os aspectos da vida que uma pessoa possa ter.
26.3.08
Uma noite e duas músicas no dia seguinte
FLY ME TO THE MOON
Fly me to the moon
And let me play among the stars
Won't you let me see what spring Is like on Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, darling, kiss me
Fill my heart with song
And let me sing forevermore'
Cause you are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you
Oh
In other words, please be true
In other words, I love you
SINGING IN THE RAIN
I'm singing in the rain
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I have a smile on my face
I walk down the lane
With a happy refrain
Just Singin', singin' in the rain
Dancing in the rain
I'm happy again
I'm singin' and dancin' in the rain
I'm dancin' and singin' in the rain
O café se transformou em chopp e tive uma das noites mais legais ever da vida, do tipo de noite que eu não conhecia há muito tempo.
Hoje tô assim, toda babaca.
Tipinho irritante mesmo.
Fly me to the moon
And let me play among the stars
Won't you let me see what spring Is like on Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, darling, kiss me
Fill my heart with song
And let me sing forevermore'
Cause you are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you
Oh
In other words, please be true
In other words, I love you
SINGING IN THE RAIN
I'm singing in the rain
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I have a smile on my face
I walk down the lane
With a happy refrain
Just Singin', singin' in the rain
Dancing in the rain
I'm happy again
I'm singin' and dancin' in the rain
I'm dancin' and singin' in the rain
O café se transformou em chopp e tive uma das noites mais legais ever da vida, do tipo de noite que eu não conhecia há muito tempo.
Hoje tô assim, toda babaca.
Tipinho irritante mesmo.
24.3.08
Chocolate, Floral, SMS
Do CHOCOLATE
Nem muito nem pouco. Na casa da madrinha, cobrindo o damasco azedinho. Aqui em casa, um ovo dos pais, pequeno e simbólico, é fato. Um ovo da madrinha, grande e inteirinho recheado de beijinho. Uma loucura. Um ovo da avó. Grandão. Um ovo do padrinho, dos preferidos. E Línguas de Gato do tio. Estoque suficiente pra suprir a carência emocional por meses, provavelmente. Para me ajudar quando não conseguir desanuviar sozinha. Para me ajudar quando a TPM for maior do que eu.
Do FLORAL
A acupunturista disse que seria bom.
Eu não sei se a terapeuta deixa.
A mãe achou estranho.
Eu me encantei com a possibilidade.
Mais uma coisinha para esse meu sincretismo mucho loco.
Do SMS
Antes de dormir, logo depois do MSN.
Intuito fofo de SMS. Eu tornei uma troca de mensagens nonsense.
"Nossos celulares não se entendem". "Não preciso manjar pois você me explica". "Bons sonhos". "Backlog de itens efetivos na agenda". "Café terça?". "Café terça".
Não necessariamente nessa ordem.
Encantamento é gostoso.
Começo é gostoso.
Tomara que role o café terça.
Nem muito nem pouco. Na casa da madrinha, cobrindo o damasco azedinho. Aqui em casa, um ovo dos pais, pequeno e simbólico, é fato. Um ovo da madrinha, grande e inteirinho recheado de beijinho. Uma loucura. Um ovo da avó. Grandão. Um ovo do padrinho, dos preferidos. E Línguas de Gato do tio. Estoque suficiente pra suprir a carência emocional por meses, provavelmente. Para me ajudar quando não conseguir desanuviar sozinha. Para me ajudar quando a TPM for maior do que eu.
Do FLORAL
A acupunturista disse que seria bom.
Eu não sei se a terapeuta deixa.
A mãe achou estranho.
Eu me encantei com a possibilidade.
Mais uma coisinha para esse meu sincretismo mucho loco.
Do SMS
Antes de dormir, logo depois do MSN.
Intuito fofo de SMS. Eu tornei uma troca de mensagens nonsense.
"Nossos celulares não se entendem". "Não preciso manjar pois você me explica". "Bons sonhos". "Backlog de itens efetivos na agenda". "Café terça?". "Café terça".
Não necessariamente nessa ordem.
Encantamento é gostoso.
Começo é gostoso.
Tomara que role o café terça.
19.3.08
O outono chega
Tudo bem, tudo bem, eu sei que não temos mais estações definidas em São Paulo. Também sei que o inverno não será e já não é mais frio, e o outono não será e também já não é mais friozinho. Sei também que a primavera será uma mera continuação do calor invernal e infernal (inversão térmica, essa praga que nos assola a cada julho seco) e que o verão será a intensificação, embora chuvosa, do calor de todas as outras estações.
Mas a questão para mim vai além.
Eu simplesmente ADORO o inverno.
Moraria fácil em uma cidade de temperatura média anual não acima dos 15, e de preferência na maior parte bem abaixo disso. Não penso em morar no Nordeste porque morreria de infelicidade de abandonar meu guarda roupa de inverno em São Paulo, Nordeste só é bom para férias, quinze dias no máximo e olhe lá, não aguento todo aquele calor não. Eu passo o tempo todo entre março e setembro acompanhando de perto o noticiário metereológico (Josélia Peggiorin, da Climatempo, diretamente para a Rádio Eldorado FM), esperando que anunciem uma garoa, uma frente fria, uma noite com mínima de sete graus. A Lau disse que eu tenho um oratório de nuvenzinha, onde eu fico rezando e implorando que chegue logo a frente fria. Mesmo morando nos trópicos, meu guarda-roupa de inverno é mais vasto do que meu guarda-roupa de verão (e olha que meu aniversário é na primavera). Eu aprendi metereologia sozinha, quase como uma auto-didata, misturando conceitos de física, biologia, geografia, química, simplesmente pelo instinto de sobrevivência de querer entender quando a frente fria chega. Mesmo com um calor de 30 graus lá fora, me fecho no meu quarto, ligo o ventilador, e fico experimentando meus looks de inverno, como que querendo matar saudades das roupas (essa crise tem geralmente seu auge em janeiro).
Fico feliz quando o tempo permite e pede que eu durma de meia.
Pois bem. Tudo isso posto, já é possível imaginar minha vibração de felicidade quando o tempo fechou quinta da semana passada, né? O oratório de nuvenzinha estava quase com um brilho neon de tão feliz. Ele estava funcionando, finalmente...
Me empolguei. Peguei a calça jeans, a blusa de manga três quartos, a capa de chuva comprida, uma bota. Estava vestida de outono, pela primeira vez em 2008. E isso se repetiu algumas outras vezes entre sexta e segunda... me vestir de outono todos os dias, feliz, realizada, testando os visuais. Fazer maior visual outonal produzido simplesmente pelo prazer de me vestir de outono, mesmo que seja só para pegar pão na padoca.
Fazer o que? Eu sou assim... tinha que ter nascido em algum lugar frio...
Foi completamente uma over reaction outonal. Mas que eu adorei, adorei.
Mas a questão para mim vai além.
Eu simplesmente ADORO o inverno.
Moraria fácil em uma cidade de temperatura média anual não acima dos 15, e de preferência na maior parte bem abaixo disso. Não penso em morar no Nordeste porque morreria de infelicidade de abandonar meu guarda roupa de inverno em São Paulo, Nordeste só é bom para férias, quinze dias no máximo e olhe lá, não aguento todo aquele calor não. Eu passo o tempo todo entre março e setembro acompanhando de perto o noticiário metereológico (Josélia Peggiorin, da Climatempo, diretamente para a Rádio Eldorado FM), esperando que anunciem uma garoa, uma frente fria, uma noite com mínima de sete graus. A Lau disse que eu tenho um oratório de nuvenzinha, onde eu fico rezando e implorando que chegue logo a frente fria. Mesmo morando nos trópicos, meu guarda-roupa de inverno é mais vasto do que meu guarda-roupa de verão (e olha que meu aniversário é na primavera). Eu aprendi metereologia sozinha, quase como uma auto-didata, misturando conceitos de física, biologia, geografia, química, simplesmente pelo instinto de sobrevivência de querer entender quando a frente fria chega. Mesmo com um calor de 30 graus lá fora, me fecho no meu quarto, ligo o ventilador, e fico experimentando meus looks de inverno, como que querendo matar saudades das roupas (essa crise tem geralmente seu auge em janeiro).
Fico feliz quando o tempo permite e pede que eu durma de meia.
Pois bem. Tudo isso posto, já é possível imaginar minha vibração de felicidade quando o tempo fechou quinta da semana passada, né? O oratório de nuvenzinha estava quase com um brilho neon de tão feliz. Ele estava funcionando, finalmente...
Me empolguei. Peguei a calça jeans, a blusa de manga três quartos, a capa de chuva comprida, uma bota. Estava vestida de outono, pela primeira vez em 2008. E isso se repetiu algumas outras vezes entre sexta e segunda... me vestir de outono todos os dias, feliz, realizada, testando os visuais. Fazer maior visual outonal produzido simplesmente pelo prazer de me vestir de outono, mesmo que seja só para pegar pão na padoca.
Fazer o que? Eu sou assim... tinha que ter nascido em algum lugar frio...
Foi completamente uma over reaction outonal. Mas que eu adorei, adorei.
16.3.08
O tio da Little Miss Sunshine e o Sartre
OU: PONTUANDO COISAS QUE ME DÃO INSÔNIA EM PLENO SÁBADO
- mudança na prática do complexo e me acostumar com essa novidade.
- email discutindo o menino de oito anos que passou na faculdade, e uma resposta bizarra de uma linha.
- email discutindo coisas meio deprês e depois discutindo coisas meio felizes, mas tudo meio estranho e intalado.
- conversar com o ex fofo de uma grande amiga e ver como é triste certas coisas.
- chegar em casa e entrar no MSN, por estar com insônia.
E embora tudo esteja muito abstrato (é para estar mesmo), cheguei em casa e me olhei no espelho do elevador. O cabelo estava bom, a cara estava boa, a maquiagem estava boa, a roupa estava boa, e mais uma vez o fim da noite tinha um destino absolutamente solitário.
- mudança na prática do complexo e me acostumar com essa novidade.
- email discutindo o menino de oito anos que passou na faculdade, e uma resposta bizarra de uma linha.
- email discutindo coisas meio deprês e depois discutindo coisas meio felizes, mas tudo meio estranho e intalado.
- conversar com o ex fofo de uma grande amiga e ver como é triste certas coisas.
- chegar em casa e entrar no MSN, por estar com insônia.
E embora tudo esteja muito abstrato (é para estar mesmo), cheguei em casa e me olhei no espelho do elevador. O cabelo estava bom, a cara estava boa, a maquiagem estava boa, a roupa estava boa, e mais uma vez o fim da noite tinha um destino absolutamente solitário.
11.3.08
Retificação
Contra todas as previsões, chegou hoje minha Carteira do Cidadão. Peço desculpas à CEF se por um dia inteiro subestimei sua eficiência. Agora me surpreendi, e acho justo que me retrate nesse mesmo fórum onde uma vez a critiquei.
Sem mais.
Sem mais.
10.3.08
Destino: Centro - Parte V, Final
OU: DO RETORNO PARA CASA
Feliz com os resultados obtidos durante o dia, seguro-desemprego encaminhado, Cartão-Cidadão protocolado, FGTS depositado, e almoço aproveitado, voltei para casa com aquela inspiração gostosa de quem se sente vitoriosa. Aquela coisa de ar que enche peito que estufa tórax que projeta externo para frente ombros para trás escápulas para baixo encaixa a púbis não força a lombar e anda bem. Nossa, e como anda bem! Firme, em frente, e com fé.
