OU: como uma pessoa que tem praticado a "tolerância zero social" vê um evento tal qual o About Us.
Introdução - sobre o conceito de Tolerância Zero Social
Posso resumir esse conceito em algumas linhas apenas, e quem me conhece sabe que eu sou um pouco rabugenta com isso mesmo. Mas a idéia é basicamente que hoje em dia, e cada vez mais conforme os dias passam, meu tempo livre virou um dos meus ativos mais raros. Partindo desse pressuposto, entende-se que estou cada vez com menos paciência com as pessoas que me cansam de alguma forma (por mais subjetivo que isso possa ser, mas não ficarei explicando esse conceito porque ele diz unica e exclusivamente à minha pessoa). Enfim, "tolerância zero social" diz respeito a tempo escasso e a saber como gastar esse tempo, e diz respeito também a uma impaciência crônica e perturbadora com relação às pessoas, atitudes, opiniões e demandas sociais que me cansam. E aí tenho me afastado e me aproximado de pessoas ciclicamente, e sentido saudades fortíssimas de algumas pessoas e uma rejeição inédita com relação a outras pessoas.
Sobre o About Us
Divido facilmente o festival em três partes, que não são totalmente separáveis entre si afinal dizem respeito ao mesmo festival, e ao mesmo tempo podem ser separadas para dar uma amenizada na rabugentisse social que me acomete.
Parte 1: Musical
Cheguei para o show da Vanessa da Matta (ponto alto, "História de uma gata") e saí após o Dave Matthews acabar seu show de quase duas horas e meia. Ben Harper e Dave Matthews fizeram dois shows não burocráticos e bem curtidos. Na verdade, tudo o que eu queria era isso: ver a festa no palco que Dave e seu bando fazem, a delícia do improviso, do instrumental prolongado, dessa mistura de um pouco de tudo, folk, country, rock, tudo isso com muito sopro e muita percursão. Antológica foi a visita que o Ben fez ao Dave no palco; e apenas um pouco melhor do que apenas para cumprir tabela, a visita que a Vanessa da Matta fez ao Ben. Voltando à festa no palco, no gramado a festa refletia em nós, que dançávamos sem jeito e um pouco bobos de alegria de ver aquele espetáculo orquestrado pelo cara simpático e de voz rouca. Ele disse: "it is overwhelming to be here" e eu, que estava brincando de tradução simultânea, disse: "estou extasiado de estar aqui". E aí "extasiado" virou nossa palavra oficial do show.
Se eu fosse alguém com poder de avaliação, eu daria nota: +++
Parte 2: Sustentável
Juro que eu queria que a parte sustentável do show desse certo e fosse um sucesso. Mas seria uma falácia falar que foi. Triste isso. Iniciativas bacanas na entrada do show eram simplesmente ignoradas pelo público que usava essa área simplesmente como passagem. Tendas vendendo produtos "About us" estavam em todos os lugares - tinha mais dessas tendas do que lanchonete vendendo comida, por exemplo. Aí a gente pára e pensa: os bróders que organizaram esse show se esqueceram que o consumo e a conscientização do consumo também faz parte da criação da sustentabilidade. Eles também se esqueceram que há lugares e lugares: em um festival de dia inteiro, comida orgânica e integral a preço de ouro não é o que o público (que já pagou caro pelo ingresso, diga-se de passagem) quer comer. Se a sustentabilidade, portanto, estava nas comidas e nas iniciativas bacana, esqueça dela. Porque ninguém viu, ninguém notou, ninguém nada - muito pelo contrário: da comida, as pessoas até reclamaram. Mas, veja só você, a sustentabilidade também estava nos telões do palco, com depoimentos de gente famosa pela fama (Ciça Guimarães, Global) e gente famosa pelo mérito (Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente). Grande ironia essa: era no intervalo dos shows, e ninguém estava nem aí para o que passava no telão. Quem poderia ter ajudado alguma coisa com relação à sustentabilidade, os artistas que subiram ao palco, de fato não ajudaram, porque ninguém disse nada sobre sustentabilidade. Agora entrando em ação a versão mais chata de mim mesma (a versão da politicamente correta), outro ponto de crítica: no mundo em que eu vivo ainda não inventaram cadeira de rodas off road. Não é à toa que eu não vi nenhum cadeirante nesse evento: o acesso era simplesmente impossível.
Se sustentabilidade é pluralidade eu dou nota: --
Parte 3: Público.
Era mais ou menos assim: 50% do público tinha de 15 a 25 anos, e outros 50%, de 25 a 35 anos. Outra divisão possível é que 50% estava lá porque gosta do som dos caras, e queria ouvir boa música, bom som, se divertir.
E os outros 50% estavam lá "pagando de gatinhos", totalmente "cool wannabe", simplesmente por ser um festival amplamente divulgado e com atrações cujas músicas essas pessoas conheciam no máximo duas ou três. Essa galera que estava lá pagando de gatinho era constituída por meninas maquiadas (mesmo no esquema off road, por mais contraditório que pareça), com base, rímel, lápis, gloss (urgh, eu odeio gloss em mim e um pouco mais ainda odeio gloss nos outros) e shortinhos ou sainhas e muitas vezes blusinhas decotadas de viscolycra com algum modelo bacaninha (congelando de verdade naquele frio outonal que fez naquela tarde); e meninos com tênis, bonés, calças jeans, de marcas bacaninhas e famosinhas. Todos assim, lá nesse show muito pelo hype que rolou em torno dele, sem entender ao certo o que estavam fazendo lá, mas sabendo muito bem que era legal o fato de eles estarem lá. Um amigo meu, jornalista de um veículo de imprensa de grande circulação que esteve no evento para fazer a cobertura, em um desabafo via msn disse o seguinte:
"Bom, "fãs" no sentido estrito da palavra (gente que conhece discografia, letra de música, acompanha há tempos etc.), sempre são poucos. Tirando, é claro, as megabandas, o que não era o caso ontem. Ou seja, em qualquer show, a maior parte do público não é exatamente de "fãs" (salvo casos atípicos como o Los Hermanos), mas de gente que conhece os sucessos e gosta. E esse me parecia ser exatamente o tipo de gente que estava lá ontem. Não foi gente que foi só pra ver - neguinho conhecia os sucessos do Ben Harper e da DMB - não sabiam cantar, não sabiam os nomes das músicas, não sabiam mais nada, mas sabiam que já tinham ouvido. Ouvi muito "ah, é essa". Você não achou que Dave Matthews e Ben Harper iam atrair um público indie, né? Era aquilo ali, aquele pessoal da firma."
Então é um pouco isso: pessoas que estavam lá pelo hype, no melhor dos esquema "pagando de gatinho", "cool wannabe", "pessoal da firma".
Se eu não tivesse telhado de vidro eu daria nota: -----------
De uma forma ou de outra, posso estar rabugenta mas não serei injusta.
Os shows do Ben Harper e do Dave Matthews compensaram o trânsito na chegada e a fila de uma hora e meia para sair do estacionamento no final; compensaram os 50% deprimentes do público bizarro; compensaram essa hipocrisia retórica da sustentabilidade no evento, com um palco gastando sei lá quantos milhares de energia elétrica e emitindo uma quantidade absurda de CO2 na atmosfera (porque até onde eu me lembre o intuito era neutralizar as emissões de carbono).
E tenho dito.
29.9.08
18.9.08
Dados de Ontem
Temperatura do dia
13 graus na Paulista, na hora que eu saí do trabalho.
A Bolsa no dia
Queda de 6,7%.
Momento do dia
Dançar com o véu que voa na aula de dança.
Piada do dia
Maluf diz, na Sabatina da Folha, que só sai da política quando for pro céu.
Frase do dia
Ao comer alcachofra no jantar: "Comer alcachofra e não comer o fundo dela (ou o "coração", como preferir) é a mesma coisa que sexo sem orgasmo."
13 graus na Paulista, na hora que eu saí do trabalho.
A Bolsa no dia
Queda de 6,7%.
Momento do dia
Dançar com o véu que voa na aula de dança.
Piada do dia
Maluf diz, na Sabatina da Folha, que só sai da política quando for pro céu.
Frase do dia
Ao comer alcachofra no jantar: "Comer alcachofra e não comer o fundo dela (ou o "coração", como preferir) é a mesma coisa que sexo sem orgasmo."
16.9.08
Have a nice day!
Ou: começando bem a semana.
Pois é. Tudo que a gente precisa é realmente muito pouco.
E aí ontem eu:
1- tomei café da manhã com o pessoal do trampo.
2- desci para almoçar em casa.
3- fiquei feliz com o tempo frio reinante em São Paulo.
4- falei via msn com a amiga italiana de quem eu morro de saudades.
5- retomei contato com pessoas bacanas da pós-graduação - contato retomado de um tanto que já marcamos a happy hour.
6- falei via skype com a amiga de Nova York de quem eu morro de saudades absurdamente.
7- fechei minha noite ouvindo o Henrique Meirelles soltar pataquadas no Jornal da Globo.
(sobre o Meirelles, a crise, e o subprime, depois eu falo)
O ponto é: uma semana que começa assim não tem muito como dar errado.
15.9.08
"Amanhã é domingo, menina...
Ninguém vai te acordar. Deixa chover na esquina, deixa a vida rolar..."
Sábado à noite fui dormir cantarolando essa música.
Tinha sido um sábado do tamanho e do jeito que eu precisava que ele fosse... Sexta à noite a frente fria chegava e eu estava no teatro dando risada e depois na lanchonete comendo um bom hamburger e ficando um pouco assustada com a mediocridade à qual certas pessoas podem se submeter eventualmente. Sábado ao acordar eu tinha dormido tão bem que as olheiras estavam significativamente menores. E aí eu fui ao cabeleleiro, deixar o cabelo macio, e como um passe de mágica, ele ficou mais macio mesmo. Depois, festa de família. Mas aniversário de criança é uma festa de família naturalmente mais feliz do que as outras... ainda mais de um menino tão simpático e tão legal quanto ele, e que mora longe, e que fala (desde os dois anos de idade) com sutaque nórdeshtino: "Pegue o balão para mim, pegue". E meus pais deitavam e rolavam com o sobrinho-neto deles de um jeito tão lindo, que os olhares e os sorrisos pediam netos para mim e pro meu irmão. Pediam de um tanto que o resto da família toda reparou e enxeram nosso saco, que já está na hora de nos ajeitarmos nessa vida, porque nossos pais querem netos. Depois eu fui para a casa da amiga boa, ter conversa boa, com um amigo gente boa, deitados em almofadas boas, ouvindo músicas boas, tendo boas viagens e devaneios coletivos em três. E aí comemos "ovo mexido gourmetado". Voltei para casa feliz da vida - feliz com tão pouco, mas muito feliz mesmo.
Então eu cheguei em casa, me arrumei para ir dormir, e deitei na cama. E assim que eu deitei na cama, comecei a ouvir os pingos de chuva lá fora. E aí comecei a cantar. "Minas com Bahia", música gostosa de dueto de Samuel Rosa e Daniela Mercury.
Sempre gostei dessa música, e gosto dela mais ainda desde que descobri mesmo que Minas e Bahia são dois estados desse Brasil que me são muito muito muito queridos. As pessoas, os lugares, as músicas, os cheiros, as comidas, as paisagens. Tudo isso em cada um desses estados me é muito querido.
E a frase "amanhã é domingo, menina / ninguém vai te acordar / deixa chover na esquina / deixa a vida rolar" é fantástica para um sábado à noite chuvoso, prenúncio de um domingo chuvoso.
Sábado à noite fui dormir cantarolando essa música.
Tinha sido um sábado do tamanho e do jeito que eu precisava que ele fosse... Sexta à noite a frente fria chegava e eu estava no teatro dando risada e depois na lanchonete comendo um bom hamburger e ficando um pouco assustada com a mediocridade à qual certas pessoas podem se submeter eventualmente. Sábado ao acordar eu tinha dormido tão bem que as olheiras estavam significativamente menores. E aí eu fui ao cabeleleiro, deixar o cabelo macio, e como um passe de mágica, ele ficou mais macio mesmo. Depois, festa de família. Mas aniversário de criança é uma festa de família naturalmente mais feliz do que as outras... ainda mais de um menino tão simpático e tão legal quanto ele, e que mora longe, e que fala (desde os dois anos de idade) com sutaque nórdeshtino: "Pegue o balão para mim, pegue". E meus pais deitavam e rolavam com o sobrinho-neto deles de um jeito tão lindo, que os olhares e os sorrisos pediam netos para mim e pro meu irmão. Pediam de um tanto que o resto da família toda reparou e enxeram nosso saco, que já está na hora de nos ajeitarmos nessa vida, porque nossos pais querem netos. Depois eu fui para a casa da amiga boa, ter conversa boa, com um amigo gente boa, deitados em almofadas boas, ouvindo músicas boas, tendo boas viagens e devaneios coletivos em três. E aí comemos "ovo mexido gourmetado". Voltei para casa feliz da vida - feliz com tão pouco, mas muito feliz mesmo.
Então eu cheguei em casa, me arrumei para ir dormir, e deitei na cama. E assim que eu deitei na cama, comecei a ouvir os pingos de chuva lá fora. E aí comecei a cantar. "Minas com Bahia", música gostosa de dueto de Samuel Rosa e Daniela Mercury.
Sempre gostei dessa música, e gosto dela mais ainda desde que descobri mesmo que Minas e Bahia são dois estados desse Brasil que me são muito muito muito queridos. As pessoas, os lugares, as músicas, os cheiros, as comidas, as paisagens. Tudo isso em cada um desses estados me é muito querido.
E a frase "amanhã é domingo, menina / ninguém vai te acordar / deixa chover na esquina / deixa a vida rolar" é fantástica para um sábado à noite chuvoso, prenúncio de um domingo chuvoso.
13.9.08
O romantismo segundo Frejat
Tudo bem que tem o jabá e todas aquelas outras coisas que a gente já sabe que contam muito mais para uma música tocar sem parar nas rádios, para além do simples critério “mérito”. Mas o fato é que quando eu gosto da música, fico feliz que ela toque sem parar. E hoje ela tocou na minha “uma hora de limbo” de todas as manhãs.
(Parágrafo gigantesco para explicar a “uma hora de limbo”: essa é aquela exata uma hora em que a Cidoca já entrou no quarto para me acordar; que a persiana já está levantada e a luz do sol já bate na janela vizinha e reflete justo no meu quarto; e que o despertador (com música) já foi disparado; mas que mesmo com tudo isso eu fico localizada exatamente na tênue realidade paralela do limbo entre o sonhar acordada e dormir profundamente (fase REM do sono), e entre o olho aberto e o olho fechado, quando tudo fica simplesmente em um meio-termo muito abstrato.)
A música que tocou na minha “uma hora de limbo” é a nova do Frejat, que está tocando bastante e em várias rádios (já ouvi na Nova Brasil, Brasil 2.000, Eldorado, Mitsubishi, etc). E sempre que eu ouvia essa música eu ficava feliz... mas hoje, que eu acordei ouvindo ela, grudou na cabeça e eu estou o dia inteiro cantarolando “vou começar pedindo a sua mão...”
A letra dela é bem parecida com a letra de “Por você”, é um romance lindo vivido por duas pessoas normais e bem de carne e osso. Não tem o drama das sertanejas, nem o grude brega do amor pagodeiro. Não tem o lirismo do Vinícius, e nem as idealizações e metáforas lindas do Tom. E nem a responsabilidade de ser um “amor único” como em “My first, my last, my everything” do Barry White. Não tem toda a poesia baiana e meio cosmopolita e meio hippie do amor da Tropicália. Também não tem todo o sofrimento e o auto-esquartejamento promovido pelo drama acentuado da esparrela da soprano de quinta. E também não é a invenção de uma mulher - a Penny Lane - pelos Beatles.
O romantismo do Frejat me faz os olhos brilharem. É o amor possível dos dias de hoje. É um pouco um amor do Cazuza. Só que é um romantismo mais bem-humorado do que o do Cazuza, e nem por isso leviano. Mas com certeza, mais leve. E mais contemporâneo também.
Pôxa, o Frejat dormiria de meia para virar burguês. Ele limparia os trilhos do metrô, e iria a pé do Rio a Salvador. Ele quer uma mulher normal do povo, e não uma mulher global de novo. Ele quer uma mulher que o ame no Natal e no Ano Novo.
É isso, é um romantismo gostoso, é uma declaração de amor que poderia muito bem fazer parte da vida de qualquer um de nós. É muito mais real que uma poesia – e não deixa de ser poético, mas para além da poesia por si só, é uma poesia assim, humana, atingível, plausível. É o amor que não só sonha – mas que vive a realidade e que é feliz exatamente pela possibilidade de vivenciar essa coisa gostosa.
Na verdade, sei lá.
Acho que estou assim, um pouco frejatiana, depois de ter apanhado bastante do amor sonhador ao longo da vida. E depois do ápice desse ano (queda dura de altura alta caída duas vezes, quase que uma morte morrida das minhas idéias românticas), hoje em dia consigo usar todas as máscaras junguianas menos a da “romântica sonhadora” – e muito por isso eu estou tão sozinha que absolutamente nenhuma pessoa ocupa meus pensamentos e meus sonhos – coisa que nunca deve ter acontecido antes na minha vida. Estou navegando em mares nunca dantes navegados – e sim, isso é delicioso.
Percebendo que aquele amor da “romântica sonhadora” que ouvia Vinícius ("você quer ser minha namorada?") e divagava, que ouvia Chico ("amo tanto e de tanto amar...") e sonhava acordada, amor esse tão cheio de lacunas geradas pelo excesso de expectativas, amor esse tão sozinho – eu, enamorada por alguém que era um habitante do meu imaginário (com todas as distorções da realidade que isso possa incluir), no final das contas nunca deixei de ser uma linda e sorridente solitária.
Não é mais esse o amor que eu quero para mim. O que eu quero é o amor que habita muito mais o meu dia-a-dia do que ele habita o meu imaginário (e isso nunca aconteceu antes na minha vida).
E é exatamente por isso que fico tão feliz cantarolando o amor frejatiano para cima e para baixo em plena sexta feira ensolarada – mesmo que a priori eu nunca tenha vivenciado de verdade o que seja isso.
Coloco aqui as letras das músicas, para quem não sabe do que eu estou falando.
Eu Não Quero Brigar Mais Não
Eu amo o cheiro do seu cabelo
Eu amo o nosso amor assim
Sem dor de cotovelo
Vamos pra bem longe daqui
O vira-lata e a gata
Meu bem
Pode levar o novelo
O nosso amor não é só de pele
E de pêlo
Se quiser ter um neném
Tudo bem, vamos tê-lo
O nosso amor vai da água pro vinho
Às vezes é feito baixinho
Às vezes acorda o vizinho
Penso em você
O meu coração se aquece
Penso em nós dois
E as peripécias da espécie
Esquece a nossa última briga
Lembra o primeiro beijo
E ouça essa cantiga
Eu não quero brigar mais não
Eu quero você toda pra mim
Vou começar pedindo a tua mão
Você é aquela que o meu coração habita
Única e favorita
Estrela da minha vida
E da minha escrita
Eu fico sorrindo de orelha a orelha
Você com a pele bonita
Que fica sempre vermelha
Quando eu te amo de forma infinita
Somos Bambam e Pedrita
Eu não quero brigar mais não
Eu quero você toda pra mim
Vou começar pedindo a tua mão
Eu quero uma mulher normal
Do povo
Não quero uma mulher global
De novo
Quero uma mulher que me ame no Natal
E no Ano Novo
Amor no caviar
No pão com ovo
Namoro num Fusquinha ou num Volvo
Quero uma mulher que me ame no Natal
E no Ano Novo
Eu não quero brigar mais não
Eu quero você toda pra mim
Vou começar pedindo a tua mão
Por Você
Por você eu dançaria tango no teto,
Eu limparia os trilhos do metrô,
Eu iria a pé do Rio a Salvador...
Eu aceitaria a vida como ela é,
Viajaria a prazo pro inferno,
Eu tomaria banho gelado no inverno.
Por você...
Eu deixaria de beber,
Por você...
Eu ficaria rico num mês,
Eu dormiria de meia pra virar burguês.
Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher...
Por você...
Por você,
Conseguiria até ficar alegre,
Pintaria todo o céu de vermelho,
Eu teria mais herdeiros que um coelho.
Eu aceitaria a vida como ela é,
Viajaria à prazo pro inferno,
Eu tomaria banho gelado no inverno.
Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher.
(Parágrafo gigantesco para explicar a “uma hora de limbo”: essa é aquela exata uma hora em que a Cidoca já entrou no quarto para me acordar; que a persiana já está levantada e a luz do sol já bate na janela vizinha e reflete justo no meu quarto; e que o despertador (com música) já foi disparado; mas que mesmo com tudo isso eu fico localizada exatamente na tênue realidade paralela do limbo entre o sonhar acordada e dormir profundamente (fase REM do sono), e entre o olho aberto e o olho fechado, quando tudo fica simplesmente em um meio-termo muito abstrato.)
A música que tocou na minha “uma hora de limbo” é a nova do Frejat, que está tocando bastante e em várias rádios (já ouvi na Nova Brasil, Brasil 2.000, Eldorado, Mitsubishi, etc). E sempre que eu ouvia essa música eu ficava feliz... mas hoje, que eu acordei ouvindo ela, grudou na cabeça e eu estou o dia inteiro cantarolando “vou começar pedindo a sua mão...”
A letra dela é bem parecida com a letra de “Por você”, é um romance lindo vivido por duas pessoas normais e bem de carne e osso. Não tem o drama das sertanejas, nem o grude brega do amor pagodeiro. Não tem o lirismo do Vinícius, e nem as idealizações e metáforas lindas do Tom. E nem a responsabilidade de ser um “amor único” como em “My first, my last, my everything” do Barry White. Não tem toda a poesia baiana e meio cosmopolita e meio hippie do amor da Tropicália. Também não tem todo o sofrimento e o auto-esquartejamento promovido pelo drama acentuado da esparrela da soprano de quinta. E também não é a invenção de uma mulher - a Penny Lane - pelos Beatles.
O romantismo do Frejat me faz os olhos brilharem. É o amor possível dos dias de hoje. É um pouco um amor do Cazuza. Só que é um romantismo mais bem-humorado do que o do Cazuza, e nem por isso leviano. Mas com certeza, mais leve. E mais contemporâneo também.
