24.4.08

A over reaction do desespero das pequenas coisas

- Não, eu não pago R$ 10,00 na primeira hora de um estacionamento no Itaim pro almoço. Por princípios. Estraguei uma surpresa que seria bacana porque bati o pé. Almoçamos no Kinoplex ao invés de um restaurante legal "de vanguarda" que ele tinha escolhido. Só porque eu bati o pé. Resultado? No Kinoplex o estacionamento foi R$ 9,00 por duas horas de estacionamento. E ele não estacionava o carro em shopping por princípios também. Merda.

- Não tem jeito. Por mais que eu tente não fumar durante a semana, os cigarrinhos pré e pós terapia são sagrados. Assim como todos os outros no Morumbi, em jogo tenso. Resultado? Um maço, entre o final da tarde e uma da manhã. (ps.: sim, terça feira eu fiquei o dia inteirinho sem fumar, e nem falta eu senti)

- Defina "boa companhia". Defina "relações escapistas". Defina "se proteger". Depois vem me contar.

- Laços de sangue a gente não escolhe, né?

- Alguns laços de sangue a gente escolhe, sim.

- Meu time está jogando um futebol de merreca. Ontem o jogo, mesmo no Estádio, deu sono. Dizem que vai se recuperar, já que agora pode ficar um tempo só focado na Libertadores. Estou bem cética. Sempre acompanhei Libertadores bem de perto e nesse ano, nem a torcida tá empolgando.

- Adoro abastecer meu carro e, com o frentista, abrir o capô. Ver óleo, ver a água, calibrar o pneu.

- Acho que vou pegar mais responsabilidades do meu carro para mim, já que gosto disso e quero aprender mais sobre isso.

- Mas por enquanto ainda serei feliz que meu pai declare meu IR nos próximos anos. Essa responsabilidade, ainda deixo com ele.

- Ontem foi Dia de São Jorge. No Parque São Jorge, os Corinthianos quebraram a estátua do Santo. Será que eles nunca ouviram: "cuidado com o andor que o santo é de barro"?? Aqui em casa somos todos devotos do Santo Guerreiro. Fiz minhas boas mentalizações antes de dormir. Ogum.

- Será que o padre estava mesmo planejando suicídio?

- AAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaa que tem muita coisa nessa Virada Cultural!! Muita muita muita coisa... que saco ter que ficar escolhendo assim, tanto... Nessas horas me descubro uma pessoa que não sabe bem priorizar...

22.4.08

Da Fé no Amor, do Medo do Amor

Alguns diálogos esse feriado, todas as matutações do mundo sobre o tema, óbvio que nenhuma conclusão.

No bar.
Da amiga namoradeira para a amiga que sempre ficou solteira. Só que agora a amiga namoradeira não namora há muito tempo, e a amiga solteirona está (quase) no seu segundo namoro.
"Outro dia fiz uma relação que eu nunca tinha feito. Percebi que desde que meus pais se divorciaram, eu nunca mais consegui namorar. Acho que deixei de acreditar no amor, quando nosso exemplo de amor mais próximo se esfarela".

No cinema.
Sobre a torta de BlueBerry que sempre sobrava intacta ao final do dia.
"Nunca comeram a torta de BlueBerry. Mas eu continuarei fazendo ela todos os dias, todas as vezes, porque algum dia sempre chegará alguém que vai querer comê-la. Alguém que vai de verdade escolhê-la."
E no fim desse mesmo filme, a voz em off falava:
"Porque às vezes tudo o que a gente tem que fazer é atravessar a rua sem olhar para trás".

No quarto.
Na música do Wilco, que tem cara de música de final de filme melancólico e escuro.
"True love will find you in the end
You gonna find out just who's your friend
Don't be sad, I know you will
But don't give up until
True love will find you in the end
This is a promise with a catch
Only if you're looking can it find you
True love it's searching too
How can it recognize you
Unless you step out into the light, the light
Don't be sad, I know you will
But don't give up until
True love will find you in the end"


Engraçado esse único sentimento e tantas reações diferentes e opostas embutidas nele. Engraçado principalmente porque, quando paro, racionalizo, penso nas minhas próprias reações, eu teria mais medo do que fé. E eu não acharia que compensa. Mesmo.