Passei de novo na frente do Centro Cultural Banco do Brasil, e lá estava um duo de violinistas muito bonito, tocando o Fantasma da Ópera que era de emocionar. Do meu lado, mais uns dois ou três gatos pingados. Um deles era uma mulher, segurando a bolsa debaixo do ombro, e que foi assaltada por dois menininhos frenéticos que eu tinha visto duas esquinas atrás cheirando cola. Não tinham mais de oito, dez anos, com certeza absoluta. Foi triste ver, mesmo.
Daí peguei a rua da Quitanda e fui... passei pela Patriarca e sua marquise branca e bizarra, absolutamente fora de qualquer contexto naquele centro bonito. Atravessei o Chá, Anhangabaú lindo lá embaixo, muitas lembranças e muitas saudades da Virada Cultural do ano passado, querendo que chegue logo a desse ano, experiência cultural que deu muito certo nessa SP cheia de uma população necessitada de viver bem e plenamente o espaço público e que raramente consegue.
Cheguei ao shopping Light, irresistível quiosque de sorvetes do Mc lá logo na entrada, um McFlurry por favor, e sentei na escadaria do Municipal, de onde contemplei. Contemplei o sorvete, o calor, o suor, o sol, o barulho, a sujeira, a pobreza, a beleza, a feiúra, e tudo o mais que se pode contemplar sentada na escadaria do Municipal. Contemplei inclusive o cheiro de xixi, que estava forte. McFlurry aroma urina.
Atravessei de novo o Chá, já de volta para casa. De lá pegaria a Libero de novo, e depois a rua do Ouvidor, a passarela, e chegaria no Terminal Bandeira. Escolhi conscientemente o caminho mais longo, apenas pelo prazer de acabar a caminhada.
Quando olhei, do Chá, para onde a 9 de Julho e a 23 começam, vi uma bandeira do Brasil enorme hasteada lá. Bem grande mesmo. Eu nunca tinha visto aquela bandeira. Bonita.
Feliz com os resultados obtidos durante o dia, seguro-desemprego encaminhado, Cartão-Cidadão protocolado, FGTS depositado, e almoço aproveitado, voltei para casa com aquela inspiração gostosa de quem se sente vitoriosa. Aquela coisa de ar que enche peito que estufa tórax que projeta externo para frente ombros para trás escápulas para baixo encaixa a púbis não força a lombar e anda bem. Nossa, e como anda bem! Firme, em frente, e com fé.
Passei de novo na frente do Centro Cultural Banco do Brasil, e lá estava um duo de violinistas muito bonito, tocando o Fantasma da Ópera que era de emocionar. Do meu lado, mais uns dois ou três gatos pingados. Um deles era uma mulher, segurando a bolsa debaixo do ombro, e que foi assaltada por dois menininhos frenéticos que eu tinha visto duas esquinas atrás cheirando cola. Não tinham mais de oito, dez anos, com certeza absoluta. Foi triste ver, mesmo.
Daí peguei a rua da Quitanda e fui... passei pela Patriarca e sua marquise branca e bizarra, absolutamente fora de qualquer contexto naquele centro bonito. Atravessei o Chá, Anhangabaú lindo lá embaixo, muitas lembranças e muitas saudades da Virada Cultural do ano passado, querendo que chegue logo a desse ano, experiência cultural que deu muito certo nessa SP cheia de uma população necessitada de viver bem e plenamente o espaço público e que raramente consegue.
Cheguei ao shopping Light, irresistível quiosque de sorvetes do Mc lá logo na entrada, um McFlurry por favor, e sentei na escadaria do Municipal, de onde contemplei. Contemplei o sorvete, o calor, o suor, o sol, o barulho, a sujeira, a pobreza, a beleza, a feiúra, e tudo o mais que se pode contemplar sentada na escadaria do Municipal. Contemplei inclusive o cheiro de xixi, que estava forte. McFlurry aroma urina.
Atravessei de novo o Chá, já de volta para casa. De lá pegaria a Libero de novo, e depois a rua do Ouvidor, a passarela, e chegaria no Terminal Bandeira. Escolhi conscientemente o caminho mais longo, apenas pelo prazer de acabar a caminhada.
Quando olhei, do Chá, para onde a 9 de Julho e a 23 começam, vi uma bandeira do Brasil enorme hasteada lá. Bem grande mesmo. Eu nunca tinha visto aquela bandeira. Bonita.
7.3.08
Destino: Centro - Parte IV
OU: DO ALMOÇO
Pois bem que naquela loucura daquele labirinto burocrático e sobe escada e desce escada e entra em fila e sai de fila ligou o telefone tocando e era ele com quem eu tinha combinado um almoço. Saio correndo da CEF, praticamente deixando o inferno terreno e tão quente para trás e indo almoçar com o amigo que hoje é uma das pessoas mais fortes e importantes na minha vida. Não fomos almoçar em um lugar com ar condicionado e fresquinho, mas simplesmente sua companhia me traz a brisa leve e gostosa que eu precisava sentir na vida naquele dia.
Antes disso, fui a pé até a SanFran, já que eu sabia que ele estaria lá por perto, e fiquei observando o movimento de advogados engravatados naquela região, tão louca essa força essa tradição e toda a história da mais antiga faculdade de direito de São Paulo. Não sei dizer bem o que é esse ímã, desde aquele agosto de 2000 quando fui apresentada à SanFran nunca entendi ao certo o que é isso que ela exerce sobre seus alunos. Grandes amigos, um primo, duas primas distantes, e toda uma constelação de conhecidos e queridos já estudaram na SanFran. Todos eles mantém até hoje essa ligação muito forte que não dá para entender. Já sei que a faculdade onde estudamos tem muita importância na nossa história de vida, eu mesma sou uma prova viva disso, mas a SanFran tem alguma coisa inexplicável e muito forte e muito louca.
Divagações à parte, fiquei lá esperando o amigo ligar e ele ligou e eu fui lá para a rua Riachuelo. Subi e conheci o escritório dos queridos do peito... tão bonitinho o escritório, tão ajeitadinho, com tanta carinha de coisa legal. Saí de lá extremamente bem impressionada. Eu acompanho as histórias do escritório de perto, todas todinhas, mas ver o que é o escritório de verdade, ver o amigo ser chefe de verdade, cumprimentar os porteiros, brincar com o ascensorista... e pronto, conheci de verdade o escritório. E bato palmas. E tiro o chapéu. E sei que, com aquelas pessoas lá, com aquela lousinha lá, vai longe...
Almoçamos em um restaurante que é o mais pé-limpo dentre os pés-sujos do centro. Parece que ele quis ir devagar, doses homeopáticas de centrisse aguda em mim, e a comidinha estava boa e para manter a tradição a conversa estava boa também. E de fato, o restaurante era limpinho. A comida, normal - nem boa nem ruim. Poderia ser pior... Daí fomos tomar cafézinho, e ele queria me mostrar que o centro também pode ser high-level. Ok, ok, tomemos cafezinho cheio de frescuras, menino, tomemos... e no papo do almoço e do cafézinho, histórias do centro, das bagunças, dos restaurantes chiques e caros, dos restaurantes muito sujos com garçons que ficam gritando um pro outro, e assim em diante.
Ele se sentia meu anfitrião, a pessoa responsável por me mostrar que o centro é legal, mesmo que eu já soubesse disso. Ele estava me mostrando o centro DELE, e era isso o mais relevante daquele almoço. Muito louco isso de eu aparecer lá no território dele, mas que é todos, só que é mais dele do que meu, e aí ele toma para si a responsabilidade de me mostrar o espaço. Meio pavão, macho orgulhoso, enche o papo e conta histórias com orgulho. Com a diferença que não estávamos falando de uma cerimônia do acasalamento, estávamos falando apenas de um almoço entre amigos (amigos que se vêm duas vezes por semana, normalmente).
O homem em geral tem uns mecanismos, para dizer o mínimo, curiosos...
Quase duas horas depois, eu tinha que voltar para a Caixa e ele tinha que voltar para o escritório. No café, ele queria me mostrar o caminho de como eu chegaria de novo na CEF, e qual não foi a surpresa dele quando ele descobriu que eu, a patricinha perdida no centro, sabia exatamente onde estávamos e sabia melhor ainda o caminho da volta.
Um forte abraço, e a certeza de que na próxima vez nosso almoço será no Flor da Sé - o pé-sujo dos pés-sujos da Praça da Sé.
Pois bem que naquela loucura daquele labirinto burocrático e sobe escada e desce escada e entra em fila e sai de fila ligou o telefone tocando e era ele com quem eu tinha combinado um almoço. Saio correndo da CEF, praticamente deixando o inferno terreno e tão quente para trás e indo almoçar com o amigo que hoje é uma das pessoas mais fortes e importantes na minha vida. Não fomos almoçar em um lugar com ar condicionado e fresquinho, mas simplesmente sua companhia me traz a brisa leve e gostosa que eu precisava sentir na vida naquele dia.
Antes disso, fui a pé até a SanFran, já que eu sabia que ele estaria lá por perto, e fiquei observando o movimento de advogados engravatados naquela região, tão louca essa força essa tradição e toda a história da mais antiga faculdade de direito de São Paulo. Não sei dizer bem o que é esse ímã, desde aquele agosto de 2000 quando fui apresentada à SanFran nunca entendi ao certo o que é isso que ela exerce sobre seus alunos. Grandes amigos, um primo, duas primas distantes, e toda uma constelação de conhecidos e queridos já estudaram na SanFran. Todos eles mantém até hoje essa ligação muito forte que não dá para entender. Já sei que a faculdade onde estudamos tem muita importância na nossa história de vida, eu mesma sou uma prova viva disso, mas a SanFran tem alguma coisa inexplicável e muito forte e muito louca.
Divagações à parte, fiquei lá esperando o amigo ligar e ele ligou e eu fui lá para a rua Riachuelo. Subi e conheci o escritório dos queridos do peito... tão bonitinho o escritório, tão ajeitadinho, com tanta carinha de coisa legal. Saí de lá extremamente bem impressionada. Eu acompanho as histórias do escritório de perto, todas todinhas, mas ver o que é o escritório de verdade, ver o amigo ser chefe de verdade, cumprimentar os porteiros, brincar com o ascensorista... e pronto, conheci de verdade o escritório. E bato palmas. E tiro o chapéu. E sei que, com aquelas pessoas lá, com aquela lousinha lá, vai longe...
Almoçamos em um restaurante que é o mais pé-limpo dentre os pés-sujos do centro. Parece que ele quis ir devagar, doses homeopáticas de centrisse aguda em mim, e a comidinha estava boa e para manter a tradição a conversa estava boa também. E de fato, o restaurante era limpinho. A comida, normal - nem boa nem ruim. Poderia ser pior... Daí fomos tomar cafézinho, e ele queria me mostrar que o centro também pode ser high-level. Ok, ok, tomemos cafezinho cheio de frescuras, menino, tomemos... e no papo do almoço e do cafézinho, histórias do centro, das bagunças, dos restaurantes chiques e caros, dos restaurantes muito sujos com garçons que ficam gritando um pro outro, e assim em diante.