Pôxa, o Frejat dormiria de meia para virar burguês. Ele limparia os trilhos do metrô, e iria a pé do Rio a Salvador. Ele quer uma mulher normal do povo, e não uma mulher global de novo. Ele quer uma mulher que o ame no Natal e no Ano Novo.
É isso, é um romantismo gostoso, é uma declaração de amor que poderia muito bem fazer parte da vida de qualquer um de nós. É muito mais real que uma poesia – e não deixa de ser poético, mas para além da poesia por si só, é uma poesia assim, humana, atingível, plausível. É o amor que não só sonha – mas que vive a realidade e que é feliz exatamente pela possibilidade de vivenciar essa coisa gostosa.
Na verdade, sei lá.
Acho que estou assim, um pouco frejatiana, depois de ter apanhado bastante do amor sonhador ao longo da vida. E depois do ápice desse ano (queda dura de altura alta caída duas vezes, quase que uma morte morrida das minhas idéias românticas), hoje em dia consigo usar todas as máscaras junguianas menos a da “romântica sonhadora” – e muito por isso eu estou tão sozinha que absolutamente nenhuma pessoa ocupa meus pensamentos e meus sonhos – coisa que nunca deve ter acontecido antes na minha vida. Estou navegando em mares nunca dantes navegados – e sim, isso é delicioso.
Percebendo que aquele amor da “romântica sonhadora” que ouvia Vinícius ("você quer ser minha namorada?") e divagava, que ouvia Chico ("amo tanto e de tanto amar...") e sonhava acordada, amor esse tão cheio de lacunas geradas pelo excesso de expectativas, amor esse tão sozinho – eu, enamorada por alguém que era um habitante do meu imaginário (com todas as distorções da realidade que isso possa incluir), no final das contas nunca deixei de ser uma linda e sorridente solitária.
Não é mais esse o amor que eu quero para mim. O que eu quero é o amor que habita muito mais o meu dia-a-dia do que ele habita o meu imaginário (e isso nunca aconteceu antes na minha vida).
E é exatamente por isso que fico tão feliz cantarolando o amor frejatiano para cima e para baixo em plena sexta feira ensolarada – mesmo que a priori eu nunca tenha vivenciado de verdade o que seja isso.
Coloco aqui as letras das músicas, para quem não sabe do que eu estou falando.
Eu Não Quero Brigar Mais Não
Eu amo o cheiro do seu cabelo
Eu amo o nosso amor assim
Sem dor de cotovelo
Vamos pra bem longe daqui
O vira-lata e a gata
Meu bem
Pode levar o novelo
O nosso amor não é só de pele
E de pêlo
Se quiser ter um neném
Tudo bem, vamos tê-lo
O nosso amor vai da água pro vinho
Às vezes é feito baixinho
Às vezes acorda o vizinho
Penso em você
O meu coração se aquece
Penso em nós dois
E as peripécias da espécie
Esquece a nossa última briga
Lembra o primeiro beijo
E ouça essa cantiga
Eu não quero brigar mais não
Eu quero você toda pra mim
Vou começar pedindo a tua mão
Você é aquela que o meu coração habita
Única e favorita
Estrela da minha vida
E da minha escrita
Eu fico sorrindo de orelha a orelha
Você com a pele bonita
Que fica sempre vermelha
Quando eu te amo de forma infinita
Somos Bambam e Pedrita
Eu não quero brigar mais não
Eu quero você toda pra mim
Vou começar pedindo a tua mão
Eu quero uma mulher normal
Do povo
Não quero uma mulher global
De novo
Quero uma mulher que me ame no Natal
E no Ano Novo
Amor no caviar
No pão com ovo
Namoro num Fusquinha ou num Volvo
Quero uma mulher que me ame no Natal
E no Ano Novo
Eu não quero brigar mais não
Eu quero você toda pra mim
Vou começar pedindo a tua mão
Por Você
Por você eu dançaria tango no teto,
Eu limparia os trilhos do metrô,
Eu iria a pé do Rio a Salvador...
Eu aceitaria a vida como ela é,
Viajaria a prazo pro inferno,
Eu tomaria banho gelado no inverno.
Por você...
Eu deixaria de beber,
Por você...
Eu ficaria rico num mês,
Eu dormiria de meia pra virar burguês.
Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher...
Por você...
Por você,
Conseguiria até ficar alegre,
Pintaria todo o céu de vermelho,
Eu teria mais herdeiros que um coelho.
Eu aceitaria a vida como ela é,
Viajaria à prazo pro inferno,
Eu tomaria banho gelado no inverno.
Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher.
8.9.08
Y-O-G-A
(pronunciado pausadamente, como quem respira, expira, inspira, lentamente, respeitando o ritmo do próprio corpo e não o ritmo imposto por conjunturas externas à nós)
Fiquei duas semanas sem ir à Yoga. Hoje quando saí do trabalho às sete e meia da noite estava me sentindo uma super revoltada ultra revolucionária com um rompante de indisciplina radical que joga a toalha e vai embora, esquecendo o Inbox abarrotado, e corre para a yoga.
A ironia fina é importante de ser destacada: revolta, revolução e indisciplina não há nenhuma quando já são 19.30 e você ainda está no trabalho. Não, eu não fui displicente com meus compromissos profissionais - embora a priori fosse assim que eu me sentisse. E é nessa contradição (realidade/sensação) que reside a ironia fina. E também nos termos usados para descrever essa sensação: rompante de indisciplina radical pode ser um bom exemplo disso.
OK.
Continuemos sem mais metalinguísticas-dialéticas-auto-explicativas.
Voltando ao ponto onde interesse: larguei lá o Inbox abarrotado e desci a mil por hora, vento gelado no rosto, para a yoga. Fiquei duas semanas sem ir à yoga - meu corpo já gritava: yoga, yoga, yoga, yoga, um gritinho assim, exaurido e abafado ao mesmo tempo. Gritinho de ombro duro, de lombar gritando, de canela dolorida, de pescoço travado. Eu posso não conseguir ir à yoga com a boa e velha frequência de sempre desse primeiro semestre de 2008 - 3 ou 4 vezes por semana. Posso me esforçar em excesso para ir duas vezes por semana, ao sair do trabalho. Mas, pôxa vida, ficar 15 dias sem yoga é displicência demais comigo mesma!
Cheguei em casa, tirei correndo a roupa do trabalho, coloquei correndo a roupa da yoga (ah, como eu gosto de Crocs nos meus pés) e me joguei na cama estatelada (aquela cena de filme que a pessoa senta na beira da cama, coloca o sapato, e dá aquela oscilada antes de partir para a próxima: deita e fica vendo a luz do quarto no teto, admirando o nada, e tomando coragem).
Contra tudo e contra todos, a favor dos gritinhos abafados que meu corpo tem dado ultimamente, fui. E a uma hora e meia da yoga de hoje (obrigada, Marcella, professora, mestra e amiga!) foi o suficiente para que eu começasse nova uma nova semana. É engraçado isso, o corpo pedia taaanto a yoga nos últimos tempos, que para além de todas as "posições mágicas" que tenho conseguido fazer após esse um ano praticando (sim, essa semana comemoro um ano de aniversário de Mariana-yogi), hoje fiz as posições mágicas e me estiquei muito, muito muito.
Saí de lá com um trato, um trato quieto e silencioso, mas que eu coloco aqui para depois eu não me trair - e ter testemunhas: Mariana - a pessoa vs. Mariana - o corpo.
Meu trato é:
te prometo, ó corpinho de gritos abafados, que vou à yoga no mínimo duas vezes por semana. Te prometo, ó corpinho, que a acupuntura será quinzenal. Te prometo, ó corpinho, que me esforçarei ao máximo para que você não pague mico na dança. Te prometo, ó corpinho, que vou dormir mais cedo e não acordar mais tão atrasada.
Rolling Stones já cantou: you cant' always have what you want. Eu estou devidamente mergulhada na eterna luta entre o tempo que eu cuido de mim e o tempo que eu cuido do meu trabalho.
Anyways, não queria perder tanto o foco assim. Quando li Comer, Rezar, Amar, a moça do livro foi praticar yoga e meditação em um ashram da India. E o que ela escreve sobre a importância da yoga na vida dela é tão lindo e é tão eu, que eu tomo a liberdade de reproduzir por aqui.
Esse era meu foco inicial (mas eu sou uma pessoa que me perco em meus pensamentos e em minhas idéias mesmo quando estou escrevendo): simplesmente falar como a yoga do dia de hoje mudou radicalmente a minha vida, e como o que a Liz Gilbert (do Comer, Rezar, Amar) escreveu sobre a prática da yoga é exatamente, literalmente, coincidente com o que eu penso da yoga.
“Yoga, em sânscrito, pode ser traduzido como união. A origem da palavra é o radical yuj, que significa algo como dedicar-se a uma tarefa com a disciplina de um boi. A tarefa do ioga é encontrar a união - entre mente e corpo, entre indivíduo e o seu Deus, entre nossos pensamentos e a origem de nossos pensamentos, entre professor e aluno, e até mesmo entre nós e nossos semelhantes às vezes tão pouco flexíveis.
Ioga pode também significar tentar encontrar Deus por meio de meditação, por meio do estudo erudito, por meio da prática do silêncio, por meio do serviço de devoção, ou por meio de um mantra - a repetição de palavras sagradas em sânscrito.
O caminho do ioga consiste em desatar os nós inerentes à condição humana, algo que definirei aqui, de forma extremamente simplificada, como a desoladora incapacidade de sustentar o contentamento. Ao longo dos séculos, diferentes escolas de pensamento encontraram várias explicações para o estado de aparente falha inerente ao ser humano. Os Taoístas chamam-no de desequilíbrio, o Budismo, de ignorânciam o Islamismo põe a culpa de nosso pesar na rebelião contra Deus e a tradição Judaico-Cristã atribui todo nosso sofrimento ao pecado original. Os freudianos afirmam que a infelicidade é o resultado inevitável de um embate entre nossas pulsões naturais e as necessidades da civilização. Os iogues, no entanto, dizem que o descontentamento humano é um simples caso de identidade equivocada. Nós somos infelizes porque achamos que somos meros indivíduos, sozinhos com nossos medos e falhas, com nosso ressentimento e nossa mortalidade. Acreditamos equivocadamente que nossos pequenos e limitados egos constituem toda nossa natureza. Não conseguimos reconhecer nossa natureza divina mais profunda. Não percebemos que, em algum lugar dentro de todos nós, existe um EU SUPREMO que está eternamente em paz. Esse EU SUPREMO é a nossa verdadeira identidade, universal e divina. Se você não perceber essa verdade, dizem os iogues, estará sempre desesperado, idéia expressa de forma inteligente na seguinte frase irritada do filósofo estóico grego Epítero: ”Você leva Deus dentro de si, seu pobre desgraçado, e não sabe disso!”
Ioga é o esforço que uma pessoa faz para vivenciar pessoalmente a sua divindade, e em seguida para sustentar essa experiência para sempre. Ioga é o domínio de si e o esforço dedicado a desviar a atenção de reflexões intermináveis sobre o passado e preocupações infindáveis com o futuro para, em vez disso, conseguir buscar um lugar de eterna presença, de onde se possa olhar com tranqüilidade para si emso e paro o mundo ao redor. Somente dessa perspectiva de equilíbrio da mente é que a verdadeira natureza do mundo (e de você prórpio) lhe será revelada. Os verdadeiros iogues, de sua posição de equanimidade, vêem este mundo todo como a mesma manisfestação de energia criativa de Deus - homens, mulheres, crianças, nabos, piolhos, corais: tudo isso é Deus disfarçado. Mas os iogues acreditam que a vida humana, e somente com uma mente humana, é que a percepção de Deus pode ocorrer. Os nabos, os piolhos, os corais - eles nunca tem a oportunidade de descobrir quem realmente são. Nós temos essa oportunidade.
Nosso propósito nesta vida, portanto - escreveu Santo Agostinho, ele próprio um pouco iogue - é 'recuperar a saúde do olho do coração através do qual podemos ver Deus'.”
(”Comer Rezar Amar” de Elizabeth Gilbert/ editora Objetiva)
Só uma observação final: contraditória é uma pessoa que, por uma hora e meia - e apenas duas horas e meia atrás - vivencia o aquietamento profundo da mente e sua admiração diante do Sagrado - ali, tão próximo, tão dentro - e mesmo assim continua com o pensamento tão viajante que dá mil voltas em post para escrever o que eu queria ter escrito in the very first place.
Boa noite para vocês também - que ficar sem dormir, eu acho, tem-me feito mal, muito mal.
Fiquei duas semanas sem ir à Yoga. Hoje quando saí do trabalho às sete e meia da noite estava me sentindo uma super revoltada ultra revolucionária com um rompante de indisciplina radical que joga a toalha e vai embora, esquecendo o Inbox abarrotado, e corre para a yoga.
A ironia fina é importante de ser destacada: revolta, revolução e indisciplina não há nenhuma quando já são 19.30 e você ainda está no trabalho. Não, eu não fui displicente com meus compromissos profissionais - embora a priori fosse assim que eu me sentisse. E é nessa contradição (realidade/sensação) que reside a ironia fina. E também nos termos usados para descrever essa sensação: rompante de indisciplina radical pode ser um bom exemplo disso.
OK.
Continuemos sem mais metalinguísticas-dialéticas-auto-explicativas.
Voltando ao ponto onde interesse: larguei lá o Inbox abarrotado e desci a mil por hora, vento gelado no rosto, para a yoga. Fiquei duas semanas sem ir à yoga - meu corpo já gritava: yoga, yoga, yoga, yoga, um gritinho assim, exaurido e abafado ao mesmo tempo. Gritinho de ombro duro, de lombar gritando, de canela dolorida, de pescoço travado. Eu posso não conseguir ir à yoga com a boa e velha frequência de sempre desse primeiro semestre de 2008 - 3 ou 4 vezes por semana. Posso me esforçar em excesso para ir duas vezes por semana, ao sair do trabalho. Mas, pôxa vida, ficar 15 dias sem yoga é displicência demais comigo mesma!
Cheguei em casa, tirei correndo a roupa do trabalho, coloquei correndo a roupa da yoga (ah, como eu gosto de Crocs nos meus pés) e me joguei na cama estatelada (aquela cena de filme que a pessoa senta na beira da cama, coloca o sapato, e dá aquela oscilada antes de partir para a próxima: deita e fica vendo a luz do quarto no teto, admirando o nada, e tomando coragem).
Contra tudo e contra todos, a favor dos gritinhos abafados que meu corpo tem dado ultimamente, fui. E a uma hora e meia da yoga de hoje (obrigada, Marcella, professora, mestra e amiga!) foi o suficiente para que eu começasse nova uma nova semana. É engraçado isso, o corpo pedia taaanto a yoga nos últimos tempos, que para além de todas as "posições mágicas" que tenho conseguido fazer após esse um ano praticando (sim, essa semana comemoro um ano de aniversário de Mariana-yogi), hoje fiz as posições mágicas e me estiquei muito, muito muito.
Saí de lá com um trato, um trato quieto e silencioso, mas que eu coloco aqui para depois eu não me trair - e ter testemunhas: Mariana - a pessoa vs. Mariana - o corpo.
Meu trato é:
te prometo, ó corpinho de gritos abafados, que vou à yoga no mínimo duas vezes por semana. Te prometo, ó corpinho, que a acupuntura será quinzenal. Te prometo, ó corpinho, que me esforçarei ao máximo para que você não pague mico na dança. Te prometo, ó corpinho, que vou dormir mais cedo e não acordar mais tão atrasada.
Rolling Stones já cantou: you cant' always have what you want. Eu estou devidamente mergulhada na eterna luta entre o tempo que eu cuido de mim e o tempo que eu cuido do meu trabalho.
Anyways, não queria perder tanto o foco assim. Quando li Comer, Rezar, Amar, a moça do livro foi praticar yoga e meditação em um ashram da India. E o que ela escreve sobre a importância da yoga na vida dela é tão lindo e é tão eu, que eu tomo a liberdade de reproduzir por aqui.
Esse era meu foco inicial (mas eu sou uma pessoa que me perco em meus pensamentos e em minhas idéias mesmo quando estou escrevendo): simplesmente falar como a yoga do dia de hoje mudou radicalmente a minha vida, e como o que a Liz Gilbert (do Comer, Rezar, Amar) escreveu sobre a prática da yoga é exatamente, literalmente, coincidente com o que eu penso da yoga.
“Yoga, em sânscrito, pode ser traduzido como união. A origem da palavra é o radical yuj, que significa algo como dedicar-se a uma tarefa com a disciplina de um boi. A tarefa do ioga é encontrar a união - entre mente e corpo, entre indivíduo e o seu Deus, entre nossos pensamentos e a origem de nossos pensamentos, entre professor e aluno, e até mesmo entre nós e nossos semelhantes às vezes tão pouco flexíveis.
Ioga pode também significar tentar encontrar Deus por meio de meditação, por meio do estudo erudito, por meio da prática do silêncio, por meio do serviço de devoção, ou por meio de um mantra - a repetição de palavras sagradas em sânscrito.
O caminho do ioga consiste em desatar os nós inerentes à condição humana, algo que definirei aqui, de forma extremamente simplificada, como a desoladora incapacidade de sustentar o contentamento. Ao longo dos séculos, diferentes escolas de pensamento encontraram várias explicações para o estado de aparente falha inerente ao ser humano. Os Taoístas chamam-no de desequilíbrio, o Budismo, de ignorânciam o Islamismo põe a culpa de nosso pesar na rebelião contra Deus e a tradição Judaico-Cristã atribui todo nosso sofrimento ao pecado original. Os freudianos afirmam que a infelicidade é o resultado inevitável de um embate entre nossas pulsões naturais e as necessidades da civilização. Os iogues, no entanto, dizem que o descontentamento humano é um simples caso de identidade equivocada. Nós somos infelizes porque achamos que somos meros indivíduos, sozinhos com nossos medos e falhas, com nosso ressentimento e nossa mortalidade. Acreditamos equivocadamente que nossos pequenos e limitados egos constituem toda nossa natureza. Não conseguimos reconhecer nossa natureza divina mais profunda. Não percebemos que, em algum lugar dentro de todos nós, existe um EU SUPREMO que está eternamente em paz. Esse EU SUPREMO é a nossa verdadeira identidade, universal e divina. Se você não perceber essa verdade, dizem os iogues, estará sempre desesperado, idéia expressa de forma inteligente na seguinte frase irritada do filósofo estóico grego Epítero: ”Você leva Deus dentro de si, seu pobre desgraçado, e não sabe disso!”
Ioga é o esforço que uma pessoa faz para vivenciar pessoalmente a sua divindade, e em seguida para sustentar essa experiência para sempre. Ioga é o domínio de si e o esforço dedicado a desviar a atenção de reflexões intermináveis sobre o passado e preocupações infindáveis com o futuro para, em vez disso, conseguir buscar um lugar de eterna presença, de onde se possa olhar com tranqüilidade para si emso e paro o mundo ao redor. Somente dessa perspectiva de equilíbrio da mente é que a verdadeira natureza do mundo (e de você prórpio) lhe será revelada. Os verdadeiros iogues, de sua posição de equanimidade, vêem este mundo todo como a mesma manisfestação de energia criativa de Deus - homens, mulheres, crianças, nabos, piolhos, corais: tudo isso é Deus disfarçado. Mas os iogues acreditam que a vida humana, e somente com uma mente humana, é que a percepção de Deus pode ocorrer. Os nabos, os piolhos, os corais - eles nunca tem a oportunidade de descobrir quem realmente são. Nós temos essa oportunidade.
Nosso propósito nesta vida, portanto - escreveu Santo Agostinho, ele próprio um pouco iogue - é 'recuperar a saúde do olho do coração através do qual podemos ver Deus'.”
(”Comer Rezar Amar” de Elizabeth Gilbert/ editora Objetiva)
Só uma observação final: contraditória é uma pessoa que, por uma hora e meia - e apenas duas horas e meia atrás - vivencia o aquietamento profundo da mente e sua admiração diante do Sagrado - ali, tão próximo, tão dentro - e mesmo assim continua com o pensamento tão viajante que dá mil voltas em post para escrever o que eu queria ter escrito in the very first place.
Boa noite para vocês também - que ficar sem dormir, eu acho, tem-me feito mal, muito mal.
26.8.08
Sonoridades
Por falar em ler e repetir (ler post abaixo), tenho duas observações engraçadas para fazer sobre essas coisas um pouco fonéticas.
A primeira delas é deveras bizarra, na verdade.
Tudo bem, talvez meu sobrenome não seja dos mais fáceis do mundo. Mas sexta passada, na entrada de uma empresa, entreguei meu RG pro segurança da empresa e ele me devolveu o RG com a seguinte frase: "Senhora, peço desculpas mas eu não consigo entender seu sobrenome. A senhora poderia por favor ditar o que está escrito aí?"
Por dentro, minha vontade de dar risada era proporcional à dó que eu sentia do cara... porque afinal, teoricamente é bem mais fácil o bróder ver o que está escrito no meu RG e copiar do que pedir para que eu dite exatamente o que está no RG.
A segunda delas poderia ser definida como absolutamente irritante.
Hoje fomos almoçar na Casa do Pão de Queijo, que está fazendo uma campanha de uma criação de uns pãezinhos de queijo que cada um coloca os recheios manualmente. Essa "técnica" se chama Dip Nic. Fiquei repetindo incessantemente: dip nic dip nic dip nic dip nic dip nic dip nic e as pessoas que me acompanhavam pediram que eu parasse, porque estava irritando. E eu lá: dip nic dip nic dip nic dip nic dip nic. Daí eu falei: querem que eu troque? Tudo bem, eu troco. E me lembrei de Kobe Beef, cuja sonoridade eu também adoro. E fiquei oscilando: dip nic kobe beef dip nic kobe beef dip nic kobe beef dip nic kobe beef.
Fim.
A primeira delas é deveras bizarra, na verdade.
Tudo bem, talvez meu sobrenome não seja dos mais fáceis do mundo. Mas sexta passada, na entrada de uma empresa, entreguei meu RG pro segurança da empresa e ele me devolveu o RG com a seguinte frase: "Senhora, peço desculpas mas eu não consigo entender seu sobrenome. A senhora poderia por favor ditar o que está escrito aí?"