Na Estrada

Não viajei no feriado, só passei o domingo fora de São Paulo. E é engraçado isso, foi só um dia, mas parece que foi todo o descanso que eu precisava e merecia... Pegar a estrada faz toda a diferença na minha vida. É uma das coisas que eu mais gosto...
Gosto disso, de estar no carro, da sensação de estar indo para algum lugar, de mudar de paisagem, de ver a estrada compriiiida na nossa frente. Gosto do vento, do cheiro de mato. Gosto do céu azul, e de ver o céu lá longe, ver que em algum lugar está chovendo. Gosto de placas com nomes de cidades estranhos, e gosto de placas com kilometragens: 32 km para Santo Antônio do Pinhal. Tenho uma paixão especial pela Serra da Mantiqueira e pela vista que se tem do Vale do Paraíba para a Serra e vice-versa. Até hoje me lembro daquele julho de 95 quando subíamos para passar uma semana com a Carol K. no nosso carro e eu perguntei pra ela: "não está nítido?", e ela não sabia o que era nítido e ficou rindo do meu vocabulário, tão rebuscado para uma pessoa de 12 anos.
Adorei quando ficamos 2 dias na ida e 2 dias na volta só na estrada, para passar o carnaval em Itacaré. Não fico cansada na estrada, adoro, ouvir música, filosofias de asfalto, moda de viola, cochilos gostosos. Foi na volta da Bahia que soltei uma das minhas maiores pérolas: "acho que já fui uma vaca", quando fiquei feliz de sentir o cheiro de capim já na região de Governador Valadares.
Pegar uma boa estrada é a melhor coisa para desanuviar das idéias.
Chega logo, Corpus Christi, que eu quero ir para Foz!

17.4.08

Reflexões na ponta da cabeça

Hoje eu fiquei de ponta cabeça na aula de yoga. Quando a gente fica de ponta cabeça, já me falaram isso lá na yoga milhares de vezes, a realidade é vista de outro jeito. Literalmente, de ponta cabeça.
A gente tem que fazer mais força para respirar e para impedir que o sangue vá tão rápido assim para a cabeça. Tem que manter tudo funcionante, mesmo que de outra perspectiva. E na yoga a respiração é a forma de corpo se ligar com a mente, então respiração com esforço de ponta cabeça, é na verdade tudo de ponta cabeça.
E é engraçado, que às vezes mesmo quando eu estou de pé e está todo mundo ao meu redor de pé também, eu sinto que estou de ponta cabeça.
Isso significa que quando eu estou de ponta cabeça e todo mundo continua de pé, então eu estou de ponta cabeça ao quadrado?
Ou será que é quando estou de ponta cabeça e os outros estão de pé que eu estou tão de pé quanto eles, na mesma perspectiva?
Fiquei pensando muito nisso... daria para passar uma noite inteira de buteco discutindo qual perspectiva que eu tenho que é igual a daqueles todos outros.

Outra coisa que pensei: hoje, depois do almoço, com o cafézinho, acendi meu "cigarrinho na janela" sagrado. Mas foi assim que parei de fumar a primeira vez e devo parar de fumar a segunda vez: se a respiração é nossa forma de conectar corpo e mente, não faz o menor sentido entupir esse canal de nicotina. Ou seja, yoga e cigarro não convivem. Por que eu insisto nisso há seis meses, mesmo fumando pouco e mesmo parando de fumar por um bom tempo?

E última coisa que pensei hoje quando fiquei de ponta cabeça na yoga: cada vez mais essa posição tem se tornado mais confortável e menos angustiante para mim. É absolutamente relaxante. Será que ponta cabeça é minha posição natural e só aos 25 anos eu descubro isso? Vou precisar fortalecer muito abdomen e costas para poder viver minha vida de ponta cabeça, isso me preocupa.

E frase final da fábula da yoga hoje:
somos marcianos em uma terra de medíocres.

16.4.08

Muito bom estar lá

Engraçado isso, porque eu não convivo muito com ela, mas se me perguntarem eu obviamente a incluiria no meu grupo de amigos Top Top Queridos e Especiais e Estrelares. E aí ela entregou o mestrado dela dia desses, e ontem defendeu. Eu não pude ir na defesa, mas pude ir ao jantar. É engraçado isso, eu já tinha falado com uma amiga minha, a melhor forma de se conhecer pessoas novas é ir para um lugar onde a gente só conhece UMA pessoa. No caso, eu conhecia só a recém mestre. Mas até que me dei bem, consegui superar a timidez e conversar bem com as pessoas. O grande lance é que a conversa lá era "um nível acima". Gente muito boa, muito gente fina, risadas inteligentes e olhares mais ainda, conversas bacanas, poesia, sexo, Febem e adolescentes criminosos e tudo o mais. Deu preu me sentir à vontade com eles em meia hora de convivência. E aí é muito aquela coisa da boa energia circulando também, não basta só a conversa ser boa, tem que rolar boa troca de energias. E ontem lá isso tinha de sobra. Privilegiada minha amiga Mestre, que além de Mestre, linda e inteligente, é também cercada de pessoas tão especiais. E além de privilegiada e de mestre, ela é um dos "parabéns" mais enfáticos e verdadeiros que eu já pude dar para alguém. Oh yeah, baby, paguei um pau.

Quando as estrelas começarem a cair, it makes me kinda nervous to say so

Estava ouvindo Angra dos Reis, da Legião, ôpa coisa linda de se ouvir. Lembrar de quando eu tinha quinze anos e era legal, nas viagens da escola, sentar em uma rodinha de violão e ficar cantando a noite inteira debaixo de um céu estrelado.