Ele se sentia meu anfitrião, a pessoa responsável por me mostrar que o centro é legal, mesmo que eu já soubesse disso. Ele estava me mostrando o centro DELE, e era isso o mais relevante daquele almoço. Muito louco isso de eu aparecer lá no território dele, mas que é todos, só que é mais dele do que meu, e aí ele toma para si a responsabilidade de me mostrar o espaço. Meio pavão, macho orgulhoso, enche o papo e conta histórias com orgulho. Com a diferença que não estávamos falando de uma cerimônia do acasalamento, estávamos falando apenas de um almoço entre amigos (amigos que se vêm duas vezes por semana, normalmente).
O homem em geral tem uns mecanismos, para dizer o mínimo, curiosos...
Quase duas horas depois, eu tinha que voltar para a Caixa e ele tinha que voltar para o escritório. No café, ele queria me mostrar o caminho de como eu chegaria de novo na CEF, e qual não foi a surpresa dele quando ele descobriu que eu, a patricinha perdida no centro, sabia exatamente onde estávamos e sabia melhor ainda o caminho da volta.
Um forte abraço, e a certeza de que na próxima vez nosso almoço será no Flor da Sé - o pé-sujo dos pés-sujos da Praça da Sé.
3.3.08
Elvy x Aura: Na trincheira da fronteira do conflito iminente
As duas são bem formadas em boas universidades e trabalham em uma grande e boa empresa, onde eu costumava trabalhar até ano passado.
Elas eram nosso suporte para assuntos operacionais locais de cada um dos países, assuntos nos quais à distância não poderíamos tocar, mesmo sendo "Latin America Service Center" para esse tópico com o qual trabalhávamos. Por exemplo? Pagamentos nas folhas, remessa de montantes, pedidos de visto, essas coisas...
A Elvy, da Venezuela, a boa performance em pessoa. Uma graça de simpática, pela foto ela era até bonitinha, adorava falar com a gente no telefone.
A Aura, da Colômbia, personalidade polêmica (para dizer o mínimo). Fofinha à priori, mas quase não respondia emails, nem atendia telefonemas, e dava canos atrás de canos e fugia que era uma beleza. O curso de sabonete que ela tinha feito era bem sucedido.
Pois bem. Muitos transitavam entre Venezuela e Colômbia a trabalho e o caminho inverso tambem é verdadeiro. Ou seja, necessitávamos à exaustão que as duas trabalhassem bem juntas. Mas sempre, sempre, sempre que precisássemos de alguma coisa que as duas fizessem, só mesmo fazendo call com as duas ao mesmo tempo, e mesmo assim ninguém garantiria que o serviço sairia.
Aura não gostava de Elvy, Elvy não gostava de Aura, e era declarado. Mesmo assim, Elvy costumava dar um belo dum banho de superioridade porque ela faria as funções necessárias. A Aura não, tática de guerrilha, aprendizado com as FARCs, fugia fugia e não fazia o necessário.
Politicamente, Elvy era da elite venezuelana, do tipo que saiu às ruas quando Chávez perdeu o plebiscito do ano passado de reeleições eternas. Aura era contra Uribe, "el embajador de las voluntads de los EEUU que eran muy prejudiciales a mi patria linda".
Agora, o país de Aura invadiu ilegalmente as fronteiras com o Equador, matou pessoas dentro do Equador, e cometeu um ato de guerra. E o Chávez, ao qual a Elvy é contra, mandou suas tropas lá para o meio do mato, onde a Colômbia e a Venezuela se encontram, no meio da Amazônia. Todos entrincheirados na fronteira. Estudantes e ex-estudantes de RI todos com formigas na barriga, de pensar em Clausewitz em uma guerra oficial entre Estados, não só guerras civis, mas sim daquelas guerras que a gente só vê na Europa e aqui nessa latinidade bagunçada, só vimos no Paraguay e mesmo assim já faz tempo.
De qualquer forma, eu particularmente duvido que vire guerra. Acho que, para variar um pouco em se tratando de Chávez, são bravatas e ameaças em alto e bom tom. E só.
Do meu lado só fico triste porque aposto que se Aura e Elvy já não trabalhavam juntas antes... que dirá agora!
Elas eram nosso suporte para assuntos operacionais locais de cada um dos países, assuntos nos quais à distância não poderíamos tocar, mesmo sendo "Latin America Service Center" para esse tópico com o qual trabalhávamos. Por exemplo? Pagamentos nas folhas, remessa de montantes, pedidos de visto, essas coisas...
A Elvy, da Venezuela, a boa performance em pessoa. Uma graça de simpática, pela foto ela era até bonitinha, adorava falar com a gente no telefone.
A Aura, da Colômbia, personalidade polêmica (para dizer o mínimo). Fofinha à priori, mas quase não respondia emails, nem atendia telefonemas, e dava canos atrás de canos e fugia que era uma beleza. O curso de sabonete que ela tinha feito era bem sucedido.
Pois bem. Muitos transitavam entre Venezuela e Colômbia a trabalho e o caminho inverso tambem é verdadeiro. Ou seja, necessitávamos à exaustão que as duas trabalhassem bem juntas. Mas sempre, sempre, sempre que precisássemos de alguma coisa que as duas fizessem, só mesmo fazendo call com as duas ao mesmo tempo, e mesmo assim ninguém garantiria que o serviço sairia.
Aura não gostava de Elvy, Elvy não gostava de Aura, e era declarado. Mesmo assim, Elvy costumava dar um belo dum banho de superioridade porque ela faria as funções necessárias. A Aura não, tática de guerrilha, aprendizado com as FARCs, fugia fugia e não fazia o necessário.
Politicamente, Elvy era da elite venezuelana, do tipo que saiu às ruas quando Chávez perdeu o plebiscito do ano passado de reeleições eternas. Aura era contra Uribe, "el embajador de las voluntads de los EEUU que eran muy prejudiciales a mi patria linda".
Agora, o país de Aura invadiu ilegalmente as fronteiras com o Equador, matou pessoas dentro do Equador, e cometeu um ato de guerra. E o Chávez, ao qual a Elvy é contra, mandou suas tropas lá para o meio do mato, onde a Colômbia e a Venezuela se encontram, no meio da Amazônia. Todos entrincheirados na fronteira. Estudantes e ex-estudantes de RI todos com formigas na barriga, de pensar em Clausewitz em uma guerra oficial entre Estados, não só guerras civis, mas sim daquelas guerras que a gente só vê na Europa e aqui nessa latinidade bagunçada, só vimos no Paraguay e mesmo assim já faz tempo.
De qualquer forma, eu particularmente duvido que vire guerra. Acho que, para variar um pouco em se tratando de Chávez, são bravatas e ameaças em alto e bom tom. E só.
Do meu lado só fico triste porque aposto que se Aura e Elvy já não trabalhavam juntas antes... que dirá agora!
Destino: Centro - Parte III
OU: DA BUROCRACIA BURRA DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
De verdade que eu tinha saído feliz do Poupa Tempo e da rapidez com a qual fui atendida. Daí me perdi um pouco pelos meados das ruas pequeninas que cercam a Sé, quase foi atropelada por um motoqueiro louco, e achei o prédio central da Caixa após pedir ajuda prum guardinha antipático e péssimo da Guarda Civil Municipal.
Muito bonito o prédio da CEF lá na Sé. Histórico, abriga lá dentro um centro cultural. Escadarias antigas, janelas antigas, aquele mármore que não acaba mais... uma coisa linda de deixar qualquer mortal em busca do Bolsa Família abismado.
Pois bem. Mas eu estava em busca do meu FGTS. E como foi demorado consegui-lo... Primeiro me indicaram o andar errado, o primeiro andar. Segundo, cheguei no andar certo, o terceiro, e fiquei na fila porque na teoria dos carinhas da porta do andar eu precisaria necessariamente ter o protocolo do meu Cartão Cidadão para prosseguir com o saque. Fiquei na fila, pedi o tal do cartão, chega em 30 dias na sua casa, ok entrei no banco. Não tinha muita fila para os caixas, então logo fui atendida. A moça foi bem gentil e eficiente (uma rara Nilma na CEF), me garantiu de pés juntos que não, eu não preciso do protocolo do Cartão Cidadão para sacar meu FGTS.
MAS tinha um probleminha (porque óbvio que além de perder 40 mins na fila do desnecessário Cartão Cidadão, algo a mais também precisaria dar errado). O nome da minha mãe estava registrado no meu PIS com um "NA" a mais. Lá ela era Mariana Cristina, e não Maria Cristina. "Não posso pagar seu FGTS como essa informação errada". Coloco a máscara "loser do labirinto da burocracia" na cara e desço pro primeiro andar, no balcão de informações, onde poderei corrigir esse dado. Tive também que pedir o cancelamento do meu Cartão Cidadão, porque nele o nome da minha também estava errado, já que tinha tomado como base a informação do registro do PIS.
Desço bufando as escadarias, com um mau-humor que nem cabia dentro de mim de tão intenso. Me fez abrir um sorriso o telefonema do amigo querido vizinho e irmão de fé e sei lá mais o que falando que ele estava me esperando pro almoço.
1o andar, balcão de informações, burocracia pública daquela maior má vontade do mundo inteiro. Mais 27 minutos na fila, cronometrados e justinhos (só tinha duas pessoas na minha frente, essa informação é bastante relevante para enfatizar o pé no saco). Tiro o "NA" a mais do nome da minha mãe e saio em disparada pro almoço, porque já era tarde, eu estava faminta, e almoçar seria um belíssimo dum prêmio merecido àquela altura do campeonato.
Almoço e volto, ânimos refeitos, nome da mãe sem o "NA" a mais, e decisão de que seria sim uma boa refazer o Cartão do Cidadão porque com ele eu só precisaria ir a uma lotérica qualquer para sacar o Seguro-Desemprego.
O cara do Cartão-Cidadão riu da minha cara ao me ver entrar na fia de novo. Na minha frente na fila, uma senhora bem velhinha e com cara de mãe de família chora ao ver o cara rasgar o cartão do Bolsa Família dela. Aparentemente ela tinha demorado um tempão para conseguir um daquele, mas daí o endereço residencial dela mudou e ele achou justo que ela esperasse mais seis meses pelo cartão dela do Bolsa Família.
Pois bem, refiz o Cartão Cidadão, mesmo sabendo que esse protocolo era desnecessário para o saque do FGTS. Entro na fila do caixa, e lá se vão outros 53 minutos... (sim, porque afinal quem está lá naquela fila é porque não tem mais nada para fazer da vida a não ser tirar o dia para brincar de labirinto da burocracia da CEF). Saco o tal do FGTS, pago os 14 reais (assalto!) de doc pra minha conta, e saio de lá correndo.
Correndo, correndo, correndo, como o diabo foge da cruz, torcendo para nunca mais voltar - a não ser que tenha alguma exposição legal lá no Centro Cultural.
De verdade que eu tinha saído feliz do Poupa Tempo e da rapidez com a qual fui atendida. Daí me perdi um pouco pelos meados das ruas pequeninas que cercam a Sé, quase foi atropelada por um motoqueiro louco, e achei o prédio central da Caixa após pedir ajuda prum guardinha antipático e péssimo da Guarda Civil Municipal.