Por dentro, minha vontade de dar risada era proporcional à dó que eu sentia do cara... porque afinal, teoricamente é bem mais fácil o bróder ver o que está escrito no meu RG e copiar do que pedir para que eu dite exatamente o que está no RG.
A segunda delas poderia ser definida como absolutamente irritante.
Hoje fomos almoçar na Casa do Pão de Queijo, que está fazendo uma campanha de uma criação de uns pãezinhos de queijo que cada um coloca os recheios manualmente. Essa "técnica" se chama Dip Nic. Fiquei repetindo incessantemente: dip nic dip nic dip nic dip nic dip nic dip nic e as pessoas que me acompanhavam pediram que eu parasse, porque estava irritando. E eu lá: dip nic dip nic dip nic dip nic dip nic. Daí eu falei: querem que eu troque? Tudo bem, eu troco. E me lembrei de Kobe Beef, cuja sonoridade eu também adoro. E fiquei oscilando: dip nic kobe beef dip nic kobe beef dip nic kobe beef dip nic kobe beef.
Fim.
Ethics
Dia desses recebi um poema muito lindo de uma amiga. Ela estava em uma palestra do Oscar Motomura, e ele leu esse poema para o público da palestra.
Reproduzo o poema aqui, com grifos meus, porque tocou fundo para caramba.
Espero que, no mínimo, ele faça pensar (mesmo que não toque assim, fundo).
Ethics
Reflections on ethics and the process of making things happen.
If ethics is the choice for the common good
- deciding not to act because it is difficult and there are uncertaintities involved... is not ethical;
- deciding to act small because it is more confortable... is not ethical;
- deciding to hold back (your proposals, ideas and actions) because you don't want to go against "the group"... is not ethical;
- deciding to doing the possible instead of trying to making the impossible possible... is not ethical;
- deciding to use just a part of your potencial (to save it for self-interested purposes)... is not ethical;
- deciding not to persist up to the limits of your forces... is not ethical;
- deciding to conform to existing limitations (even the ones in the form of inadequate laws)... is not ethical;
- deciding not to act, to stay in silence, letting fear stay in the way... is not ethical;
- deciding to conform to the "letter of the law" instead of persisting on the path difined by the "spirit of law"... is not ethical;
- deciding to "delegate" your natural power, as a world citizen, to others... is not ethical;
- deciding not to try because nobody tried it before... is not ethical;
- deciding not to act on challenges of scale and complexity because they look overwhelming... is not ethical;
- deciding not to pursue the pefection and conform to what seems "negotioable"... is not ethical;
- deciding to postpone bold actions again and again "waiting for the right moment"... is not ethical;
- deciding not to act pressed by the convetions established by your own "professional community"... is not ethical;
- deciding to hold back because you may not be recognized as the author of the solution... is not ethical;
- deciding to "play the game" and pretend that you are not seeing the manipulations underway... is not ethical;
- deciding to live the realm of ideas, diagnosis and theories instead of taking the riscks and going for action... is not ethical;
- deciding to act only when all is scientifically proven, even when the truth is self evident... is not ethical;
- deciding to reject all radically creative ideas (yours including) when the "traditional-not-so-radical ideas" have not been working... is not ethical;
- deciding not to act because the process of reaching the perfect solution is too complex and difficult to implement... is not ethical;
- deciding to reject every proposal that looks "idealistic" or "uthopic"... is not ethical.
(Insights of Oscar Motomura during Tallberg concert that followed the session of Moral Boundaries Workshop, Summer of 2008)
Uma observação especial: com relação à frase
- deciding to postpone bold actions again and again "waiting for the right moment"... is not ethical;
hoje, em uma reunião interna de trabalho, discutimos isso. E chegamos à conclusão que a hora certa é a hora que decidimos que seja a hora certa. Estamos com uma demanda de trabalhos e projetos absolutamente sem noção, que ninguém está realmente dando conta, mesmo que estejamos todos trabalhando em grupo e com uma super sinergia.
De qualquer forma, decidimos nomear esse nosso momento como "vamoaíedepoisagentevêcomofaz", desse jeito mesmo, tudo junto - porque nem tempo de respirar dá.
Depois disso, vi que a vida é inteira assim. A gente nunca, a não ser que mate no peito e compre a briga, tem o esqueminha para falar que "essa não é a hora certa então deixa para lá". A não ser no mundo dos medíocres, dos patéticos, e dos tacanhos, isso não existe.
No mundo que eu estou tentando construir e fazer parte (aquela boa e velha história de sermos a mudança que queremos ver no mundo), não temos tempo nem opção para ficar escolhendo muito. É tudo nessa base: "vamoaíquedepoisagentevêcomofaz". Mesmo que sem fôlego, mesmo que não seja fácil.
Ou seja, mata no peito, compra a briga, pega o jacaré mergulhando de cabeça. Se eu pudesse dar conselho para alguém hoje em dia, seria isso.
Óbvio que tem toda uma questão de estabelecer prioridades e de entendermos o que realmente é um "chamado", ou o que realmente é uma "balada" - e qual dos dois a prioridade será dada. Mas sobre prioridades, baladas, chamados, escrevo outro dia.
Por hoje, gostaria que todo mundo lesse isso e repetisse: "vamoaíquedepoisagentevêcomofaz".
Reproduzo o poema aqui, com grifos meus, porque tocou fundo para caramba.
Espero que, no mínimo, ele faça pensar (mesmo que não toque assim, fundo).
Ethics
Reflections on ethics and the process of making things happen.
If ethics is the choice for the common good
- deciding not to act because it is difficult and there are uncertaintities involved... is not ethical;
- deciding to act small because it is more confortable... is not ethical;
- deciding to hold back (your proposals, ideas and actions) because you don't want to go against "the group"... is not ethical;
- deciding to doing the possible instead of trying to making the impossible possible... is not ethical;
- deciding to use just a part of your potencial (to save it for self-interested purposes)... is not ethical;
- deciding not to persist up to the limits of your forces... is not ethical;
- deciding to conform to existing limitations (even the ones in the form of inadequate laws)... is not ethical;
- deciding not to act, to stay in silence, letting fear stay in the way... is not ethical;
- deciding to conform to the "letter of the law" instead of persisting on the path difined by the "spirit of law"... is not ethical;
- deciding to "delegate" your natural power, as a world citizen, to others... is not ethical;
- deciding not to try because nobody tried it before... is not ethical;
- deciding not to act on challenges of scale and complexity because they look overwhelming... is not ethical;
- deciding not to pursue the pefection and conform to what seems "negotioable"... is not ethical;
- deciding to postpone bold actions again and again "waiting for the right moment"... is not ethical;
- deciding not to act pressed by the convetions established by your own "professional community"... is not ethical;
- deciding to hold back because you may not be recognized as the author of the solution... is not ethical;
- deciding to "play the game" and pretend that you are not seeing the manipulations underway... is not ethical;
- deciding to live the realm of ideas, diagnosis and theories instead of taking the riscks and going for action... is not ethical;
- deciding to act only when all is scientifically proven, even when the truth is self evident... is not ethical;
- deciding to reject all radically creative ideas (yours including) when the "traditional-not-so-radical ideas" have not been working... is not ethical;
- deciding not to act because the process of reaching the perfect solution is too complex and difficult to implement... is not ethical;
- deciding to reject every proposal that looks "idealistic" or "uthopic"... is not ethical.
(Insights of Oscar Motomura during Tallberg concert that followed the session of Moral Boundaries Workshop, Summer of 2008)
Uma observação especial: com relação à frase
- deciding to postpone bold actions again and again "waiting for the right moment"... is not ethical;
hoje, em uma reunião interna de trabalho, discutimos isso. E chegamos à conclusão que a hora certa é a hora que decidimos que seja a hora certa. Estamos com uma demanda de trabalhos e projetos absolutamente sem noção, que ninguém está realmente dando conta, mesmo que estejamos todos trabalhando em grupo e com uma super sinergia.
De qualquer forma, decidimos nomear esse nosso momento como "vamoaíedepoisagentevêcomofaz", desse jeito mesmo, tudo junto - porque nem tempo de respirar dá.
Depois disso, vi que a vida é inteira assim. A gente nunca, a não ser que mate no peito e compre a briga, tem o esqueminha para falar que "essa não é a hora certa então deixa para lá". A não ser no mundo dos medíocres, dos patéticos, e dos tacanhos, isso não existe.
No mundo que eu estou tentando construir e fazer parte (aquela boa e velha história de sermos a mudança que queremos ver no mundo), não temos tempo nem opção para ficar escolhendo muito. É tudo nessa base: "vamoaíquedepoisagentevêcomofaz". Mesmo que sem fôlego, mesmo que não seja fácil.
Ou seja, mata no peito, compra a briga, pega o jacaré mergulhando de cabeça. Se eu pudesse dar conselho para alguém hoje em dia, seria isso.
Óbvio que tem toda uma questão de estabelecer prioridades e de entendermos o que realmente é um "chamado", ou o que realmente é uma "balada" - e qual dos dois a prioridade será dada. Mas sobre prioridades, baladas, chamados, escrevo outro dia.
Por hoje, gostaria que todo mundo lesse isso e repetisse: "vamoaíquedepoisagentevêcomofaz".
21.8.08
Rótulos
"Pessoas não são embalagens", já dizia um mendigo com quem cruzei outro dia na rua. Ele gritava isso aos quatro cantos quando chamaram ele de mendigo e ele ficou reclamando do ato de rotular pessoas. Tenho um especial apreço por moradores de rua, herança de quando eu trabalhava em uma ONG que cuidava deles, e esse apreço é mais especial ainda quando se trata de moradores de rua filósofos. Isso é acentuado ainda mais quando se trata de uma pessoa (como eu) que tem por hábito ter small chats sem muita necessidade de um mote introdutório. E pode ser piorado agora que vivo de andar a pé - porque as interações aumentam potencialmente quando seus pés são seu meio de transporte único. Pois bem. Não é da minha conversa com o morador de rua que vou falar hoje.
Hoje conversei com um amigo que me disse que eu era uma "aventureira inspiradora", porque viajei sozinha de mochila por um mês, e porque tinha decidido mudar minha trajetória profissional no final do ano passado. E quando ele me disse isso, eu fiquei pensando como é engraçado as imagens que as pessoas têm da gente, e que muitas vezes não têm nada a ver com a forma com a qual a gente realmente se vê.
E daí comecei a pensar em tudo que já ouvi das pessoas com relação à minha pessoa. Foi uma viagem deliciosa.
Minha avó me chama de "neta mais velha", e isso eu realmente sou - com o detalhe que ela enche a boca e os olhos de orgulho na hora de falar isso.
A sociedade de Foz do Iguaçu, na figura do irmão do amigo do amigo, disse de mim "uma aberração" - porque eu viajei quatro dias sozinha com um amigo que não era meu namorado, dividindo quarto e cama com ele em um hotel (mesmo que isso não tenha significado nada a mais além da nossa amizade), deixando um affair sozinho aqui em São Paulo (e me ligando desesperadamente todos os dias da viagem).
Minha amiga de infância diz que eu sou "uma das pessoas mais cultas" que ela conhece, no que eu tendo a discordar fortemente, sem falsa modéstia.
Meus ex-co-workers me chamavam de "Pelotita de Fuego" (como um rótulo e não como um apelido), pelas bagunças e risadas e happy hours.
Meus companheiros de trabalho atuais (e olha que só faz quinze dias) dizem que eu tenho "um parafuso a menos" (e eu acho cedo demais para eles saírem por aí falando isso).
Meu irmão diz que eu sou uma "patricinha tucana hipócrita". O lance é que ele não verbaliza isso nunca - mas diz em olhares e em atitudes de repreensão.
Meu professor de yoga fala que eu sou "serelepe demais da conta". Porque, óbvio, nunca cheguei muito perto do desapego.
Um disse outro dia que eu sou uma "Amélia com conteúdo", e outro dizia em um passado não distante mas muito remoto que eu sou "uma vanguardista independente que eu não sei se sei bancar". Não soube mesmo.
Minha mãe adora falar que eu sou "a pessoas mais bagunceira do mundo". Eu concordo até o bagunceira, já o do mundo eu não concordo não.
Minha terapeuta não me rotula: eu não sou borderliner, não sou maníaco-depressiva, não tenho traços de suicida, não tenho síndrome do pânico, não tenho dupla personalidade, não sou bipolar, não sou portadora do transtorno-obsessivo-compulsivo, etc.
Uma amigona fala que eu sou "simplesmente necessária".
Outra fala que eu sou "a agenda mais ocupada do planeta terra". Já fui, já fui...
Um amigo ultra próximo diz que eu sou "um clássico", tal qual uma pianista em um trio de jazz na New Orleans dos anos 30. Adoro ser os "clássicos" que ele inventa...
Muitos me conhecem por "Flammes", e isso era o rótulo sinônimo da boa e velha agitadora de encontros, viagens, baladas, sinônimo da "chama que nunca apaga", sinônimo da solteira e baladeira inveterada que algum dia eu fui.
Alguns ainda me chamam de "Flammes", sem que isso seja atrelado à imagem da solteira e baladeira inveterada - mas aí é menos um rótulo e mais um apelido.
A de Nova York me chama de Flammes: mas ela inventou o apelido e ajudou a formar o rótulo em volta dele. Diz ela: "testemunhei o nascimento de um mito".
Meu amigo que virou juiz fala que eu sou "burning Rome", mas porque pelo rótulo dele eu sou o sorriso que ilumina. Carinhoso isso.
Uma querida do mundo disse que eu sou "o equivalente humano ao Panda Po", rótulo que eu acho gostoso e divertido.
A mulher que sentou do meu lado no avião indo para Buenos Aires me rotulou "vulgar" por ser uma mulher viajando sozinha de mochila.
Um grupo de pessoas me chama de "escorpiana", assim como a outras duas pessoas do mesmo grupo, não só pelo meu signo do zodíaco como também por ser a personalização de alguns rótulos que acompanham esse signo.
Meus primos por parte de pai adoram falar que eu sou uma "perdida" nesse mundo.
E meu pai todos os dias insiste que eu sou "uma causa perdida" quando me vê fumando meu primeiro cigarro do dia às onze da noite.
Meu ortodontista adorava dizer que eu sou "filha de dentista", coisa que realmente sou, mas ele estava se referindo àquela dentição bizarra que eu tinha e que me fez usar 11 anos de aparelho.
Minha prima-amiga-irmã me chama de "prima-amiga-irmã" e eu adoro.
Um amigo que mora longe adora me falar que eu sou "as saudades mais gostosas" que ele já sentiu. Me sinto honrada com isso.
E eu com tudo isso?
Eu sei lá.
Tendo a concordar com o morador de rua, que seres humanos não são embalagens.
Mas no final das contas preciso confessar que me divirto.
E que deep down, não me encontro em nenhum dos rótulos que me deram de presente - mas se isso for uma crise existencial, só vou saber daqui um tempo, porque hoje em dia não é.
ps.: É engraçado ver como pessoas que me conheceram exercendo os mesmos papéis (amigos, amigas, companheiros, familiares) têm impressões tão diferentes de mim - por um lado, pelo jeito que eu me portei com cada um deles; e por outro, pelo jeito, personalidade, história, de cada um. Isso daria um belo tratado junguiano sobre as máscaras que a gente veste ao exercer nossos papéis.
Hoje conversei com um amigo que me disse que eu era uma "aventureira inspiradora", porque viajei sozinha de mochila por um mês, e porque tinha decidido mudar minha trajetória profissional no final do ano passado. E quando ele me disse isso, eu fiquei pensando como é engraçado as imagens que as pessoas têm da gente, e que muitas vezes não têm nada a ver com a forma com a qual a gente realmente se vê.
E daí comecei a pensar em tudo que já ouvi das pessoas com relação à minha pessoa. Foi uma viagem deliciosa.
Minha avó me chama de "neta mais velha", e isso eu realmente sou - com o detalhe que ela enche a boca e os olhos de orgulho na hora de falar isso.
A sociedade de Foz do Iguaçu, na figura do irmão do amigo do amigo, disse de mim "uma aberração" - porque eu viajei quatro dias sozinha com um amigo que não era meu namorado, dividindo quarto e cama com ele em um hotel (mesmo que isso não tenha significado nada a mais além da nossa amizade), deixando um affair sozinho aqui em São Paulo (e me ligando desesperadamente todos os dias da viagem).
Minha amiga de infância diz que eu sou "uma das pessoas mais cultas" que ela conhece, no que eu tendo a discordar fortemente, sem falsa modéstia.
Meus ex-co-workers me chamavam de "Pelotita de Fuego" (como um rótulo e não como um apelido), pelas bagunças e risadas e happy hours.
Meus companheiros de trabalho atuais (e olha que só faz quinze dias) dizem que eu tenho "um parafuso a menos" (e eu acho cedo demais para eles saírem por aí falando isso).
Meu irmão diz que eu sou uma "patricinha tucana hipócrita". O lance é que ele não verbaliza isso nunca - mas diz em olhares e em atitudes de repreensão.
Meu professor de yoga fala que eu sou "serelepe demais da conta". Porque, óbvio, nunca cheguei muito perto do desapego.
Um disse outro dia que eu sou uma "Amélia com conteúdo", e outro dizia em um passado não distante mas muito remoto que eu sou "uma vanguardista independente que eu não sei se sei bancar". Não soube mesmo.
Minha mãe adora falar que eu sou "a pessoas mais bagunceira do mundo". Eu concordo até o bagunceira, já o do mundo eu não concordo não.
Minha terapeuta não me rotula: eu não sou borderliner, não sou maníaco-depressiva, não tenho traços de suicida, não tenho síndrome do pânico, não tenho dupla personalidade, não sou bipolar, não sou portadora do transtorno-obsessivo-compulsivo, etc.
Uma amigona fala que eu sou "simplesmente necessária".
Outra fala que eu sou "a agenda mais ocupada do planeta terra". Já fui, já fui...
Um amigo ultra próximo diz que eu sou "um clássico", tal qual uma pianista em um trio de jazz na New Orleans dos anos 30. Adoro ser os "clássicos" que ele inventa...
Muitos me conhecem por "Flammes", e isso era o rótulo sinônimo da boa e velha agitadora de encontros, viagens, baladas, sinônimo da "chama que nunca apaga", sinônimo da solteira e baladeira inveterada que algum dia eu fui.
Alguns ainda me chamam de "Flammes", sem que isso seja atrelado à imagem da solteira e baladeira inveterada - mas aí é menos um rótulo e mais um apelido.
A de Nova York me chama de Flammes: mas ela inventou o apelido e ajudou a formar o rótulo em volta dele. Diz ela: "testemunhei o nascimento de um mito".
Meu amigo que virou juiz fala que eu sou "burning Rome", mas porque pelo rótulo dele eu sou o sorriso que ilumina. Carinhoso isso.
Uma querida do mundo disse que eu sou "o equivalente humano ao Panda Po", rótulo que eu acho gostoso e divertido.
A mulher que sentou do meu lado no avião indo para Buenos Aires me rotulou "vulgar" por ser uma mulher viajando sozinha de mochila.
Um grupo de pessoas me chama de "escorpiana", assim como a outras duas pessoas do mesmo grupo, não só pelo meu signo do zodíaco como também por ser a personalização de alguns rótulos que acompanham esse signo.
Meus primos por parte de pai adoram falar que eu sou uma "perdida" nesse mundo.
E meu pai todos os dias insiste que eu sou "uma causa perdida" quando me vê fumando meu primeiro cigarro do dia às onze da noite.
Meu ortodontista adorava dizer que eu sou "filha de dentista", coisa que realmente sou, mas ele estava se referindo àquela dentição bizarra que eu tinha e que me fez usar 11 anos de aparelho.
Minha prima-amiga-irmã me chama de "prima-amiga-irmã" e eu adoro.
Um amigo que mora longe adora me falar que eu sou "as saudades mais gostosas" que ele já sentiu. Me sinto honrada com isso.
E eu com tudo isso?
Eu sei lá.
Tendo a concordar com o morador de rua, que seres humanos não são embalagens.
Mas no final das contas preciso confessar que me divirto.
E que deep down, não me encontro em nenhum dos rótulos que me deram de presente - mas se isso for uma crise existencial, só vou saber daqui um tempo, porque hoje em dia não é.
ps.: É engraçado ver como pessoas que me conheceram exercendo os mesmos papéis (amigos, amigas, companheiros, familiares) têm impressões tão diferentes de mim - por um lado, pelo jeito que eu me portei com cada um deles; e por outro, pelo jeito, personalidade, história, de cada um. Isso daria um belo tratado junguiano sobre as máscaras que a gente veste ao exercer nossos papéis.
19.8.08
Curtas
de uma semana longa em tempos corridos.
- Uma das melhores loucuras que eu poderia ter feito por mim mesma foi ir para Salvador por um final de semana apenas, para me ver cercada de pessoas especiais e amigos queridos de tanto tempo.
- A amiga de Nova York se-foi-se. Nos despedimos lá, no meio do casório. As duas bêbadas. Choramos muito mais do que o necessário e muito menos do que eu gostaria. Vai ficar um buraco a ausência dela dessa vez, depois de dois meses do mais puro - e delicioso - grude. Tudo bem, sempre tem o ano que vem.
- Casório legal é assim: noivos tão queridos e tão felizes que não cabiam em si. E essa felicidade contagiava cada um dos convidados que lá estavam. Pulávamos, cantávamos, gritávamos, bebíamos, assim - como se não houvesse amanhã. Celebrando o amor em uma festa memorável perto do mar que refletia, sereno, a deslumbrante lua cheia daquela noite.
- Saldo de UVA/UVB: dois dias na praia, debaixo de um sol de julho delicioso e quente.
- Saldo gastronômico: sexta: acarajé, lagosta, polvo, ostra, peixe, camarão; sábado: iscas de peixe na praia e todos os frutos do mar em uma delícia gastronômica sem fim e abundante no casamento; domingo: casquinha de siri, camarão ao molho de maracujá com arroz com passas. Está bom ou quer mais?
- Aquela acupuntura naquela quarta nunca foi tão essencial para a minha sobrevivência quanto semana passada.