Mas prestei atenção nisso daqui:

Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo em chamas!
Deixa prá lá...

Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr'onde é que a gente vai fugir?
(Angra dos Reis, Legião Urbana)

Pode até ser auto-sabotagem, mas está tudo tão legal até agora que eu fico me perguntando se fosse o fim chegando cedo, se as estrelas começarem a cair... Para onde é que eu vou fugir?

Dez anos depois, a música das rodinhas de violão, aquela euforia adolescente, bochechas rosadas depois de um dia inteiro estudando o mangue debaixo de sol, tudo isso muda para uma melancolia adulta. Uma melancolia que tem medo de acreditar simplesmente que as coisas estão dando certo. Uma melancolia de entrega ressabiada. Medo de não ter amanhã o que eu tive ontem.

E o engraçado de tudo isso é que em primeiro lugar eu não tenho motivo nenhum por enquanto de acreditar que o que eu tive ontem eu não terei amanhã. E em segundo lugar que historicamente a vida vem me provando que as coisas, mesmo que aos trancos e barrancos, se apresentam em uma curva ascendente e não descendente. Ou seja, que mesmo que se amanhã eu não tiver o que eu tive ontem, pode ser que o que eu tenha amanhã seja ainda melhor.

Basta acreditar nisso para assumir aquele sentimento que eu tô fazendo questão de manter escondidinho, longe dos meus holofotes, longe dos holofotes dos outros, longe de assumir qualquer coisa.

E aí, para assumir, melhor coisa é a música do Beck. Grande Beck, letras inteligentes e dançantes, aquela coisa encantadora do perdedor e do cara que está descobrindo suas "Sexxlaws".

What if it's wrong
To pray in vain?
(...)
I think i'm in love
But it makes me kinda nervous to say so
I think i'm in love
But it makes me kinda nervous to say so
Really think I better get a hold of myself
(Think I'm in Love, Beck)

14.4.08

Eu tive um sonho, vou te contar

Essa noite sonhei que ele me pedia em namoro cantando "Minha Namorada", do Vinícius, e depois me dava 12 dúzias de rosas vermelhas cultivadas nos morros no norte da Albânia por freiras virgens.

Daí eu acordei assustada.

Lá fora, milhares de trovões e raios, parecia que tinha raio aqui dentro do meu quarto.
Aqui dentro, uma barata debaixo da minha cama, já que não tínhamos conseguido matar ela ontem.
No peito, aquela coisa misturada cheia de coisas.
No feriado eu não quero ficar aqui de novo, não.

6.4.08

Por que não um bom final de semana?

Começou com aquela sexta quando meus hormônios eram maiores do que eu, e o DVD com chocolate entre meninas virou uma noite divertidíssima no Santo Grão Café. Decidi que sábado seria um bom dia. E foi. Dormi muito, o suficiente para acordar bem humorada e com os hormônios diminuídos. Li o jornal tranquilamente no café da manhã, tomei um banho comprido, lavei o cabelo com calma e fiquei cheirosa. Recebi um telefonema bacana, continuei me arrumando, arrumando tudo, o quarto, a casa, a vida, o cabelo, a lente de contato. Arrumando até o abraço com a mãe. Daí ele chegou e a gente foi até lá onde se arruma a vida espiritual. E que conversa gostosa, de novo, só para variar um pouco! Quero sempre. Voltamos para São Paulo após uma ótima tarde. Escolhi o lugar errado pro almoço, e ficamos passando frio no Pé no Parque. A companhia, no entanto, compensou todo o frio do mundo. No carro voltando, uma conversa que indica que eu posso ter estragado alguma coisa simplesmente por medo. Enfim, nem tudo está perdido e eu ainda me redimirei. Cheguei em casa e tivemos alguns contratempos entre a garagem, o elevador, o carro dele e a minha casa. Aqui, um papo agradável com bons amigos dos meus pais, e meu irmão estava visitando também. Ótimo. Um cochilo gostoso depois, com a casa vazia, e a saída de visual caprichado para lugar legal com gente que eu gosto muito e com papo bacana. Dois casais e eu, ouvindo jazz. Um Bloody Mary, dois Bloody Mary, três Bloody Mary. Três Bohemias depois também. Um ataque de cinco minutos e a volta para casa, ainda bebinha. Dormi cedo, lá pelas 3, e acordei tarde, depois da uma. Belo dia de preguicite aguda esse domingo, e não coloquei a cara para fora de casa. Almoço em família, passa a folha de uva por favor, futebol de domingão decidindo as semifinais do Paulista, São Paulo ganha bonito e Corinthians perde de virada, e então Elizabethtown. A frase final do filme? "Those who risk, win". Preciso falar com ele urgente de novo, arriscar um pouquinho, e ver se dá para ganhar. Pôxa, Elizabethtown é um filme muito bom. Eu já tinha assistido, e sempre gostarei de assisti-lo. Agora, preguiça de novo, minha mãe está assistindo a reprise de Lost no AXN e eu acabei de decidir que vou comprar pão francês na padoca porque, com a linguiça que temos aqui, posso comer Choripán.