Muito bonito o prédio da CEF lá na Sé. Histórico, abriga lá dentro um centro cultural. Escadarias antigas, janelas antigas, aquele mármore que não acaba mais... uma coisa linda de deixar qualquer mortal em busca do Bolsa Família abismado.
Pois bem. Mas eu estava em busca do meu FGTS. E como foi demorado consegui-lo... Primeiro me indicaram o andar errado, o primeiro andar. Segundo, cheguei no andar certo, o terceiro, e fiquei na fila porque na teoria dos carinhas da porta do andar eu precisaria necessariamente ter o protocolo do meu Cartão Cidadão para prosseguir com o saque. Fiquei na fila, pedi o tal do cartão, chega em 30 dias na sua casa, ok entrei no banco. Não tinha muita fila para os caixas, então logo fui atendida. A moça foi bem gentil e eficiente (uma rara Nilma na CEF), me garantiu de pés juntos que não, eu não preciso do protocolo do Cartão Cidadão para sacar meu FGTS.
MAS tinha um probleminha (porque óbvio que além de perder 40 mins na fila do desnecessário Cartão Cidadão, algo a mais também precisaria dar errado). O nome da minha mãe estava registrado no meu PIS com um "NA" a mais. Lá ela era Mariana Cristina, e não Maria Cristina. "Não posso pagar seu FGTS como essa informação errada". Coloco a máscara "loser do labirinto da burocracia" na cara e desço pro primeiro andar, no balcão de informações, onde poderei corrigir esse dado. Tive também que pedir o cancelamento do meu Cartão Cidadão, porque nele o nome da minha também estava errado, já que tinha tomado como base a informação do registro do PIS.
Desço bufando as escadarias, com um mau-humor que nem cabia dentro de mim de tão intenso. Me fez abrir um sorriso o telefonema do amigo querido vizinho e irmão de fé e sei lá mais o que falando que ele estava me esperando pro almoço.
1o andar, balcão de informações, burocracia pública daquela maior má vontade do mundo inteiro. Mais 27 minutos na fila, cronometrados e justinhos (só tinha duas pessoas na minha frente, essa informação é bastante relevante para enfatizar o pé no saco). Tiro o "NA" a mais do nome da minha mãe e saio em disparada pro almoço, porque já era tarde, eu estava faminta, e almoçar seria um belíssimo dum prêmio merecido àquela altura do campeonato.
Almoço e volto, ânimos refeitos, nome da mãe sem o "NA" a mais, e decisão de que seria sim uma boa refazer o Cartão do Cidadão porque com ele eu só precisaria ir a uma lotérica qualquer para sacar o Seguro-Desemprego.
O cara do Cartão-Cidadão riu da minha cara ao me ver entrar na fia de novo. Na minha frente na fila, uma senhora bem velhinha e com cara de mãe de família chora ao ver o cara rasgar o cartão do Bolsa Família dela. Aparentemente ela tinha demorado um tempão para conseguir um daquele, mas daí o endereço residencial dela mudou e ele achou justo que ela esperasse mais seis meses pelo cartão dela do Bolsa Família.
Pois bem, refiz o Cartão Cidadão, mesmo sabendo que esse protocolo era desnecessário para o saque do FGTS. Entro na fila do caixa, e lá se vão outros 53 minutos... (sim, porque afinal quem está lá naquela fila é porque não tem mais nada para fazer da vida a não ser tirar o dia para brincar de labirinto da burocracia da CEF). Saco o tal do FGTS, pago os 14 reais (assalto!) de doc pra minha conta, e saio de lá correndo.
Correndo, correndo, correndo, como o diabo foge da cruz, torcendo para nunca mais voltar - a não ser que tenha alguma exposição legal lá no Centro Cultural.
Dialética Kafkaniana
OU: DA BARATA DA VIZINHA
(para o leitor fiel: a série "Destino: Centro", voltará em breve, com três novos e inéditos e ainda inexistentes e totalmente emocionantes posts: "Da burocracia burra da Caixa Econômica Federal", "Do almoço" e "Do retorno para casa". Você não perde por esperar!)
E aí eu li Kafka no primeiro ano de PUC. Já tinha lido no 1o colegial, mas o Kafka basicão: "A Metamorfose". No primeiro ano de PUC, um Kafka mais crítico, mais denso, e mais desesperador: "O Castelo". Para aprender política, Rousseau e Hobbes na veia para assustar bichos de primeira viagem. Depois, só voltei a ler Kafka ano passado, "Carta ao Pai", que ficou tanto tempo intalado na minha cabeceira. E agora está intalado na cabeça. E na garganta, aquela intalação desesperadora de um berro anti-oposto-do-Édipo. Pretendo ler mais Kafkas, mas por enquanto, nessa vida kafkaniana, quero antes dar cabo desse berro anti-oposto-do-Édipo. Então deve demorar mais alguns anos de terapia, talvez, para que eu consiga ler outro Kafka.
Antônio, você está aí?
Antônio, você tem me visitado aqui?
Antônio, você me entende?
Mas voltemos. Domingão, aquela insônia básica pré-começo-de-semana, e eu aqui no MSN. Daí eu disse que eu estava elétrica, e ele perguntou se eu estava apaixonada (por quem eu estaria, meudeusdocéu? Por quem??) no que eu respondi que apaixonada, só por mim mesma. (Porque mulher inteligente é assim mesmo: orgulhosa) Daí ele me achou desanimada e eu disse: desânimo? Eu que o diga... e daí ele quis saber que que eu queria dizer com esse eu que o diga. E eu disse que eu só tinha dito eu que o diga porque antes de tudo ele tinha perguntado se eu estava com insônia por que estava apaixonada e eu disse que apaixonada só se for por mim mesma e ele citou desânimo e eu disse: eu que o diga.
E disse a ele que então tínhamos instaurado a dialética kafkaniana. Disse a ele sobre O Castelo, qual é a história do livro, e qual foi o contexto de vida no qual li esse livro. Contexto esse que vocês podem conferir acima. Expliquei a ele (nas entrelinhas, obviamente como toda mulher e ainda por cima boa escorpiana que sou que se preze) qual seria a relação do Kafka com aquela conversa. Ele lembrou do Kafka, da barata e, pelo msn, e assumindo que fazia piada barata (isso eu tiro o chapéu: esse cara tem um bom senso de humor) começou a cantar a música da barata. Daí eu arrematei, perguntando como fomos parar lá, na paixão, no desânimo, na barata, no Kafka, e no castelo. Nisso ele respondeu que era porque nossos pais tinham nos educado de boa forma e nos oferecido boa educação. Eu bati palmas clap clap clap, porque achei uma saída inteligente. Imediatamente foi escolhido outro assunto para abordarmos virtualmente.
De qualquer forma, conclusão nenhuma foi atingida, e ele permanece sem entender que que eu quero dizer por: eu que o diga. Resumindo a ópera e deixando as entrelinhas de lado, a verdade é que tudo que é devagar por excesso e por princípios pode ser potencialmente e deveras desanimador (fato acentuado pelo fato de eu ser escorpiana, absolutamente passional, verdadeiramente intensa). Eu que o diga, porque ele nunca dirá. Mas de qualquer forma jamais poderia estar apaixonada, a não ser que por mim mesma.
A boa notícia é que tive um diálogo deveras interessante e realmente intrigante nesse domingo à noite. O conhecimento dele por literatura não me decepcionou, muito menos o gosto (dele, meu) bastante atípico por piadas de gosto duvidoso.
Detalhe importante: o Antônio com quem eu dialogo nesse blog não é o mesmo ser humano com o qual eu dialogava no msn o diálogo doravante aqui retratado. (Apenas porque essa observação é bastante importante para o entendimento do post... e aliás, para bom entendedor meias palavras bastam, e o Antônio e o ser humano do diálogo teriam entendido)
Esse diálogo bastante interessante também me trouxe um bom tema para um bom post, então na verdade eu tenho mais é que agradecer pela companhia.
E no começo (da semana), (eu) era o pó. Boa noite de insônia de domingo a vocês!
(para o leitor fiel: a série "Destino: Centro", voltará em breve, com três novos e inéditos e ainda inexistentes e totalmente emocionantes posts: "Da burocracia burra da Caixa Econômica Federal", "Do almoço" e "Do retorno para casa". Você não perde por esperar!)
E aí eu li Kafka no primeiro ano de PUC. Já tinha lido no 1o colegial, mas o Kafka basicão: "A Metamorfose". No primeiro ano de PUC, um Kafka mais crítico, mais denso, e mais desesperador: "O Castelo". Para aprender política, Rousseau e Hobbes na veia para assustar bichos de primeira viagem. Depois, só voltei a ler Kafka ano passado, "Carta ao Pai", que ficou tanto tempo intalado na minha cabeceira. E agora está intalado na cabeça. E na garganta, aquela intalação desesperadora de um berro anti-oposto-do-Édipo. Pretendo ler mais Kafkas, mas por enquanto, nessa vida kafkaniana, quero antes dar cabo desse berro anti-oposto-do-Édipo. Então deve demorar mais alguns anos de terapia, talvez, para que eu consiga ler outro Kafka.
Antônio, você está aí?
Antônio, você tem me visitado aqui?
Antônio, você me entende?
Mas voltemos. Domingão, aquela insônia básica pré-começo-de-semana, e eu aqui no MSN. Daí eu disse que eu estava elétrica, e ele perguntou se eu estava apaixonada (por quem eu estaria, meudeusdocéu? Por quem??) no que eu respondi que apaixonada, só por mim mesma. (Porque mulher inteligente é assim mesmo: orgulhosa) Daí ele me achou desanimada e eu disse: desânimo? Eu que o diga... e daí ele quis saber que que eu queria dizer com esse eu que o diga. E eu disse que eu só tinha dito eu que o diga porque antes de tudo ele tinha perguntado se eu estava com insônia por que estava apaixonada e eu disse que apaixonada só se for por mim mesma e ele citou desânimo e eu disse: eu que o diga.
E disse a ele que então tínhamos instaurado a dialética kafkaniana. Disse a ele sobre O Castelo, qual é a história do livro, e qual foi o contexto de vida no qual li esse livro. Contexto esse que vocês podem conferir acima. Expliquei a ele (nas entrelinhas, obviamente como toda mulher e ainda por cima boa escorpiana que sou que se preze) qual seria a relação do Kafka com aquela conversa. Ele lembrou do Kafka, da barata e, pelo msn, e assumindo que fazia piada barata (isso eu tiro o chapéu: esse cara tem um bom senso de humor) começou a cantar a música da barata. Daí eu arrematei, perguntando como fomos parar lá, na paixão, no desânimo, na barata, no Kafka, e no castelo. Nisso ele respondeu que era porque nossos pais tinham nos educado de boa forma e nos oferecido boa educação. Eu bati palmas clap clap clap, porque achei uma saída inteligente. Imediatamente foi escolhido outro assunto para abordarmos virtualmente.
De qualquer forma, conclusão nenhuma foi atingida, e ele permanece sem entender que que eu quero dizer por: eu que o diga. Resumindo a ópera e deixando as entrelinhas de lado, a verdade é que tudo que é devagar por excesso e por princípios pode ser potencialmente e deveras desanimador (fato acentuado pelo fato de eu ser escorpiana, absolutamente passional, verdadeiramente intensa). Eu que o diga, porque ele nunca dirá. Mas de qualquer forma jamais poderia estar apaixonada, a não ser que por mim mesma.