- Coisas que só tem na Bahia e que me fazem bem: ser recebida por bahianas e capoeiristas no aeroporto (mesmo que pasteurizados, são deliciosos); taxista reclamando do frio de 22 graus que fazia na cidade; aquéle sútaque delicioso e arrastado, preguiçoso, cantado, que me soa tão bem; algumas frases únicas de se ouvir, como a que eu ouvi do garçom do bar de praia: "ontem, a noite estava tão fechada que o céu estava até vermelho".
- Correr do trabalho para a depilação para casa pintar unha arrumar mala separar tudo tomar banho dormir. Correria que eu não tinha há tanto tempo. Deliciosa correria.
- Ultimamente tenho me esquecido de fumar. Sinto que o próximo passo, natural, será parar.
- Ir trabalhar a pé tem me feito um bem sem noção, delicioso, absurdo. Tenho colecionado histórias de conversas roubadas no meio do caminho. Algum dia eu conto.
- Olimpíadas e essa torcida de todo mundo é muito bom.
- Chegar no trabalho novo e ser assim, tão extremamente bem recebida, é muito melhor do que eu imaginava que poderia ser a priori.
- Aliás, acordar feliz e ir trabalhar feliz tem me sido uma bênção.
- Desde que o CQC começou a passar na TV brasileira minhas noites de segunda feira têm sido consideravelmente mais felizes.
- Trabalhar no epicentro dos acontecimentos legais é muito bom. Ontem quando eu saí do trabalho passei na livraria e vi um debate com o Paulo Markun, Samantha Power (autora do Chasing the Flame) e Carolina Larriera (ex esposa do Sérgio Vieira de Mello). E aí a Samantha autografou meu livro. O Senador Suplicy também estava lá. E eu estava, como sempre, acompanhada em tão perfeita harmonia do meu amigo-vizinho. Hoje quando eu saí do trabalho lá na minha porta vi a inauguração de uma exposição de fotos dos monges budistas de Mianmar.
- Isso posto, as chances de eu me tornar uma pessoa provinciana - mesmo sendo uma paulistana nata - são altas. Quando o lugar que a gente mora é muito perto do trabalho e é muito perto do lazer, a vida fica deliciosamente cômoda - e a chance de eu abrir mão disso é pequena.
- Usar o carro só para meus momentos de lazer é absolutamente fantástico.
- Perder hoje para a Argentina foi bem triste.
- Hoje de manhã ver o Lipovetsky falar em uma palestra com um público fantástico e selecionadíssimo é coisa única de se ver.
- Estar na Bahia quando da partida de Dori Caymmi é triste. Mas é bonito também. Só se falava disso: na recepção do hotel, no ônibus, no táxi, no restaurante.
- Lamentável o incêndio que destruiu o Cultura Artística. A última vez que fui lá foi para assistir a encantadora "Casa dos Budas Ditosos" com a Fernanda Torres. Mas esse teatro deixa um legado triste, para ampliarmos para todos os bens culturais do nosso país: o que a displicência da população e do governo tem feito com eles?
- Acho que faz uns quinze dias que não vou ao cinema. Estou com saudades.
- Triste volto eu da Bahia quando tive um final de semana perfeito mas não consegui encontrar pessoinha baiana tão especial. Tudo bem. Parece que em setembro nos encontraremos, mas dessa vez, aqui.
- Vou ao show da Madonna de qualquer jeito.
- As pessoas que já estão pensando no seu Reveillon 08/09 me dão uma certa aflição. Mas pelo menos agora eu não tenho mais a sensação de "não faço a mínima idéia do que acontecerá na minha vida até lá". Agora eu já tenho idéia.
- Quando quem já me entrevistou (e não me quis) me vê empregada novamente e realmente feliz, e fala que "ainda quero que você trabalhe lá com a gente", fica na boca um gostinho bom do "viu como você fez bem em não me querer? Estou em um lugar muito bacana agora."
- Permaneço não gostando de fofocas e loucuras e pessoas estranhas. E cada vez mais eu descubro que o mundo está um lugar estranho de se viver, quando as pessoas mais próximas aprontam umas coisas tão babacas...
- Já estou sentindo falta de algumas coisas. Mas não se pode ter tudo que se quer ter. E afinal, estou feliz com essa vida que eu quis. Agora, é esperar o tempo quando tudo se ajeitará e entrará de novo nos seus devidos eixos.
- Uma das melhores loucuras que eu poderia ter feito por mim mesma foi ir para Salvador por um final de semana apenas, para me ver cercada de pessoas especiais e amigos queridos de tanto tempo.
- A amiga de Nova York se-foi-se. Nos despedimos lá, no meio do casório. As duas bêbadas. Choramos muito mais do que o necessário e muito menos do que eu gostaria. Vai ficar um buraco a ausência dela dessa vez, depois de dois meses do mais puro - e delicioso - grude. Tudo bem, sempre tem o ano que vem.
- Casório legal é assim: noivos tão queridos e tão felizes que não cabiam em si. E essa felicidade contagiava cada um dos convidados que lá estavam. Pulávamos, cantávamos, gritávamos, bebíamos, assim - como se não houvesse amanhã. Celebrando o amor em uma festa memorável perto do mar que refletia, sereno, a deslumbrante lua cheia daquela noite.
- Saldo de UVA/UVB: dois dias na praia, debaixo de um sol de julho delicioso e quente.
- Saldo gastronômico: sexta: acarajé, lagosta, polvo, ostra, peixe, camarão; sábado: iscas de peixe na praia e todos os frutos do mar em uma delícia gastronômica sem fim e abundante no casamento; domingo: casquinha de siri, camarão ao molho de maracujá com arroz com passas. Está bom ou quer mais?
- Aquela acupuntura naquela quarta nunca foi tão essencial para a minha sobrevivência quanto semana passada.
- Coisas que só tem na Bahia e que me fazem bem: ser recebida por bahianas e capoeiristas no aeroporto (mesmo que pasteurizados, são deliciosos); taxista reclamando do frio de 22 graus que fazia na cidade; aquéle sútaque delicioso e arrastado, preguiçoso, cantado, que me soa tão bem; algumas frases únicas de se ouvir, como a que eu ouvi do garçom do bar de praia: "ontem, a noite estava tão fechada que o céu estava até vermelho".
- Correr do trabalho para a depilação para casa pintar unha arrumar mala separar tudo tomar banho dormir. Correria que eu não tinha há tanto tempo. Deliciosa correria.
- Ultimamente tenho me esquecido de fumar. Sinto que o próximo passo, natural, será parar.
- Ir trabalhar a pé tem me feito um bem sem noção, delicioso, absurdo. Tenho colecionado histórias de conversas roubadas no meio do caminho. Algum dia eu conto.
- Olimpíadas e essa torcida de todo mundo é muito bom.
- Chegar no trabalho novo e ser assim, tão extremamente bem recebida, é muito melhor do que eu imaginava que poderia ser a priori.
- Aliás, acordar feliz e ir trabalhar feliz tem me sido uma bênção.
- Desde que o CQC começou a passar na TV brasileira minhas noites de segunda feira têm sido consideravelmente mais felizes.
- Trabalhar no epicentro dos acontecimentos legais é muito bom. Ontem quando eu saí do trabalho passei na livraria e vi um debate com o Paulo Markun, Samantha Power (autora do Chasing the Flame) e Carolina Larriera (ex esposa do Sérgio Vieira de Mello). E aí a Samantha autografou meu livro. O Senador Suplicy também estava lá. E eu estava, como sempre, acompanhada em tão perfeita harmonia do meu amigo-vizinho. Hoje quando eu saí do trabalho lá na minha porta vi a inauguração de uma exposição de fotos dos monges budistas de Mianmar.
- Isso posto, as chances de eu me tornar uma pessoa provinciana - mesmo sendo uma paulistana nata - são altas. Quando o lugar que a gente mora é muito perto do trabalho e é muito perto do lazer, a vida fica deliciosamente cômoda - e a chance de eu abrir mão disso é pequena.
- Usar o carro só para meus momentos de lazer é absolutamente fantástico.
- Perder hoje para a Argentina foi bem triste.
- Hoje de manhã ver o Lipovetsky falar em uma palestra com um público fantástico e selecionadíssimo é coisa única de se ver.
- Estar na Bahia quando da partida de Dori Caymmi é triste. Mas é bonito também. Só se falava disso: na recepção do hotel, no ônibus, no táxi, no restaurante.
- Lamentável o incêndio que destruiu o Cultura Artística. A última vez que fui lá foi para assistir a encantadora "Casa dos Budas Ditosos" com a Fernanda Torres. Mas esse teatro deixa um legado triste, para ampliarmos para todos os bens culturais do nosso país: o que a displicência da população e do governo tem feito com eles?
- Acho que faz uns quinze dias que não vou ao cinema. Estou com saudades.
- Triste volto eu da Bahia quando tive um final de semana perfeito mas não consegui encontrar pessoinha baiana tão especial. Tudo bem. Parece que em setembro nos encontraremos, mas dessa vez, aqui.
- Vou ao show da Madonna de qualquer jeito.
- As pessoas que já estão pensando no seu Reveillon 08/09 me dão uma certa aflição. Mas pelo menos agora eu não tenho mais a sensação de "não faço a mínima idéia do que acontecerá na minha vida até lá". Agora eu já tenho idéia.
- Quando quem já me entrevistou (e não me quis) me vê empregada novamente e realmente feliz, e fala que "ainda quero que você trabalhe lá com a gente", fica na boca um gostinho bom do "viu como você fez bem em não me querer? Estou em um lugar muito bacana agora."
- Permaneço não gostando de fofocas e loucuras e pessoas estranhas. E cada vez mais eu descubro que o mundo está um lugar estranho de se viver, quando as pessoas mais próximas aprontam umas coisas tão babacas...
- Já estou sentindo falta de algumas coisas. Mas não se pode ter tudo que se quer ter. E afinal, estou feliz com essa vida que eu quis. Agora, é esperar o tempo quando tudo se ajeitará e entrará de novo nos seus devidos eixos.
10.8.08
Na Bahia-iá-iá...
...tudo é motivo de alegria-iá-iá...
Contagem regressiva iniciada oficialmente sexta feira passada. Contagem regressiva curta, diga-se de passagem. De apenas uma semana. Nessa contagem regressiva, e com tanta coisa ainda por se resolver, sei que nem verei o tempo passar.
(apenas gosto da sensação de celebrar o final da novela da minha compra de passagem aérea, que aquilo foi uma loucura. A amiga de Nova York nem achava mais que eu conseguiria...)
Melhor assim.
Minhas três idas a Bahia até agora sempre representaram fases emblemáticas na minha vida, coisas muito boas, muita novidade. Engraçado isso, na minha história de vida dos últimos 6 anos, a Bahia sempre esteve ligada às mudanças concretizadas e às novidades surgindo.
Dessa vez não é diferente.
Com um adendo importante: estou indo para uma cerimônia de celebração ao amor, porque eu acho tudo isso muito lindo, noivinha de branco, noivinho de terno, familiares chorando, flores por todos os cantos, amigos bêbados e emocionados... (o noivo mesmo disse: "casamento é uma instituição emocionalmente desgastante", no que eu tendo a concordar sem muitas dúvidas)
Sexta feira o noivo me prometeu um casamento-rave: doze horas de festa. Vai ser legal, com certeza.
Mas o melhor de tudo dessa festa na verdade é o noivo, que me é tão querido quanto um abraço apertado e demorado no dia que eu invadi a despedida de solteiro dele sem ser avisada. E depois do noivo, a celebração ao amor.
Mas se junto com tudo isso eu tiver um casamento-rave com 12 horas de festa, daqueles para deixar guardado, para deixar sem voz, para lembrar domingo de ressaca e para lembrar todos os dias da outra semana com ressaca extra, então esse final de semana será muito melhor do que eu esperava a priori.
Ok. Contagem regressiva iniciada.
Quero vê-los, lindos e felizes, o noivo e a noiva. Quero ver, na Bahia de Todos os Santos, a noite de lua cheia do mês de agosto, do bom-gosto. Quero ver, no pôr-do-sol visto na Cidade Baixa, a Bahia de Todos os Santos iluminada por um dourado lindo e muito bahiano que selará mais uma celebração ao amor.
Mas se hoje é domingo... e eu viajo na sexta... faltam exatos cinco dias para que eu chegue à Bahia.
Contagem regressiva iniciada oficialmente sexta feira passada. Contagem regressiva curta, diga-se de passagem. De apenas uma semana. Nessa contagem regressiva, e com tanta coisa ainda por se resolver, sei que nem verei o tempo passar.
(apenas gosto da sensação de celebrar o final da novela da minha compra de passagem aérea, que aquilo foi uma loucura. A amiga de Nova York nem achava mais que eu conseguiria...)
Melhor assim.
Minhas três idas a Bahia até agora sempre representaram fases emblemáticas na minha vida, coisas muito boas, muita novidade. Engraçado isso, na minha história de vida dos últimos 6 anos, a Bahia sempre esteve ligada às mudanças concretizadas e às novidades surgindo.
Dessa vez não é diferente.
Com um adendo importante: estou indo para uma cerimônia de celebração ao amor, porque eu acho tudo isso muito lindo, noivinha de branco, noivinho de terno, familiares chorando, flores por todos os cantos, amigos bêbados e emocionados... (o noivo mesmo disse: "casamento é uma instituição emocionalmente desgastante", no que eu tendo a concordar sem muitas dúvidas)
Sexta feira o noivo me prometeu um casamento-rave: doze horas de festa. Vai ser legal, com certeza.
Mas o melhor de tudo dessa festa na verdade é o noivo, que me é tão querido quanto um abraço apertado e demorado no dia que eu invadi a despedida de solteiro dele sem ser avisada. E depois do noivo, a celebração ao amor.
Mas se junto com tudo isso eu tiver um casamento-rave com 12 horas de festa, daqueles para deixar guardado, para deixar sem voz, para lembrar domingo de ressaca e para lembrar todos os dias da outra semana com ressaca extra, então esse final de semana será muito melhor do que eu esperava a priori.
Ok. Contagem regressiva iniciada.
Quero vê-los, lindos e felizes, o noivo e a noiva. Quero ver, na Bahia de Todos os Santos, a noite de lua cheia do mês de agosto, do bom-gosto. Quero ver, no pôr-do-sol visto na Cidade Baixa, a Bahia de Todos os Santos iluminada por um dourado lindo e muito bahiano que selará mais uma celebração ao amor.
Mas se hoje é domingo... e eu viajo na sexta... faltam exatos cinco dias para que eu chegue à Bahia.
Três curtas e um adendo
Agosto, mês do Bom-Gosto
Pois é. Julho começou hardcore, e permaneceu hardcore.
Primeiro, com a maior fuga covarde e patética já vista. Depois, recheou-se com cirurgia na família e uma revisão gigantesca dos seis primeiros meses desse ano. E muitas, muitas, muitas, crises. Simplesmente às vezes eu achava que não aguentaria (mas sempre que a gente acha que não aguenta, no fundo, sabe que aguenta).
Foi prova de fogo.
Julho terminou naquele almoço da quarta dia 30 e uma notícia que é desabante para qualquer ser humano que a recebe.
Julho terminou naquela hora, 19hrs, da quinta dia 31 e a resposta final e o novo início declarado oficialmente. Depois disso, toda a euforia silenciosa e a sensação de não caber em mim.
No final eu estava muito mais viva do que imaginaria a priori - com uma diferença: não sei precisar quantos exatamente, mas alguns quilos a mais com certeza.
Hoje, uma amiga disse:
"os kilos você perde depois. Já diria o jargão dos economistas: no free lunch, baby".
Hoje, outra amiga disse:
"lembra que você ficava falando para a gente? Esperem agosto... Agora, o SEU agosto chegou".
Em agosto, mês do bom-gosto, muitas das novidades positivas que uma pessoa possa receber e um final de semana na Bahia. Por enquanto acho que não preciso de mais nada - e os kilos a mais irão, certamente, embora.
Dia dos Pais
Todo ano, Dia dos Pais, Dia das Mães, e todas as outras datas, são solenes. Aqui na minha família, escolhe-se restaurantes a dedo, faz-se reservas, tudo o mais. Hoje íamos, de fato, almoçar com a família de um tio, e seus filhos. Mas meu irmão passou mal e não saímos de casa no final das contas. Foi apenas um domingo normal - e foi aí que percebi que é nos domingos normais, de almoço em casa, é que somos mais felizes. Não tivemos a solenidade de um Dia dos Pais normal, não nos encontramos com tios, primos. Ficamos aqui, isoladinhos. Meu pai decidiu pilotar o fogão e ficou feliz da vida com o resultado de seu macarrão. Meu irmão ficou melhor com o colo dos pais. E nós quatro ficamos assim, em casa, e felizes.
Sorte no Jogo, Azar no amor
Se isso é verdade mesmo, então minha sorte no amor deve estar para chegar. Não aguento mais perder as rodadas de War com os amigos e as rodadas de tranca em família.
Um adendo
Adoro minha capacidade de dar o que eu chamo de "presentes cirúrgicos", aqueles inesperados, fora do comum, e que acertam na mosca. Pois é. O presente de Dia dos Pais que dei para ele foi assim mesmo: um sorriso largo abriu-se, e um olhar abismado e brilhante folheava as folhas do livro, praticamente não acreditando. Mais um dos presentes cirúrgicos para minha coleção.
Pois é. Julho começou hardcore, e permaneceu hardcore.
Primeiro, com a maior fuga covarde e patética já vista. Depois, recheou-se com cirurgia na família e uma revisão gigantesca dos seis primeiros meses desse ano. E muitas, muitas, muitas, crises. Simplesmente às vezes eu achava que não aguentaria (mas sempre que a gente acha que não aguenta, no fundo, sabe que aguenta).
Foi prova de fogo.
Julho terminou naquele almoço da quarta dia 30 e uma notícia que é desabante para qualquer ser humano que a recebe.
Julho terminou naquela hora, 19hrs, da quinta dia 31 e a resposta final e o novo início declarado oficialmente. Depois disso, toda a euforia silenciosa e a sensação de não caber em mim.
No final eu estava muito mais viva do que imaginaria a priori - com uma diferença: não sei precisar quantos exatamente, mas alguns quilos a mais com certeza.
Hoje, uma amiga disse:
"os kilos você perde depois. Já diria o jargão dos economistas: no free lunch, baby".
Hoje, outra amiga disse:
"lembra que você ficava falando para a gente? Esperem agosto... Agora, o SEU agosto chegou".
Em agosto, mês do bom-gosto, muitas das novidades positivas que uma pessoa possa receber e um final de semana na Bahia. Por enquanto acho que não preciso de mais nada - e os kilos a mais irão, certamente, embora.
Dia dos Pais
Todo ano, Dia dos Pais, Dia das Mães, e todas as outras datas, são solenes. Aqui na minha família, escolhe-se restaurantes a dedo, faz-se reservas, tudo o mais. Hoje íamos, de fato, almoçar com a família de um tio, e seus filhos. Mas meu irmão passou mal e não saímos de casa no final das contas. Foi apenas um domingo normal - e foi aí que percebi que é nos domingos normais, de almoço em casa, é que somos mais felizes. Não tivemos a solenidade de um Dia dos Pais normal, não nos encontramos com tios, primos. Ficamos aqui, isoladinhos. Meu pai decidiu pilotar o fogão e ficou feliz da vida com o resultado de seu macarrão. Meu irmão ficou melhor com o colo dos pais. E nós quatro ficamos assim, em casa, e felizes.
Sorte no Jogo, Azar no amor
Se isso é verdade mesmo, então minha sorte no amor deve estar para chegar. Não aguento mais perder as rodadas de War com os amigos e as rodadas de tranca em família.
Um adendo
Adoro minha capacidade de dar o que eu chamo de "presentes cirúrgicos", aqueles inesperados, fora do comum, e que acertam na mosca. Pois é. O presente de Dia dos Pais que dei para ele foi assim mesmo: um sorriso largo abriu-se, e um olhar abismado e brilhante folheava as folhas do livro, praticamente não acreditando. Mais um dos presentes cirúrgicos para minha coleção.
1.8.08
A estranha mania de ter fé na vida, vai ter de ser faca amolada
Eu sempre tive fé na vida, e alguns até me questionavam e achavam estranho.
Um pouco louca, quem sabe.
Sempre gostei de atitudes arriscadas, porque alguma coisa bem irracional lá no fundo das minhas idéias me diziam que vai dar certo - era fé, certamente.
E agora, é isso, vingou, virou, deu certo.
É muita fé, muita força de pensamento, muito acreditar em coisas abstratas e também em coisas muito concretas.
Às vezes me bate a certeza que ser um pouco jedi nas idéias e na cabeça é simplesmente uma questão de sobrevivência.
É isso, se a gente realmente acredita, se a gente realmente coloca atenção, coloca esforço, se dedica, cuida, se volta para isso.
Se a gente vai, e anda com fé.
Pronto.
Dá certo.
Minha sensação interna de felicidade é tão absurda que eu não sei se consigo expressar ela da maneira devida. Na verdade eu não sei se as pessoas gostariam de compartilhar isso, ou até, se elas entenderiam tamanha euforia. "Exagerada ela, não?"
O ponto é que é uma conquista tão grande e tão minha que ninguém além de mim sabe o real tamanho da relevância disso tudo.
E hoje eu definitivamente não caibo em mim. Estou muito maior.
Então eu fico quieta, soltando fogos de artifício por dentro, em um constante surto emocionado calado e eufórico.
Fé Cega, Faca Amolada
(Milton Nascimento / Fernando Brant)
Agora não pergunto mais aonde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada
Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de cada dia
Deixar o seu amor crescer na luz de todo dia
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser muito tranquilo
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Maria, Maria
(Milton Nascimento / Fernando Brant)
Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que rí quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida...
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria mistura a dor e a alegria...
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida....
Um pouco louca, quem sabe.
Sempre gostei de atitudes arriscadas, porque alguma coisa bem irracional lá no fundo das minhas idéias me diziam que vai dar certo - era fé, certamente.
E agora, é isso, vingou, virou, deu certo.
É muita fé, muita força de pensamento, muito acreditar em coisas abstratas e também em coisas muito concretas.
Às vezes me bate a certeza que ser um pouco jedi nas idéias e na cabeça é simplesmente uma questão de sobrevivência.
É isso, se a gente realmente acredita, se a gente realmente coloca atenção, coloca esforço, se dedica, cuida, se volta para isso.