Por que não um bom final de semana?

4.4.08

Noite de Menininhas

Hoje:
- meus hormônios estão maior do que eu;
- mesmo o que deu certo, deu errado;
- o friozinho contribui pra essa sensação;
- a carência também;
- alguma saudade também;
- saí da mesa do jantar muito mais cedo do que o normal, e voltei pro meu quarto pra dormir;
- esperando meu amigo ligar e ele não ligou;
- e fiquei assim, debaixo das cobertas, meio dormindo, meio acordada;
- ouvindo Ryan Adams, seu violãozinho e sua gaita como deliciosas companhias pra uma noite meio deprêzinha.

Daí a Princess ligou e me acordou. Vamos fazer alguma coisa, dizia ela, e meu sono era maior do que eu pra responder. Depois de 10 minutos, liguei pra ela de novo. Ela deu risada da minha rapidez e eu dei também, provavelmente essa sendo a primeira risada realmente gostosa do dia.

Perguntei:
Princess, quer ver comédia romântica e comer chocolate?
Você vai aguentar eu, meu bode e meus hormônios?
Vamos brincar de ser felizes e de acreditar que vai dar tudo certo?
Ela disse que sim para todas essas perguntas.
Perguntei se ela queria que eu levasse ovo de Páscoa, ou se ela tinha lá. Ela disse que ela tem lá, e que assim é melhor porque pelo menos os ovos dela vão embora mais rápido.

Ok, eu disse, em meia hora aí.

E concluí, mais feliz do que ir na casa dela ver DVD feliz e comer chocolate, é saber que do lado de lá do bairro tem alguém que gosta de mim mesmo quando eu estou mal humorada e que vai me dar colo e me fazer rir, tudo ao mesmo tempo agora.

Ai, como eu amo essa minha irmãzinha.

3.4.08

Contagem Regressiva

Já estão divulgando a Virada Cultural desse ano.
Promete, parece.
Gente boa toda junta, concentrada em 24 horas de muita coisa entre sábado e domingo, 26 e 27 de abril.

Ano passado foi minha primeira Virada Cultural. Noite histórica. Tudo que poderia ter acontecido, aconteceu. Novela mexicana mesmo. Muitas boas músicas e muitas boas apresentações, andarilhos em grupo gigantesco pelo centro de São Paulo, brigas, intrigas, porres e choros, beijos estranhos, beijos na boca, muita risada, muita zueira, xixi em banheiros químicos, e muitas boas fotos. Noite completa. Entre tudo e todos, a cerveja. E de vontade superior, a certeza de diversão. E de força gravitacional, a ressaca - forte, física, moral - do dia seguinte.

Enquanto isso, não muito longe de mim e de toda a novela mexicana (embora mexicana, foi pacífica), meu irmão fugia de balas de borracha e do gás lacrimogênio na Praça da Sé. Não, a violência na Sé não foi maior do que todo o resto da Virada, que aconteceu cheia de méritos. Mas nunca é bom esquecer esse fato, essa violência gratuita, tudo aquilo de confusão no meio da multidão.

Esse ano quero repetir a dose. Não vejo a hora de ter tudo de novo. Serão diferentes as pessoas, mas será tão forte quanto a diversão. Talvez a ressaca de domingo esse ano tenha que ser um pouco menor, porque domingo quero estar lá na Virada também.

A Prefeitura está caprichando no evento. Gente muito fera estará lá, muito concentrada também. Fica todo mundo que nem barata tonta naquele centro deliciosamente cheio na madrugada. Não sabe onde ir, porque são todas as boas opções ao mesmo tempo e agora, sempre, a todo minuto. As pernas cansam de zanzar tanto. A cabeça cansa de tanto estímulo por todos os lados.

Mas é coisa bonita de ver, o centro lotado, seguro, bonito, e as pessoas felizes. De casais de velhinhos a famílias com crianças, a turmas de jovens. E em todos os grupos, gente de tudo quanto é canto. Do centro, da periferia, dos bairros nobres, dos bairros pobres. Punks e descolados, GLS e a turma do Hip Hop. Todo mundo lá, andarilho do mesmo jeito, na mesma noite, no centro.

Não vejo a hora de chegar a Virada Cultural esse ano. Faço contagem regressiva desde o ano passado. É festa bonita de se ver, a Paulicéia ainda mais desvairada. Música que São Paulo merece, dança que São Paulo quer, semana difícil e um final de semana histórico que compensa tudo. Ô coisa linda de acontecer... coisa linda linda linda.

Apenas como não poderia deixar de ser, uma crítica política. Esse ano o Kassab simplesmente dobrou o investimento na Virada, com relação ao ano passado. Óbvio que esse aumento no investimento tem relação direta com o ano de eleição. Isso é coisa feia de ver. Coisa muito feia. Outra crítica política: os caras excluíram os Racionais para esse ano. Fico me perguntando se é medo que se repita o mesmo absurdo do ano passado, quando a PM pulou em cima da galera com tudo.