A boa notícia é que tive um diálogo deveras interessante e realmente intrigante nesse domingo à noite. O conhecimento dele por literatura não me decepcionou, muito menos o gosto (dele, meu) bastante atípico por piadas de gosto duvidoso.
Detalhe importante: o Antônio com quem eu dialogo nesse blog não é o mesmo ser humano com o qual eu dialogava no msn o diálogo doravante aqui retratado. (Apenas porque essa observação é bastante importante para o entendimento do post... e aliás, para bom entendedor meias palavras bastam, e o Antônio e o ser humano do diálogo teriam entendido)
Esse diálogo bastante interessante também me trouxe um bom tema para um bom post, então na verdade eu tenho mais é que agradecer pela companhia.
E no começo (da semana), (eu) era o pó. Boa noite de insônia de domingo a vocês!
1.3.08
Destino: Centro - Parte II
OU: DA BUROCRACIA INTELIGENTE DO POUPA-TEMPO
Mesmo caminho do dia anterior, com uma batida de perna um pouco maior, e logo cedo. (Por cedo, considere 10 e meia da manhã, que essa vida de horários flexíveis está me proporcionando algumas boas mamatas)
Minha grande sorte é que não estava muito quente nem muito abafado, e não fazia sol. Estava nublado, mas também não chovia. Simplesmente o tempo ideal para longas batidas de perna pelo centro.
Depois de passar pelo Páteo do Colégio, segui até a bagunça da Sé. Bagunça deliciosa e barulhenta, aquela coisa miscelânea absurdamente. Pastores engravatados pregando ao lado de mendigos bêbados e da Guarda Civil Metropolitana. Tudo isso em uma praça muito grande e muito bonita e verdadeiramente cheia de gente, embora muito suja e depredada também. Andei bastantão por lá, já que o Poupa Tempo está no final da praça.
Muita fila no Poupa-Tempo, mas os caras por lá são bons. Eles sabem fazer a coisa certa. Fui dar entrada no meu de seguro-desemprego. Primeiro uma fila pequena e rápida onde eles verificam se a documentação está ok e pronta. Daí ganhei uma senha e fiquei esperando que meu número apitasse vermelho no painel. Não esperei nem muito nem pouco, apenas o suficiente para ficar lá observando.
Mas no Poupa-Tempo ninguém puxou papo, então foi muito mais uma observação distanciada. Muita gente pedindo Seguro-Desemprego, mas mais gente ainda na fila para se cadastrar para os programas de emprego do governo do Estado. Não sei se esse programa funciona, mas tem muita gente que acredita nele. Eu torço para que dê certo para todo mundo. Aparentemente dá, porque embora tivesse muita gente se cadastrando pro Seguro-Desemprego, as taxas de emprego estão subindo, então acho que algum dia todo mundo que estava lá vai achar uma vaga para chamar de sua.
Depois do meu lado se sentou um mocinho com roupa de descolado. Realmente um outsider que nem eu, mas ele fazia questão de se mostrar outsider. Fiquei torcendo para que o celular dele tocasse e eu pudesse ter uma noção do background do marotinho. Qual não foi minha sorte quando o celular dele tocou... não só uma, como duas vezes! Na primeira vez era o pai ligando, e os dois discutiram pelo celular e em pleno Poupa-Tempo onde as pessoas vão pedir empregos que paguem 200, 600, talvez estourando mil reais, o que eles iam fazer com sete mil. Discutiram as possibilidades de comprar Vale, Petro, ou alguma menor que envolvesse mais riscos e mais ganhos. Queriam com esse dinheiro diversificar os investimentos deles na Bolsa. Sim, eles estavam discutindo sete mil reais para comprar ações. Sim, as pessoas ao nosso lado queriam um trabalho que pagasse 6oo no mês, pessoas bem similares à Dona Vânia ou ao Seu Pedro do dia anterior. Daí ele disse ao pai que depois do Poupa-Tempo teria que ir à FAAP se matricular na DP de História da Economia. Eu particularmente não sei o que eu odeio mais: se são os estereótipos, ou se são as confirmações dos estereótipos. Daí a avó ligou: pediu ao menino que fosse com o motorista dela retirar os vinhos que ela tinha encomendado para o jantar daquela noite. Aiai, e ele lá no Poupa-Tempo. Antes que você, ó caro leitor, me pergunte o que esse menino estava fazendo lá, eu te respondo: ele estava pedindo a Carteira de Trabalho dele, ia começar a trabalhar em uma corretora de ações e precisaria ser registrado.
Daí apitou vermelho meu número no painel. Mesa 21. Era a Nilma minha atendente, mulher bonita, com aquelas rugas que denotam uma bela história de lutas por trás do que eu não via. Não bati papo com ela, ela pedia a documentação e eu dava. Mas fui cordial com ela, e ela cordial, rápida, e eficiente comigo. Me tratou bem, me deu o protocolo carimbado, 30 dias e estará disponível. Disse um muito obrigado bastante sonoro e bem pronunciado, para não deixar dúvidas que eu realmente estava agradecendo a ela. Disse também um tenha um bom dia bastante sonoro e bem pronunciado, porque era realmente isso o que eu desejava a ela, ela que me tratou tão bem. Poxa, ela me respondeu com um sorriso (banguela, mas com batom vermelho). Mais do que meu Seguro-Desemprego em 30 dias, recebi um sorriso da Nilma. Não poderia sair de lá mais feliz do que isso, de um tanto que até fiquei emocionada.
Eu saio feliz todas as vezes que me dirijo ao Poupa-Tempo e que vejo como a burocracia pode ser bem gerenciada e funcionar belamente. É mais ou menos como telefone celular: a gente vivia bem sem ele, mas hoje não sabe mais o que é não ter celular. Poupa-Tempo é exatamente isso: não consigo imaginar o que é tirar uma 2a via do RG, renovar a Carta, ou dar entrada no Seguro-Desemprego em outros estados brasileiros. Mas uma certeza eu tenho: deve ser bem mais difícil, demorado, e sofrido.
De lá, saí com dois desejos secretos:
- que o menino da FAAP tivesse que tirar a CTPS dele no Acre, para suar na pele a burocracia que não funciona.
- que a Nilma realmente, verdadeiramente, tivesse um bom dia.
Mesmo caminho do dia anterior, com uma batida de perna um pouco maior, e logo cedo. (Por cedo, considere 10 e meia da manhã, que essa vida de horários flexíveis está me proporcionando algumas boas mamatas)
Minha grande sorte é que não estava muito quente nem muito abafado, e não fazia sol. Estava nublado, mas também não chovia. Simplesmente o tempo ideal para longas batidas de perna pelo centro.
Depois de passar pelo Páteo do Colégio, segui até a bagunça da Sé. Bagunça deliciosa e barulhenta, aquela coisa miscelânea absurdamente. Pastores engravatados pregando ao lado de mendigos bêbados e da Guarda Civil Metropolitana. Tudo isso em uma praça muito grande e muito bonita e verdadeiramente cheia de gente, embora muito suja e depredada também. Andei bastantão por lá, já que o Poupa Tempo está no final da praça.
Muita fila no Poupa-Tempo, mas os caras por lá são bons. Eles sabem fazer a coisa certa. Fui dar entrada no meu de seguro-desemprego. Primeiro uma fila pequena e rápida onde eles verificam se a documentação está ok e pronta. Daí ganhei uma senha e fiquei esperando que meu número apitasse vermelho no painel. Não esperei nem muito nem pouco, apenas o suficiente para ficar lá observando.
Mas no Poupa-Tempo ninguém puxou papo, então foi muito mais uma observação distanciada. Muita gente pedindo Seguro-Desemprego, mas mais gente ainda na fila para se cadastrar para os programas de emprego do governo do Estado. Não sei se esse programa funciona, mas tem muita gente que acredita nele. Eu torço para que dê certo para todo mundo. Aparentemente dá, porque embora tivesse muita gente se cadastrando pro Seguro-Desemprego, as taxas de emprego estão subindo, então acho que algum dia todo mundo que estava lá vai achar uma vaga para chamar de sua.
Depois do meu lado se sentou um mocinho com roupa de descolado. Realmente um outsider que nem eu, mas ele fazia questão de se mostrar outsider. Fiquei torcendo para que o celular dele tocasse e eu pudesse ter uma noção do background do marotinho. Qual não foi minha sorte quando o celular dele tocou... não só uma, como duas vezes! Na primeira vez era o pai ligando, e os dois discutiram pelo celular e em pleno Poupa-Tempo onde as pessoas vão pedir empregos que paguem 200, 600, talvez estourando mil reais, o que eles iam fazer com sete mil. Discutiram as possibilidades de comprar Vale, Petro, ou alguma menor que envolvesse mais riscos e mais ganhos. Queriam com esse dinheiro diversificar os investimentos deles na Bolsa. Sim, eles estavam discutindo sete mil reais para comprar ações. Sim, as pessoas ao nosso lado queriam um trabalho que pagasse 6oo no mês, pessoas bem similares à Dona Vânia ou ao Seu Pedro do dia anterior. Daí ele disse ao pai que depois do Poupa-Tempo teria que ir à FAAP se matricular na DP de História da Economia. Eu particularmente não sei o que eu odeio mais: se são os estereótipos, ou se são as confirmações dos estereótipos. Daí a avó ligou: pediu ao menino que fosse com o motorista dela retirar os vinhos que ela tinha encomendado para o jantar daquela noite. Aiai, e ele lá no Poupa-Tempo. Antes que você, ó caro leitor, me pergunte o que esse menino estava fazendo lá, eu te respondo: ele estava pedindo a Carteira de Trabalho dele, ia começar a trabalhar em uma corretora de ações e precisaria ser registrado.
Daí apitou vermelho meu número no painel. Mesa 21. Era a Nilma minha atendente, mulher bonita, com aquelas rugas que denotam uma bela história de lutas por trás do que eu não via. Não bati papo com ela, ela pedia a documentação e eu dava. Mas fui cordial com ela, e ela cordial, rápida, e eficiente comigo. Me tratou bem, me deu o protocolo carimbado, 30 dias e estará disponível. Disse um muito obrigado bastante sonoro e bem pronunciado, para não deixar dúvidas que eu realmente estava agradecendo a ela. Disse também um tenha um bom dia bastante sonoro e bem pronunciado, porque era realmente isso o que eu desejava a ela, ela que me tratou tão bem. Poxa, ela me respondeu com um sorriso (banguela, mas com batom vermelho). Mais do que meu Seguro-Desemprego em 30 dias, recebi um sorriso da Nilma. Não poderia sair de lá mais feliz do que isso, de um tanto que até fiquei emocionada.
Eu saio feliz todas as vezes que me dirijo ao Poupa-Tempo e que vejo como a burocracia pode ser bem gerenciada e funcionar belamente. É mais ou menos como telefone celular: a gente vivia bem sem ele, mas hoje não sabe mais o que é não ter celular. Poupa-Tempo é exatamente isso: não consigo imaginar o que é tirar uma 2a via do RG, renovar a Carta, ou dar entrada no Seguro-Desemprego em outros estados brasileiros. Mas uma certeza eu tenho: deve ser bem mais difícil, demorado, e sofrido.