Se a gente vai, e anda com fé.
Pronto.
Dá certo.
Minha sensação interna de felicidade é tão absurda que eu não sei se consigo expressar ela da maneira devida. Na verdade eu não sei se as pessoas gostariam de compartilhar isso, ou até, se elas entenderiam tamanha euforia. "Exagerada ela, não?"
O ponto é que é uma conquista tão grande e tão minha que ninguém além de mim sabe o real tamanho da relevância disso tudo.
E hoje eu definitivamente não caibo em mim. Estou muito maior.
Então eu fico quieta, soltando fogos de artifício por dentro, em um constante surto emocionado calado e eufórico.
Fé Cega, Faca Amolada
(Milton Nascimento / Fernando Brant)
Agora não pergunto mais aonde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada
Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de cada dia
Deixar o seu amor crescer na luz de todo dia
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser muito tranquilo
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Maria, Maria
(Milton Nascimento / Fernando Brant)
Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que rí quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida...
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria mistura a dor e a alegria...
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida....
29.7.08
Compartilhando a Cumplicidade do Silêncio
É engraçado isso, mas a partir de algumas situações pelas quais vivi, eu desenvolvi uma teoria bem simples.
Segundo essa teoria, a gente descobre que é realmente íntimo de alguém quando consegue ficar em silêncio na companhia dessa pessoa sem que isso signifique nenhum tipo de incômodo ou angústia para nenhuma das partes.
Minha teoria não é empírica e nem passou por testes para concluirmos alguma coisa sobre a real veracidade e aplicabilidade dela, mas é fato que, entre as pessoas com quem dividi essa idéia, a aceitação da teoria foi unânime (às vezes penso que posso ter questionado somente às pessoas que têm alguma característica próxima da loucura, similar à minha loucura particular).
Na verdade o ponto é que duas pessoas, quando estão juntas, normalmente não ficam quietas. E ficam falando, falando, falando, incessantemente, mesmo que não tenham mais o que falar. Elas simplesmente inventam assuntos, papos, causos, e preenchem o tempo com isso.
Porque nesses casos o silêncio entre essas pessoas traz sempre uma série de dúvidas:
. No que você está pensando agora?
. Você ficou quieto por que por acaso está bravo comigo?
. O que em seus pensamentos é nesse exato instante mais interessante do que dividir idéias comigo?
O ponto principal é que quando a real intimidade existe, o silêncio não incomoda, o silêncio não soa ameaçador (o silêncio ameaçador, inclusive, faz muito mais barulho do que 10 mil decibéis em algum festival de verão europeu). Muito pelo contrário, o silêncio conforta. Ele não tem nada de antipático nem de anti-social. Um interlocutor não está bravo com o outro simplesmente porque optou por vagar em suas idéias e somente nelas.
O silêncio compartilhado é na verdade o ponto alto da cumplicidade.
. Eu não preciso estar sozinho para mergulhar em meus pensamentos.
. Eu aceito a sua companhia nesse meu momento tão interno.
. E eu gosto da idéia que você também esteja imerso em seus pensamentos enquanto eu estou nos meus.
Essa para mim é a mais alta intimidade: quando é possível para duas pessoas que elas conversem e silenciem com a mesma naturalidade e facilidade. Nas vezes em que vivi isso, percebi que isso é atingido após muita convivência, ou após uma identificação fácil e forte e rápida.
Sabe aquela história que podemos contar nossos amigos de verdade com os dedos de uma mão só? Eu talvez discorde dessa idéia, porque sempre que penso nos meus amigos de verdade isso normalmente dá mais. Mas para além das amizades verdadeiras, existe a intimidade verdadeira. E as pessoas com quem eu divido o silêncio em total conforto são pouquíssimas e raras.
Exemplares únicos.
Óbvio que para as pessoas que discordam da minha teoria, todos os parágrafos acima são a mais linda baboseira já testemunhada pelo universo...
Já para as pessoas que concordaram com a minha teoria, a metade de mim que acredita na magia do mundo vai um pouco mais longe.
Ela acredita que os pensamentos dialogam no silêncio, por isso que o silêncio compartilhado significa tamanha intimidade absurda – ele nada mais é do que um diálogo entre pensamentos.
Segundo essa teoria, a gente descobre que é realmente íntimo de alguém quando consegue ficar em silêncio na companhia dessa pessoa sem que isso signifique nenhum tipo de incômodo ou angústia para nenhuma das partes.
Minha teoria não é empírica e nem passou por testes para concluirmos alguma coisa sobre a real veracidade e aplicabilidade dela, mas é fato que, entre as pessoas com quem dividi essa idéia, a aceitação da teoria foi unânime (às vezes penso que posso ter questionado somente às pessoas que têm alguma característica próxima da loucura, similar à minha loucura particular).
Na verdade o ponto é que duas pessoas, quando estão juntas, normalmente não ficam quietas. E ficam falando, falando, falando, incessantemente, mesmo que não tenham mais o que falar. Elas simplesmente inventam assuntos, papos, causos, e preenchem o tempo com isso.
Porque nesses casos o silêncio entre essas pessoas traz sempre uma série de dúvidas:
. No que você está pensando agora?
. Você ficou quieto por que por acaso está bravo comigo?
. O que em seus pensamentos é nesse exato instante mais interessante do que dividir idéias comigo?
O ponto principal é que quando a real intimidade existe, o silêncio não incomoda, o silêncio não soa ameaçador (o silêncio ameaçador, inclusive, faz muito mais barulho do que 10 mil decibéis em algum festival de verão europeu). Muito pelo contrário, o silêncio conforta. Ele não tem nada de antipático nem de anti-social. Um interlocutor não está bravo com o outro simplesmente porque optou por vagar em suas idéias e somente nelas.
O silêncio compartilhado é na verdade o ponto alto da cumplicidade.
. Eu não preciso estar sozinho para mergulhar em meus pensamentos.
. Eu aceito a sua companhia nesse meu momento tão interno.
. E eu gosto da idéia que você também esteja imerso em seus pensamentos enquanto eu estou nos meus.
Essa para mim é a mais alta intimidade: quando é possível para duas pessoas que elas conversem e silenciem com a mesma naturalidade e facilidade. Nas vezes em que vivi isso, percebi que isso é atingido após muita convivência, ou após uma identificação fácil e forte e rápida.
Sabe aquela história que podemos contar nossos amigos de verdade com os dedos de uma mão só? Eu talvez discorde dessa idéia, porque sempre que penso nos meus amigos de verdade isso normalmente dá mais. Mas para além das amizades verdadeiras, existe a intimidade verdadeira. E as pessoas com quem eu divido o silêncio em total conforto são pouquíssimas e raras.
Exemplares únicos.
Óbvio que para as pessoas que discordam da minha teoria, todos os parágrafos acima são a mais linda baboseira já testemunhada pelo universo...
Já para as pessoas que concordaram com a minha teoria, a metade de mim que acredita na magia do mundo vai um pouco mais longe.
Ela acredita que os pensamentos dialogam no silêncio, por isso que o silêncio compartilhado significa tamanha intimidade absurda – ele nada mais é do que um diálogo entre pensamentos.
27.7.08
We could use a little Soulshine
Da Índia para Sumatra
Vou atacar com três, mas você só defende com um.
Na casa da vizinhança, quatro pessoas, quatro taças de vinho novíssimas, de cristal da Boêmia, quatro garrafas de vinho – e mais algumas de cerveja.
Antes disso, o teatro. Aliás, recomendo super: Amargo Siciliano, três mini-peças de textos do Pirandello, no Viga Espaço Cênico, na Capote Valente, encenado pelo grupo Tapa e dirigido pela Sandra Corveloni – nossa Palma de Ouro de melhor atriz. Não sei até quando fica em cartaz, mas vale muito a pena conferir, é altamente recomendável.
Pois bem. Chegamos do teatro e fizemos um pequeno pique-nique no chão de assoalho, com aperitivinhos bons, temperinhos bons, doce de nozes.
E depois armamos o tabuleiro.
No assoalho de taco, um edredon macio para sentarmos em cima e não passarmos frio. Para cada um, um travesseiro. Todos sem sapato. No centro do edredon e das nossas atenções, lá estava: um tabuleiro de War.
Demos risada, perdemos o dado no edredon, tomamos vinho e cerveja, trocamos exército, quisemos conquistar o mundo, lutamos contra nosso inimigo comum: a expansão sem fronteiras do exército vermelho leninista do Coala Rosa.
Na trilha sonora, bossa nova, Stones, Belle and Sebastian, a trilha sonora do Across the Universe. Na sala éramos quatro amigos que se divertem juntos. Na conversa, tentávamos em vão descobrir qual o objetivo dos nossos adversários. Tempo perdido, óbvio, como qualquer outro tipo de reflexão em que suposições têm mais importância do que fatos. Naquela hora, sentados meio tortos no edredon, perder tempo com suposições conspiratórias sobre os objetivos alheios parecia o melhor a ser feito – além de pensar bem na sua própria estratégia e na dúvida existencial “será que os dados estão contra mim hoje?”.
Ficamos todos abismados quando descobrimos que já eram cinco da matina. E eu me lembrei que sempre que a felicidade é assim, simples, fácil, óbvia, ela nos escapa. E que bom mesmo é enxergá-la antes que ela fuja.
Porque daí fica na boca o gostinho bom daquela sexta tão curtida, tão improvisada, tão de repente e tão bem vivida.
No dia seguinte recebi por mensagem de texto no celular a notícia de que tinham descoberto doping nos exames pós-War do Coala Rosa, e que as partidas de sexta tinham sido anuladas porque duas vitórias no War não pode.
Tudo bem, não vejo a hora de chegar a próxima vez em que jogaremos War de novo.
Na casa da vizinhança, quatro pessoas, quatro taças de vinho novíssimas, de cristal da Boêmia, quatro garrafas de vinho – e mais algumas de cerveja.
Antes disso, o teatro. Aliás, recomendo super: Amargo Siciliano, três mini-peças de textos do Pirandello, no Viga Espaço Cênico, na Capote Valente, encenado pelo grupo Tapa e dirigido pela Sandra Corveloni – nossa Palma de Ouro de melhor atriz. Não sei até quando fica em cartaz, mas vale muito a pena conferir, é altamente recomendável.
Pois bem. Chegamos do teatro e fizemos um pequeno pique-nique no chão de assoalho, com aperitivinhos bons, temperinhos bons, doce de nozes.
E depois armamos o tabuleiro.
No assoalho de taco, um edredon macio para sentarmos em cima e não passarmos frio. Para cada um, um travesseiro. Todos sem sapato. No centro do edredon e das nossas atenções, lá estava: um tabuleiro de War.
Demos risada, perdemos o dado no edredon, tomamos vinho e cerveja, trocamos exército, quisemos conquistar o mundo, lutamos contra nosso inimigo comum: a expansão sem fronteiras do exército vermelho leninista do Coala Rosa.
Na trilha sonora, bossa nova, Stones, Belle and Sebastian, a trilha sonora do Across the Universe. Na sala éramos quatro amigos que se divertem juntos. Na conversa, tentávamos em vão descobrir qual o objetivo dos nossos adversários. Tempo perdido, óbvio, como qualquer outro tipo de reflexão em que suposições têm mais importância do que fatos. Naquela hora, sentados meio tortos no edredon, perder tempo com suposições conspiratórias sobre os objetivos alheios parecia o melhor a ser feito – além de pensar bem na sua própria estratégia e na dúvida existencial “será que os dados estão contra mim hoje?”.
Ficamos todos abismados quando descobrimos que já eram cinco da matina. E eu me lembrei que sempre que a felicidade é assim, simples, fácil, óbvia, ela nos escapa. E que bom mesmo é enxergá-la antes que ela fuja.
Porque daí fica na boca o gostinho bom daquela sexta tão curtida, tão improvisada, tão de repente e tão bem vivida.
No dia seguinte recebi por mensagem de texto no celular a notícia de que tinham descoberto doping nos exames pós-War do Coala Rosa, e que as partidas de sexta tinham sido anuladas porque duas vitórias no War não pode.
Tudo bem, não vejo a hora de chegar a próxima vez em que jogaremos War de novo.
25.7.08
Eu gosto da idéia
Vamos ao teatro, não sabemos em quantas pessoas, nem exatamente para que peça.
Mas sei que vamos ao teatro.
"Se vocês quiserem, depois do teatro podemos ir para a minha casa e tomamos vinho nas minhas taças novas. E jogamos War."
Eu gosto da idéia. Bastante.
Mas sei que vamos ao teatro.
"Se vocês quiserem, depois do teatro podemos ir para a minha casa e tomamos vinho nas minhas taças novas. E jogamos War."
Eu gosto da idéia. Bastante.
Devendra Banhart e o Coringa
Começou desde quarta com um telefonema básico na horinha de sempre, do amigo-vizinho: "Cineminha?".
Mas eu não estava a fim, então respondi: "prometo que amanhã veremos Batman".
Amanhã seria quinta, e confirmamos que iríamos no Batman. A amiga de Nova York confirmou que iria também, e ela como sempre - e é uma delícia! - chegou em casa logo depois do trabalho dela.
E aí, conversa vai, conversa vem... recomendações de música: Devendra Banhart. Na hora baixei algumas músicas, e meu, que delícia são essas músicas. Estou particularmente viciada em Samba Vexillographica, deliciosa, que ela tinha recomendado com especial ênfase. (Não paro de ouvir o Devendra até agora, e acho que vou continuar ouvindo por muito tempo.)
Outra coisa: ela me mostou um videozinho de passar mal de rir no You Tube, fantástico mesmo, que eu não conhecia mas que foi hit nos US. Vejam aqui:
Pegamos o amigo-vizinho e, ao chegar no Kinoplex (porque íamos assistir ao Batman na sala com o som THX, cheio das frescuras, e animal de bom principalmente para esse tipo de filme), surpresa! Com meia hora de antecedência, em plena quinta, o Batman estava esgotado.
Corremos para o Iguatemi, fiz uma balisa magistral no shopping, em vaguinha ultra espremidinha, e lá conseguimos comprar para a sessão de 21.50 (coincidência ou não, é a única outra sala de São Paulo com o tal som THX).
Mais uma vez, uma noitezinha gostosa, divertida, antológica, com direito a sorvete depois do jantar... na companhia de duas pessoas que me são ultra especiais e valiosas - e que já se conheciam de outra oportunidade, o que só aumentou o entrosamento do nosso triozinho e fez a noite ser ainda mais legal e gostosa e especial.
Na sala de espera do cinema, ficamos zuando dos adolescentes que invadiram São Paulo nessas férias de Julho. Eles são ultra arrumadinhos, fazem cara de blasé com tamanha naturalidade que até impressiona (o que será que será dessa geração?), falam no celular freneticamente e, óóóó, flagrei uma menininha pedindo que o pai fosse buscá-la (jejeje, tempos remotos aqueles em que eu fazia exatamente a mesma coisa, mas não no Iguatemi e nem com cara de blasè, muito menos ao celular - era orelhão mesmo).
O filme é animal, é foda, e dispensa maiores comentários. É um absurdo, ridiculo de bom, sem noção. A gente saiu do cinema em tamanha êxtase que não conseguíamos formular frases muito mais complexas além de "nossa, que animal", "nossa, foi foda", "nossa, olha esse Coringa". A atuação do Heath Ledger, aliás, está incrível, absoluta, soberba, surpreendente, bem além da perfeição.
Em São Paulo, uma lua quase minguante brilhava nebulosa atrás das nuvens: brincávamos que estávamos em Gothan City, e que meu carro talvez fosse o BatMóvel.

What doesn't kill me makes me stranger.
21.7.08
Metendo o dedo na ferida
OU: Refletindo sobre um assunto espinhudo
Li no blog de outra menina que ela viajou, fez tatoo na viagem, pediu demissão do trabalho. E descobri sexta que ela tinha terminado o namoro antes de fazer tudo isso.
E descobri que tudo isso aconteceu comigo também, não necessariamente na mesma ordem que a dela, mas mais ou menos assim:
- término do namoro;
- mergulho desesperado em viagens bacanas todos os feriados possíveis (Floripa, Paraty, Rio);
- duas novas tatuagens;
- demissão do trabalho.
Fora isso, eu:
- mudei o corte do cabelo e resolvi deixar o cabelo crescer inteiro repicado;
- comecei a yoga;
- comecei a dança.
(essa parte é a hora que eu resolvo formar uma rede de atividades que tenham a ver comigo mesma, com meu fortalecimento e crescimento, para tentar passar por tudo isso o mais ilesa possível. Óbvio que nosso grupo de amigos nessa hora é imprescindível, mas nas nossas viagens solitárias - e se propor tantas mudanças assim é uma enorme viagem solitária - bom mesmo é tentar ao máximo estar bem com a gente mesmo, meio que tentando se bastar, meio que tentando ser maior. Por isso essa rede de atividades bacanas me foi tão importante: ao mesmo tempo que eu estava mudando milhares de coisas como que em um tsunami devastador, eu estava também me descobrindo de um jeito diferente em outras coisas, sem nunca imaginar por exemplo que eu poderia fazer determinadas posições da yoga por tanto tempo e tão concentrada.)
E é engraçado isso, porque eu fui percebendo que me propus desafios atrás de desafios, meio que querendo mudar de vida, meio que querendo crescer de outras formas, meio que querendo me colocar à prova, testar minha resistência física, emocional e psíquica, meio que querendo testar a real força do meu instinto de sobrevivência. Também testei bastante a resistência do meu fígado e dos meus pulmões, mas não sei se isso vem ao caso agora. E no meio de tantos testes de resistência, por muitas vezes pedi arrêgo, pedi água, pedi que me levassem pro manicômio, pedi que me deixassem dormir mais e me atrasar.
E não quis fazer nada em partes, veio tudo de uma vez, em um intervalo de três meses no final do ano passado. Na hora, no calor do momento, às vezes batia um desespero, porque eu realmente achava que talvez não sobrevivesse a tudo aquilo.
A sensação que fica é que minha atitude tem "eco". Eu não sou a única que, por vontade própria, ou por forças maiores atuando aqui (aquela velha história que coincidências não existem, Cazuza já disse: "a emoção acabou / que coincidência é o amor! / a nossa música nunca mais tocou"), comprou mais briga de uma vez só do que a priori achava que iria aguentar. E no final, a gente aguenta, sobrevive, passa por cima, vai tratorzinho, supera, até a uva passa (nesses momentos de olho do furacão, a gente nunca acredita que até a uva passa, mas é verdade, ela passa).
E eu fico achando esse mecanismo das pessoas (meu, da menina do blog, de sei lá mais quem que possa ter passado por isso) bem louco. Parece que algum dia o indivíduo levanta da cama com uma idéia incessante: "minha vida está um tédio, vamos movimentar tudo um pouquinho".
Não quero passar por leviana, e fazer da maior revolução da minha vida até hoje uma luta contra o tédio. Muito pelo contrário. Hoje fica a sensação que eu TINHA que passar por tudo aquilo, simplesmente pelo amadurecimento e por lutar pelas minhas coisas.
Olho para trás e vejo tudo com muito mais serenidade. Vejo o quanto eu aprendi e quanto eu vivi. Hoje por exemplo eu sei que quando tudo acontecer ao mesmo tempo agora desenfreadamente, eu sobreviverei. Sei também que ninguém a não ser eu mesma vai lutar pelas minhas coisas. Sei da força que a gente guarda e que sabe bem como usar nesses momentos de eterna urgência e até, de um certo desespero.
Quem me viu, quem me vê.
As espinhas do rosto deram uma bela duma aliviada, assim como os kilos a mais. O cabelo está crescendo bacanudo e as tatuagens continuam lindas. O semblante está tranquilo. Não tenho mais aquele rosto com medo do futuro e das dúvidas. É quase uma expressão de quem sabe sempre o que faz (embora isso não seja exatamente aplícável a 100% das coisas da minha, mas, oh!, aprendi que no erro também residem maravilhas ocultas). A questão financeira anda bem complicada e tirando o meu sono, mas não deixa de ser um ótimo aprendizado para quem nunca tinha aprendido antes a controlar o dinheiro direitinho. A questão "trabalhista" anda legal, com mil novas oportunidades de aprendizado, de trabalhos, de pesquisas, de administração de egos acadêmicos, entra outras tantas coisas. E voltei a dialogar amigavelmente, afetivamente, carinhosamente, com o ex-namorado, mesmo que à distância.
A ele, aliás, eu agradeço particularmente bastante por sua inquestionável importância. Mesmo quando não estávamos mais juntos, ele esteve do meu lado acompanhando todas essas mudanças. E quando ainda estávamos juntos, foi ao lado dele que eu fui abrindo os olhos para milhares de coisas que eu via de maneira meio nebulosa.
Precisei que passassem mais de seis meses de tudo isso para conseguir enxergar melhor tudo que me aconteceu. Para conseguir pensar sobre isso com verdadeiros bons olhos. Para olhar para trás sem rancores nem medos do futuro. Hoje eu refleti sobre um assunto espinhudo, mas como se em um passe de mágica a espinha se transformasse em uma rosa - sem espinhos! Meti o dedo na ferida. Mas ela não está mais aberta, não sangra, não arde, não machuca. É só uma casquinha que logo logo cai, e quando cair, a pele novinha de baixo vai aparecer.
Li no blog de outra menina que ela viajou, fez tatoo na viagem, pediu demissão do trabalho. E descobri sexta que ela tinha terminado o namoro antes de fazer tudo isso.
E descobri que tudo isso aconteceu comigo também, não necessariamente na mesma ordem que a dela, mas mais ou menos assim:
- término do namoro;
- mergulho desesperado em viagens bacanas todos os feriados possíveis (Floripa, Paraty, Rio);
- duas novas tatuagens;
- demissão do trabalho.
Fora isso, eu:
- mudei o corte do cabelo e resolvi deixar o cabelo crescer inteiro repicado;
- comecei a yoga;
- comecei a dança.
(essa parte é a hora que eu resolvo formar uma rede de atividades que tenham a ver comigo mesma, com meu fortalecimento e crescimento, para tentar passar por tudo isso o mais ilesa possível. Óbvio que nosso grupo de amigos nessa hora é imprescindível, mas nas nossas viagens solitárias - e se propor tantas mudanças assim é uma enorme viagem solitária - bom mesmo é tentar ao máximo estar bem com a gente mesmo, meio que tentando se bastar, meio que tentando ser maior. Por isso essa rede de atividades bacanas me foi tão importante: ao mesmo tempo que eu estava mudando milhares de coisas como que em um tsunami devastador, eu estava também me descobrindo de um jeito diferente em outras coisas, sem nunca imaginar por exemplo que eu poderia fazer determinadas posições da yoga por tanto tempo e tão concentrada.)