De qualquer forma, é isso aí.
26 e 27 de abril, aquela coisa histórica e gostosa: Virada Cultural.
Tô na contagem regressiva.
Não vejo a hora.

2.4.08

Um dueto entre um homem e uma mulher

No dueto que eu ouço normalmente, Nina Simone e Ray Charles dando um show de interpretação na letra de Frank Loesser.
Lindo, lindo.

Baby, it's cold outside

I really can't stay
- Baby it's cold outside
I've got to go away
- Baby it's cold outside
This evening has been
- Been hoping that you'd drop in
So very nice
- I'll hold your hands, they're cold as ice
My mother will start to worry
- Beautiful, what's your hurry
My father will be pacing the floor
- Listen to the fireplace roar
So really I'd better scurry
- Beautiful, please don't hurry well
Maybe just one drink more
- Put some music on while I pour
The neighbors might think
- Baby, it's bad out there
Say, what's in this drink
- No cabs to be had out there
I wish I knew how
- Your eyes are like starlight now
To break this spell
- I'll take your hat, your hair looks swell
I ought to say no, no, no, sir
- Mind if I move a little closer
At least I'm gonna say that I tried
- What's the sense in hurting my pride
I really can't stay
- Baby don't hold out, Baby it's cold outside
I simply must go
- Baby, it's cold outside
The answer is no
- Ooh baby, it's cold outside
This welcome has been
- I'm lucky that you dropped in
So nice and warm
- Look out the window at that storm
My sister will be suspicious
- Man, your lips look so delicious
My brother will be there at the door
- Waves upon a tropical shore
My maiden aunt's mind is vicious
- Gosh your lips look delicious
Well maybe just a half a drink more
- Never such a blizzard before
I've got to go home
- Oh, baby, you'll freeze out there
Say, lend me your coat
- It's up to your knees out there
You've really been grand
- I thrill when you touch my hand
But don't you see
- How can you do this thing to me
There's bound to be talk tomorrow
- Making my life long sorrow
At least there will be plenty implied
- If you caught pneumonia and died
I really can't stay
- Get over that old out
Baby it's cold outside

ps.: quizz master óbvio, mas quem adivinhar quem é o homem e quem é a mulher nessa música ganha um prêmio.

Enquanto vocês não adivinham, eu danço dois pra lá, dois pra cá (sozinha).

31.3.08

Not an ordinary Monday

Hoje quando eu acordei algumas coisas estavam fora do lugar.

O céu estava mais azul.
O reflexo do sol, que vem do prédio da frente, estava mais forte.
O olho estava mais difícil de abrir.
O corpo estava mais difícil de mexer.
O sonho estava mais difícil de acabar.
O sorriso estava tão dado, tão fácil, tão bobo-alegre.
O óculos, por incrível que pareça, estava mais vermelho.
O jornal estava mais bacana.
A Umbanda estava mais velha, completando cem anos.
A mosca estava mais barulhenta.
A música estava mais dançante.
O despertador berrava muito mais alto.
Meu francês estava mais fluente.
Um grande amigo continuava na Austrália, mas a Austrália parecia muito mais longe do que já é.
As músicas tristes estavam quase intoleráveis.
Eu estava mais fotogênica.
Eu estava muito mais descabelada.
A torrada do café da manhã estava mais crocante.
E a papaya, por sua vez, mais docinha.
A Cidoca estava ainda mais simpática.
E minha mãe fumava menos logo cedo à mesa.
O vento estava mais fresquinho.
O outono parecia chegar de verdade.
A gente estava mais cheia do que sempre.
A amiga dos loucos scraps às segundas pela manhã estava mais louca do que nunca.
O sol do Nordeste parecia mais perto da minha realidade.
As Cataratas do Iguaçu, um pouco mais longe.
A água desceu mais refrescante.
E a semana resolveu que ela promete, em todos os aspectos da vida que uma pessoa possa ter.

26.3.08

Uma noite e duas músicas no dia seguinte

FLY ME TO THE MOON
Fly me to the moon
And let me play among the stars
Won't you let me see what spring Is like on Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, darling, kiss me
Fill my heart with song
And let me sing forevermore'
Cause you are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you
Oh
In other words, please be true
In other words, I love you

SINGING IN THE RAIN
I'm singing in the rain
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I have a smile on my face
I walk down the lane
With a happy refrain
Just Singin', singin' in the rain
Dancing in the rain
I'm happy again
I'm singin' and dancin' in the rain
I'm dancin' and singin' in the rain

O café se transformou em chopp e tive uma das noites mais legais ever da vida, do tipo de noite que eu não conhecia há muito tempo.
Hoje tô assim, toda babaca.
Tipinho irritante mesmo.