De lá, saí com dois desejos secretos:
- que o menino da FAAP tivesse que tirar a CTPS dele no Acre, para suar na pele a burocracia que não funciona.
- que a Nilma realmente, verdadeiramente, tivesse um bom dia.
29.2.08
Destino: Centro - Parte I
OU: DA IDA AO SINDICATO
Chegou finalmente e já veio tarde depois de dois meses e mais de espera o dia da homologação no sindicato. Dia corrido esse na minha vida, curso de manhã, curso à noite, e à tarde... uma ida ao sindicato.
Não foi tanto o caminho nem o ato. Foram mais as pessoas. Aliás, como sempre na vida, né?
Uma chuva forte desesperadora depois do almoço... não estava com pique que meu caminho do Terminal Bandeira ao Sindicato fosse encharcado. Pois bem que a chuva parou, e eu aposto que foi a força do pensamento. O compromisso lá era às 15hs.
- Terminal Bandeira: meu caminho mais próximo pro centro, mais rápido e fácil e barato do que metrô e descer na Sé;
- Rua do Ouvidor: pai, obrigada por me mostrar que no Terminal você pode sair ou pelo Anhangabaú, ou pelo "lado leste", porque com essa dica eu andei bem menos do que seu eu fosse até a Xavier, atravessasse o viaduto, etc, etc, ...;
- Líbero Badaró;
- Praça do Patriarca, que ficou muito feia com aquela matriz estranha e abstrata e muito muito branca, como se fosse um elefante branco perto do Anhangabaú e da prefeitura;
- Rua da Quitanda: suspiros encantados quando ela cruza com a Alvares de Azevedo, que lá fica o CCBB bonito muito bonito;
- XV de Novembro;
- Praça Padre Manoel da Nóbrega: do outro lado da Boa Vista, o Páteo onde tudo começou. Desse lado de cá, o Sindicato.
Sindicato dos Terceirizados é bem complicado... dá de tudo, mas eu era minoria absoluta lá. Lá onde as pessoas não sabem nem que se pode usar óculos com armação vermelhinha. Lá, onde All Star é sim status. E olha que eu estava me esforçando para parecer uma igual, juro que eu estava.
Fila de espera... milhares da cadeiras, de pessoas, de rugas a mais nas caras tristes de muita gente, de sorrisos banguelas e desajeitados.
O Gil mesmo disse que foi choque de realidade. Foi sim, Gil, mas não, Gil, eu não sou patricinha dos Jardins como você adora falar. Eu sei que você fala de zueira. Foi só uma reforçada.
Não sei que que é... se é o fato de que estou sempre descabelada, ou se são os olhinhos pequeninos que tenho. Sei que as pessoas de repente julgam que eu posso ser simpática, e elas adoram puxar papo comigo. E daí eu sou simpática, puxo papo de volta, e aquela espera para fazer a homologação não foi só choque de realidade, foi noção de tristeza, foi lição de vida.
Dona Vânia, ex-auxiliar de limpeza, mora para lá da Estrada de Itapecirica, perto de um lago muito bonito. Foi demitida porque foi pega comendo restos de bolo de aniversário que alguém tinha deixado em alguma baia na noite anterior. Compareceu ao sindicato com os sete filhos, porque naquele dia eles não tinham com quem ficar. Todos em uma escadinha muito apertada, de 9 anos a 7 meses. O de 9 anos aparentemente já tinha entendido que por algum tempo ele seria o apoio dos pais e estava então incumbido de ser um pouco pai dos irmãos mais novos todos. Ele parecia impressionantemente responsável. O marido da Dona Vânia é faxineiro de um prédio na Vila Santa Catarina, que pelo menos é perto de casa (ele só tem que pegar um fretado, um ônibus e uma van, bem melhor do que ela que costumava pegar van, trem, metrô e ônibus). Eles estão preocupados porque ele ganha R$ 300,00 por mês, os R$ 200,00 que ela ganhava ajudavam muito no orçamento da casa, e agora eles querem saber como sustentarão a família antes de ela voltar a trabalhar.
Daí entrou a Dona Vânia para Homologar.
Nisso, o Seu Pedro, que estava prestando atenção na nossa conversa, me disse que eu sou muito simpática e que tenho boa conversa. Foi a saída que ele encontrou para puxar papo. Seu Pedro trabalhou lá no centro mesmo desde jovenzinho, sempre como zelador, cargo de confiança, sabe? Tive até que dar jeito de evitar visita surpresa da esposa porque sabia que o marido dela estava com a secretária no escritório fazendo essas coisas que a gente sabe... Já entreguei envelopes grandes com muito dinheiro e já me pagaram até almoço de restaurante desses que entrega no escritório mesmo, porque eu precisava ficar lá na portaria dando cobertura. Dando cobertura para quê, Seu Pedro? Ah, você sabe... essas coisas que cargo de confiança tem que fazer. Enfim, a história do Seu Pedro é legal até dois meses atrás. Na onda de terceirização que o Brasil passou com o Plano Real (não sei qual a relação direta entre uma coisa e outra, mas sei que essas duas coisas coexistem cronologicamente) o pessoal do prédio não quis demiti-lo (cargo de confiança, dona moça, sabe como é) e pediu que a empresa terceirizadora o contratasse. Assim foi feito. Até finalzinho do ano passado, quando a empresa se deu conta que daqui há pouquinho tempo Seu Pedro poderia se aposentar. Pois é. Ela não quis se responsabilizar pela aposentadoria do Seu Pedro, e no olho da rua ele está. Seu Pedro tem uma esposa cozinheira, casa de família rica, faz banquetes e festas e jantares; tem um filho taxista, Graças a Deus ele conseguiu pegar o ponto de Congonhas, ficou na fila por muito tempo mas conseguiu, e tem uma Zafira linda que você precisava ver dona moça; e tem uma filha professora, formada em universidade particular e que ele pagou ele mesmo pra filha, e que é o grande orgulho dele ter oferecido essa faculdade para a filha.
Daí eu entrei para homologar e logo em seguida voltei para casa. Seu Pedro não estava mais lá na sala de espera, e Dona Vãnia com suas sete crias já tinha ido embora. Voltei para casa, mas não era mais igual não, dona moça.
Chegou finalmente e já veio tarde depois de dois meses e mais de espera o dia da homologação no sindicato. Dia corrido esse na minha vida, curso de manhã, curso à noite, e à tarde... uma ida ao sindicato.
Não foi tanto o caminho nem o ato. Foram mais as pessoas. Aliás, como sempre na vida, né?
Uma chuva forte desesperadora depois do almoço... não estava com pique que meu caminho do Terminal Bandeira ao Sindicato fosse encharcado. Pois bem que a chuva parou, e eu aposto que foi a força do pensamento. O compromisso lá era às 15hs.
- Terminal Bandeira: meu caminho mais próximo pro centro, mais rápido e fácil e barato do que metrô e descer na Sé;
- Rua do Ouvidor: pai, obrigada por me mostrar que no Terminal você pode sair ou pelo Anhangabaú, ou pelo "lado leste", porque com essa dica eu andei bem menos do que seu eu fosse até a Xavier, atravessasse o viaduto, etc, etc, ...;
- Líbero Badaró;
- Praça do Patriarca, que ficou muito feia com aquela matriz estranha e abstrata e muito muito branca, como se fosse um elefante branco perto do Anhangabaú e da prefeitura;
- Rua da Quitanda: suspiros encantados quando ela cruza com a Alvares de Azevedo, que lá fica o CCBB bonito muito bonito;
- XV de Novembro;
- Praça Padre Manoel da Nóbrega: do outro lado da Boa Vista, o Páteo onde tudo começou. Desse lado de cá, o Sindicato.
Sindicato dos Terceirizados é bem complicado... dá de tudo, mas eu era minoria absoluta lá. Lá onde as pessoas não sabem nem que se pode usar óculos com armação vermelhinha. Lá, onde All Star é sim status. E olha que eu estava me esforçando para parecer uma igual, juro que eu estava.
Fila de espera... milhares da cadeiras, de pessoas, de rugas a mais nas caras tristes de muita gente, de sorrisos banguelas e desajeitados.
O Gil mesmo disse que foi choque de realidade. Foi sim, Gil, mas não, Gil, eu não sou patricinha dos Jardins como você adora falar. Eu sei que você fala de zueira. Foi só uma reforçada.
Não sei que que é... se é o fato de que estou sempre descabelada, ou se são os olhinhos pequeninos que tenho. Sei que as pessoas de repente julgam que eu posso ser simpática, e elas adoram puxar papo comigo. E daí eu sou simpática, puxo papo de volta, e aquela espera para fazer a homologação não foi só choque de realidade, foi noção de tristeza, foi lição de vida.
Dona Vânia, ex-auxiliar de limpeza, mora para lá da Estrada de Itapecirica, perto de um lago muito bonito. Foi demitida porque foi pega comendo restos de bolo de aniversário que alguém tinha deixado em alguma baia na noite anterior. Compareceu ao sindicato com os sete filhos, porque naquele dia eles não tinham com quem ficar. Todos em uma escadinha muito apertada, de 9 anos a 7 meses. O de 9 anos aparentemente já tinha entendido que por algum tempo ele seria o apoio dos pais e estava então incumbido de ser um pouco pai dos irmãos mais novos todos. Ele parecia impressionantemente responsável. O marido da Dona Vânia é faxineiro de um prédio na Vila Santa Catarina, que pelo menos é perto de casa (ele só tem que pegar um fretado, um ônibus e uma van, bem melhor do que ela que costumava pegar van, trem, metrô e ônibus). Eles estão preocupados porque ele ganha R$ 300,00 por mês, os R$ 200,00 que ela ganhava ajudavam muito no orçamento da casa, e agora eles querem saber como sustentarão a família antes de ela voltar a trabalhar.
Daí entrou a Dona Vânia para Homologar.
Nisso, o Seu Pedro, que estava prestando atenção na nossa conversa, me disse que eu sou muito simpática e que tenho boa conversa. Foi a saída que ele encontrou para puxar papo. Seu Pedro trabalhou lá no centro mesmo desde jovenzinho, sempre como zelador, cargo de confiança, sabe? Tive até que dar jeito de evitar visita surpresa da esposa porque sabia que o marido dela estava com a secretária no escritório fazendo essas coisas que a gente sabe... Já entreguei envelopes grandes com muito dinheiro e já me pagaram até almoço de restaurante desses que entrega no escritório mesmo, porque eu precisava ficar lá na portaria dando cobertura. Dando cobertura para quê, Seu Pedro? Ah, você sabe... essas coisas que cargo de confiança tem que fazer. Enfim, a história do Seu Pedro é legal até dois meses atrás. Na onda de terceirização que o Brasil passou com o Plano Real (não sei qual a relação direta entre uma coisa e outra, mas sei que essas duas coisas coexistem cronologicamente) o pessoal do prédio não quis demiti-lo (cargo de confiança, dona moça, sabe como é) e pediu que a empresa terceirizadora o contratasse. Assim foi feito. Até finalzinho do ano passado, quando a empresa se deu conta que daqui há pouquinho tempo Seu Pedro poderia se aposentar. Pois é. Ela não quis se responsabilizar pela aposentadoria do Seu Pedro, e no olho da rua ele está. Seu Pedro tem uma esposa cozinheira, casa de família rica, faz banquetes e festas e jantares; tem um filho taxista, Graças a Deus ele conseguiu pegar o ponto de Congonhas, ficou na fila por muito tempo mas conseguiu, e tem uma Zafira linda que você precisava ver dona moça; e tem uma filha professora, formada em universidade particular e que ele pagou ele mesmo pra filha, e que é o grande orgulho dele ter oferecido essa faculdade para a filha.