E é engraçado isso, porque eu fui percebendo que me propus desafios atrás de desafios, meio que querendo mudar de vida, meio que querendo crescer de outras formas, meio que querendo me colocar à prova, testar minha resistência física, emocional e psíquica, meio que querendo testar a real força do meu instinto de sobrevivência. Também testei bastante a resistência do meu fígado e dos meus pulmões, mas não sei se isso vem ao caso agora. E no meio de tantos testes de resistência, por muitas vezes pedi arrêgo, pedi água, pedi que me levassem pro manicômio, pedi que me deixassem dormir mais e me atrasar.
E não quis fazer nada em partes, veio tudo de uma vez, em um intervalo de três meses no final do ano passado. Na hora, no calor do momento, às vezes batia um desespero, porque eu realmente achava que talvez não sobrevivesse a tudo aquilo.
A sensação que fica é que minha atitude tem "eco". Eu não sou a única que, por vontade própria, ou por forças maiores atuando aqui (aquela velha história que coincidências não existem, Cazuza já disse: "a emoção acabou / que coincidência é o amor! / a nossa música nunca mais tocou"), comprou mais briga de uma vez só do que a priori achava que iria aguentar. E no final, a gente aguenta, sobrevive, passa por cima, vai tratorzinho, supera, até a uva passa (nesses momentos de olho do furacão, a gente nunca acredita que até a uva passa, mas é verdade, ela passa).
E eu fico achando esse mecanismo das pessoas (meu, da menina do blog, de sei lá mais quem que possa ter passado por isso) bem louco. Parece que algum dia o indivíduo levanta da cama com uma idéia incessante: "minha vida está um tédio, vamos movimentar tudo um pouquinho".
Não quero passar por leviana, e fazer da maior revolução da minha vida até hoje uma luta contra o tédio. Muito pelo contrário. Hoje fica a sensação que eu TINHA que passar por tudo aquilo, simplesmente pelo amadurecimento e por lutar pelas minhas coisas.
Olho para trás e vejo tudo com muito mais serenidade. Vejo o quanto eu aprendi e quanto eu vivi. Hoje por exemplo eu sei que quando tudo acontecer ao mesmo tempo agora desenfreadamente, eu sobreviverei. Sei também que ninguém a não ser eu mesma vai lutar pelas minhas coisas. Sei da força que a gente guarda e que sabe bem como usar nesses momentos de eterna urgência e até, de um certo desespero.
Quem me viu, quem me vê.
As espinhas do rosto deram uma bela duma aliviada, assim como os kilos a mais. O cabelo está crescendo bacanudo e as tatuagens continuam lindas. O semblante está tranquilo. Não tenho mais aquele rosto com medo do futuro e das dúvidas. É quase uma expressão de quem sabe sempre o que faz (embora isso não seja exatamente aplícável a 100% das coisas da minha, mas, oh!, aprendi que no erro também residem maravilhas ocultas). A questão financeira anda bem complicada e tirando o meu sono, mas não deixa de ser um ótimo aprendizado para quem nunca tinha aprendido antes a controlar o dinheiro direitinho. A questão "trabalhista" anda legal, com mil novas oportunidades de aprendizado, de trabalhos, de pesquisas, de administração de egos acadêmicos, entra outras tantas coisas. E voltei a dialogar amigavelmente, afetivamente, carinhosamente, com o ex-namorado, mesmo que à distância.
A ele, aliás, eu agradeço particularmente bastante por sua inquestionável importância. Mesmo quando não estávamos mais juntos, ele esteve do meu lado acompanhando todas essas mudanças. E quando ainda estávamos juntos, foi ao lado dele que eu fui abrindo os olhos para milhares de coisas que eu via de maneira meio nebulosa.
Precisei que passassem mais de seis meses de tudo isso para conseguir enxergar melhor tudo que me aconteceu. Para conseguir pensar sobre isso com verdadeiros bons olhos. Para olhar para trás sem rancores nem medos do futuro. Hoje eu refleti sobre um assunto espinhudo, mas como se em um passe de mágica a espinha se transformasse em uma rosa - sem espinhos! Meti o dedo na ferida. Mas ela não está mais aberta, não sangra, não arde, não machuca. É só uma casquinha que logo logo cai, e quando cair, a pele novinha de baixo vai aparecer.
Personagens do Final de Semana
O Santo Grão e a Boneca Falante
Todo começo de tudo deve ser preferencialmente bom. Meu começo de final de semana foi ótimo, em um quiosque que é quase um oásis na região da Paulista, colocando o papo em dia e jogando conversa fora com pessoinha querida do coração desse mundo.
A (boa e velha) Dona Augusta
Rua bacana, cheia de histórias. Quando chegamos, às 23hrs, parecia mais uma rua, com apenas poucas putas e poucos travestis. Quando saímos, às 04hrs, parecia que a anarquia tinha tomado conta oficialmente, comme il fault nas noites de final de semana. Um grupo de bêbados, um de skinheads, sei lá quantas putas e quantos travecos, gente entrando na balada, gente saindo da balada, gente trocando de balada. Tudo estava lotado. Músicas nos carros, neon das casas, e a bagunça tinha tomado conta.
O Ludov
Bandinha de sempre, de amigos de amigos, que criou fama e cresceu e continua parecendo a bandinha de amigos de amigos e só. Eles no palco, eu na pista, com um monte de gente querida que ia junto pros shows da banda. Em algum lugar entre o palco e a pista, a nostalgia de um 2005 que passou faz tempo. Nas conversas, a lembrança do dia que eu tirei a foto com o Fábio Assunção no show do Ludov no BlenBlen, e de muitos outros dias e muitas outras ocasiões em que estávamos nós acompanhando o Ludov. Nas gargantas, cantos desafinados quase que berrados de pessoas que pulavam as músicas no ritmo. Parecia mesmo 2005, mas era um aniversário em Julho de 2008.
O Harry Potter
Ele existe de carne e osso! E puxou papo comigo no bar do Studio SP na sexta. Ele era a cara do Harry Potter, fiquei impressionada. Magrinho, pequenino, não muito alto, cabelinho dividido no meio, oculinhos sem graça, e carinha de nerd. Só faltou a marca de raio no meio da testa. Pontos negativos: o bróder era um chato de galocha, aqueles chatos de primeira, pedante, irritante, e eu não aguentei nem cinco minutos de conversa. Acho que sexta eu desisti de procurar pelo meu Harry Potter, opto conscientemente por alguém mais de carne e osso.
O Johnny
No copo cambaleante da amiga dançante, uma dose de Johnny. Duas doses de Johnny. Três doses de Johnny. Não sei quantas doses de Johnny. E ela, sempre tão clássica, perdeu um pouco da sua pose. Falava inglês, espanhol, ou qualquer outra língua. E sempre (sem-pre) terminava seus discursos filosóficos com um "I love you, babe. And keep walking!".
A Official-Hostess-Coffee-Maker-Chocolate-Server
Essa sou eu. Você pode me encontrar nessa versão diariamente, aproximadamente das 16.30 até umas 18.30. Sábado e domingo foi assim também.
O Shorts, amigo da Meia-Calça
Ficou legal e caiu bem para a baladinha de sábado, shorts bacanudo e bonito, com meia calça preta fio 40.
O B
Bar legal na General Jardim, com preços honestos, ambientezinho bacanudo, bonito, descolado, música ao vivo de primeira, e alguns papos bacanas. Mas todos estavam ficando bêbadas e eu, sóbria como um poste.
O Ex-Apê do Caetano
O prédio era animal, classudo, na São Luis. Chegamos a pé e falamos a senha da festa pro porteiro (achei surreal, nunca tinha ido para uma festa que precisava de uma senha!), que abriu a porta na hora. O apê era animal e a festa estava animal também. Músicas boas, pessoas legais, mas eu fui ficando meio chata pelo excesso de sobriedade. Comi o cheesecake que estava em cima da mesa, com calda de amoras, e a cada garfada eu chegava mais perto do paraíso.
O Gui-Jota-Érre
Foi o fotógrafo oficial do meu aniversário do ano passado, e esse sábado mais uma vez surpreendeu conseguindo looks deslumbrantes em fotos minhas com a namorada dele (minha amiga-sócia). Os lugares, um pouco inusitados, como dentro do elevador, no hall de entrada do prédio, e no meio da rua do centrão paulistano. Eu continua ultra sóbria, mas na nossa sessão de fotos consegui me sentir um pouco bêbada diante das lentes radiantes do Gui-Jota-Érre.
O Bafômetro
Ele NÃO esteve no meio do meu caminho na volta para casa - o que na verdade me causou certa decepção. Meu esforço tinha que ter compensado de alguma forma! Eu estava ridiculamente sóbria, eram 4 da matina, mas o bafômetro não estava no meio do meu caminho...
O Dagoberto
Seu gol aos 42mins do 2o tempo salvou o time. Ao bater o Botafogo, embora ainda estejamos em 5o, embolamos o meio de campo do Brasileirão. São apenas 3 pontos de diferença entre o primeiro e o 5o colocado, mas como bem disse Juca Kfouri na sua coluna na Folha de hoje, meu Tricolor é o time com melhor capacidade para crescer mais no campeonato e fechar em primeiro - de novo!
O Panda Po
Esse simpático, barrigudinho e confuso Panda foi minha companhia no cineminha das 21hrs, para fechar o final de semana rindo sozinha.
Todo começo de tudo deve ser preferencialmente bom. Meu começo de final de semana foi ótimo, em um quiosque que é quase um oásis na região da Paulista, colocando o papo em dia e jogando conversa fora com pessoinha querida do coração desse mundo.
A (boa e velha) Dona Augusta
Rua bacana, cheia de histórias. Quando chegamos, às 23hrs, parecia mais uma rua, com apenas poucas putas e poucos travestis. Quando saímos, às 04hrs, parecia que a anarquia tinha tomado conta oficialmente, comme il fault nas noites de final de semana. Um grupo de bêbados, um de skinheads, sei lá quantas putas e quantos travecos, gente entrando na balada, gente saindo da balada, gente trocando de balada. Tudo estava lotado. Músicas nos carros, neon das casas, e a bagunça tinha tomado conta.
O Ludov
Bandinha de sempre, de amigos de amigos, que criou fama e cresceu e continua parecendo a bandinha de amigos de amigos e só. Eles no palco, eu na pista, com um monte de gente querida que ia junto pros shows da banda. Em algum lugar entre o palco e a pista, a nostalgia de um 2005 que passou faz tempo. Nas conversas, a lembrança do dia que eu tirei a foto com o Fábio Assunção no show do Ludov no BlenBlen, e de muitos outros dias e muitas outras ocasiões em que estávamos nós acompanhando o Ludov. Nas gargantas, cantos desafinados quase que berrados de pessoas que pulavam as músicas no ritmo. Parecia mesmo 2005, mas era um aniversário em Julho de 2008.
O Harry Potter
Ele existe de carne e osso! E puxou papo comigo no bar do Studio SP na sexta. Ele era a cara do Harry Potter, fiquei impressionada. Magrinho, pequenino, não muito alto, cabelinho dividido no meio, oculinhos sem graça, e carinha de nerd. Só faltou a marca de raio no meio da testa. Pontos negativos: o bróder era um chato de galocha, aqueles chatos de primeira, pedante, irritante, e eu não aguentei nem cinco minutos de conversa. Acho que sexta eu desisti de procurar pelo meu Harry Potter, opto conscientemente por alguém mais de carne e osso.
O Johnny
No copo cambaleante da amiga dançante, uma dose de Johnny. Duas doses de Johnny. Três doses de Johnny. Não sei quantas doses de Johnny. E ela, sempre tão clássica, perdeu um pouco da sua pose. Falava inglês, espanhol, ou qualquer outra língua. E sempre (sem-pre) terminava seus discursos filosóficos com um "I love you, babe. And keep walking!".
A Official-Hostess-Coffee-Maker-Chocolate-Server
Essa sou eu. Você pode me encontrar nessa versão diariamente, aproximadamente das 16.30 até umas 18.30. Sábado e domingo foi assim também.
O Shorts, amigo da Meia-Calça
Ficou legal e caiu bem para a baladinha de sábado, shorts bacanudo e bonito, com meia calça preta fio 40.
O B
Bar legal na General Jardim, com preços honestos, ambientezinho bacanudo, bonito, descolado, música ao vivo de primeira, e alguns papos bacanas. Mas todos estavam ficando bêbadas e eu, sóbria como um poste.
O Ex-Apê do Caetano
O prédio era animal, classudo, na São Luis. Chegamos a pé e falamos a senha da festa pro porteiro (achei surreal, nunca tinha ido para uma festa que precisava de uma senha!), que abriu a porta na hora. O apê era animal e a festa estava animal também. Músicas boas, pessoas legais, mas eu fui ficando meio chata pelo excesso de sobriedade. Comi o cheesecake que estava em cima da mesa, com calda de amoras, e a cada garfada eu chegava mais perto do paraíso.
O Gui-Jota-Érre
Foi o fotógrafo oficial do meu aniversário do ano passado, e esse sábado mais uma vez surpreendeu conseguindo looks deslumbrantes em fotos minhas com a namorada dele (minha amiga-sócia). Os lugares, um pouco inusitados, como dentro do elevador, no hall de entrada do prédio, e no meio da rua do centrão paulistano. Eu continua ultra sóbria, mas na nossa sessão de fotos consegui me sentir um pouco bêbada diante das lentes radiantes do Gui-Jota-Érre.
O Bafômetro
Ele NÃO esteve no meio do meu caminho na volta para casa - o que na verdade me causou certa decepção. Meu esforço tinha que ter compensado de alguma forma! Eu estava ridiculamente sóbria, eram 4 da matina, mas o bafômetro não estava no meio do meu caminho...
O Dagoberto
Seu gol aos 42mins do 2o tempo salvou o time. Ao bater o Botafogo, embora ainda estejamos em 5o, embolamos o meio de campo do Brasileirão. São apenas 3 pontos de diferença entre o primeiro e o 5o colocado, mas como bem disse Juca Kfouri na sua coluna na Folha de hoje, meu Tricolor é o time com melhor capacidade para crescer mais no campeonato e fechar em primeiro - de novo!
O Panda Po
Esse simpático, barrigudinho e confuso Panda foi minha companhia no cineminha das 21hrs, para fechar o final de semana rindo sozinha.
17.7.08
Nossa amizade com os Gnomos mudos e invisíveis
Hoje li a Boneca Falante e resolvi que queria dialogar com ela e as memórias da infância. Isso foi inspirado também depois que sexta assisti ao sensível, delicado, divertido e delicioso "Pequenas Histórias", filme infantil nacional, desses que mexe mesmo é com o nosso imaginário.
E na verdade aqui vou colocar uma longa memória, que volta mais especificamente ao ano de 1991.
Mais especificamente, férias de Julho de 1991.
Mais especificamente ainda, passadas em Monte Verde, no Cabeça de Boi - um hotel fazenda que me parecia super.
Fomos, os quatro. Em julho de 1991 eu ainda ia fazer 9 anos, e estava na 2a série da escola. Foi uma semana daquelas que toda criança que se preza gosta: andar a cavalo, brincar com monitores do hotel, caçar girinos na beira do lago no final da tarde, ou então descer do hotel para a vila (naquela época Monte Verde era isso, uma vila) e comer chocolate, fazer trilhas, sujar a calça de moleton de lama...
Eu e o Edudu tínhamos um particular apreço por inventar caminhos, rotas, passagens secretas... e em um hotel fazenda gigantesco e cheio de araucárias, isso era de fato o que de mais legal se poderia fazer. Lembro direitinho, nossos dias eram divididos mais ou menos da seguinte forma: a manhã era ocupada por passeios com os nossos pais, visitar pesqueiros, andar a cavalo, fazer trilhas até os picos, etc; voltávamos para o hotel para o almoço, e na hora que nossos pais voltavam para o chalé para a siesta, a gente ia desbravar novos territórios. Às vezes nossa expedição durava até o anoitecer; às vezes, voltávamos ao chalé no final da tarde para irmos passear na vila com os pais (isso dependia do quão interessante estava a expedição daquela tarde).
Em um desses dias de idas à Vila, acompanhamos os pais em uma visita a uma loja cheia de coisas meio místicas. Na memória, fica a idéia que a dona da loja era meio que uma bruxa, mas eu não saberia dizer ao certo. E ela falava bastante sobre o vento, o vento que leva, o vento que traz, os cheiros, e o vento isso, o vento aquilo... E começou a conversar comigo e com o Edudu sobre o fato que Monte Verde é habitada por Gnomos e que eles ficavam escondidos nos bosques, no pé das árvores.
Não preciso falar que depois disso nossas expedições nunca mais foram as mesmas, né?
Acho que passamos duas semanas por lá, e o encontro com essa mulher foi tipo no dia 4 ou 5 da viagem. Todos os outros 9 dias de viagem passaram a ter uma magia implícita muito forte. A gente não ia mais fazer expedições pelos bosques do hotel - a gente ia procurar gnomos nos bosques do hotel. A bruxa da loja tinha dado algumas dicas preciosas: por exemplo, que gnomos gostavam de cocô de vaca para alimentar seus animais de estimação; que eles também gostavam de frutas silvestres vermelhinhas de um tipo de arbusto que tinha em abundância por lá; e que o jantar deles era pinhão. Então todos os dias antes de sairmos para a expedição, pegávamos sacolinhas plásticas na recepção do hotel, e saíamos recolhendo os ingredientes que precisávamos: cocô de vaca, as tais frutinhas vermelhas, e pinhões desses que caem no chão e a gente sai catando. O Edudu achou que seria bom se levássemos chá de erva doce para dar de beber para os Gnomos, então pedíamos uma garrafa térmica desse chá no restaurante e levávamos juntos.
Com tudo isso de aparatos, quando chegávamos em alguma lugar que a gente achava que teria Gnomo, sentávamos quietinhos e começávamos a espalhar as coisas pelo chão - forrado de folhas secas de inverno, para não sujar nossas oferendas aos gnomos. Agora nossa diversão era ficar quietinho, em algum canto longínquo e silencioso do bosque, esperando nossos amigos Gnomos chegarem.
Até que um dia, depois de algumas tentativas mal-sucedidas, eu e o Edudu preferimos acreditar que Gnomos eram seres invisíveis, que só apareciam quando eles queriam aparecer. E a gente gostou dessa nova idéia, porque ela significaria automaticamente que então em todas as outras tardes de supostas tentativas mal-sucedidas, na verdade a gente ficou o tempo todo brincando em silêncio com Gnomos, sem nunca nem sabermos disso. E na verdade os Gnomos eram sim mudos e invisíveis, mas eles nunca foram silenciosos: ora, o que seria então aqueles passos que ouvíamos nas folhas? Ou o barulho de alguma coisa caindo da árvore? Ou o vento batendo nas folhas? O que seria tudo aquilo, se não as mais concretas provas de que estávamos na companhia de Gnomos mudos e invisíveis??
Essa idéia dos Gnomos mudos e invisíveis evoluiu tanto que eu cheguei, algumas vezes, em acreditar que eles tinham vindo para São Paulo com a gente, no banco de trás, sem a gente nem perceber. Então eu acordava no meio da noite, e falava para a minha mãe que não estava conseguindo dormir porque estava preocupada com os Gnomos. E ela me levava para fazer um tour pelo apartamento, para eu ver que não tinha nenhum Gnomo ali (minha mãe nunca entendeu exatamente o conceito de "Gnomo mudo e invisível"). Eu insistia que sim, que o Gnomo estava de fato ali, ela é que não enxergava, porque ele era invisível.
"Viu, mãe? In-vi-sí-vel! Tudo que é invisível a gente não enxerga!"
A partir dessa noite, em que brigamos pelo conceito de invisível que ela não entendia, ela deixou que a gente começasse a deixar comidinhas pros Gnomos antes de irmos dormir. Passou a ser todo um ritual de preparação antes de irmos dormir: cenoura, pepino, alguma frutinha, um copo d'água, um pouco de chá de erva doce (o Edudu insistia no chá). A partir daí a gente começou a dormir tranquilo, que os Gnomos estavam bem cuidados.
O padrão que a gente seguia era o mesmo da época de Natal, quando deixávamos um monte de comida para a Rena do Papai Noel, e no dia seguinte quando a gente acordava o chão estava todo bagunçado de comidinhas, porque a Rena tinha se alimentado direitinho! E para o Coelhinho da Páscoa também, deixávamos cenoura e água, e no domingo de Páscoa tinha pedacinhos de cenouras por todos os cantos da sala (o Coelhinho da Páscoa que visitava a nossa casa era muito porcalhão). Os Gnomos também faziam a maior bagunça com a comida durante a noite.
(Algum tempo depois, quando descobri que não existe Papai Noel e nem Coelhinho da Páscoa, fiquei super decepcionada de saber que na verdade eram os meus pais que bagunçavam a comidinha)
Toda essa história de ter Gnomos em casa fez com que eu ganhasse um livro sobre Gnomos de presente dos meus pais, e aí, para completar a volta toda, a Boneca de Pano falou desse livro no post dela sobre memórias de infância que ela andou visitando ultimamente.
Eu adorei esse livro, e hoje eu peguei ele na estante para ler, e é coisa linda demais. Umas aquarelas lindas de Gnomos, ilustrações enormes, milhares de lendas, explicações sobre as casas dos Gnomos, as famílias, as roupas, tudo...
E na verdade aqui vou colocar uma longa memória, que volta mais especificamente ao ano de 1991.
Mais especificamente, férias de Julho de 1991.
Mais especificamente ainda, passadas em Monte Verde, no Cabeça de Boi - um hotel fazenda que me parecia super.
Fomos, os quatro. Em julho de 1991 eu ainda ia fazer 9 anos, e estava na 2a série da escola. Foi uma semana daquelas que toda criança que se preza gosta: andar a cavalo, brincar com monitores do hotel, caçar girinos na beira do lago no final da tarde, ou então descer do hotel para a vila (naquela época Monte Verde era isso, uma vila) e comer chocolate, fazer trilhas, sujar a calça de moleton de lama...