24.3.08

Chocolate, Floral, SMS

Do CHOCOLATE
Nem muito nem pouco. Na casa da madrinha, cobrindo o damasco azedinho. Aqui em casa, um ovo dos pais, pequeno e simbólico, é fato. Um ovo da madrinha, grande e inteirinho recheado de beijinho. Uma loucura. Um ovo da avó. Grandão. Um ovo do padrinho, dos preferidos. E Línguas de Gato do tio. Estoque suficiente pra suprir a carência emocional por meses, provavelmente. Para me ajudar quando não conseguir desanuviar sozinha. Para me ajudar quando a TPM for maior do que eu.

Do FLORAL
A acupunturista disse que seria bom.
Eu não sei se a terapeuta deixa.
A mãe achou estranho.
Eu me encantei com a possibilidade.
Mais uma coisinha para esse meu sincretismo mucho loco.

Do SMS
Antes de dormir, logo depois do MSN.
Intuito fofo de SMS. Eu tornei uma troca de mensagens nonsense.
"Nossos celulares não se entendem". "Não preciso manjar pois você me explica". "Bons sonhos". "Backlog de itens efetivos na agenda". "Café terça?". "Café terça".
Não necessariamente nessa ordem.
Encantamento é gostoso.
Começo é gostoso.

Tomara que role o café terça.

19.3.08

O outono chega

Tudo bem, tudo bem, eu sei que não temos mais estações definidas em São Paulo. Também sei que o inverno não será e já não é mais frio, e o outono não será e também já não é mais friozinho. Sei também que a primavera será uma mera continuação do calor invernal e infernal (inversão térmica, essa praga que nos assola a cada julho seco) e que o verão será a intensificação, embora chuvosa, do calor de todas as outras estações.

Mas a questão para mim vai além.
Eu simplesmente ADORO o inverno.

Moraria fácil em uma cidade de temperatura média anual não acima dos 15, e de preferência na maior parte bem abaixo disso. Não penso em morar no Nordeste porque morreria de infelicidade de abandonar meu guarda roupa de inverno em São Paulo, Nordeste só é bom para férias, quinze dias no máximo e olhe lá, não aguento todo aquele calor não. Eu passo o tempo todo entre março e setembro acompanhando de perto o noticiário metereológico (Josélia Peggiorin, da Climatempo, diretamente para a Rádio Eldorado FM), esperando que anunciem uma garoa, uma frente fria, uma noite com mínima de sete graus. A Lau disse que eu tenho um oratório de nuvenzinha, onde eu fico rezando e implorando que chegue logo a frente fria. Mesmo morando nos trópicos, meu guarda-roupa de inverno é mais vasto do que meu guarda-roupa de verão (e olha que meu aniversário é na primavera). Eu aprendi metereologia sozinha, quase como uma auto-didata, misturando conceitos de física, biologia, geografia, química, simplesmente pelo instinto de sobrevivência de querer entender quando a frente fria chega. Mesmo com um calor de 30 graus lá fora, me fecho no meu quarto, ligo o ventilador, e fico experimentando meus looks de inverno, como que querendo matar saudades das roupas (essa crise tem geralmente seu auge em janeiro).

Fico feliz quando o tempo permite e pede que eu durma de meia.

Pois bem. Tudo isso posto, já é possível imaginar minha vibração de felicidade quando o tempo fechou quinta da semana passada, né? O oratório de nuvenzinha estava quase com um brilho neon de tão feliz. Ele estava funcionando, finalmente...

Me empolguei. Peguei a calça jeans, a blusa de manga três quartos, a capa de chuva comprida, uma bota. Estava vestida de outono, pela primeira vez em 2008. E isso se repetiu algumas outras vezes entre sexta e segunda... me vestir de outono todos os dias, feliz, realizada, testando os visuais. Fazer maior visual outonal produzido simplesmente pelo prazer de me vestir de outono, mesmo que seja só para pegar pão na padoca.

Fazer o que? Eu sou assim... tinha que ter nascido em algum lugar frio...

Foi completamente uma over reaction outonal. Mas que eu adorei, adorei.

16.3.08

O tio da Little Miss Sunshine e o Sartre

OU: PONTUANDO COISAS QUE ME DÃO INSÔNIA EM PLENO SÁBADO

- mudança na prática do complexo e me acostumar com essa novidade.
- email discutindo o menino de oito anos que passou na faculdade, e uma resposta bizarra de uma linha.
- email discutindo coisas meio deprês e depois discutindo coisas meio felizes, mas tudo meio estranho e intalado.
- conversar com o ex fofo de uma grande amiga e ver como é triste certas coisas.
- chegar em casa e entrar no MSN, por estar com insônia.

E embora tudo esteja muito abstrato (é para estar mesmo), cheguei em casa e me olhei no espelho do elevador. O cabelo estava bom, a cara estava boa, a maquiagem estava boa, a roupa estava boa, e mais uma vez o fim da noite tinha um destino absolutamente solitário.