Daí eu entrei para homologar e logo em seguida voltei para casa. Seu Pedro não estava mais lá na sala de espera, e Dona Vãnia com suas sete crias já tinha ido embora. Voltei para casa, mas não era mais igual não, dona moça.
Diálogo de Irmãos
Cena: levando meu irmão de volta para a casa dele.
Quase uma da manhã de uma quinta pruma sexta.
Eu: Fulano (nome do ex-namorado) me ligou na 3a.
Rádio: Amo tua voz e tua cor
Ele: Ah, é? Como foi?
Rádio: E teu jeito de fazer amor
Eu: Foi ótimo. Eu estava morrendo de saudades. Fazia tempo que a gente não se falava.
Rádio: Revirando os olhos e o tapete
Ele: Ah, é?
Rádio: Suspirando em falsete
Eu: É... talvez nem tanto, vai. 15 dias, desde o aniversário dele.
Rádio: Coisas que eu nem sei contar...
Ele: ...
Rádio: Ser feliz é tudo que se quer
Eu: Foi gostoso, os dois estavam com saudades, ficamos batendo papo, colocando as notícias em dia. Foi leve, sabe? Amigos...
Rádio: Ah! Esse maldito fecheclair
Ele: ...
Rádio: De repente a gente rasga a roupa
Eu: Estou preocupada com ele. Ele tem dormido no máximo 3 horas por noite. Acho que isso pode atrapalhar ele na prova.
Rádio: E uma febre muito louca faz o corpo arrepiar...
Ele: É verdade, também acho... Aliás, quando é a prova?
Rádio: Depois do terceiro ou quarto copo
Eu: Domingo, dia 09. Está aí.
Rádio: Tudo que vier eu topo
Ele: É...
Rádio: Tudo que vier, vem bem
Eu: Estou pensando em ir visitá-lo em Brasília assim que sair meu primeiro projeto. Estou com muitas saudades.
Rádio: Quando bebo perco o juízo
Ele: Nana, tem certeza de que você quer fazer isso?
Rádio: Não me responsabilizo
Eu: ...
Rádio: Nem por mim nem por ninguém...
Ele: Você não precisa se machucar de novo...
Rádio: Não quero ficar na tua vida
Eu: ...
Rádio: Como uma paixão mal resolvida
Ele: Até acho que pode voltar a acontecer alguma coisa entre vocês, e se dessa vez te fizer bem, sou totalmente a favor.
Rádio: Dessas que a gente tem ciúme e se encharca de perfume
Eu: ...
Rádio: Faz que tenta se matar...
Ele: Mas ainda acho que você não assimilou exatamente tudo que aconteceu entre vocês e o que te levou a terminar esse namoro.
Rádio: Vou ficar até o fim do dia decorando tua geografia
Eu: ...
Rádio: E essa aventura em carne e osso
Ele: Você precisa se descobrir, Nana.
Rádio: Deixa marcas no pescoço, faz a gente levitar...
Eu: ...
Rádio: Tens um não sei que de paraíso
Ele: Boa noite, obrigada pela carona.
Rádio: E o corpo mais preciso que o mais lindo dos mortais
Eu: Agora a gente só se vê domingo, né?
Rádio: Tens uma beleza infinita e a boca mais bonita que a minha já tocou...
Ele: Não sei... a gente se fala até lá.
Ter irmão mais novo, mais lúcido, e muito amigo, resulta em um diálogo assim com uma certa frequência.
Por isso que eu amo meu irmão, embora às vezes odeie as perguntas que depois das nossas conversas ficam martelando na minha cabeça. A vida seria mais fácil sem essas perguntas, se bem que não sei se necessariamente seria melhor.
Faltam quantos minutos mesmo pra sessão de terapia de 4a que vem?
Música incidental, tocando na Nova Brasil FM 89,7: Paixão, Kleiton e Kledir.
Quase uma da manhã de uma quinta pruma sexta.
Eu: Fulano (nome do ex-namorado) me ligou na 3a.
Rádio: Amo tua voz e tua cor
Ele: Ah, é? Como foi?
Rádio: E teu jeito de fazer amor
Eu: Foi ótimo. Eu estava morrendo de saudades. Fazia tempo que a gente não se falava.
Rádio: Revirando os olhos e o tapete
Ele: Ah, é?
Rádio: Suspirando em falsete
Eu: É... talvez nem tanto, vai. 15 dias, desde o aniversário dele.
Rádio: Coisas que eu nem sei contar...
Ele: ...
Rádio: Ser feliz é tudo que se quer
Eu: Foi gostoso, os dois estavam com saudades, ficamos batendo papo, colocando as notícias em dia. Foi leve, sabe? Amigos...
Rádio: Ah! Esse maldito fecheclair
Ele: ...
Rádio: De repente a gente rasga a roupa
Eu: Estou preocupada com ele. Ele tem dormido no máximo 3 horas por noite. Acho que isso pode atrapalhar ele na prova.
Rádio: E uma febre muito louca faz o corpo arrepiar...
Ele: É verdade, também acho... Aliás, quando é a prova?
Rádio: Depois do terceiro ou quarto copo
Eu: Domingo, dia 09. Está aí.
Rádio: Tudo que vier eu topo
Ele: É...
Rádio: Tudo que vier, vem bem
Eu: Estou pensando em ir visitá-lo em Brasília assim que sair meu primeiro projeto. Estou com muitas saudades.
Rádio: Quando bebo perco o juízo
Ele: Nana, tem certeza de que você quer fazer isso?
Rádio: Não me responsabilizo
Eu: ...
Rádio: Nem por mim nem por ninguém...
Ele: Você não precisa se machucar de novo...
Rádio: Não quero ficar na tua vida
Eu: ...
Rádio: Como uma paixão mal resolvida
Ele: Até acho que pode voltar a acontecer alguma coisa entre vocês, e se dessa vez te fizer bem, sou totalmente a favor.
Rádio: Dessas que a gente tem ciúme e se encharca de perfume
Eu: ...
Rádio: Faz que tenta se matar...
Ele: Mas ainda acho que você não assimilou exatamente tudo que aconteceu entre vocês e o que te levou a terminar esse namoro.
Rádio: Vou ficar até o fim do dia decorando tua geografia
Eu: ...
Rádio: E essa aventura em carne e osso
Ele: Você precisa se descobrir, Nana.
Rádio: Deixa marcas no pescoço, faz a gente levitar...
Eu: ...
Rádio: Tens um não sei que de paraíso
Ele: Boa noite, obrigada pela carona.
Rádio: E o corpo mais preciso que o mais lindo dos mortais
Eu: Agora a gente só se vê domingo, né?
Rádio: Tens uma beleza infinita e a boca mais bonita que a minha já tocou...
Ele: Não sei... a gente se fala até lá.
Ter irmão mais novo, mais lúcido, e muito amigo, resulta em um diálogo assim com uma certa frequência.
Por isso que eu amo meu irmão, embora às vezes odeie as perguntas que depois das nossas conversas ficam martelando na minha cabeça. A vida seria mais fácil sem essas perguntas, se bem que não sei se necessariamente seria melhor.
Faltam quantos minutos mesmo pra sessão de terapia de 4a que vem?
Música incidental, tocando na Nova Brasil FM 89,7: Paixão, Kleiton e Kledir.
25.2.08
A Seta e o Alvo
E por falar em mosca (post abaixo), resolvi ouvir Moska - o cantor. Uma de suas músicas mais lindas, A Seta e o Alvo.
Ah, que foi trilha da deliciosa esparrela master de 2005, fruto de todas as ilusões que eu poderia ter construído no mundo.
Eu ando em um labirinto, e você em uma estrada em linha reta.
Sua meta é a seta no alvo, mas o alvo na certa não te espera.
À época, parecia que era ele cantando para mim.
Eu, a pessoa sem graça. Ele, a pessoa complexa.
Hoje parece que a seta mudou, ninguém mais sabe de fim da estrada, eu não procuro mais o fim da estrada, eu não acredito mais em estabilidade. Não sei se tenho alvo ou se sou uma seta à procura de um alvo.
No meio de toda essa metamorfose, a deliciosa esparrela se converteu... aconteceu tudo junto.
A esparrela se convertendo e eu me mudando.
E ela se converteu para uma amizade, das mais lindas, das mais intensas, das mais verdadeiras.
Não vou mais me alongar. É só isso.
Ah, que foi trilha da deliciosa esparrela master de 2005, fruto de todas as ilusões que eu poderia ter construído no mundo.
Eu ando em um labirinto, e você em uma estrada em linha reta.
Sua meta é a seta no alvo, mas o alvo na certa não te espera.
À época, parecia que era ele cantando para mim.
Eu, a pessoa sem graça. Ele, a pessoa complexa.
Hoje parece que a seta mudou, ninguém mais sabe de fim da estrada, eu não procuro mais o fim da estrada, eu não acredito mais em estabilidade. Não sei se tenho alvo ou se sou uma seta à procura de um alvo.
No meio de toda essa metamorfose, a deliciosa esparrela se converteu... aconteceu tudo junto.
A esparrela se convertendo e eu me mudando.
E ela se converteu para uma amizade, das mais lindas, das mais intensas, das mais verdadeiras.
Não vou mais me alongar. É só isso.
22.2.08
A Mosca e a Mariposa
Entrou a mosca.
Bem-vinda, ilustre visitante!
Não sou daquelas que faz xilique porque entrou um objeto alado não muito bem identificado, e começa a gritar e fugir e fazer pequenos escandalosinhos.
Mas essa mosca era grande, peluda, muito preta, e deveras barulhenta.
Tenho um quê meio bióloga. Gosto de ficar vendo a mosca baster no vidro e fazer aquele "barulho crocante" de quem não entende o vidro e quer passar pro outro lado. E dá-lhe "barulho crocante".
E eu aqui trabalhando, e a mosca no vidro, zuuuuuuuummmmmmmmmmm, créc, créc, zuuummmmmmmm, créc, créc, créc, zuummmmmmmmmmm zuuummmmmmmmmmm, créc.
O que eu fiz?
Abri a janela, para a mosca ter mais espaço de encontrar a liberdade. Mas aconteceu um imprevisto, e o que era para ajudar a mosca, só atrapalhou. As duas "folhas de janela" se sobrepuseram uma à outra quando eu abri totalmente a janela. E a mosca ficou encalacrada entre um vidro e outro, fazendo um micro-créc de um lado, micro-créc de outro, micro-créc de um lado, micro-créc de outro.
Nisso, afastei a cortina e qual não foi minha surpresa: uma mariposa habitava meu quarto, atrás da cortina! Não faço a mínima idéia de há quanto tempo a mariposa existia por esses cantos.
Mas lá estavam, a mosca e a mariposa, encalacradas entre as duas "folhas de janela".
A mosca, inquieta e barulhenta, se debatendo entre os vidros. A mariposa, passiva e pacífica, contemplando o mundo.