Eu e o Edudu tínhamos um particular apreço por inventar caminhos, rotas, passagens secretas... e em um hotel fazenda gigantesco e cheio de araucárias, isso era de fato o que de mais legal se poderia fazer. Lembro direitinho, nossos dias eram divididos mais ou menos da seguinte forma: a manhã era ocupada por passeios com os nossos pais, visitar pesqueiros, andar a cavalo, fazer trilhas até os picos, etc; voltávamos para o hotel para o almoço, e na hora que nossos pais voltavam para o chalé para a siesta, a gente ia desbravar novos territórios. Às vezes nossa expedição durava até o anoitecer; às vezes, voltávamos ao chalé no final da tarde para irmos passear na vila com os pais (isso dependia do quão interessante estava a expedição daquela tarde).
Em um desses dias de idas à Vila, acompanhamos os pais em uma visita a uma loja cheia de coisas meio místicas. Na memória, fica a idéia que a dona da loja era meio que uma bruxa, mas eu não saberia dizer ao certo. E ela falava bastante sobre o vento, o vento que leva, o vento que traz, os cheiros, e o vento isso, o vento aquilo... E começou a conversar comigo e com o Edudu sobre o fato que Monte Verde é habitada por Gnomos e que eles ficavam escondidos nos bosques, no pé das árvores.
Não preciso falar que depois disso nossas expedições nunca mais foram as mesmas, né?
Acho que passamos duas semanas por lá, e o encontro com essa mulher foi tipo no dia 4 ou 5 da viagem. Todos os outros 9 dias de viagem passaram a ter uma magia implícita muito forte. A gente não ia mais fazer expedições pelos bosques do hotel - a gente ia procurar gnomos nos bosques do hotel. A bruxa da loja tinha dado algumas dicas preciosas: por exemplo, que gnomos gostavam de cocô de vaca para alimentar seus animais de estimação; que eles também gostavam de frutas silvestres vermelhinhas de um tipo de arbusto que tinha em abundância por lá; e que o jantar deles era pinhão. Então todos os dias antes de sairmos para a expedição, pegávamos sacolinhas plásticas na recepção do hotel, e saíamos recolhendo os ingredientes que precisávamos: cocô de vaca, as tais frutinhas vermelhas, e pinhões desses que caem no chão e a gente sai catando. O Edudu achou que seria bom se levássemos chá de erva doce para dar de beber para os Gnomos, então pedíamos uma garrafa térmica desse chá no restaurante e levávamos juntos.
Com tudo isso de aparatos, quando chegávamos em alguma lugar que a gente achava que teria Gnomo, sentávamos quietinhos e começávamos a espalhar as coisas pelo chão - forrado de folhas secas de inverno, para não sujar nossas oferendas aos gnomos. Agora nossa diversão era ficar quietinho, em algum canto longínquo e silencioso do bosque, esperando nossos amigos Gnomos chegarem.
Até que um dia, depois de algumas tentativas mal-sucedidas, eu e o Edudu preferimos acreditar que Gnomos eram seres invisíveis, que só apareciam quando eles queriam aparecer. E a gente gostou dessa nova idéia, porque ela significaria automaticamente que então em todas as outras tardes de supostas tentativas mal-sucedidas, na verdade a gente ficou o tempo todo brincando em silêncio com Gnomos, sem nunca nem sabermos disso. E na verdade os Gnomos eram sim mudos e invisíveis, mas eles nunca foram silenciosos: ora, o que seria então aqueles passos que ouvíamos nas folhas? Ou o barulho de alguma coisa caindo da árvore? Ou o vento batendo nas folhas? O que seria tudo aquilo, se não as mais concretas provas de que estávamos na companhia de Gnomos mudos e invisíveis??
Essa idéia dos Gnomos mudos e invisíveis evoluiu tanto que eu cheguei, algumas vezes, em acreditar que eles tinham vindo para São Paulo com a gente, no banco de trás, sem a gente nem perceber. Então eu acordava no meio da noite, e falava para a minha mãe que não estava conseguindo dormir porque estava preocupada com os Gnomos. E ela me levava para fazer um tour pelo apartamento, para eu ver que não tinha nenhum Gnomo ali (minha mãe nunca entendeu exatamente o conceito de "Gnomo mudo e invisível"). Eu insistia que sim, que o Gnomo estava de fato ali, ela é que não enxergava, porque ele era invisível.
"Viu, mãe? In-vi-sí-vel! Tudo que é invisível a gente não enxerga!"
A partir dessa noite, em que brigamos pelo conceito de invisível que ela não entendia, ela deixou que a gente começasse a deixar comidinhas pros Gnomos antes de irmos dormir. Passou a ser todo um ritual de preparação antes de irmos dormir: cenoura, pepino, alguma frutinha, um copo d'água, um pouco de chá de erva doce (o Edudu insistia no chá). A partir daí a gente começou a dormir tranquilo, que os Gnomos estavam bem cuidados.
O padrão que a gente seguia era o mesmo da época de Natal, quando deixávamos um monte de comida para a Rena do Papai Noel, e no dia seguinte quando a gente acordava o chão estava todo bagunçado de comidinhas, porque a Rena tinha se alimentado direitinho! E para o Coelhinho da Páscoa também, deixávamos cenoura e água, e no domingo de Páscoa tinha pedacinhos de cenouras por todos os cantos da sala (o Coelhinho da Páscoa que visitava a nossa casa era muito porcalhão). Os Gnomos também faziam a maior bagunça com a comida durante a noite.
(Algum tempo depois, quando descobri que não existe Papai Noel e nem Coelhinho da Páscoa, fiquei super decepcionada de saber que na verdade eram os meus pais que bagunçavam a comidinha)
Toda essa história de ter Gnomos em casa fez com que eu ganhasse um livro sobre Gnomos de presente dos meus pais, e aí, para completar a volta toda, a Boneca de Pano falou desse livro no post dela sobre memórias de infância que ela andou visitando ultimamente.
Eu adorei esse livro, e hoje eu peguei ele na estante para ler, e é coisa linda demais. Umas aquarelas lindas de Gnomos, ilustrações enormes, milhares de lendas, explicações sobre as casas dos Gnomos, as famílias, as roupas, tudo...
15.7.08
10 Idéias
10
Crocs
Comprei um para mim em abril. Sempre achei isso uma coisa mega feia, mas resolvi comprar mesmo assim. Simpatizei com as cores e o conforto, principalmente o conforto. Alguém um dia me viu com ele e chamou de "o sapato do Jason", devido aos furinhos. Tudo bem, eu realmente concordo que um Croc pode muito bem ser uma aberração estética sem precedentes, uma mistura de tamando holandês com máscara do Jason com design moderno feito de uma borracha ultra light e confortável. Mas não consigo tirar isso do pé... trocando em miúdos, meu Croc é uma pantufa com a qual eu posso sair de casa. E vou para a aula de yoga, vou fazer coisinhas na vizinhança, faço tudo isso. É muito bom.
9
Comer, Rezar, Amar
Dei esse livro no Natal do ano passado para a minha amizade mais antiga que tenho nessa vida, a Nei, que juntas estudamos desde o maternal. Ano passado ele era lançamento, e esse ano já está nos mais vendidos da Liv. Cultura e de algumas outras. Estou lendo, 400 páginas, e termino hoje com certeza. Basicamente em cinco dias. Mas a protagonista virou minha companheira, minha amiga (praticamente do mesmo jeito que quando eu lia Harry Potter eu realmente acreditava que poderia me casar com ele). Isso é simplesmente mais um sinal do meu poder de simbiose com personagens dos livros. Vou acabar hoje a história de mudanças da Liz Gilbert, e com certeza sentirei falta dessa "amiga" que me acompanhou nos últimos tempos. E, exclusivamente para as mulheres, recomendo bastante esse livro.
8
O Segredo do Grão
Filme bom, muito bom, de uma família de árabes em alguma cidade litorânea na França que decide abrir um restaurante. O filme angustia todo o tempo, e a sensação que temos é que todos os personagens sejam um pouco protagonistas, porque o diretor dá uma atenção especial para cada um. As cenas são filmadas muito de perto, principalmente pelo fato de o diretor querer personalizar muito o filme e as relações, mas essas cenas de perto podem ser bastante nojentas na cena do almoço com cuscuz. De qualquer forma, o filme é ótimo.
7
Uma boa segunda feira
Com exceção da segunda feira passada, quando comecei minha semana no hospital acompanhando minha mãe, e cheguei em casa sem me entender direito, sem quase nem saber mais o meu nome, nas outras três segundas feiras (ontem, a do dia 30/jun e a do dia 23/jun) tive segundas feiras maravilhosas. E eu ando um pouco na contramão das pessoas ultimamente. Espero mais coisas dos meus dias úteis do que dos meus finais de semana. Segunda feira sempre tem significado para mim um novo ciclo, novas oportunidades, novas esperanças, novas mudanças, enfim... Elas têm sido mais positivas do que uma sexta, um sábado, um domingo... e eu chego verdadeiramente feliz às segundas feiras. Pois bem, além da sempre salvadora sessão de acupuntura (ontem o mote foi: "sua energia está boa, mas agora acalme seus pensamentos, Mariana. Essa intranquilidade não vai te levar a lugar nenhum"), ontem fui ao cinema. E foi ótimo o cinema... mesmo mesmo. (Ver acima sobre o filme) A amiga de Nova York ontem ao descer do carro disse que eu sou uma das melhores coisas que poderia acontecer na vida dela nessa estada de dois meses por aqui. Pois bem. Eu acho que ela é a melhor companhia que eu poderia ter nesses exatos dois meses. Ô coisa linda de ver...
6
Sonhos de viagem
Pois bem... eu sei que eu não estou de férias, e sei também que a grana é curta, mas também sei que essa rotininha anda cansando bastante e que eu queria férias. Queria, talvez praia, talvez montanha, queria repor energias, conhecer um lugar novo, conhecer gente nova, trocar idéias novas. Queria ir pro Rio com a Lau, para a Bahia com a Vi, para Macchu Picchu (ou seria o Atacama?) com o Gil, para Brasília visitar. Fica o sonho do dia em que eu poderei de novo programar viagens.
5
Sideways - Entre umas e outras; Um Bom Ano
Não sei quando farei isso, mas quero fazer isso em um futuro breve. Comprar uma boa garrafa de um bom vinho e ficar tomando o vinho ao assistir esses filmes que têm essa temática e que mexeram tanto comigo. E o vinho, bebida que hoje em dia simboliza tanta sofisticação, na verdade nada mais é do que um legítimo brinde à vida simples - seja na França, seja na Califórnia, seja na sala da minha casa em São Paulo. Ó, sim, o bom e velho Néctar dos deuses...
4
Tempo seco
Hoje ouvi na previsão do tempo que, chuva, só lá pelo dia 22 de julho. MAN! Até lá ficaremos nesse clima de inversão térmica, dias quentes, sol muito forte, e um deserto de poluição acumulada. Meus olhos já ardem, e as mucosas (nariz, boca) também.
3
O último Harry Potter
Ontem me dei conta que ainda não li o último Harry Potter da série, lançado há exato um ano. Aliás, foi uma experiência bem interessante. A gente tinha jantar de aniversário do amigo em comum, então fomos, eu e o vizinho-amigo, na Cultura do Conj. Nacional comprar um presente para ele. Qual não foi nossa surpresa que era o dia do lançamento do último livro do Mr. Potter, e pessoas fantasiadas de alunos e de seres habitantes de Hogwarts circulavam pela Livraria. E não, não eram pessoas contratadas como uma ação de marketing. Eram consumidores. Sim, senhores, eram consumidores! Voltando ao foco... o ponto é que eu ainda não li o último livro da série do Harry Potter, e preciso saber se afinal das contas eu me caso ou não com ele!
2
Me sentir bem com pessoas bacanas
Sábado foi exatamente isso. Me senti bem com pessoas bacanas. Ele é meu amigo desde 99, e foi meu primeiro amigo homem. Uma pessoa linda e uma aura iluminada. E eu nunca perco os aniversários dele. E fui, e comi feijoada, e encontrei todos de conversas bacanas e olhares bons, e atenção, cuidado, carinho, amigos de longa data, outros, recentes, amigos desconhecidos que me conheciam de vista, a mãe dele e suas histórias de vida difícil (sim, ela é um exemplo de mulher), o amigo-vizinho, a prima-irmã, a professora de dança do ventre, o casal que acabou de mudar para morar junto contando as aventuras de tudo isso... Poderia ficar 72hrs com exatamente aquelas pessoas, jogando conversa fora, jogando sinuca, e me sentindo bem.
1
O novo disco do Coldplay
Ganhei de presente de um amigo o download completo do novo disco do Coldplay e virou um vício que eu não consigo largar de jeito nenhum. Recomendo, principalmente: Lovers in Japan/Reign of love. É a música que eu não consigo parar de ouvir de jeito nenhum.
Crocs
Comprei um para mim em abril. Sempre achei isso uma coisa mega feia, mas resolvi comprar mesmo assim. Simpatizei com as cores e o conforto, principalmente o conforto. Alguém um dia me viu com ele e chamou de "o sapato do Jason", devido aos furinhos. Tudo bem, eu realmente concordo que um Croc pode muito bem ser uma aberração estética sem precedentes, uma mistura de tamando holandês com máscara do Jason com design moderno feito de uma borracha ultra light e confortável. Mas não consigo tirar isso do pé... trocando em miúdos, meu Croc é uma pantufa com a qual eu posso sair de casa. E vou para a aula de yoga, vou fazer coisinhas na vizinhança, faço tudo isso. É muito bom.
9
Comer, Rezar, Amar
Dei esse livro no Natal do ano passado para a minha amizade mais antiga que tenho nessa vida, a Nei, que juntas estudamos desde o maternal. Ano passado ele era lançamento, e esse ano já está nos mais vendidos da Liv. Cultura e de algumas outras. Estou lendo, 400 páginas, e termino hoje com certeza. Basicamente em cinco dias. Mas a protagonista virou minha companheira, minha amiga (praticamente do mesmo jeito que quando eu lia Harry Potter eu realmente acreditava que poderia me casar com ele). Isso é simplesmente mais um sinal do meu poder de simbiose com personagens dos livros. Vou acabar hoje a história de mudanças da Liz Gilbert, e com certeza sentirei falta dessa "amiga" que me acompanhou nos últimos tempos. E, exclusivamente para as mulheres, recomendo bastante esse livro.
8
O Segredo do Grão
Filme bom, muito bom, de uma família de árabes em alguma cidade litorânea na França que decide abrir um restaurante. O filme angustia todo o tempo, e a sensação que temos é que todos os personagens sejam um pouco protagonistas, porque o diretor dá uma atenção especial para cada um. As cenas são filmadas muito de perto, principalmente pelo fato de o diretor querer personalizar muito o filme e as relações, mas essas cenas de perto podem ser bastante nojentas na cena do almoço com cuscuz. De qualquer forma, o filme é ótimo.
7
Uma boa segunda feira
Com exceção da segunda feira passada, quando comecei minha semana no hospital acompanhando minha mãe, e cheguei em casa sem me entender direito, sem quase nem saber mais o meu nome, nas outras três segundas feiras (ontem, a do dia 30/jun e a do dia 23/jun) tive segundas feiras maravilhosas. E eu ando um pouco na contramão das pessoas ultimamente. Espero mais coisas dos meus dias úteis do que dos meus finais de semana. Segunda feira sempre tem significado para mim um novo ciclo, novas oportunidades, novas esperanças, novas mudanças, enfim... Elas têm sido mais positivas do que uma sexta, um sábado, um domingo... e eu chego verdadeiramente feliz às segundas feiras. Pois bem, além da sempre salvadora sessão de acupuntura (ontem o mote foi: "sua energia está boa, mas agora acalme seus pensamentos, Mariana. Essa intranquilidade não vai te levar a lugar nenhum"), ontem fui ao cinema. E foi ótimo o cinema... mesmo mesmo. (Ver acima sobre o filme) A amiga de Nova York ontem ao descer do carro disse que eu sou uma das melhores coisas que poderia acontecer na vida dela nessa estada de dois meses por aqui. Pois bem. Eu acho que ela é a melhor companhia que eu poderia ter nesses exatos dois meses. Ô coisa linda de ver...
6
Sonhos de viagem
Pois bem... eu sei que eu não estou de férias, e sei também que a grana é curta, mas também sei que essa rotininha anda cansando bastante e que eu queria férias. Queria, talvez praia, talvez montanha, queria repor energias, conhecer um lugar novo, conhecer gente nova, trocar idéias novas. Queria ir pro Rio com a Lau, para a Bahia com a Vi, para Macchu Picchu (ou seria o Atacama?) com o Gil, para Brasília visitar. Fica o sonho do dia em que eu poderei de novo programar viagens.
5
Sideways - Entre umas e outras; Um Bom Ano
Não sei quando farei isso, mas quero fazer isso em um futuro breve. Comprar uma boa garrafa de um bom vinho e ficar tomando o vinho ao assistir esses filmes que têm essa temática e que mexeram tanto comigo. E o vinho, bebida que hoje em dia simboliza tanta sofisticação, na verdade nada mais é do que um legítimo brinde à vida simples - seja na França, seja na Califórnia, seja na sala da minha casa em São Paulo. Ó, sim, o bom e velho Néctar dos deuses...
4
Tempo seco
Hoje ouvi na previsão do tempo que, chuva, só lá pelo dia 22 de julho. MAN! Até lá ficaremos nesse clima de inversão térmica, dias quentes, sol muito forte, e um deserto de poluição acumulada. Meus olhos já ardem, e as mucosas (nariz, boca) também.
3
O último Harry Potter
Ontem me dei conta que ainda não li o último Harry Potter da série, lançado há exato um ano. Aliás, foi uma experiência bem interessante. A gente tinha jantar de aniversário do amigo em comum, então fomos, eu e o vizinho-amigo, na Cultura do Conj. Nacional comprar um presente para ele. Qual não foi nossa surpresa que era o dia do lançamento do último livro do Mr. Potter, e pessoas fantasiadas de alunos e de seres habitantes de Hogwarts circulavam pela Livraria. E não, não eram pessoas contratadas como uma ação de marketing. Eram consumidores. Sim, senhores, eram consumidores! Voltando ao foco... o ponto é que eu ainda não li o último livro da série do Harry Potter, e preciso saber se afinal das contas eu me caso ou não com ele!
2
Me sentir bem com pessoas bacanas
Sábado foi exatamente isso. Me senti bem com pessoas bacanas. Ele é meu amigo desde 99, e foi meu primeiro amigo homem. Uma pessoa linda e uma aura iluminada. E eu nunca perco os aniversários dele. E fui, e comi feijoada, e encontrei todos de conversas bacanas e olhares bons, e atenção, cuidado, carinho, amigos de longa data, outros, recentes, amigos desconhecidos que me conheciam de vista, a mãe dele e suas histórias de vida difícil (sim, ela é um exemplo de mulher), o amigo-vizinho, a prima-irmã, a professora de dança do ventre, o casal que acabou de mudar para morar junto contando as aventuras de tudo isso... Poderia ficar 72hrs com exatamente aquelas pessoas, jogando conversa fora, jogando sinuca, e me sentindo bem.
1
O novo disco do Coldplay
Ganhei de presente de um amigo o download completo do novo disco do Coldplay e virou um vício que eu não consigo largar de jeito nenhum. Recomendo, principalmente: Lovers in Japan/Reign of love. É a música que eu não consigo parar de ouvir de jeito nenhum.
14.7.08
Reencontro
"Dizia ele estou indo para Brasília, nesse país lugar melhor não há".
E foi-se, desde o começo do ano.
Mantivemos contato por um tempo, depois paramos de nos falar, depois voltamos a nos falar bem menos do que antes, e nesse final de semana ele esteve aqui. Aparentemente esse reencontro estava agendado desde que ele esteve aqui em junho e eu não consegui vê-lo, por estar viajando.
Mandei mensagem de texto na 4a, do show do João Donato, falando que estava no show do João Donato e que tinha me lembrado dele. 5a recebi um email de resposta, e assim foi para marcarmos nosso reencontro essa semana. 6a liguei para ele duas vezes e não obtive sucesso, então deixei um pouco para lá, mas domingo ele me ligou e enfim conseguimos marcar que nos veríamos no Bar do Sacha.
Desde que eu tinha decidido que gostaria de reencontra-lo, a única idéia na minha cabeça era muito simples e eu não quis que ela evoluísse muito acima disso (ou seja, não fiquei fritando os neurônios). A idéia o tempo todo foi: estou com saudades e quero encontrá-lo. Ponto.
Pois bem. O fato é que bate sim friozinho na barriga, no carro a caminho do Sacha, de pensar como será o reencontro.
***
Ao chegar no bar, encontro um ambiente mais do que agradável e extremamente carinhoso. Pessoas que há muito eu conheci quando namorávamos, e que eram amigos queridos e especiais, estavam lá. E foi ótimo encontrá-lo, especialmente ele. Ao me abraçar, ouvi de cara "Nossa, como você está cheirosa!" e consegui fazer uma pequena festa com cada um na mesa, de saudades legítimas. Tudo era matar saudades na tarde de ontem. Depois dos abraços em cada um, e da troca de sorrisos e gentilezas, e era tudo de fato bem legítimo, sentei-me ao lado dele (essa coisa meio solene de ser ex-namorada).
Não sei explicar em palavras o que eu senti ao seu lado. Mas era alguma coisa muito boa e muito forte, com certeza. Ficamos conversando da vida, falando mais ou menos por cima o que estava acontecendo, sabíamos que o tempo era curto e que tínhamos que aproveitar ao máximo aquilo tudo. Mas o que eu levo desse reencontro não são as conversas, e sim os olhares. Os olhares, o cuidado, o carinho um com o outro.
Sua mão oscilava entre um carinho gostoso nos meus ombros e cabelos, ou então pousava, carinhosa, nas minhas pernas. Às vezes ele até começava a apertar um pouco minhas pernas, e quando se dava conta me olhava e falava: "às vezes eu até esqueço!". Daí tirava a mão, e não muito tempo depois ela voltava a pousar carinhosamente na minha perna. E eu ficava feliz por dentro.