11.3.08

Retificação

Contra todas as previsões, chegou hoje minha Carteira do Cidadão. Peço desculpas à CEF se por um dia inteiro subestimei sua eficiência. Agora me surpreendi, e acho justo que me retrate nesse mesmo fórum onde uma vez a critiquei.
Sem mais.

10.3.08

Destino: Centro - Parte V, Final

OU: DO RETORNO PARA CASA

Feliz com os resultados obtidos durante o dia, seguro-desemprego encaminhado, Cartão-Cidadão protocolado, FGTS depositado, e almoço aproveitado, voltei para casa com aquela inspiração gostosa de quem se sente vitoriosa. Aquela coisa de ar que enche peito que estufa tórax que projeta externo para frente ombros para trás escápulas para baixo encaixa a púbis não força a lombar e anda bem. Nossa, e como anda bem! Firme, em frente, e com fé.

Passei de novo na frente do Centro Cultural Banco do Brasil, e lá estava um duo de violinistas muito bonito, tocando o Fantasma da Ópera que era de emocionar. Do meu lado, mais uns dois ou três gatos pingados. Um deles era uma mulher, segurando a bolsa debaixo do ombro, e que foi assaltada por dois menininhos frenéticos que eu tinha visto duas esquinas atrás cheirando cola. Não tinham mais de oito, dez anos, com certeza absoluta. Foi triste ver, mesmo.

Daí peguei a rua da Quitanda e fui... passei pela Patriarca e sua marquise branca e bizarra, absolutamente fora de qualquer contexto naquele centro bonito. Atravessei o Chá, Anhangabaú lindo lá embaixo, muitas lembranças e muitas saudades da Virada Cultural do ano passado, querendo que chegue logo a desse ano, experiência cultural que deu muito certo nessa SP cheia de uma população necessitada de viver bem e plenamente o espaço público e que raramente consegue.

Cheguei ao shopping Light, irresistível quiosque de sorvetes do Mc lá logo na entrada, um McFlurry por favor, e sentei na escadaria do Municipal, de onde contemplei. Contemplei o sorvete, o calor, o suor, o sol, o barulho, a sujeira, a pobreza, a beleza, a feiúra, e tudo o mais que se pode contemplar sentada na escadaria do Municipal. Contemplei inclusive o cheiro de xixi, que estava forte. McFlurry aroma urina.

Atravessei de novo o Chá, já de volta para casa. De lá pegaria a Libero de novo, e depois a rua do Ouvidor, a passarela, e chegaria no Terminal Bandeira. Escolhi conscientemente o caminho mais longo, apenas pelo prazer de acabar a caminhada.

Quando olhei, do Chá, para onde a 9 de Julho e a 23 começam, vi uma bandeira do Brasil enorme hasteada lá. Bem grande mesmo. Eu nunca tinha visto aquela bandeira. Bonita.

7.3.08

Destino: Centro - Parte IV

OU: DO ALMOÇO

Pois bem que naquela loucura daquele labirinto burocrático e sobe escada e desce escada e entra em fila e sai de fila ligou o telefone tocando e era ele com quem eu tinha combinado um almoço. Saio correndo da CEF, praticamente deixando o inferno terreno e tão quente para trás e indo almoçar com o amigo que hoje é uma das pessoas mais fortes e importantes na minha vida. Não fomos almoçar em um lugar com ar condicionado e fresquinho, mas simplesmente sua companhia me traz a brisa leve e gostosa que eu precisava sentir na vida naquele dia.

Antes disso, fui a pé até a SanFran, já que eu sabia que ele estaria lá por perto, e fiquei observando o movimento de advogados engravatados naquela região, tão louca essa força essa tradição e toda a história da mais antiga faculdade de direito de São Paulo. Não sei dizer bem o que é esse ímã, desde aquele agosto de 2000 quando fui apresentada à SanFran nunca entendi ao certo o que é isso que ela exerce sobre seus alunos. Grandes amigos, um primo, duas primas distantes, e toda uma constelação de conhecidos e queridos já estudaram na SanFran. Todos eles mantém até hoje essa ligação muito forte que não dá para entender. Já sei que a faculdade onde estudamos tem muita importância na nossa história de vida, eu mesma sou uma prova viva disso, mas a SanFran tem alguma coisa inexplicável e muito forte e muito louca.

Divagações à parte, fiquei lá esperando o amigo ligar e ele ligou e eu fui lá para a rua Riachuelo. Subi e conheci o escritório dos queridos do peito... tão bonitinho o escritório, tão ajeitadinho, com tanta carinha de coisa legal. Saí de lá extremamente bem impressionada. Eu acompanho as histórias do escritório de perto, todas todinhas, mas ver o que é o escritório de verdade, ver o amigo ser chefe de verdade, cumprimentar os porteiros, brincar com o ascensorista... e pronto, conheci de verdade o escritório. E bato palmas. E tiro o chapéu. E sei que, com aquelas pessoas lá, com aquela lousinha lá, vai longe...