Foi bonito de ver. Mesmo. Quase um laboratório no meu próprio quarto. Só faltou o bico de bunsen.
Daí fechei a janela, para que as "folhas de janela" permitissem que a mosca e a mariposa ficassem livres, e elas voaram para fora, bonitas.
Bem-vinda, ilustre visitante!
Não sou daquelas que faz xilique porque entrou um objeto alado não muito bem identificado, e começa a gritar e fugir e fazer pequenos escandalosinhos.
Mas essa mosca era grande, peluda, muito preta, e deveras barulhenta.
Tenho um quê meio bióloga. Gosto de ficar vendo a mosca baster no vidro e fazer aquele "barulho crocante" de quem não entende o vidro e quer passar pro outro lado. E dá-lhe "barulho crocante".
E eu aqui trabalhando, e a mosca no vidro, zuuuuuuuummmmmmmmmmm, créc, créc, zuuummmmmmmm, créc, créc, créc, zuummmmmmmmmmm zuuummmmmmmmmmm, créc.
O que eu fiz?
Abri a janela, para a mosca ter mais espaço de encontrar a liberdade. Mas aconteceu um imprevisto, e o que era para ajudar a mosca, só atrapalhou. As duas "folhas de janela" se sobrepuseram uma à outra quando eu abri totalmente a janela. E a mosca ficou encalacrada entre um vidro e outro, fazendo um micro-créc de um lado, micro-créc de outro, micro-créc de um lado, micro-créc de outro.
Nisso, afastei a cortina e qual não foi minha surpresa: uma mariposa habitava meu quarto, atrás da cortina! Não faço a mínima idéia de há quanto tempo a mariposa existia por esses cantos.
Mas lá estavam, a mosca e a mariposa, encalacradas entre as duas "folhas de janela".
A mosca, inquieta e barulhenta, se debatendo entre os vidros. A mariposa, passiva e pacífica, contemplando o mundo.
Foi bonito de ver. Mesmo. Quase um laboratório no meu próprio quarto. Só faltou o bico de bunsen.
Daí fechei a janela, para que as "folhas de janela" permitissem que a mosca e a mariposa ficassem livres, e elas voaram para fora, bonitas.
Eclipse
Cientificamente, um eclipse lunar acontece quando a Terra fica em uma linha reta entre o Sol e a Lua. Ou seja, é formada uma sombra sobre a Lua.
Quarta feira teve eclipse lunar.
Na 3a, o amigo disse que uma pena que amanhã a noite estará nublada e não veremos o eclipse. Ué, mas como você sabe que a noite estará nublada. Ah, Mari, a gente mora em São Paulo...
Na 4a, me deixei levar pelo fato de morar em São Paulo, onde ultimamente as noites têm sido nubladas. Cheguei até a me esquecer do eclipse! Pois bem, trabalhando daqui e minha mãe vendo o Jornal da Globo de lá, ela gritou preu ir ver o eclipse da lua pela TV.
Pensei que era muto injusto ver só pela TV... que se a repórter estava aqui em SP, então eu também conseguiria ver a mesma lua que ela - nada de noite nublada!
Desci, desesperada, consciente de que moro em um bairro selva de concreto acentuada dentro de uma enorme selva de concreto. Fui até a esquina. Achei a lua e fiquei lá, olhando, como estava bonito o eclipse na lua cheia! Como era poético ver a rua molhada, poucos carros passando, muito silêncio, uma lua em eclipse, algumas estrelas no céu, dentre tantos prédios.
Fiquei lá, hipnotizada. Encantada. Inebriada. Paralisada.
Resolvi voltar para o apê. Contei a todos, empolgada, sobre a beleza do eclipse da noite de hoje.
Daí a mãe disse: mas se você viu da esquina, será que não dá para ver da janela do seu quarto?
Corri aqui de volta. Dito e feito!! Um quarto com uma vista privilegiada para o eclipse. O único cômodo da casa com essa vista.
Coloquei "La Edad del Cielo" (Jorge Drexler) para tocar, arrastei o puff até debaixo da janela, fiz um malabarismo estranho com as pernas para caber todo mundo lá (eu, os meus olhos com vista pro eclipse, as pernas em algum lugar, e o puff debaixo da janela) e fiquei admirando.
Tudo escuro aqui dentro, vizinhos todos com luzes apagadas, só eu em uma posição esdrúxula, e a lua em seu eclipse.
Nossa, que lindo que foi!
Que especial que foi essa quarta à noite...
Quarta feira teve eclipse lunar.
Na 3a, o amigo disse que uma pena que amanhã a noite estará nublada e não veremos o eclipse. Ué, mas como você sabe que a noite estará nublada. Ah, Mari, a gente mora em São Paulo...
Na 4a, me deixei levar pelo fato de morar em São Paulo, onde ultimamente as noites têm sido nubladas. Cheguei até a me esquecer do eclipse! Pois bem, trabalhando daqui e minha mãe vendo o Jornal da Globo de lá, ela gritou preu ir ver o eclipse da lua pela TV.
Pensei que era muto injusto ver só pela TV... que se a repórter estava aqui em SP, então eu também conseguiria ver a mesma lua que ela - nada de noite nublada!
Desci, desesperada, consciente de que moro em um bairro selva de concreto acentuada dentro de uma enorme selva de concreto. Fui até a esquina. Achei a lua e fiquei lá, olhando, como estava bonito o eclipse na lua cheia! Como era poético ver a rua molhada, poucos carros passando, muito silêncio, uma lua em eclipse, algumas estrelas no céu, dentre tantos prédios.
Fiquei lá, hipnotizada. Encantada. Inebriada. Paralisada.
Resolvi voltar para o apê. Contei a todos, empolgada, sobre a beleza do eclipse da noite de hoje.
Daí a mãe disse: mas se você viu da esquina, será que não dá para ver da janela do seu quarto?
Corri aqui de volta. Dito e feito!! Um quarto com uma vista privilegiada para o eclipse. O único cômodo da casa com essa vista.
Coloquei "La Edad del Cielo" (Jorge Drexler) para tocar, arrastei o puff até debaixo da janela, fiz um malabarismo estranho com as pernas para caber todo mundo lá (eu, os meus olhos com vista pro eclipse, as pernas em algum lugar, e o puff debaixo da janela) e fiquei admirando.
Tudo escuro aqui dentro, vizinhos todos com luzes apagadas, só eu em uma posição esdrúxula, e a lua em seu eclipse.
Nossa, que lindo que foi!
Que especial que foi essa quarta à noite...
18.2.08
Carla Bruni, agora primeira-dama
Pois é, quem diria...
Ela era a cantorinha francesa que todo mundo na Argentina conhecia e que ninguém no Brasil conhecia.
(julho/2006)
Daí ela virou a cantora da musica preferida de blog alheio, música essa que tinha o nome do ex namorado.
(junho/2007)
De repente ela virou a cantora daquele cd roubado da coleção de cds do ex namorado.
(junho/2007)
CD esse que nunca foi devolvido.
(setembro, outubro, novembro, dezembro/2007)
De repente ela estava namorando o bonitão do presidente francês.
(dezembro/2007)
E posou nua na revista espanhola.
(dezembro/2007)
E fez escândalos com o anel da ex esposa de seu atual namorado (noivo? marido?).
(janeiro/2008)
O mundo inteiro soube então que ela é italiana, modelo, e com um belo currículo de homens deixado para trás...
Em prol do bonitão do presidente francês.
(janeiro/2008)
E eles se casaram agora.
(fevereiro/2008)
Não sei tem felizes para sempre. Não no caso deles, ao menos.
E, quanto à Caras... sim, eu leio, uma vezes por semana todas as semanas, cada vez que eu vou na manicure. Porque afinal, unhas vermelhas demandam assim como cantora francesa.
Ela era a cantorinha francesa que todo mundo na Argentina conhecia e que ninguém no Brasil conhecia.
(julho/2006)
Daí ela virou a cantora da musica preferida de blog alheio, música essa que tinha o nome do ex namorado.
(junho/2007)
De repente ela virou a cantora daquele cd roubado da coleção de cds do ex namorado.
(junho/2007)
CD esse que nunca foi devolvido.
(setembro, outubro, novembro, dezembro/2007)
De repente ela estava namorando o bonitão do presidente francês.
(dezembro/2007)
E posou nua na revista espanhola.
(dezembro/2007)
E fez escândalos com o anel da ex esposa de seu atual namorado (noivo? marido?).
(janeiro/2008)
O mundo inteiro soube então que ela é italiana, modelo, e com um belo currículo de homens deixado para trás...
Em prol do bonitão do presidente francês.
(janeiro/2008)
E eles se casaram agora.
(fevereiro/2008)
Não sei tem felizes para sempre. Não no caso deles, ao menos.
E, quanto à Caras... sim, eu leio, uma vezes por semana todas as semanas, cada vez que eu vou na manicure. Porque afinal, unhas vermelhas demandam assim como cantora francesa.
Voltando...
Pois é.
Dois meses e 16 dias. Aproximadamente...
Ou, exatamente um mês e meio.
Tanta coisa que dá até preguiça de falar.
Tanta coisa que bate esclerose multipla temporária.
Não venho aqui há tanto tempo porque todo o resto estava demandante em excesso. Agora as coisas começaram a dar certo de novo. Eba, eba!
Pontos altos do período de ausência:
- bati meu carro em um caminhão de lixo.
- aprendi a baixar música.
- conheci o paraíso de nome Japaratinga.
- vi "É culpa do Fidel" e vi "Juno", por enquanto os melhores da temporada de verão.
Fertilidades, fertilidades...
Dois meses e 16 dias. Aproximadamente...
Ou, exatamente um mês e meio.
Tanta coisa que dá até preguiça de falar.
Tanta coisa que bate esclerose multipla temporária.
Não venho aqui há tanto tempo porque todo o resto estava demandante em excesso. Agora as coisas começaram a dar certo de novo. Eba, eba!
Pontos altos do período de ausência:
- bati meu carro em um caminhão de lixo.
- aprendi a baixar música.
- conheci o paraíso de nome Japaratinga.
- vi "É culpa do Fidel" e vi "Juno", por enquanto os melhores da temporada de verão.
Fertilidades, fertilidades...
2.12.07
Sim, sim, sim!
Sim à vida, ao final de semana, à Darjeeling e ao delicioso jantar em companhia perfeita.
Sim à conhecer de madrugada o apê novo do queridão do peito.
Sim ao sábado cansativérrimo, à reunião na Gotas, à firma de Oxalá, ao cochilo na vovó.
Sim à beleza da noite de sábado, à lua linda que estava no céu, ao show absolutamente inesquecível, ao trânsito da Augusta e à balada na Vila.
Sim ao domingo de sol e de sono, de suco e de casa da vó.
Um sim gigantesco a essa coisa linda que é viver intensamente os finais de semana!
Sim à conhecer de madrugada o apê novo do queridão do peito.
Sim ao sábado cansativérrimo, à reunião na Gotas, à firma de Oxalá, ao cochilo na vovó.
Sim à beleza da noite de sábado, à lua linda que estava no céu, ao show absolutamente inesquecível, ao trânsito da Augusta e à balada na Vila.
Sim ao domingo de sol e de sono, de suco e de casa da vó.
Um sim gigantesco a essa coisa linda que é viver intensamente os finais de semana!
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