Eu fiquei feliz com tudo. Fiquei feliz em ver o olho sorridente, a boca sorridente, em encontrá-lo extremamente bem e feliz - embora mais gordinho também. Em ouvir suas histórias de cantos do mundo para os quais ele foi esse ano, e do projeto que ele chefia.
Fiquei feliz por matar as saudades, por ouvir a voz.
Fiquei feliz por sentar perto e por sentir o bom e velho perfume dele. Mais do que o perfume, fiquei feliz por sentir o cheiro.
Fiquei feliz por fazermos brincadeiras que desmistificaram alguns entraves do nosso final de namoro (ele: "conheci esse meu amigo naquela festa em que a gente brigou feio, lembra?" eu: "festa que brigamos feio? que festa? não lembro não, não sei do que você está falando... você lembra de alguma festa que brigamos feio?", diálogo seguido por uma gostosa gargalhada cheia de cumplicidades).
Fiquei feliz por ser hiper bem recebida pelos amigos dele.
Fiquei feliz porque ele me olhava como se eu tivesse voltado a ser uma das pessoas mais importantes na vida dele, mesmo que só por uma horinha, em uma tarde de domingo ensolarada.
Fiquei feliz porque mesmo sem vê-lo por seis meses, parecia que a gente não se via por quinze dias só. O papo estava bom.
Recebi elogios dele, do cabelo, da pele, da cara de feliz, do corpo mais magro. E elogiei ele também. É muito bom ver uma pessoa de quem a gente gosta estar feliz. Isso me realiza, me deixa feliz também. Cada vez mais fica mais claro que São Paulo nunca fez bem para ele, e não adiantaria forçar isso. Ele está bem em Brasília, aquela sim é a sua casa.
Ao me despedir, uma amiga dele também me elogiou. E ele disse: "acho que é o fato de não estarmos mais juntos que está fazendo bem para ela". Todos demos risadas. E eu só queria ter dito que não é a presença ou a ausência dele, e sim todas as mudanças que esse 2008 vem trazendo. Mas ficou intalado, e o máximo que eu fiz foi soltar um risinho sem graça.
E aquele abraço de despedida foi delicioso. Lembrei-me bastante do meu "ato de apertar mais gostoso do mundo", mas resolvi deixar quieto. Seria injusto com nós dois. Beijávamos, um as bochechas do outro, como que pedindo que nunca mais fiquemos sem nos ver. Acomodávamos juntos a cabeça um no ombro do outro. Não falávamos, em teoria era um silêncio, mas nossos sentimentos estavam berrando pelos nossos corpos.
***
Eu vivia falando que queria ter com ele um relacionamento civilizado de ex-namorados.
Ontem, muito mais do que civilizado, tive um reencontro absolutamente terno e carinhoso.
Quando eu saí do bar, a vida voltava ao normal aos poucos. Não quis fazer histórias desse nosso reencontro. Ficar imaginando um beijo na boca, ou ficar pensando o que será que ele sentiu, ou ficar imaginando quando nos reencontraremos. Não quis nada disso. Talvez uma lágrima tenha escorrido, muito mais pela intensidade de tudo aquilo do que pura tristeza propriamente dita. Foi um reencontro realmente forte. Fica lá guardado, em um cantinho especial e fechado, meu carinho por ele, minha consideração absurda por ele, um amor gigantesco, e o gosto gostoso e familar das lembranças boas que colecionamos.
Nosso reencontro me rendeu bons sonhos - no sentido literal e não figurado da palavra.
Mas hoje é segunda feira e a vida precisa voltar ao normal.
E foi-se, desde o começo do ano.
Mantivemos contato por um tempo, depois paramos de nos falar, depois voltamos a nos falar bem menos do que antes, e nesse final de semana ele esteve aqui. Aparentemente esse reencontro estava agendado desde que ele esteve aqui em junho e eu não consegui vê-lo, por estar viajando.
Mandei mensagem de texto na 4a, do show do João Donato, falando que estava no show do João Donato e que tinha me lembrado dele. 5a recebi um email de resposta, e assim foi para marcarmos nosso reencontro essa semana. 6a liguei para ele duas vezes e não obtive sucesso, então deixei um pouco para lá, mas domingo ele me ligou e enfim conseguimos marcar que nos veríamos no Bar do Sacha.
Desde que eu tinha decidido que gostaria de reencontra-lo, a única idéia na minha cabeça era muito simples e eu não quis que ela evoluísse muito acima disso (ou seja, não fiquei fritando os neurônios). A idéia o tempo todo foi: estou com saudades e quero encontrá-lo. Ponto.
Pois bem. O fato é que bate sim friozinho na barriga, no carro a caminho do Sacha, de pensar como será o reencontro.
***
Ao chegar no bar, encontro um ambiente mais do que agradável e extremamente carinhoso. Pessoas que há muito eu conheci quando namorávamos, e que eram amigos queridos e especiais, estavam lá. E foi ótimo encontrá-lo, especialmente ele. Ao me abraçar, ouvi de cara "Nossa, como você está cheirosa!" e consegui fazer uma pequena festa com cada um na mesa, de saudades legítimas. Tudo era matar saudades na tarde de ontem. Depois dos abraços em cada um, e da troca de sorrisos e gentilezas, e era tudo de fato bem legítimo, sentei-me ao lado dele (essa coisa meio solene de ser ex-namorada).
Não sei explicar em palavras o que eu senti ao seu lado. Mas era alguma coisa muito boa e muito forte, com certeza. Ficamos conversando da vida, falando mais ou menos por cima o que estava acontecendo, sabíamos que o tempo era curto e que tínhamos que aproveitar ao máximo aquilo tudo. Mas o que eu levo desse reencontro não são as conversas, e sim os olhares. Os olhares, o cuidado, o carinho um com o outro.
Sua mão oscilava entre um carinho gostoso nos meus ombros e cabelos, ou então pousava, carinhosa, nas minhas pernas. Às vezes ele até começava a apertar um pouco minhas pernas, e quando se dava conta me olhava e falava: "às vezes eu até esqueço!". Daí tirava a mão, e não muito tempo depois ela voltava a pousar carinhosamente na minha perna. E eu ficava feliz por dentro.
Eu fiquei feliz com tudo. Fiquei feliz em ver o olho sorridente, a boca sorridente, em encontrá-lo extremamente bem e feliz - embora mais gordinho também. Em ouvir suas histórias de cantos do mundo para os quais ele foi esse ano, e do projeto que ele chefia.
Fiquei feliz por matar as saudades, por ouvir a voz.
Fiquei feliz por sentar perto e por sentir o bom e velho perfume dele. Mais do que o perfume, fiquei feliz por sentir o cheiro.
Fiquei feliz por fazermos brincadeiras que desmistificaram alguns entraves do nosso final de namoro (ele: "conheci esse meu amigo naquela festa em que a gente brigou feio, lembra?" eu: "festa que brigamos feio? que festa? não lembro não, não sei do que você está falando... você lembra de alguma festa que brigamos feio?", diálogo seguido por uma gostosa gargalhada cheia de cumplicidades).
Fiquei feliz por ser hiper bem recebida pelos amigos dele.
Fiquei feliz porque ele me olhava como se eu tivesse voltado a ser uma das pessoas mais importantes na vida dele, mesmo que só por uma horinha, em uma tarde de domingo ensolarada.
Fiquei feliz porque mesmo sem vê-lo por seis meses, parecia que a gente não se via por quinze dias só. O papo estava bom.
Recebi elogios dele, do cabelo, da pele, da cara de feliz, do corpo mais magro. E elogiei ele também. É muito bom ver uma pessoa de quem a gente gosta estar feliz. Isso me realiza, me deixa feliz também. Cada vez mais fica mais claro que São Paulo nunca fez bem para ele, e não adiantaria forçar isso. Ele está bem em Brasília, aquela sim é a sua casa.
Ao me despedir, uma amiga dele também me elogiou. E ele disse: "acho que é o fato de não estarmos mais juntos que está fazendo bem para ela". Todos demos risadas. E eu só queria ter dito que não é a presença ou a ausência dele, e sim todas as mudanças que esse 2008 vem trazendo. Mas ficou intalado, e o máximo que eu fiz foi soltar um risinho sem graça.
E aquele abraço de despedida foi delicioso. Lembrei-me bastante do meu "ato de apertar mais gostoso do mundo", mas resolvi deixar quieto. Seria injusto com nós dois. Beijávamos, um as bochechas do outro, como que pedindo que nunca mais fiquemos sem nos ver. Acomodávamos juntos a cabeça um no ombro do outro. Não falávamos, em teoria era um silêncio, mas nossos sentimentos estavam berrando pelos nossos corpos.
***
Eu vivia falando que queria ter com ele um relacionamento civilizado de ex-namorados.
Ontem, muito mais do que civilizado, tive um reencontro absolutamente terno e carinhoso.
Quando eu saí do bar, a vida voltava ao normal aos poucos. Não quis fazer histórias desse nosso reencontro. Ficar imaginando um beijo na boca, ou ficar pensando o que será que ele sentiu, ou ficar imaginando quando nos reencontraremos. Não quis nada disso. Talvez uma lágrima tenha escorrido, muito mais pela intensidade de tudo aquilo do que pura tristeza propriamente dita. Foi um reencontro realmente forte. Fica lá guardado, em um cantinho especial e fechado, meu carinho por ele, minha consideração absurda por ele, um amor gigantesco, e o gosto gostoso e familar das lembranças boas que colecionamos.
Nosso reencontro me rendeu bons sonhos - no sentido literal e não figurado da palavra.
Mas hoje é segunda feira e a vida precisa voltar ao normal.
10.7.08
Uma boa vida aqui
Mais uma vez eu vou babar ovo para as inúmeras possibilidades já descobertas e as ainda não exploradas e nem conhecidas dessa cidade. Poderia muito bem morar em Londres, Buenos Aires, Nova York ou Paris. No Brasil, penso até que me mudaria para Brasília, Porto Alegre, e Curitiba, mais ao norte não porque o pseudo frio brasileiro e a possibilidade de fazer 10 graus ou menos me é por demais necessária (pelo menos fica a esperança da chegada da frente fria).
Fico feliz, inclusive, que nesse ano o inverno está com cara de inverno, as frentes frias chegam e vão, o dia é ensolarado e a noite é bem geladinha. Mas não vou me enveredar pelo caminho da meteorologia, outro dia falo disso. O meu ponto é que eu poderia muito bem morar em outros cantos, mas moro em São Paulo por "n" motivos, sendo o mais marcante deles é que eu nunca me mudei daqui.
E essa cidade, tão dura, tão cinza, tão cheia, tão poluída, tão impraticável, que muitas pessoas não gostam, ainda me encanta. Me encanta porque nela residem pequenas coisas, eventos, possibilidades, que formam uma mistura deliciosa em prol do meu amor infinito por aqui, que vai além do fato de essa ter sido a minha casa desde sempre, e minha família, amigos, e meu coração morarem aqui.
(Mas gostaria de deixar aqui meu protesto. Não cabe mais. Aqui realmente não cabe mais um prédio e um carro sequer, peloamordedeus, que a capacidade de São Paulo já está bem devidamente esgotada.)
Dando louros aos que merecem, vou mencionar aqui algumas das últimas coisas só de São Paulo que andei fazendo e que me deixaram feliz da vida.
- Comemoração de 100 anos da Imigração Japonesa no Planetário
Espetáculo: Ryoto.
O trajeto feito pelo primeiro barco imigrante aqui no Brasil, e retratado pelo céu que mudava pelo caminho e pelas diferentes lendas para explicar as estrelas nos diferentes países. De trilha sonora, uma flauta tipicamente japonesa. Espetáculo muito bonito e emocionante, que mistura história, diversas mitologias, astronomia e música.
- "A Noite dos Palhaços Mudos"
Espaço dos Parlapatões, Pça Roosevelt, 4as e 5as às 21hrs, até o final de julho.
Encenada pela La Mínima e escrita pelo Laerte.
Peça linda, demais engraçada, com expressões faciais e corporais extremamente bem elaboradas a ponto de tornar a voz um instrumento absolutamente desnecessário. Discutimos qual seria a melhor cena, e eu achei particularmente a queda de lá de cima com o guarda-chuva. Mas muita gente adorou a perseguição, teve gente que adorou a escalada pela janela, ou as caminhadas lá no alto, quase perto de cair, e todo o medo de altura estampado na cara deles. A cerveja que se seguiu, e a carne seca temperada com a maionese especial do Papo, Pinga e Petisco, e a conversa sempre tão boa, tudo isso fez dessa despretenciosa noite de quinta uma das mais gostosas que há muito eu não via.
- Uma cerveja no Hassan
Lá em uma esquina escondida na Lapa longínqua um boteco fez fama com meu primo e meu irmão, e por coincidência fica do lado da escola onde meu pai faz aulas de canto, então marcamos todos... Meu pai, seus filhos, e alguns de seus sobrinhos. Sábado passado a noite estava gelada, e a rua do Hassan fazia um vento encanado absurdo, gelado. O boteco é boteco mesmo, o típico pé sujo, com comidinhas com cara de duvidosa, cadeiras de alumínio com a eterna sensação de uma iminente queda. Quatro horas sentada na mesa do bar, comendo petiscos árabes muito bons, e tomando uma boa cerveja , e deixei lá menos de dez reais. Um bom boteco, e realmente barato. Quando cheguei em casa meu nariz ainda estava com a ponta congelada.
- Um vinho no Kilyx
Estava eu quinta passada querendo fazer alguma coisa de diferente que se pode fazer em São Paulo, querendo explorar territórios nunca dantes navegados. E eu nunca tinha ido a um winebar, por mais que eles estejam ficando cada vez mais populares aqui. Até que a nova-iorquina me aborda querendo ir a um winebar. Seria ótimo, juntando minha vontade de explorar o desconhecido, a vontade dela por um paladar específico, e a nossa vontade por uma noite de conversas adoráveis. E bebemos uma garrafa do vinho branco (é mel? é ameixa?) e outra do tinto (amadeirado, mas com nozes talvez?) tentando adivinhar os sabores escondidos por trás do Sauvignon Blanc e do Syrah. Gosto demais disso de bom vinho, a embriaguez do vinho é uma sensação fantástica, boa demais para ser compartilhada ou para ser curtida solitariamente. As conversas que acontecem com um copo de vinho na mão são absolutamente sensíveis. E aí, na nossa super noite dos prazeres gastronômicos que essa vida pode nos oferecer, emendamos no Havanna. Emendamos com vontade, tomamos um drink de café e chocolate especial de inverno, comemos bocaditos argentinos, dividimos nossas experiências com os argentinos... e a intimidade que sempre existiu simplesmente se acentuou belamente, de forma sutil e natural.
- Um show no Ibirapuera
Jovens homenageando João Donato: Marcelo Camelo, Marcelo D2, Bebel Gilberto, Adriana Calacanhoto, Fernanda Takai, Roberta Sá
Fazia frio quarta à tarde quando chegamos no parque, e já entardecia. O público estava inteiro sentado na grama, e Nelson Motta apresentava os cantores novos que entrariam no palco. A grama umida penetrava pela calça e deixava o bumbum frio, mas tudo bem, tudo era tão lindo, e estava tão legal, que era isso o que eu precisava. A qualidade do som não era das melhores, mas as músicas eram. E me permiti entrar em uma viagem gostosa de saudades embalada por "Naquela estação" na versão da Adriana Calcanhoto. Era a saudades da qual eu tanto fugia. Saudades como a sensação gostosa de sentir falta de alguma coisa boa que já esteve aqui e não está mais. Senti saudades de uma pessoa boa. Boa, maravilhosa, e com uma importância absurda na minha vida. A sensação que fica é que essas saudades sempre foram latentes e que eu estava precisando admiti-la para mim mesma. Finalmente consegui. Ao som de "Naquela Estação", com o J. Donato no piano e a Adriana Calcanhoto na voz. "Você entrou no trem e eu, na estação, vendo o céu fugir. Também não dava mais para tentar lhe convencer a não partir, e agora? Tudo bem, você partiu para ver outras paisagens."
Tudo isso aqui, em São Paulo, gastando no máximo R$ 10,00 pro programa, e aproveitando de fato tudo que de melhor essa cidade tem a nos oferecer.
Fico feliz, inclusive, que nesse ano o inverno está com cara de inverno, as frentes frias chegam e vão, o dia é ensolarado e a noite é bem geladinha. Mas não vou me enveredar pelo caminho da meteorologia, outro dia falo disso. O meu ponto é que eu poderia muito bem morar em outros cantos, mas moro em São Paulo por "n" motivos, sendo o mais marcante deles é que eu nunca me mudei daqui.
E essa cidade, tão dura, tão cinza, tão cheia, tão poluída, tão impraticável, que muitas pessoas não gostam, ainda me encanta. Me encanta porque nela residem pequenas coisas, eventos, possibilidades, que formam uma mistura deliciosa em prol do meu amor infinito por aqui, que vai além do fato de essa ter sido a minha casa desde sempre, e minha família, amigos, e meu coração morarem aqui.
(Mas gostaria de deixar aqui meu protesto. Não cabe mais. Aqui realmente não cabe mais um prédio e um carro sequer, peloamordedeus, que a capacidade de São Paulo já está bem devidamente esgotada.)
Dando louros aos que merecem, vou mencionar aqui algumas das últimas coisas só de São Paulo que andei fazendo e que me deixaram feliz da vida.
- Comemoração de 100 anos da Imigração Japonesa no Planetário
Espetáculo: Ryoto.
O trajeto feito pelo primeiro barco imigrante aqui no Brasil, e retratado pelo céu que mudava pelo caminho e pelas diferentes lendas para explicar as estrelas nos diferentes países. De trilha sonora, uma flauta tipicamente japonesa. Espetáculo muito bonito e emocionante, que mistura história, diversas mitologias, astronomia e música.
- "A Noite dos Palhaços Mudos"
Espaço dos Parlapatões, Pça Roosevelt, 4as e 5as às 21hrs, até o final de julho.
Encenada pela La Mínima e escrita pelo Laerte.
Peça linda, demais engraçada, com expressões faciais e corporais extremamente bem elaboradas a ponto de tornar a voz um instrumento absolutamente desnecessário. Discutimos qual seria a melhor cena, e eu achei particularmente a queda de lá de cima com o guarda-chuva. Mas muita gente adorou a perseguição, teve gente que adorou a escalada pela janela, ou as caminhadas lá no alto, quase perto de cair, e todo o medo de altura estampado na cara deles. A cerveja que se seguiu, e a carne seca temperada com a maionese especial do Papo, Pinga e Petisco, e a conversa sempre tão boa, tudo isso fez dessa despretenciosa noite de quinta uma das mais gostosas que há muito eu não via.
- Uma cerveja no Hassan
Lá em uma esquina escondida na Lapa longínqua um boteco fez fama com meu primo e meu irmão, e por coincidência fica do lado da escola onde meu pai faz aulas de canto, então marcamos todos... Meu pai, seus filhos, e alguns de seus sobrinhos. Sábado passado a noite estava gelada, e a rua do Hassan fazia um vento encanado absurdo, gelado. O boteco é boteco mesmo, o típico pé sujo, com comidinhas com cara de duvidosa, cadeiras de alumínio com a eterna sensação de uma iminente queda. Quatro horas sentada na mesa do bar, comendo petiscos árabes muito bons, e tomando uma boa cerveja , e deixei lá menos de dez reais. Um bom boteco, e realmente barato. Quando cheguei em casa meu nariz ainda estava com a ponta congelada.
- Um vinho no Kilyx
Estava eu quinta passada querendo fazer alguma coisa de diferente que se pode fazer em São Paulo, querendo explorar territórios nunca dantes navegados. E eu nunca tinha ido a um winebar, por mais que eles estejam ficando cada vez mais populares aqui. Até que a nova-iorquina me aborda querendo ir a um winebar. Seria ótimo, juntando minha vontade de explorar o desconhecido, a vontade dela por um paladar específico, e a nossa vontade por uma noite de conversas adoráveis. E bebemos uma garrafa do vinho branco (é mel? é ameixa?) e outra do tinto (amadeirado, mas com nozes talvez?) tentando adivinhar os sabores escondidos por trás do Sauvignon Blanc e do Syrah. Gosto demais disso de bom vinho, a embriaguez do vinho é uma sensação fantástica, boa demais para ser compartilhada ou para ser curtida solitariamente. As conversas que acontecem com um copo de vinho na mão são absolutamente sensíveis. E aí, na nossa super noite dos prazeres gastronômicos que essa vida pode nos oferecer, emendamos no Havanna. Emendamos com vontade, tomamos um drink de café e chocolate especial de inverno, comemos bocaditos argentinos, dividimos nossas experiências com os argentinos... e a intimidade que sempre existiu simplesmente se acentuou belamente, de forma sutil e natural.
- Um show no Ibirapuera
Jovens homenageando João Donato: Marcelo Camelo, Marcelo D2, Bebel Gilberto, Adriana Calacanhoto, Fernanda Takai, Roberta Sá
Fazia frio quarta à tarde quando chegamos no parque, e já entardecia. O público estava inteiro sentado na grama, e Nelson Motta apresentava os cantores novos que entrariam no palco. A grama umida penetrava pela calça e deixava o bumbum frio, mas tudo bem, tudo era tão lindo, e estava tão legal, que era isso o que eu precisava. A qualidade do som não era das melhores, mas as músicas eram. E me permiti entrar em uma viagem gostosa de saudades embalada por "Naquela estação" na versão da Adriana Calcanhoto. Era a saudades da qual eu tanto fugia. Saudades como a sensação gostosa de sentir falta de alguma coisa boa que já esteve aqui e não está mais. Senti saudades de uma pessoa boa. Boa, maravilhosa, e com uma importância absurda na minha vida. A sensação que fica é que essas saudades sempre foram latentes e que eu estava precisando admiti-la para mim mesma. Finalmente consegui. Ao som de "Naquela Estação", com o J. Donato no piano e a Adriana Calcanhoto na voz. "Você entrou no trem e eu, na estação, vendo o céu fugir. Também não dava mais para tentar lhe convencer a não partir, e agora? Tudo bem, você partiu para ver outras paisagens."
Tudo isso aqui, em São Paulo, gastando no máximo R$ 10,00 pro programa, e aproveitando de fato tudo que de melhor essa cidade tem a nos oferecer.
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