Almoçamos em um restaurante que é o mais pé-limpo dentre os pés-sujos do centro. Parece que ele quis ir devagar, doses homeopáticas de centrisse aguda em mim, e a comidinha estava boa e para manter a tradição a conversa estava boa também. E de fato, o restaurante era limpinho. A comida, normal - nem boa nem ruim. Poderia ser pior... Daí fomos tomar cafézinho, e ele queria me mostrar que o centro também pode ser high-level. Ok, ok, tomemos cafezinho cheio de frescuras, menino, tomemos... e no papo do almoço e do cafézinho, histórias do centro, das bagunças, dos restaurantes chiques e caros, dos restaurantes muito sujos com garçons que ficam gritando um pro outro, e assim em diante.

Ele se sentia meu anfitrião, a pessoa responsável por me mostrar que o centro é legal, mesmo que eu já soubesse disso. Ele estava me mostrando o centro DELE, e era isso o mais relevante daquele almoço. Muito louco isso de eu aparecer lá no território dele, mas que é todos, só que é mais dele do que meu, e aí ele toma para si a responsabilidade de me mostrar o espaço. Meio pavão, macho orgulhoso, enche o papo e conta histórias com orgulho. Com a diferença que não estávamos falando de uma cerimônia do acasalamento, estávamos falando apenas de um almoço entre amigos (amigos que se vêm duas vezes por semana, normalmente).

O homem em geral tem uns mecanismos, para dizer o mínimo, curiosos...

Quase duas horas depois, eu tinha que voltar para a Caixa e ele tinha que voltar para o escritório. No café, ele queria me mostrar o caminho de como eu chegaria de novo na CEF, e qual não foi a surpresa dele quando ele descobriu que eu, a patricinha perdida no centro, sabia exatamente onde estávamos e sabia melhor ainda o caminho da volta.

Um forte abraço, e a certeza de que na próxima vez nosso almoço será no Flor da Sé - o pé-sujo dos pés-sujos da Praça da Sé.

3.3.08

Elvy x Aura: Na trincheira da fronteira do conflito iminente

As duas são bem formadas em boas universidades e trabalham em uma grande e boa empresa, onde eu costumava trabalhar até ano passado.

Elas eram nosso suporte para assuntos operacionais locais de cada um dos países, assuntos nos quais à distância não poderíamos tocar, mesmo sendo "Latin America Service Center" para esse tópico com o qual trabalhávamos. Por exemplo? Pagamentos nas folhas, remessa de montantes, pedidos de visto, essas coisas...

A Elvy, da Venezuela, a boa performance em pessoa. Uma graça de simpática, pela foto ela era até bonitinha, adorava falar com a gente no telefone.

A Aura, da Colômbia, personalidade polêmica (para dizer o mínimo). Fofinha à priori, mas quase não respondia emails, nem atendia telefonemas, e dava canos atrás de canos e fugia que era uma beleza. O curso de sabonete que ela tinha feito era bem sucedido.

Pois bem. Muitos transitavam entre Venezuela e Colômbia a trabalho e o caminho inverso tambem é verdadeiro. Ou seja, necessitávamos à exaustão que as duas trabalhassem bem juntas. Mas sempre, sempre, sempre que precisássemos de alguma coisa que as duas fizessem, só mesmo fazendo call com as duas ao mesmo tempo, e mesmo assim ninguém garantiria que o serviço sairia.

Aura não gostava de Elvy, Elvy não gostava de Aura, e era declarado. Mesmo assim, Elvy costumava dar um belo dum banho de superioridade porque ela faria as funções necessárias. A Aura não, tática de guerrilha, aprendizado com as FARCs, fugia fugia e não fazia o necessário.

Politicamente, Elvy era da elite venezuelana, do tipo que saiu às ruas quando Chávez perdeu o plebiscito do ano passado de reeleições eternas. Aura era contra Uribe, "el embajador de las voluntads de los EEUU que eran muy prejudiciales a mi patria linda".

Agora, o país de Aura invadiu ilegalmente as fronteiras com o Equador, matou pessoas dentro do Equador, e cometeu um ato de guerra. E o Chávez, ao qual a Elvy é contra, mandou suas tropas lá para o meio do mato, onde a Colômbia e a Venezuela se encontram, no meio da Amazônia. Todos entrincheirados na fronteira. Estudantes e ex-estudantes de RI todos com formigas na barriga, de pensar em Clausewitz em uma guerra oficial entre Estados, não só guerras civis, mas sim daquelas guerras que a gente só vê na Europa e aqui nessa latinidade bagunçada, só vimos no Paraguay e mesmo assim já faz tempo.

De qualquer forma, eu particularmente duvido que vire guerra. Acho que, para variar um pouco em se tratando de Chávez, são bravatas e ameaças em alto e bom tom. E só.

Do meu lado só fico triste porque aposto que se Aura e Elvy já não trabalhavam juntas antes... que dirá agora!